Tema foi discutido esta quarta-feira

      Do público jovem aos casos Alemanha e França: centralização dos direitos televisivos discutida em Braga

      A centralização dos direitos audiovisuais continua a ser tema forte na atualidade do futebol nacional e voltou a ser abordada, esta quarta-feira, no primeiro dia do Future Stage - SC Braga Sports Congress. Depois de Pedro Proença, presidente da Liga Portugal, ter classificado o processo como «game-changer a partir de 2028», durante a sessão de abertura, o primeiro dia do evento contou com um painel dedicado ao tema.

      Rui Caeiro, diretor executivo da Liga Portugal, e Cláudio Couto, vice-presidente do SC Braga, sentaram-se para debater a temática e a conversa tocou em vários pontos importantes para o processo, desde o papel dos clubes no processo à questão do mercado atual e da forma como os jovens consomem futebol hoje em dia. Também os retrocessos de Alemanha e França no modelo foram abordados.

      Rui Caeiro em discurso direto

      Ponto de situação no processo de centralização: «Estamos a cumprir o cronograma que definimos, com a ambição de que seja um processo de centralização de sucesso. Temos a firme convicção que, cumprindo estes processos, será um sucesso.

      Este é um processo transformador do futebol português. Em todos os processos transformadores há, obviamente, interesses diferentes. O que tenho acompanhado ao longo destes anos é uma vontade firme dos clubes em concretizar esta centralização.

      O processo não é complicado, mas é complexo e o que temos é que procurar um ponto de equilíbrio em relação a todos os intervenientes.»

      Postura dos clubes: «Não encontro resistências. Encontro as realidades e idiossincrasias próprias de cada um dos intervenientes, mas encontro uma vontade firme de todos em fazer um processo correto.

      O processo da centralização é exatamente isso, um processo. Tem fases diferentes. Estamos empenhados em concretizar esses objetivos e estamos a fazer as etapas nos momentos em que elas têm que ser feitas.

      Hoje, com o COVID e com o efeito da aceleração tecnológica que houve, houve muitas realidades que se anteciparam. É interessante perceber como se consome futebol hoje e como se vai consumir daqui a quatro anos e daqui a dez anos. Todas estas mudanças também impactam o nosso processo. É um processo sólido, que estamos a construir com base no que definimos e com entusiasmo dos clubes.

      O que acompanho ao longo dos anos, nomeadamente na participação de todos os clubes, é entusiasmo em relação ao processo de centralização e vontade de todos em construir um processo bem feito e maximizar a receita obtida e distribuí-la de forma diferente. Distribuir não significa que alguém fique a perder, antes pelo contrário, queremos que fiquem todos a ganhar. O que temos sentido desde a primeira hora é entusiasmo das sociedades desportivas.»

      @SC Braga

       

      É possível quantificar o valor atual do audiovisual em Portugal? «Em primeiro lugar, os processos de centralização, por natureza, tendem a maximizar o valor atingido. Em segundo lugar, temos um produto que não está uniformizado e, por esta razão, estamos a construir um regulamento de audiovisual que procura tornar o produto transversal. Quem adquire um campeonato quer um produto uniforme, com os mesmos índices de qualidade, bem trabalhado e bem promovido. Quem acompanha as transmissões de outros campeonatos, percebe o nível de inovação que está a ser aplicado nas transmissões. Nós não o fazemos. Se estivermos a avaliar o mercado nacional como ele está, incluindo só estas duas alavancas de crescimento, que é uma uniformização e melhoria do produto e uma prática de venda centralizada, diria que dificilmente valerá menos do que está a valer agora.»

      O processo é isto: construir a casa pelos alicerces. Os alicerces são acrescentar valor ao produto que estamos a vender. Quando a Liga insiste na alteração, por exemplo, do ângulo das câmaras é porque faz parte deste ecossistema de valorização do produto. Se não o fizermos, não vamos ter ninguém disponível para dar mais por esse produto.»

      Cativar o público mais jovem: «Claramente que o futebol agora é uma atividade de entretenimento e, como tal, compete com outras dessas atividades e isso precisa de ser assumido. Quando falamos da atenção destes novos públicos a um jogo de 90 minutos, muitas vezes eles têm uma dinâmica diferente em relação à maneira como veem o jogo. Não quer dizer que não tenhamos que responder a todos estes públicos.

      No futebol português, assim como todas as outras ligas, têm-se adaptado a essas novas realidades. Tem a ver com as alterações geracionais, a inovação tecnológica e da maneira como os clubes se preparam para esses desafios. Os clubes portugueses têm procurado fazer esse investimento. Os clubes precisam de ter mais apoio e a Liga tem defendido alguma intervenção até do Estado nesse sentido. Estamos completamente focados na melhoria do produto.»

      A situação atual na Alemanha e em França: «São duas ligas que estão em processos de maturação já muito grandes. São já três, quatro e cinco ciclos de venda comercializadas. São ligas estruturadas. Não devemos misturar situações pontuais. A Liga alemã teve um processo de venda que foi revertido e que gerou essa instabilidade e alguma retração dos próprios players. A liga francesa a mesma coisa, vem de um processo dificílimo, onde o anterior incumbente se antagonizou com a própria liga e isso tirou do mercado vários licitantes.

      Não podemos ver essas situações específicas como algo transversal em que as ligas estão a perder valor. São situações pontuais e é importante perceber porque é que estão a acontecer. O que se vê, com essas exceções particulares, é que o modelo de centralização continua a gerar mais valias e é nisso que a Liga Portugal está a apostar. O mercado é que vai determinar o valor do produto e nós acreditamos que o processo de centralização é um processo de sucesso. Vamos concluí-lo dentro do cronograma e com o apoio dos nossos clubes.»

       

      Cláudio Couto em discurso direto

      Antecipar a centralização seria possível? «Grande parte dos players têm contratos firmados até 2028. O SC Braga é um exemplo, tem contrato com a NOS até 2027/28.»

      @SC Braga

      Efeito da centralização na receita: «Prevê-se que seja na relação 50 por cento equitativa, 25 por cento na prestação desportiva e 25 por cento em relação ao mercado de cada clube. Obviamente que o SC Braga terá aqui uma vantagem em relação ao que recebe atualmente. Mas, acima de tudo, o SC Braga quer uma distribuição mais equitativa para todos os clubes.

      Não estamos neste processo apenas a olhar para o nosso umbigo. Interessa-nos ter um maior encaixe financeiro, mas também nos interessa que outros clubes o tenham. A própria sobrevivência do futebol português está no facto de criarmos condições para que todos os clubes tenham condições de fazer uma competição digna.»

      Cativar o público mais jovem: «Temos de criar condições para que todos os estádios possam, de alguma forma, apresentar mais qualidade aos consumidores do futebol. Temos de criar condições para isso. Uma das grandes apostas que está em cima da mesa é, nomeadamente, criar condições de financiamento já com base no incremento destas receitas para que os próprios clubes possam de alguma forma requalificar estádios, relvados, iluminação e possam de alguma forma criar valor nas infraestruturas e no próprio produto, tornando-o mais apetecível.

      Hoje, ver o futebol por si só não chega. Especialmente os mais jovens querem interagir, querem fazer parte do jogo e ter o futebol na ponta do dedo, no telemóvel. Querem vivenciar experiências que não são só o jogo, seguir determinado jogador e ver o futebol por dentro. Querem ver conteúdos que o futebol não oferece, mas vai passar certamente a oferecer.»



      Comentários

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      motivo:
      Liga Francesa. . .
      2024-06-12 18h35m por tiger1974
      antagonizou ou não conseguiram rentabilizar pelo valor que pagaram pelos direitos?
      Numa noticia recente, noutro orgão de comunicação social diziam que ainda não havia interessados, para o valor pretendido, 1. 000 milhões, sendo que o valor mínimo definido eram 800 milhões, e nem por este valor havia interessados!!!

      Existe um pressuposto falacioso de que é possível crescer e crescer, como se o número adicional de interessados em comprar o produto nunca tivesse fim.

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