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Rui M. Tovar entrevista Jaime Pacheco - Parte II

«O Petit já jogava no Benfica e liga-me a dizer: 'Já estou na segunda [garrafa] do Esporão e aí só bebia água'»

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«Barrilete Cósmico» é o espaço de entrevista mensal de Rui Miguel Tovar no zerozero. Epíteto de Diego Armando Maradona, o nome do espaço remete para mundos e artistas passados, gente que fez do futebol o mais maravilhoso dos jogos. «Barrilete Cósmico».

 Jaime Pacheco é o maior, Jaime Pacheco é o maior, Jaime Pacheco é o maior, Jaime Pacheco é o maior, Jaime Pacheco é o maior, Jaime Pacheco é o maior, Jaime Pacheco é o maior, Jaime Pacheco é o maior, Jaime Pacheco é o maior, Jaime Pacheco é o maior. Transformei-me em Bart Simpson, embora não seja canhoto, nem tenha o cabelo espetado, nem saiba andar de skate, nem tenha uma irmã saxofonista, nem uma mãe com cabelo azul, nem um pai careca. Se fosse tudo isso, suspeito, suspeiiiiito, o Jaime Pacheco não me levaria a jantar ao 'Sapo'.

O homem está na berlinda, o fim-de-semana é dele. Sábado é dia de Boavista vs. Vitória SC e ele treinou os dois. Domingo é dia de FC Porto vs. Sporting e ele jogou nos dois. Jaime Pacheco on the rocks, aí vem ele. A horas, sempre a horas. Apanha-me ali em Leça, à frente do Continente, junto à praia. Pára, arranca, vira à direita no primeiro semáforo, faz outra direita num segundo sinal verde e é siga a marinha até Penafiel. Lá dentro do restaurante, a sala reservada reúne uma série de camisolas, tanto de futebol como de ciclismo. A mais visível é a de Fernando Meira.

PARTE I: «Veiga Trigo insultava-nos durante os jogos: ‘não jogas um c****, levanta-te'»

Gomes falha a final da Taça dos Campeões por lesão. E o Jaime?

Também, mais ou menos. Vinha de lesão e fiz parte do grupo. Fui para o banco [bancada, na verdade]. Queria jogar, fiz tudo para isso, mas o Artur Jorge explicou-me e era fácil de entender. ‘Se te meter e perdermos, a imprensa vai cair em cima de nós.’ Aliás, o Quim foi substituído ao intervalo. Imagina que era eu.

Qual foi o prémio de vitória?

1500 contos de prémio. No balneário, perguntei se o prémio era igual para todos, entre titulares e suplentes, e o Pinto da Costa confirmou.

E o herói Juary, que tal?

Era bom a entrar a meio do jogo. Se fosse titular, não jogava nada. Nada. Ó Rui, era assim mesmo. Era o primeiro a sair do banco, porque o seu pique fazia a diferença numa equipa cansada, que já acusava o esforço e dava espaços.

@Arquivo Pessoal

Já no Braga...

Um mês no Braga equivalia a 90, 120 dias. O maior de todos era o Karoglan. Chamava-lhe comunista por ser da Jugoslávia e ele ria-se de tudo. O Forbs era engraçado a jogar, velocidade curta. Agora há aqui dois que não entendo como jogavam sempre: King e Eugénio. E eu dou-me bem com o Eugénio. Nós todos espantados com isso, não jogavam por aí além.

E a rivalidade com o Vitória? [Jaime Pacheco percebe mal a pergunta; mea culpa, devia estar com um salpicão na boca ou assim]

Havia boa gente, lá. O Tanta, por exemplo, foi dos bons centrais que treinei. Dane, super bom. Tinha um problema com o joelho e nós geríamos a situação, conforme o seu feeling. E o meu. Quando cheguei, o Paneira era extremo-direito e passei-o para interior-direito.

E o Zahovic?

Estava na lista de transferências.

Hein?

Ah pois é. O meu primeiro jogo foi em Faro e o Vitória só tinha vencido fora por uma vez nesse campeonato, precisamente no jogo de abertura, em Campo Maior. Vamos a Faro e mudei tudo: lancei Quim Berto, Arley, Vítor Silva, Tanta, Marco Freitas, Paneira, Zahovic, Capucho e Ricardo Lopes. Gilmar na frente. A acabar a primeira parte, o Arley é expulso. Mudei aquilo tudo, outra vez: meti um central para dentro, o Quim Berto a lateral-esquerdo, jogámos num 4-3-2. Perto do fim, o Dane entra e é ele quem marca o golo da vitória mesmo aos 90 minutos.

Craque.

Na semana seguinte, recebemos o Benfica. Ao intervalo, 2-0 para nós. O Ricardo Lopes fez um golo. Ele era impressionante, o jogador mais eficaz dentro da área que já vi. Um dia, fez um golo ao Buffon, do Parma, com um chapéu dentro da área. O árbitro anulou, mas o Ricardo era assim. E marcava golos, muitos. Era limpinho e esclarecido. Não roubava bolas, mas posicionava-se bem.

Ao intervalo, 2-0.

E a dar baile. Eu não os treinava, eles é que jogavam. Na segunda parte, 4-0 para o Benfica. Foi no dia de aniversário do Neno, que se saiu em falso umas duas vezes. Golo e golo. Juro que pensei que o Neno via mal ao longe. E juro que pensei seriamente em dar um pontapé na m**** daquele bolo de aniversário no balneário.

E a seguir?

Leiria. Novidade: Paneira a suplente.

Então?

Vejo-o com phones no banco. ‘Tira essa m***** daí, senão vais já com o c******’. Ganhámos 3-2, golo de penálti do Paneira, no último minuto. E ele meteu a bola no meio da baliza. Depois, 6-0 ao Marítimo do Autuori. É um dia em que o Edinho marca três. O Edinho era fabuloso, que fdp de jogador. Uma bola dentro da área, um golo. Já o Gilmar era bom e ainda batia nos centrais.

Siga a marinha.

Sporting, no José Alvalade. Ao intervalo, 2:0 para o Sporting. Que se f***. No balneário, digo-lhes que jogassem o que soubessem e que não íamos perder por mais de três. Não foi um discurso brioso, nada disso – foi do coração. Estava a chover a potes e até lhes disse ‘vale tudo, menos goleada’. O Marco Aurélio, do Sporting, estava a ser negociado para a Alemanha. Acho que era Estugarda, onde já estava o Balakov. Meti o Armando, dispensado pelo Paços. O gajo entrou e lixou aquilo tudo. Ganhámos 3:2 e o negócio do Marco Aurélio foi por água abaixo.

Bem, grandes histórias.

A grande história é do Capucho, que vinha todo desanimado da seleção e dizia que não queria jogar mais.

Porquê?

‘Eles aparecem de Mercedes, Ferrari, Porsche e eu vou de Opel Corsa. Eles com brutos casarões e eu a pagar o meu apartamento em Barcelos.’ Dei-lhe moral, ‘continua, tu vais lá chegar’. Ele era humilde, treinava bem. Como o Paneira e o Zahovic, treinavam bem para c******. Só que havia uma exceção ou outra.

Ai sim?

Um dia, a uma quarta-feira, quando havia treino de manhã e à tarde, o Paneira apareceu-me jaaasus. Não estava bem. Nem completava as frases, estava bêbado. Disse-lhe ‘atira-te para o chão e desaparece-me da frente’. Ele agarrou-se ao joelho e saiu de cena. Agora, calma, muita calma: se fizesse um teste físico, o Paneira era sempre o melhor. E ele, no jogo, também era o melhor. O rendimento sempre foi superior a todos os níveis: fisicamente, tecnicamente. Para mim, e disse-o várias vezes aos adeptos do Vitória, o melhor jogador da história do clube foi o Vítor Paneira.

Craque da finta.

Olha uma coisa, Rui, a minha primeira expulsão da carreira foi num lance com Paneira.

Árbitro?

Veiga Trigo.

Uyyyyy, outra vez.

O jogo era da primeira jornada, só que o Benfica estava fora num torneio internacional e adiou-se para Dezembro, na Luz. A jogada da falta é simples, e a meio-campo. O Paneira protege a bola e eu meto-lhe o pé por entre as pernas para tocar na bola. Falta, apita o Veiga. E eu, ‘falta o quê’. Levei amarelo. E disse ‘amarelo o quê?’ Rua. Aos 15 minutos, já estava na rua. Perdemos 5-1. Acabou o jogo e viemos de autocarro para Setúbal. Quando chegamos, já lá estava o Veiga Trigo, no seu carro. Estava a falar com o diretor Rui Sales, do Vitória. ‘Tinha uma dívida com o Benfica, aproveitei para saldá-la’, justificou-se assim. Mais à frente [Março], vamos jogar à Amadora e o árbitro era o Veiga Trigo. Disse ao treinador Manuel Fernandes que me recusava a ser o capitão.

Porquê?

Não queria cumprimentar o Veiga, esse c*****. O presidente Fernando Oliveira veio ter comigo e falou-me ao coração. Lá fui com a braçadeira, apertei-lhe a mão e o Veiga, a meio do jogo, com 0:0 no marcador, diz-me ‘vai lá para a frente e manda alguém atirar-se para o chão’.

A sério?

Não foi preciso, ganhámos 1:0 com golo do Serra. Fez um cruzamento longo, a bola entrou num poço de ar e enganou o Melo. Apanho muitas vezes o Veiga no ciclismo e matraquilho-lhe sempre a cabeça.

E ele?

‘Esquece lá isso, já passou’. Há mais.

De árbitros?

Fortunato Azevedo, outra história inexplicável. Jogava no Vitória e fomos à Feira. Estávamos a ganhar 4:2 e o Feirense fez o 4:3 no fim, já no tempo de descontos. A bola foi ao meio e o Quinito atrasou para o Jorge Martins [Jaime Pacheco levanta-se da mesa e começa o espetáculo]. O Jorge pensou que o jogo tivesse acabado e chutou para a frente, o árbitro estava a dormir, os ficais-de-linha também, todos a olhar uns para os outros, à espera do apito final, mais que esperado, e o João Luís, aquele do Académico de Viseu e Sporting, apanhou a bola, rematou à baliza e foi golo. Confusão enorme, porque ninguém viu o lance, nem a televisão. Eu fui a correr ao árbitro a dizer que eles, do Feirense, tinham dado um pontapé nas mãos do Jorge Martins.

E como ficou?

Chamou-se a polícia como testemunha e o jogo foi repetido.

Uauuuuu.

No último minuto desse jogo de repetição, sou expulso por um golo mal anulado ao Vitória. Nem protestei nem nada, não percebi a atitude do Fortunato. Nunca entendi esse vermelho. Os adeptos do Feirense, esses, espumavam da boca e queriam a minha cabeça por tudo o que fiz no outro jogo, junto do árbitro. Só ouvia ‘queremos o careca, queremos o careca’. Atravessei o campo de um lado ao outro e entrei num carro da polícia. Saí dali com os adeptos a darem com paus no carro.

E?

Fui expulso e cumpri um jogo de suspensão.

Onde?

Antas, o FC Porto ganhou 1-0 por Jorge Couto e sagrou-se campeão nessa tarde. E a bola nem entrou. Foi ao poste e o Jorge Martins defendeu.

@Arquivo Pessoal

Só craques.

O Jaime Magalhães era cá um preguiçoso. A chover a potes lá fora e ele a calçar as meias enquanto dizia ‘o jogo devia ter sido ontem’. Encostava-se à esquerda e pronto. O Lopes.

Lopes?

A gente chamava-o Lopes porque uma vez passou um cheque de 191 mil contos em vez de 191 mil escudos ao senhor Lopes, dono de um stand em Paços. Fomos lá comprar uma mota. A minha era amarela, a dele era vermelha. O senhor Lopes chamou-me à atenção, tirei uma fotocópia do cheque e, claro, meti no quadro do balneário para o gozo. Passou a ser o Lopes. Atenção, jogava muito. Muuuuuito. O problema era a paixão. A malta insultava-o e ele não queria saber disso para nada.

E aqui o Jaime?

Bonito, cheio de estilo. Chico Oliveira e Sérgio Cruz, boa dupla de centrais. O Jussié era muito bom. Uma vez, trouxe-o cá para a cabidela e disse-lhe que era arroz de frango. No fim, apercebeu-se do sangue e ficou todo f***** comigo.

É aqui que o Jaime começa a ser treinador?

Aqui foi treinador-jogador. Eu não queria, mas eles diziam que sim. Então disse-lhes para fazerem um sorteio entre eles do plantel e saí do balneário. Quando entrei, a decisão era unânime.

[entram mais duas personagens e sentam-se à mesa a ouvir]

E agora, o que fazer?

A direção queria despachar Padrão, Valtinho e Rudi. Pedi-lhes aos três para ficarem, mas tinham de dar tudo por nós. Lutei por um prémio de manutenção, porque estávamos em penúltimo, e o primeiro jogo foi em Chaves, que era o último. Disse que era para ganhar e o Calisto, treinador do Chaves, encontrou-me no relvado antes do jogo e atira-me, meio zangado, ‘estás cá com uma moral’.

E o Jaime?

‘Se não ganhar ao último, estou f*****; não ganho a ninguém.’ Ganhámos 2:1 e o Paços começou a subir. A direção acertou os pagamentos a horas e acabámos em 9.º lugar. Havia o Yulian, irmão do Spassov. O João Baptista, que era um paneleirinho: se chovesse, tremia todo de frio. E incluí o José Mota no lugar do Monteiro a defesa-direito. O Monteiro atacava bem, mas defendia mal.

E o Mota era bom?

Nã.

Ahahahahah..

Defendia bem, passava bem, taticamente bom. De resto [abre os olhos]. Estou sempre a dizer-lhe ‘devias trazer-me um presunto todos os anos’.

@Arquivo Pessoal

Isso é o ano do título do Boavista, 2000-01.

Dois laterais-direitos nesse Boavista: o Rui Óscar, que jogava, e o Frechaut, que defendia melhor. No meio, Litos e Pedro Emanuel. Boa dupla. Às vezes, metia o Jorge Silva, que era uma arrastadeira, mas posicionava-se muito bem. Na esquerda, o Quevedo. Um dos melhores que vi naquela posição, tinha um andamento, parecia um Ferrari, sempre para cima e para baixo.

Desapareceu depressa.

Teve dois azares, um a seguir ao outro. Primeiro rompeu o tendão rotuliano num lance com o Capucho, do FC Porto. O lance foi perto do meu banco e vi a rótula em cima da coxa. Aquilo não cicatrizou bem e voltou a parar. Depois, começou a dar-lhe o outro. O Erivan não está aqui e jogou muito. Muito.

Está o Mário Silva?

Pois, mas foi para o Nantes.

No meio-campo?

Rui Bento. Tirei-o do 'pequeno Baresi' e foi para o Sporting na época seguinte. Quando estávamos empatados, tirava o Rui Bento e descia o Petit. O gajo ficava lixado, não queria nada.

E o Jaime?

‘Não queres, sais.’ Passado um ano ou dois, vai para o Benfica. Ligava para o Vítor Nóvoa, que era gago, e dizia ‘passa ao mister’. Eu pegava no telemóvel e ele só dizia isto ‘ó mister, aí não ganhava nada, aqui ganho mais, muito muito mais; e, sabe uma coisa, já estou na segunda [garrafa] do Esporão e aí só bebia água.’

Ahahahahahah.

E eu respondia: ‘tu aqui ias à seleção e aí não vais’. Fazia o mesmo que o Pedroto, obrigava-os a jogar com botas de alumínio. Só que o Petit dava as de borracha ao médico, à minha revelia, e combinavam um lance em que ele se lesionava para as trocar à socapa. Percebi o esquema e meti o Alfredo a fazer de polícia. Quando apanhei a marosca, o médico só dizia ‘foi o Petit que me pediu, foi o Petit que me pediu’.

Mais à frente, quem?

Jorge Couto, jogava à esquerda e à direita, era f*****. Rogério era muito bom, mais o Sánchez.

E o Timofte saiu na época anterior, não foi?

Foi, o Timofte resolvia os problemas todos, e com simplicidade. Era um profissional. Chegava antes de todos e carregado de jornais, uns três ou quatro.

E depois?

Lia-os, ele sabia tudo sobre o nosso país. E depois rasgava-os em quatro ou cinco partes enquanto dizia ‘comprem jornais, comprem’.

Porque é que ele saiu?

Chegou a Dezembro de 1999 e disse-me que não queria mais, estava cansado de treinar. Disse-lhe que treinasse quando quisesse e que decidíamos a hora de ir a jogo, jornada a jornada. Mas não queria deixá-lo sair a meio da época. Foi até ao fim de 1999-2000, pronto.

E o ataque?

Belo trio: Whelliton, Silva e Demétrios. Há histórias. Fui buscar o Silva a Braga, jogava a 10 e dizia-se que era um bêbado. Passou comigo a ponta-de-lança e depois ainda foi para o Sporting. O Whelliton foi o presidente João Loureiro quem me falou dele. ‘Este é bom’, disse-me. E eu, ‘então contrate-o.’

À baliza?

Ricardo e William, os dois bons. Mas o William era melhor, porque ocupava a baliza toda. Meter um golo ali era um desafio para todos. O Ricardo queixava-se: ‘vocês só acertam no canto comigo à baliza’. Ahahahahah. E fui buscar o Khadim ao Felgueiras para dar ainda mais competitividade e eles não se acharem donos do lugar.

[abro o excel e] Esse Boavista acumulou 21 jogos seguidos sem derrotas no Bessa.

Não sabia. Dessas estatísticas, nada sei.

Nesses 21, há 18 vitórias seguidas.

Não sabia. Olha, obrigado. Só sei que não perdi os últimos oito jogos em casa com o Benfica.

[mais uma achega da mesa: nem com o Belenenses?]

Nem com o Belenenses?

Foi 0:0.

[de repente, entra mais um conviva para a mesa, devidamente acompanhado, e sai-se com o Ivic]

Olha, bem visto: que tal o Ivic?

Não mandava nada, não fazia a equipa, nem sequer fazia a convocatória

Quem era, então?

...

Portugal
Jaime Pacheco
NomeJaime Moreira Pacheco
Nascimento/Idade1958-07-22(65 anos)
Nacionalidade
Portugal
Portugal
PosiçãoMédio (Médio Centro) / Médio (Médio Defensivo)

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