A história de 40 anos de duelos

      Guião do Portugal - França contempla drama, revolta e um plot twist perfeito

      2024/07/03 11:06
      ENVIADOS ESPECIAIS em Hamburgo, Alemanha:
      E9

      Marselha, Bruxelas, Munique e Paris. Segue-se Hamburgo, a «pérola junto ao rio Elba». Este podia ser um roteiro turístico apelativo, mas é o guião de um thriller desportivo com 40 anos de enredo, marcados por episódios dramáticos e um plot twist sonhado há demasiado tempo.

      Esta sexta-feira, Portugal volta a ter um jogo em que o orgulho é distinto; é com a França, nos quartos de final do Campeonato da Europa de 2024. Um país que está tão intimamente ligado à história lusa que as emoções se misturam e a palavra «especial» não se diz em vão.  

      90 minutos raramente chegam 

      Há pouca «normalidade» nos duelos entre portugueses e franceses ao longo das décadas, sobretudo quando o palco e o momento são de importância maior. Em três dos quatros jogos a eliminar entre Portugal e França, os 90 minutos regulamentares não bastaram; foi preciso drama extra. 

      Este é um filme sobre dramatismo puro, memórias e traumas intemporais. 

      Vélodrome, 23 de junho de 1984

      O primeiro é ainda hoje um clássico difícil de ignorar. Depois do sonho amargo de 1966, em Inglaterra, Portugal voltava a uma fase final de um grande torneio após um longo período de irrelevância futebolística.  

      O caminho voltaria a levar a seleção nacional até às meias-finais e ao drama de Marselha, onde dois golos de Rui Jordão carregaram de esperança a alma lusitana. Depois de 90 minutos e um empate (1-1), Jean-François Domergue e Michel Platini, com um golo aos 119 minutos, acabaram por derrubar o sonho português (3-2). Estava escrito o primeiro ato. 

      Bruxelas, 28 de junho de 2000

      © Getty / OLIVIER MORIN

      Dezasseis anos depois, o trauma de 84 estava ainda bem presente na memória coletiva do povo português. Jogava-se o Euro 2000 e a seleção orientada por Humberto Coelho encantava pela qualidade e injetava uma confiança pouco comum a um país habituado a não acreditar. 

      A caminhada estava a ser perfeita – ainda hoje a única fase de grupos 100 por cento vitoriosa -, mas na mesma meia-final, os mesmos franceses. E mais uma vez, 90 minutos não chegaram. Um golo de Nuno Gomes deu vantagem a Portugal, mas Thierry Henry empatou na segunda parte. Prolongamento, pois claro. 

      Em 2000, imperava a regra do «golo de ouro»; um castigo insuportável para quem caísse, impotente perante a última batida do relógio. O resto, é dor lusitana. A mão de Abel Xavier, o desespero de Luís Figo e o penálti de Zidane, convertido aos 117 minutos. Marselha em Bruxelas, 16 anos depois. O trauma crescia. 

      Munique, 5 de julho de 2006

      © Nick Potts - PA Images / Getty Images

      Por esta altura, o historial trazia peso aos duelos. Havia 84 e 2000 e um coração que continuava a sangrar. Portugal vinha do mágico 2004 – com a sua própria história de sofrimento -, mas Luiz Felipe Scolari tinha solidificado a crença que vinha, pelo menos, desde a era Humberto Coelho. E 40 anos depois, a seleção portuguesa voltava a uma meia-final de um Campeonato do Mundo, em 2006.

      Pois bem, em Munique chegou o terceiro ato com a França. Com memórias ainda frescas, desta vez a sina ficou decidida no tempo regulamentar. Mas o paralelismo com 2000 é evidente. Um penálti e um golo de Zinedine Zidane, ainda na primeira parte, foi o ato suficiente, mais uma vez, para travar a ambição portuguesa às portas da final.  

      Seria preciso a paciência de mais uma década. 

      Paris, 10 de julho de 2016

      © Global Imagens / Gerardo Santos

      O plot twist no thriller que atormentava Portugal desde 1984. O cenário? Poético. Em Paris, o coração pulsante de uma França imbatível, a história quis ajustar contas. Depois de três noites gloriosas para os Les Bleus nos 32 anos anteriores, a vitória suprema dos «oprimidos».  

      É escusado explanar os factos dessa noite. A lesão de Cristiano Ronaldo, os deuses da fortuna naquela bola no poste de Gignac e o remate de Éder, ao minuto 109. Tudo isto é tatuagem coletiva, uma parte da identidade nacional. Ao terceiro prolongamento, Portugal puxou a felicidade para si.

      Campeões da Europa, mes amis!

      E agora?

      © Getty / TIBOR ILLYES

      Quatro atos, contados ao longo de 40 anos. Os quatro maiores, numa história que ainda contempla o jogo de 2021, em Budapeste, na fase de grupos do Euro 2020 (2-2) e os dois duelos da Liga das Nações, meio ano antes (0-0 e derrota portuguesa por 1-0).  

      A contabilidade é, porém, ainda mais vasta do que os sete jogos oficiais. Desde 1926, Portugal e França encontraram-se em 28 ocasiões, 21 das quais em encontros de caráter particular. O saldo é claro: 19 triunfos gauleses contra apenas seis de Portugal.  

      Fica, então, a questão dos tempos modernos: terá 2016 mudado a perceção dos duelos com a França? Esta sexta-feira, que fantasmas entrarão em campo? Os de Marselha, Bruxelas ou Munique? Ou o ato libertador de Paris? Hamburgo ditará a resposta. 

      Veja as incidências da partida no acompanhamento feito pelo zerozero.pt.
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      motivo:
      carlosferrari26 6
      2024-07-04 19h28m por redlegion
      Os espanhóis diziam na brincadeira que jogar de branco dava azar. Curiosamente quando mudaram foram de novo campeões da Europa em 2008.
      Redlegion
      2024-07-04 15h27m por carlosferrari266
      Isso já tinha eu dito nos jogos em que defrontamos de branco frente a Marrocos, lol. Bem visto. . .
      Se repararem
      2024-07-04 13h31m por redlegion
      Sempre que jogamos com a França em fases finais e uma das equipas joga com o alternativo (branco, neste caso) perdemos sempre. A única vez que vencemos usaram ambas o equipamento principal, por isso a chave para o sucesso está aqui xD
      França
      2024-07-04 06h05m por moumu
      Já os batemos em 2016 em solo francês e soube como mel, tenho muita fé na nossa seleção e teremos de estar ano nosso melhor, por outro lado os franceses não têm estado com grande fulgor.
      Meu 11
      2024-07-04 01h29m por Sir_jaof
      Martinez inventa tanto, que este meu 11 acaba sendo "banal". . .
      __________Diogo Costa__________
      Cancelo_Pep e_R Dias_N Mendes
      _______Palhinha___Da nilo_______
      ___Bernardo____ _______Bruno___
      _______Cris tiano Ronaldo_______
      ________Gonç alo Ramos________

      4-4-2 que se desdobra para 3-5-2 com bola (Danilo desce para central), com as alas a serem exploradas pelos laterais e com Cristiano sem posição fixa nas costas do ponta-de-lança. . . ...ler comentário completo »
      França vs Portugal
      2024-07-04 00h10m por AngelEyes
      Se for como os últimos confrontos (tirando o amasso da França na final do euro 2016), vai ser um jogo muito equilibrado. Acredito que a França vai recuar linhas e jogar compacta, assim como fizeram a Eslovénia, a Geórgia e a Rep. Checa, para depois tentar ferir-nos através do ataque rápido. A nossa estratégia passará pelo mesmo, mas com menos pragmatismo e cinismo. A equipa que for mais disciplinada e seguir o plano mais à risca, será a vencedora. Penso que os franceses vão ter um mei...ler comentário completo »
      PE
      Sem esperança
      2024-07-03 15h43m por pedroinacio384
      No melhor caso, vai ser um jogo equilibrado.
      No que eu prevejo, vamos jogar com o mesmo 11, desta vez com pendor defensivo e vamos sofrer golos em contra ataque.
      Gostava muito de conseguir ver Mendes, Leão e Fernandes / Cancelo, Bernardo e Conceição/ Vitinha e Ramos / Inácio e Dias
      França
      2024-07-03 15h16m por Taument_da_Silva
      Estatisticamente, aquela nossa vitória foi uma anomalia (que graças a Deus aconteceu), pois o nosso histórico contra a França é bem negativo. 1984, 2000 e 2006 foram derrotas muito duras sempre em circunstâncias dramáticas, então aquele golo do Éder foi mesmo justiça poética.

      Acreditar, é lógico que acredito sempre que podemos ganhar - mas pelo futebol que temos apresentado, concordo com o comentário a baixo: mesmo ganhando, será com muito sofrimento. Mas que seja: cá estaremos para sofrer.
      A resposta dos tempos modernos
      2024-07-03 11h31m por TomPen
      Claro que não. Tivemos 3 jogos contra a França depois de 2016 e perdemos um e empatámos os doutros dois. E o empates muito se deram porque a França decidiu não apertar muito.

      Continuamos a ser presa fácil nestas andanças. O que aconteceu em 2016 foi um milagre que não volta a acontecer assim tão cedo.

      Isto quer dizer que a França nos vai atropelar? Claro que não. Mas Portugal já provou que não é uma seleção para sonhar. É uma seleção para sofrer. E é isso qu...ler comentário completo »
      jogos históricos
      U Sexta, 05 Julho 2024 - 20:00
      Volksparkstadion
      Michael Oliver
      0-0
      (3-5 g.p.)
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