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        entrevista
        Parte I da entrevista ao treinador do Benfica

        Luís Castro: «O título é a cereja no topo do bolo, mas estava à vista que o bolo era ótimo»

        Depois de três finais finais, o Benfica conseguiu por fim conquistar a UEFA Youth League, conhecida como a Liga dos Campeões dos mais novos, ao bater o RB Salzburg (0-6). Luís Castro foi o treinador que acabou com essa seca e abriu as portas do Benfica Campus ao zerozero para uma entrevista onde abordou essa conquista, as suas ambições profissionais, os talentos que despontam no Seixal e muito mais.

        Nesta 1ª de três partes da entrevista o foco esteve nessa histórica campanha encarnada na Youth League, onde o técnico português explicou todo o trabalho que foi feito para que a equipa alcançasse esta conquista sob a forma de um grande domínio sobre os seus adversários, não esquecendo alguns dos jovens talentos que mais se destacaram.

        Leia também:

        Parte II «O Henrique Araújo tem coisas de topo a nível mundial. Em termos de inteligência, foi o melhor avançado que já treinei»

        Parte III - Luís Castro: «Cheguei à melhor formação do país e tenho mais degraus para subir»

        Técnico levou o Benfica à conquista inédita da Youth League ©SL Benfica

        zerozero (zz): Estamos a falar com o primeiro treinador do Benfica a conseguir conquistar a Youth League, algo inédito e uma grande conquista. Aconteça o que acontecer, já deixou uma marca no Benfica?

        Luís Castro (LC): Sim, aconteça o que acontecer deixei uma marca. É um trabalho coletivo de todo o Benfica, porque, como foi visto em todos os jogos, fomos superiores e para isso é preciso ter muita qualidade nos jogadores, têm que estar bem trabalhados e ter as bases necessárias. Agora é evidente que fui o primeiro enquanto treinador principal e o Benfica não vencia uma competição europeia há alguns anos, por isso foi importante para o clube e para a formação, especialmente porque já perseguíamos este troféu com alguma insistência. Era a 4quarta final e foi ótimo conseguir.

        zz: Na altura da eliminatória com o Sporting, o mister destacou que seria a quarta final four do Benfica e que isso atestava a competência do clube na formação. Este foi O título, mas o resto também mostra que as coisas estão a ser bem feitas e não é algo geracional…

        LC: Sim. Não foi uma geração, foram quatro gerações totalmente diferentes que estiveram nas quatro finais. O título é a cereja no topo do bolo, mas acho que estava à vista de toda a gente que o bolo era ótimo. Não era fácil. Esta época foi feito um ranking das equipas que estavam na Youth League, à semelhança daquilo que se faz nas equipas principais – onde Portugal está em 6º neste momento -, e Portugal na Youth League, nos sub-19, está em primeiro, com muitos pontos arrecadados pelo Benfica, que é a equipa com mais jogos, com mais Final Four’s, mais finais, empatada com outra equipa. São muitos jogos a nível europeu e isso atesta competência a nível da estrutura.

        zz: Olhando para o trajeto do Benfica esta época, foi praticamente imaculado, com exceção para a derrota com o Dínamo Kiev. Foi claramente a equipa mais forte. Esperava isso?

        Luís Castro
        UEFA Youth League 2021/22

        9 Jogos
        8 Vitórias
        0 Empates
        1 Derrotas

        27 Golos
        6 Golos sofridos

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        LC: Esperava. Sabíamos do nível dos adversários. Sabíamos que quem defrontámos na final [RB Salzburg] são jogadores que já atuam numa Segunda Liga. Sabíamos que tinham eliminado o Atlético Madrid por 5-0, um Atlético Madrid que tinha eliminado uma equipa portuguesa na fase de grupos e as equipas portuguesas são fortes. Uma Juventus que fez um investimento muito grande na equipa, com um central no banco de suplentes que tinha custado três milhões [de euros] e com vários jogadores a titulares que custaram muito e salários altíssimos. Não era uma equipa italiana, mas sim uma equipa com muitas nacionalidades. Contudo, tínhamos muita confiança na nossa equipa. Depois da derrota com o [Dynamo] Kiev, que era um jogo um bocadinho diferente por ser o primeiro em que juntávamos os jogadores todos, sendo que alguns mal tinham ou não tinham competido de todo na época, por várias circunstâncias. Depois quando fomos para o segundo jogo, para felicidade nossa, a equipa B não jogava na Segunda Liga nesse fim de semana e podemos jogar contra o Estoril [para o campeonato] com todos os jogadores que queríamos para defrontar o Barcelona, com a ajuda de toda a estrutura e até do Veríssimo, que estava na equipa B na altura, e até do Luís Araújo, dos sub-19. Era importante preparar o jogo com o Barcelona ao juntar os jogadores com alguma antecedência e a partir acho que foi uma prova fantástica dos nossos jogadores.

        zz: Na meia-final teve uma adversidade [expulsão de Samuel Soares]. Já era conhecida a qualidade dos jogadores, mas o que é que essa adversidade mostrou mais?

        LC: Depois da expulsão mostrámos que temos jogadores muito talentosos, muito evoluídos taticamente, já o tinham demonstrado até esse momento a nível ofensivo, e ali mostraram a nível tático defensivo um conhecimento e preparação enorme. Mostraram, acima de tudo, que são jogadores que honram a camisola, porque não foi fácil, perante um adversário tão complicado, jogar com menos um tanto tempo. Eles mostraram que estão aí para dar muitas alegrias aos benfiquistas.

        zz: Sente que a equipa já estava mais perto de ganhar a final depois desse jogo?

        LC: Podemos ver por dois lados. Um, ajudou a unir ainda mais o grupo, mostrando que, além do talento individual que tínhamos, eramos um grupo muito forte. Já tínhamos demonstrado. Ninguém vai ganhar a Alcochete 4-0, com os jogadores que o Sporting apresentou, se não houver muita qualidade, mesmo em termos coletivos. Por um lado, penso que ajudou os jogadores a perceberem, já sabiam, mas tiveram a certeza, quem tinham a seu lado nesta guerra, quem eram os parceiros que estavam dentro de campo para lutar pelo objetivo. Deu-nos uma maior força a nível coletivo. Mas, por outro lado, jogámos muito tempo com dez, corremos muito tempo atrás da bola. Houve um desgaste enorme e a outra equipa, na sua meia final, conseguiu facilmente substituir os quatro jogadores da equipa que mais correm – jogavam num losango no meio campo e conseguiram substituir – e tiveram um lateral esquerdo amarelado e também o conseguiram substituir para não levar outro cartão. Eles geriram tudo na meia final o cansaço, algo que nós não conseguimos fazer. Agora, quando me perguntaram na antevisão da final se estava preocupado com o cansaço dos jogadores, eu disse que não porque, fosse onde fosse, mas numa final eles iam buscar as forças necessárias para vencer.

        zz: Como é que isso explica uma vitória tão dominadora do Benfica perante uma equipa com bastante experiência de Youth League?

        LC: Em primeiro, penso que foi muito mérito da equipa técnica…

        zz: Disse numa entrevista que os seus analistas nem dormiram para preparar o jogo…

        Águias conquistaram a Youth League ©SL Benfica
        LC: Sim, na noite do jogo da Juventus nós reunimos, preparámos o treino, mais virado para nós e não do Red Bull, porque tínhamos treino no dia seguinte, depois falámos um bocadinho do Red Bull, mas eu estava um bocado cansado e disse para irem cada um para o seu quarto e analisarem. Deitei-me e acordei às quatro da manhã, dormi três horas e tal, já fresco para ver os jogos e tinha mensagens tanto dos adjuntos como dos analistas já sobre algumas coisas do Red Bull. Ainda não tinham dormido até àquela hora. Depois juntámo-nos, vimos uns jogos, decidimos o que é que íamos fazer. Penso que a estratégia foi bem montada, com a ajuda deles, porque eu não faço nada sozinho. Depois, como já o disse várias vezes, o nível do jogador do Benfica é muito alto, não só a nível técnico, mas também a nível de inteligência de jogo. Posso dizer que nós alterámos muita coisa do jogo com a Juventus para o do Red Bull. O foco mais geral, que era a pressão alta, ser ofensivo, ter muitos remates – fomos a equipa com mais remates na prova -, dominar, ser uma equipa à Benfica, estava lá. Mas depois, algumas coisas de pormenores, como onde é que tínhamos que construir, onde é que o Red Bull pressionava – eram uma equipa que pressionava muito no nosso meio campo -, em quem é que tínhamos que jogar para abrir espaço para o outro, as zonas de finalização onde íamos aparecer, as zonas que o Red Bull aproveitava na nossa defensiva e o que é que tínhamos que fazer para retirar-lhes os seus pontos fortes, a fase de construção do Red Bull e o que é que tínhamos que fazer para a anular. Mudámos praticamente isso tudo, porque o Red Bull era uma equipa totalmente diferente da Juventus. É incrível como eles fazem as coisas. Temos lances do jogo em que, desde a defesa ao ataque, fizeram tudo exatamente como era suposto. Estivemos depois a ver o jogo e dissemos: «Estes gajos são de outro mundo.»

        zz: Como é que uns miúdos tão novos conseguem mudar e interpretar isso tudo?

        LC: Qualidade, muita qualidade, inteligência de jogo, perceção do que é uma estratégia, qualidade tática e técnica, porque para estarem predispostos para isso precisam de ter qualidade técnica para fazer as coisas como nós queremos. Muita qualidade individual, que depois se transforma nisso. Nós estávamos no mesmo hotel que o Red Bull, estávamos a festejar e a certa altura foi ao bar. Estava lá uma pessoa que não é da equipa técnica deles, mas que os acompanha há muito tempo. Cumprimentou-me, felicitou-me e disse: «Eu acompanho esta equipa há muito tempo, fizemos uma prova fantástica até à final, vamos a torneios internacionais que dominamos, sabemos a qualidade da equipa e não é este jogo que nos vai fazer desistir da equipa, mas aos dez minutos de jogo eu comecei a perceber, e comentei com uma pessoa que estava comigo, que ia ser muito difícil. Vocês anularam-nos tudo e aproveitaram tudo o que era possível.»

        zz: Muito trabalho também…

        LC: Sim. Tenho uma equipa técnica fantástica. Ajudaram nisso, mas também na recuperação dos jogadores. O fisiologista e o fisioterapeuta não pararam porque tivemos pouco tempo entre jogos e muitos dos jogadores tinham muito tempo de jogo, tanto de campeonato como de seleções. Isso foi muito importante. Tenho elogiado em todas as entrevistas os jogadores, e acho que eles são os principais obreiros disto, tenho elogiado toda a estrutura do Benfica, porque nós tínhamos esta qualidade toda e não contratei nem um, nunca fui eu que tratei deles na escola para serem mais inteligentes e responsáveis, não sou eu que lhes dou a muito boa alimentação que têm aqui, não sou que trato da relva para podermos treinar todas as semanas,… Penso que é uma vitória de todos, desde quem abre a porta de manhã, até quem apaga as luzes ao sair. Mas também tenho que dizer que o staff que esteve na prova fez um trabalho fantástico.

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