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      Ponto de Vista
      A antevisão de Sérgio Ramos

      Está aí a Taça Hugo dos Santos: «Qualquer uma delas pode ganhar, embora a Oliveirense seja outsider»

      Este fim de semana é marcado no calendário do basquetebol nacional pela Taça Hugo dos Santos, uma prova que é habitualmente chamada de Taça da Liga noutros países, mas que em Portugal tem um nome diferente, em memória a um antigo presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol - conheça melhor a história.

      Benfica, Sporting, Oliveirense e FC Porto vão lutar pela conquista da 32ª edição desta prova do basquetebol nacional e farão de Sines, que volta a receber o evento, o seu campo de batalha. Por isso mesmo, para fazer uma antevisão da prova, o zerozero esteve à conversa com Sérgio Ramos, treinador-adjunto da seleção nacional de basquetebol.

      «Estas têm sido as equipas mais regulares ao nível do reforço e fortalecimento dos seus planteis»

      ©FPB

      Tal como é cada vez mais habitual, esta edição da Taça Hugo dos Santos contará com o Sporting, FC Porto, Benfica e Oliveirense, quatro equipas que, salvo certas exceções, têm dominado o basquetebol nacional. Sérgio Ramos aponta como principal motivo para esse domínio o investimento mais regular que é feito nesses clubes e considera que pouco mudou no passado recente nesse aspeto.

      qEsta prova é também um ponto alto ao nível da modalidade. Traz visibilidade
      Sérgio Ramos
      «Tem a ver com o investimento das próprias equipas e a sua habilidade de fortalecer os planteis. Neste momento, o Sporting, FC Porto e Benfica têm os melhores planteis da nossa liga. A Oliveirense baixou um bocadinho de nível, mas continua a ter alguns norte-americanos interessantes e uma equipa bastante competitiva. Isto não quer dizer que outras equipas não pudessem estar nessa posição. Estou-me a lembrar do Imortal, do Lusitânia, entre outras que estiveram perto de atingir esse objetivo. Mas estas têm sido as equipas mais regulares ao nível do reforço e fortalecimento dos seus planteis e isso obviamente depois reflete-se nos resultados desportivos. Não há uma relação direta entre investimento e resultados, mas normalmente isso acontece», começou por dizer-nos.

      «O facto de existir esta prova é também um ponto alto ao nível da modalidade, que traz visibilidade com os clubes que estão envolvidos. Serão jogos mais equilibrados, que terão um acompanhamento ao nível da comunicação social mais elevado e isso é importante. É importante o basket ter diversos pontos altos ao longo do ano e não apenas no play-off. É verdade que neste momento temos duas equipas nas competições europeias, que têm uma maior carga de jogos, mas se nós olharmos para aquilo que são as melhores equipas de cada país elas jogam de três em três dias e isso não foge ao que estamos a viver agora. Acho que isso é positivo ao nível do desenvolvimento das próprias equipas, dos jogadores portugueses, que passam por experiências lá fora e percebem as diferenças relativamente a outros campeonatos. Isso é positivo, sabendo que pode haver maior cansaço em certos momentos da época, mas também cabe às equipas técnicas fazer essa gestão do esforço. Uma das razões para estas equipas terem planteis longos é exatamente por isso, para quando chegam a estes momentos importantes. A Taça da Liga não é o momento mais importante a nível nacional, mas é uma competição importante, onde as equipas querem estar bem e querem ganhar», acrescentou.

      Favoritos, outsider e desvantagens

      ©FPB

      Como é também habitual, qualificam-se para esta prova os quatro primeiros classificados da 1ª volta do campeonato, neste caso, claro está, Sporting, FC Porto, Benfica e Oliveirense. Para Sérgio Ramos, os três «grandes» surgem na frente da corrida para vencer esta prova e a Oliveirense é vista como um outsider, até pela ligeira diminuição qualitativa do seu plantel, mas os jogos prometem «ser equilibrados» e pode haver surpresas.

      «Acho que os jogos vão ser equilibrados. Neste momento houve equipas que dominaram a competição nacional. FC Porto, Sporting e Benfica estão no topo da tabela classificativa. A mim parece-me que são três excelentes equipas, bem orientadas e com excelentes jogadores. Qualquer uma delas pode ganhar. Talvez a Oliveirense surja aqui como outsider. Tiveram algumas dificuldades, mudaram de treinador, fizeram alterações no plantel, mas também têm qualidade e capacidade para lutar pela vitória. O João Figueiredo é um treinador jovem, mas também já tem alguma experiência na ProLiga. Tem feito um trabalho de ter apanhado uma equipa que vinha de algumas derrotas, mas tem conseguido ganhar jogos. É um outsider, pode lutar pela vitória, mas Benfica, FC Porto e Sporting surgem como os claros favoritos. Foram as equipas mais regulares ao longo do campeonato, têm trocado vitórias entre si e acho que qualquer uma pode vencer a Taça. Vai depender de como jogarem no fim de semana», explica-nos.

      Entre estas quatro equipas, há duas que chegam a esta prova numa situação um pouco distinta. Benfica e Sporting encontram-se ainda a disputar a 2ª ronda da FIBA Europe Cup - o FC Porto foi eliminado na 1ª ronda - e têm, por isso, o calendário um pouco mais congestionado.

      FC Porto e Sporting protagonizam uma das meias-finais ©FPB
      Em jeito de exemplo, o Sporting tinha agendados para este mês - houve adiamentos devido ao surto de covid-19 no plantel do Benfica, uma vez que se iam defrontar - um total de nove jogos, que podiam passar para dez caso os leões passem à final da Taça Hugo dos Santos. O FC Porto, por sua vez, tem cinco - que podem, pelo mesmo motivo, ser seis. A principal diferença é precisamente as provas europeias, mas o treinador português não vê isso necessariamente como uma desvantagem.

      «A única desvantagem é o menor tempo de treino para mudar algumas questões técnico-táticas. É verdade que quando jogamos a meio da semana muitos dos treinos terão que ter em atenção a recuperação dos jogadores e aí pode haver alguma desvantagem. Mas por outro lado a competição também nos ajuda a crescer e a tornarmo-nos melhor, por isso é um momento de evolução para essas equipas. Não me parece de todo uma desvantagem. É fundamental estas equipas estarem ainda nas competições europeias. Felizmente deram o passo em frente de estarem nas competições europeias e este ano foram três a estarem presentes na FIBA Europe Cup. É fundamental para o nosso basket, para o próprio crescimento dos jogadores, para a visibilidade do nosso basket e para se comparar aos restantes países. É importante para o nosso basket e até mesmo envolvendo a nossa seleção nacional é muito importante os jogadores portugueses passarem por essa experiência internacional, não a tendo apenas quando estão na seleção. Eu quando joguei, joguei diversas vezes em equipas que jogavam as competições europeias e os jogadores preferem sempre jogar do eu treinar e esses jogos servem para melhorar e aprender. Os jogos de grau de dificuldade superior obrigam-nos a crescer. Acho que a participação, de todos os pontos de vista, nas competições europeias, é muito importante», afirmou.

      Tal como referiu, Sérgio Ramos passou por esta experiência da Taça da Liga enquanto jogador - defendeu as cores do Benfica entre 1995 e 1999 e entre 2008 e 2012 e as cores do Atlético - e considera que, embora tenha a sua relevância a nível anímico, a Taça da Liga não influencia diretamente o resultado final do campeonato: «Neste momento é uma prova que tem a sua relevância e onde no fim de semana se vai definir qual é que foi a equipa que aí esteve melhor, mas acho que não vai ter nenhuma influência para o desenrolar do campeonato. Pode existir alguma vantagem anímica momentânea, mas do ponto de vista do campeonato, ainda falta muito tempo, muita coisa pode acontecer, vai haver muitos jogos e, portanto, não me parece que vá ter influência. Quem vencer nem precisa de ser a melhor equipa neste momento da época, mas sim a que esteve melhor naquele fim de semana.»

      Seleção e Sines agradecem

      ©FIBA

      Com aquelas que são consideradas pela maioria como as quatro melhores equipas portuguesas da atualidade em prova, a espinha dorsal da seleção nacional estará claramente representada em Sines, onde se vai realizar, mais uma vez, o torneio e Sérgio Ramos, membro da equipa técnica do selecionador nacional Mário Gomes, vê como esta uma boa oportunidade para analisar os jogadores para os compromissos que se aproximam.

      «Todos estes momentos são importantes. Aliás temos agora em fevereiro um momento importante para a seleção com dois jogos frente à França e, portanto, este tipo de acontecimentos deixam-nos tirar alguns apontamentos sobre os jogadores e de uma possível convocatória. Não é determinante, até porque os jogadores são acompanhados regularmente pela equipa técnica da seleção nacional, mas obviamente que estes momentos mais altos são importantes para perceber o estado de forma atual, numa fase avançada da época, que também coincide bastante com aquilo que é o calendário da seleção nacional. É mais um momento de onde podemos retirar mais informações dos jogadores, mesmo tendo um conhecimento já profundo dos mesmos. Felizmente temos vários jogadores que vão competir nesta prova em quase todas as equipas e o que desejo para eles é que consigam jogar todos, joguem bem e não tenham lesões [risos]», conta-nos.

      Vários internacionais portugueses em prova ©FPB
      Quanto à localização do evento, Sérgio Ramos admite que possa trazer algumas desvantagens, mas garante que não será impeditivo: «Existem aqui alguns fatores que podem ter influenciado a escolha de Sines como o local da prova, como é o caso dos apoios autárquicos, que são sempre importantes. Sines fica longe da maior parte dos clubes que estão em prova, mas quando se decide o local, à partida não se sabe quais estarão presentes. Há também uma parte importante que é competir à FPB a promoção do basquetebol em todas as zonas do país. Essa zona de Sines que do ponto de vista do basquetebol não está muito desenvolvida. A autarquia tem feito um esforço para que o basquetebol esteja presente e acho que pode ajudar nessa promoção. Não sendo uma das regiões das equipas presentes pode, obviamente, levar a que haja menos público presente. Talvez esse possa ser o ponto mais negativo. A prova vai dar na televisão, mas é sempre bom ter um pavilhão cheio. Se fosse um local mais central talvez pudesse haver mais gente no pavilhão, mas essa não me parece que seja uma razão para a prova não ser bem disputada e se pratique bom basquetebol.»

      O lançamento de saída desta edição da Taça Hugo dos Santo está marcado para este sábado, 22 de janeiro, pelas 16h30, com o duelo entre Sporting e FC Porto, seguindo-se o Benfica x Oliveirense pelas 19 horas. A final está marcada para domingo, 23 de janeiro, pelas 18 horas. Os encarnados surgem como a equipa com mais conquistas na prova (12), seguidos do FC Porto (8) e da Oliveirense (4). O Sporting, que esteve largos anos sem equipa de basquetebol, nunca venceu a Taça da Liga.



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