Esta é a história de Vasco Mesquita

Ex-capitão do FC Porto é fenómeno no TikTok: «Nunca tive paixão pelo futebol»

Corre o ditado que o sonho comanda a vida e que cada um de nós tem algo que, desde pequeno, ambiciona ser. Durante a infância, ou pré-adolescência, a típica questão é sempre colocada. «O que queres ser quando fores grande?»

As respostas são sempre das mais variadas. Médico, advogado, jornalista ou... jogador de futebol. Essa ânsia mais do que ambicionada por tantas e outras crianças que crescem a ver os grandes jogadores no relvado e a dar toques na bola.

Esta é a história do «não é bem assim» do Vasco. Poucos o conhecem pela ligação que teve ao futebol, mas, sim pelos imensos vídeos virais nas redes sociais ligados ao McDonald's. Parece inusitado? Pode parecer, mas a infância e adolescência deste jovem é bem mais recheada do que, apenas, hambúrgueres.

Depois de um scroll quase infindável pela internet fora, lá apareceu o menino Vasco Mesquita de microfone em riste. Volvidos sete anos desse momento em que o antigo defesa ainda atuava na formação do FC Porto, o zerozero foi à procura de saber mais desta história e desta transição. 

«Nunca tive aquela paixão que alguns colegas tinham»

Tudo combinado e Vasco veio ao nosso encontro. De sorriso nervoso, mas a envergar a camisola já conhecida e reconhecida do McDonald's. Depois de larga conversa e apresentações, falou connosco sobre como tudo começou.  

@Arquivo Pessoal - Vasco Mesquita

«Comecei a jogar no CD Candal, mas nunca por vontade própria. Era por vontade do meu pai. Fazia só aqueles joguinhos ao sábado e um torneio ou outro, de vez em quando. Depois, um tio meu, conseguiu com que eu fizesse captações no FC Porto. Estava completamente nervoso porque o meu pai é ferrenho portista, completamente louco, mas lá consegui ficar», relembrou, antes de dizer que o seu primeiro jogo foi frente ao Benfica, num torneio de final de época, e não teve coragem de entrar no relvado por estar nervoso. «, dói-me a barriga. Estou aqui com umas cólicas...»

Fez parte da geração de 2000 dos dragões. Uma equipa que tinha nas suas fileiras, nada mais, nada menos que nomes como Romário Baró, Vitinha, Fábio Vieira e o grande amigo João Mário, mas, desse tempo, guarda apenas o carinho e as memórias do tempo que por lá passou. Aos 17 anos, decidiu pendurar as chuteiras.

@Arquivo Pessoal - Vasco Mesquita

«Eu nunca gostei muito de jogar futebol. Mesmo quando era mais pequeno, já queria desistir. Eu tinha jeito, mas nunca tive aquela paixão que alguns dos meus colegas tinham. Aquela pressão psicológica muito exigente desde miúdo... Não tinha paixão suficiente para lidar com isso. Uma vez, num jogo, estamos no intervalo e há uma discussão entre guarda-redes: 'Porque eu sou o titular, porque eu sou número um, tu não jogas nada' e eu só pensei 'não gosto nada disto'. Cheguei a casa, falei com os meus pais, liguei ao team manager e até dei a mentira de me querer focar nos estudos. Ainda joguei no fim de semana a seguir, mas fui embora. Os meus amigos ficaram em choque, mas não havia volta a dar.» 

O choque dos amigos não apagou a amizade que dura até hoje, passado tanto tempo. Ficam as histórias, as viagens à Chéquia, à Rússia e as gargalhadas em Inglaterra, quando uma brincadeira entre equipa levou à retirada da braçadeira de capitão ainda nos sub-14, por ser o mais brincalhão no plantel. 

João Mário? Entre ser o menino calado e quem resolve

«O João era a pessoa mais reservada que podem imaginar. Chegou aos 17 anos e descambou [risos]. Se for preciso, agora é mais falador. Sempre foi muito pacato e, nessa altura, houve uma mudança. Nos sub-17, na fase final, ele assumiu e era o nosso craque. O pessoal passava a bola para ele, porque ele era extremo, e 'Resolve, João'. É a pessoa mais humilde que eu conheço. Nunca vi nada assim. É chocante. É uma pessoa mesmo diferenciada.»

Vasco, ao ver o grande amigo de infância envergar a camisola da seleção nacional, não se contém e refere que é o maior orgulho de sempre, tendo até viajado até Alvalade para ver o lateral do FC Porto jogar frente à Islândia.

Sobre os restantes colegas, o antigo defesa traçou vários adjetivos. Vitinha? «Sempre foi uma pessoa mais madura. Ficávamos um ao lado do outro nas aulas, mas ele sempre foi alguém que queria mesmo ser jogador. De forma mesmo diferente». Fábio Vieira? Brincalhão, falador, com grande moral dentro de campo. «O craque do FC Porto, o capitão». Romário Baró? Reservado e muito humilde.

O contacto entre todos mantém-se. Nuno Damas é dos mais chegados, mas, mesmo não existindo o típico grupo do Whatsapp, Vasco diz que cada reencontro pede sempre um abraço prolongado e conversas a recordar histórias das vivências de balneário.

«Pós-FC Porto»: o crescendo fenómeno no TikTok

Como partilhou com o zerozero, o gosto e o bichinho pelo futebol nunca foi algo intrínseco nos pensamentos de Vasco Mesquita. Para ele, a vida era bem mais do que futebol - ainda que o seu clube seja Cristiano Ronaldo.

«Eu vejo todos os jogos da equipa onde ele estiver. Hoje, sou do Al-Nassr. Acompanho o FC Porto pelo João (Mário) e pelos meus amigos, mas só vejo mesmo o Al-Nassr. Desde 2016 que só vejo o Ronaldo e estraga-me o dia se ele não marcar.»

Uma história de infância coincidentemente ligou ao futuro que hoje vive. Ainda miúdo, Vasco deslocou-se ao  Estádio do Dragão para assistir ao FC Porto - Manchester United, onde Cristiano marca um dos seus célebres golos. Nesse mesmo encontro, o ainda pequeno Vasco teve o seu bilhete assinado por Aly Cissokho.... enquanto estava a comer uma salada no McDonald's.

Um presságio do futuro? Não garantimos, mas a curiosidade falou mais alto e... como é a vida do Vasco, após largar o futebol?

O objetivo passou por entrar na faculdade, tanto que acabou mesmo a licenciatura em Gestão. Durantes os estudos, começou a trabalhar na famosa cadeia de fast-food. «Eu gosto mesmo daquilo. Acho que tem uma política engraçada e o ambiente lá sempre foi altamente. As pessoas têm a ideia que não é nada higiénico, mas é completamente higiénico. A pressão psicológica que trouxe do futebol ajuda a lidar com a pressão dos dias normais numa empresa.»

Passado algum tempo, ainda no início do Campeonato do Mundo de 2022, começou a apostar nos vídeos nas redes sociais com a camisola da empresa vestida. As previsões de resultados da competição começaram bem, mas, agora tudo começou a escalar. As brincadeiras entre amigos, as famosas e misteriosas receitas dos hambúrgueres e a comédia angariam um público abrangente que, a passo e passo, vai crescendo. Afinal, no TikTok, já conta com mais de 20 mil seguidores.

Os amigos do tempo vivido na formação do FC Porto, todos os já mencionados, dizem adorar esta nova faceta de Vasco, com muita gargalhada à mistura. Eles próprios dão-lhe motivação para continuar, com João Mário a ser figura constante na caixa de comentários nas várias publicações.

Para além disso, tem sido presença assídua nas escolas pelo país fora a entreter alunos nos intervalos, sempre a envergar a camisola. «Os miúdos ficam mesmo contentes. Estou pouco tempo com eles, mas fico com uma adrenalina brutal. Pego no microfone, falo para eles e estamos todas na brincadeira nos intervalos.» Mesmo assim, a humildade permanece.

«Se, um dia, for rico, vou abrir o meu franchise do McDonald's, mas aquilo que gostava verdadeiramente era ser a cara da Fundação Ronald McDonald.»

Portugal
Vasco Mesquita
NomeVasco Mesquita Rodrigues
Nascimento/Idade2000-03-10(23 anos)
Nacionalidade
Portugal
Portugal
PosiçãoDefesa (Defesa Esquerdo) / Defesa (Defesa Central)
Comentários (1)
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motivo:
Boa história
2023-12-07 08h18m por tcb9277
Vale pela boa lição que dá relativamente às pessoas não terem medo de decidirem o seu próprio futuro, e não deixar a pressão da sociedade escolher o futuro delas (neste caso, parecendo haver também alguma pressão dos pais).

Pena estar associado a uma empresa cujo produto é tão mau e que tem a necessidade de criar uma fundação para esconder o facto de que os seus produtos são a antítese da saúde.

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