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      TERRA DO FUTSAL | Djô: «O campeonato [luxemburguês] tem evoluído de ano a ano»

      2021/10/24 00:40
      Paula Ferreira Lobo
      E0

      No regresso de uma rubrica que o zerozero estreou em meados da época passada, viajamos até mais uma Terra do Futsal, desta feita bem no centro da Europa: o Luxemburgo.

      No campeonato mais português fora de Portugal, fomos ao encontro de um ex-internacional português, que agora usa a sua experiência para ajudar a desenvolver o campeonato do Grão-Ducado. Falamos de Djô, atleta que passou 15 anos ao serviço do Sporting, e ainda passou em Porto Salvo, antes de aterrar no Differdange, equipa com a qual conquistou o campeonato e regressou à Champions.

      Percebemos como tem sido a evolução do campeonato luxemburguês e o papel que Djô assume no meio; revisitamos memórias e ficamos com a certeza de que Djô nunca vai largar o futsal.

      Esta entrevista foi realizada no dia 19 de outubro de 2021.

      zerozero: Esta é a tua terceira época no Luxemburgo. Saíste do Leões de Porto Salvo e foste para o Differdange. Na altura falou-se que tiveste outras propostas, inclusivamente para ficar a jogar em Portugal, mas escolheste a proposta luxemburguesa. Porquê?

      Djô: Sim, na altura tive outras propostas, até de fora para só jogar futsal, mas eu escolhi o Luxemburgo por causa do futuro. O futsal ia acabar por ser já um hobby, e no futuro tinha que ter alguma coisa em mão, e como tive a proposta daqui do Luxemburgo, em que podia depois continuar cá, mesmo só a trabalhar, vim. Para o meu futuro, e para o futuro dos meus filhos também, era o melhor. Era o que me dava mais garantias [de futuro].

      zz: Tu estás a trabalhar na restauração, certo? E concilias isso com o futsal.

      Djô: Sim. O nosso diretor aqui no Luxemburgo quando me fez essa proposta fez a proposta de trabalhar na restauração, porque ele tem restaurantes aqui no Luxemburgo, e fez-me essa proposta de trabalhar e jogar, podendo conciliar os horários do trabalho com os do futsal, também para ganhar mais. É mais facilitado, até.

      zz: E como foi essa transição? Tu foste profissional tantos anos, internacional português, e agora estás a conciliar as coisas. Como é que foi a adaptação a este mundo de dois trabalhos, no fundo?

      Djô: No início foi muito difícil, claro. Não estava habituado, estava habituado a só jogar futsal, e nunca tinha trabalhado na vida. Por isso foi muito difícil, muito difícil. Já tinha vindo para aqui com isso na cabeça, que tinha que trabalhar mesmo, e continuar a jogar. Tinha o foco de trabalhar, foi difícil. Ele sempre me disse que eu ia adaptar-me, que tinha que ter paciência, tinha que aguentar, e que passado algum tempo ia habituar-me e já iria ser tudo normal. E foi isso que aconteceu. O início foi muito duro, mas hoje em dia já estou habituado, já estou adaptado ao trabalho e a jogar, e hoje em dia para mim já é normal.

      ©Zé Paulo Silva

      zz: E a adaptação ao país em si? Além da questão do frio, a barreira da língua acaba por se esbater, imagino eu, visto que quer no clube, quer no trabalho, há tantos portugueses que tudo fica mais facilitado…

      Djô: De início o maio maior problema era a língua. Eu não falo francês nem luxemburguês, e é difícil para uma pessoa que nunca saiu de Portugal para jogar fora, para viver fora, para mim isso era muito difícil, e pensava muito nisso, e dizia isso [aos diretores no Luxemburgo] “e a língua, como vai ser?”. Mas cheguei aqui e vi uma realidade totalmente diferente. 90% são portugueses e foi muito fácil a adaptação para estar aqui. Toda a gente fala português, mesmo no clube. Temos um luxemburguês e um croata, e o luxemburguês fala português, o croata também já fala um bocadinho.

      zz: Já são eles que têm que se adaptar a vocês.

      Djô: Os treinadores também são portugueses, os diretores, presidente… é tudo português, por isso a adaptação ao país foi fácil porque mesmo na rua, andando na rua, nas lojas, e em tudo, mesmo na restauração, fala-se português.

      zz: Há sempre um português, algures.

      Djô: [risos] Sempre! Há mais portugueses que luxemburgueses, até. É muito mais fácil encontrar portugueses que luxemburgueses, mais pessoas a falar a nossa língua.

      zz: A tua família foi contigo?

      Djô: Não. De momento estou só aqui, ainda. Mas em janeiro, em princípio, a minha família já vai estar cá.

      qO início foi muito duro
      Djô

      zz: Aí é que vais sentir verdadeiramente que está tudo okay.

      Djô: Sim, só falta isso para estar tudo perfeito.

      zz: Focando agora mesmo no futsal: a diferença de competitividade do campeonato português para o campeonato luxemburguês é…eu vou usar o termo abismal, porque me parece que é efetivamente isso, não é?

      Djô: É enorme, é. A diferença ainda é enorme, mas melhorou muito nestes anos, desde que cheguei. O campeonato melhorou muito, porquê? Porque começaram a vir muitos jogadores da I Divisão de Portugal para cá, o campeonato aumentou um bocadinho de qualidade, têm mais contratações dos outros clubes. No meu clube, pelo menos, já temos alguns jogadores que jogaram a primeira divisão em Portugal, a maioria mesmo. E o campeonato têm evoluído de ano a ano, por isso tem sido bom, até.

      Eu contribuí um bocadinho para a evolução, porque a partir do momento que eu vim para aqui, um jogador que jogou no Sporting 15 anos, jogou na Seleção Nacional, as pessoas começam a vir mais, e acabou por abrir algumas portas. Os jogadores que queiram trabalhar e jogar, e ganhar mais dinheiro – porque com o trabalho e ganhando também do futsal, acabas por ganhar muito mais dinheiro do que ganhas numa primeira divisão em Portugal, sem ser no Sporting e no Benfica. Acho que é uma abertura, acabou por ser, e acho que cada vez vai ser melhor, a qualidade vai aumentar de certeza. Se começarem a apostar mais aqui até acho que vai acabar por ficar bom.

      ©FPF/Diogo Pinto

      zz: Achas que essa aposta passa por tentar recrutar jogadores que estejam até numa situação como a tua, que já tiveram o auge da carreira, já estiveram na Seleção, e procurem um fim de carreira que seja digno? Onde possam, como disseste, ir preparando o fim de carreira e a transição profissional. Achas que vai passar por aí a evolução do futsal luxemburguês nos próximos anos?

      Djô: Sim, eu acho que é o futuro. O pós-futsal, para alguns, mas eu até nem acho que seja mesmo o pós-futsal. Eu acho que é bom para os jogadores que queiram ter um futuro bom, que queiram dar um futuro bom aos filhos – que aqui têm as regalias todas – acho que é muito bom.

      Os jogadores que pensarem mesmo bem no futuro, e no pós-carreira do futsal, acho que é a melhor escolha, o Luxemburgo.

      zz: Vocês, a época passada, fizeram história para o clube. Para o clube e para o próprio país, com os desempenhos que tiveram na Champions. Como é que foi voltar a disputar uma competição europeia, desta vez por um clube estrangeiro? Já tinhas disputado pelo Sporting, e voltaste a competir, mas numa realidade completamente diferente. Como foi essa vivência? Tu podes fazer a comparação entre as duas realidades.

      Djô: Eu já tinha jogado muitas Champions, mas quando eu vim para o Luxemburgo também havia essa possibilidade de o clube ir à Champions, se ganhasse o campeonato. Para mim foi muito especial, jogar uma Champions por um clube daqui do Luxemburgo. É sempre muito bom.

      Os jogos todos que disputamos na Champions foram emocionantes para mim, como se fosse a primeira vez. Jogar uma Champions é especial, e jogar numa equipa luxemburguesa, e passar uma fase que nunca tinham passado aqui, e nós conseguimos, foi uma coisa magnífica, do outro mundo. E o clube já tem uma expetativa se calhar maior, em termos de Champions, e isso é bom. É bom para mim, é bom para o clube, e eu fico feliz por ajudar o clube nessa competição.

      É sempre bom voltar a jogar uma Champions.

      zz: Esta época já não correu tão bem [na Champions]. O que não correu bem para que vocês não conseguissem passar essa fase?

      ©FPF/Diogo Pinto

      Djô: Não correu tão bem porque, apesar de estarmos preparados, e tínhamos hipóteses de passar o grupo, não conseguimos. É a experiência. Os clubes que estão lá já estão mais habituados a estar na competição, nessas fases, e eu acho que faltou um bocadinho de experiência. Experiência que vamos acumulando, com o acumular dos jogos, das idas à Champions, acho que cada vez vai ser melhor. Esta época conseguimos ganhar um jogo, perdemos dois jogos à tangente… apesar de sabermos que podíamos ter feito muito mais, podíamos ter passado, mas pronto, vai se ganhando experiência, e de cada vez que lá formos, vamos tentar fazer melhor. O objetivo é ganhar o campeonato outra vez, ir lá, e tentar passar outra vez uma fase.

      zz: Portanto, os objetivos para esta época é ganhar novamente o campeonato, e ganhar a Taça do Luxemburgo.

      Djô: Sim.

      zz: E vais acompanhando o futsal em Portugal?

      Djô: Sim, sim, eu acompanho o futsal. Tanto em Portugal, mais, porque também tenho um conhecimento muito grande, tenho amigos, pessoas que conheço, e é o futsal que acompanho sempre. Eu gosto muito de futsal, e estou sempre a ver futsal, e estou dentro sempre.

      zz: Para quem está de fora, o que te tem parecido particularmente estas últimas duas épocas? Já o ano passado se dizia que ia ser a época mais competitiva de sempre, e pareceu, e depois este ano temos duas jornadas, e já parece que vai ser a época mais competitiva de sempre – temos um resultado histórico no passado fim de semana, o Eléctrico nunca tinha ganho ao Benfica. Achas que efetivamente o nível em Portugal está a aumentar, e que isso pode ajudar a desenvolver o futsal noutros países? Ainda por cima com a diminuição do número de equipas na i Divisão, sobra talento, que podem fazer aquele percurso que tu dizias há pouco.

      Djô: Sim, essa é a realidade de Portugal. Portugal tem evoluído a cada ano que passa, e nota-se também na Champions, o Sporting nas últimas 3 épocas ganhou 2 Champions. Portugal foi campeão mundial, foi campeão europeu, aí já se vê que o campeonato português está com um nível muito alto. Hoje em dia o campeonato português é dos melhores campeonatos do mundo, para não dizer o melhor campeonato do mundo.

      qÉ sempre bom voltar a jogar uma Champions
      Djô

      zz: Tu estiveste no Mundial de 2016, na Colômbia. Imagino que tenhas feito uma festa muito grande aí quando ganhamos a final.

      Djô: Sim! Eu acreditei muito, porque é muitos anos a tentar, muitos anos ali na luta, e tinha que ser um ano, e este era o ano. Eu vi os jogos todos do campeonato do mundo e já no último Mundial tínhamos perdido para a Argentina na meia-final, e a Argentina tinha sido campeã, e eu mesmo estando lá na Colômbia eu sabia que nós íamos chegar à final e que podíamos ganhar. A partir do momento que ganhámos o Europeu já tínhamos que acreditar em tudo, e acreditar que esse dia ia chegar. E finalmente chegou.

      zz: Que memórias guardas dos tempos da Seleção?

      Djô: A minha última memória é mesmo essa, a meia-final do mundial [2016]. Eu nem joguei, estava castigado por causa dos amarelos e falhei a meia-final. Estava a fazer um bom Mundial, e acabei por ficar de fora nesse jogo, e perdemos. Mas pronto.

      zz: Mas jogaste contra o Irão, para o jogo de 3.º e 4.º? Confesso que já não me recordo.

      Djô: Joguei, quando perdemos nos penáltis e acabamos por ficar em 4.º, sabendo que se tivéssemos aquela pontinha de sorte podíamos ter chegado à final, e ter ganho e tudo.

      zz: Tens mais de 60 internacionalizações. Imagino que estejas orgulhoso de ter representado Portugal.

      Djô: Tenho muito orgulho na carreira que fiz, em Portugal, pela Seleção. Óbvio que tenho um orgulho enorme. Sinto-me um privilegiado por ter feito parte de tudo, dos títulos todos do Sporting, da Seleção… sinto um orgulho enorme, e acho que fiz uma carreira brilhante.

      ©Bruno de Carvalho

      zz: Em Portugal ganhaste tudo o que havia para ganhar, pelo Sporting. O que te fica mais na memória? São os títulos?

      Djô: Sobre o Sporting fica tudo, porque foi lá que cresci, desde miúdo. Joguei desde os iniciados do Sporting até aos seniores, joguei mais de 15 anos no Sporting. O Sporting é a minha família de sempre, é o clube que me fez homem, o clube que me fez jogador, é o clube a que devo tudo.

      zz: Por fim, queria fazer-te um desafio, que fazemos muito noutras rubricas, nesta nem por isso. Mas precisamente pela carreira que já construíste, e tendo em conta o que já aqui disseste, que mensagem é que gostavas de deixar a atletas portugueses? Particularmente aos mais jovens.

      Djô: O futsal em si em Portugal, mesmo na formação, tem evoluído muito. Pelo menos no Sporting eu vejo hoje atletas nos seniores, que quando eu estive lá estavam na formação, e conseguiram atingir um nível incrível, como o Tomás Paçó, o Zicky… miúdos que ganharam o Mundial. Mesmo o Afonso [Jesus] que também fez a formação no Sporting. São miúdos que eu apanhei nos seniores, que foram aos seniores muitas vezes, e que tinham muita qualidade, e hoje em dia estão num patamar acima, e que é incrível. Acho que devem continuar com essa mentalidade e acreditarem sempre que vão além, que vão ganhar muitos mais títulos. Tenho quase a certeza de que com a formação que existe em Portugal, do Benfica, do Sporting, mesmo do Leões de Porto Salvo, que é uma formação muito forte, com miúdos com muita qualidade, só faltava mesmo mudar a mentalidade e acho que mudou muito a mentalidade.

      Só têm que acreditar e continuar a trabalhar, porque o trabalho vai acabar por dar frutos mais tarde, como tem dado.

      zz: E ainda temos Djô para mais quantas épocas? Muitas?

      Djô: Não, muitas também não te digo. Pelo menos para mais 2/3 acredito que tenha Djô, ainda.

      zz: Vais percebendo como te sentes.

      Djô: Sim. Enquanto eu conseguir jogar, eu vou continuar a jogar. Além de que eu tenho a perspetiva de continuar no futsal, mesmo como treinador porque é uma coisa que eu gosto muito. Gosto muito de ensinar tudo aquilo que eu aprendi e tenho o sonho de um dia ser treinador de futsal, começando pelas camadas jovens. Mesmo no Sporting, quando eu parei um ano, quando fui operado ao joelho, eu fiz parte da formação, nos infantis, e tenho alguns miúdos que agora têm jogado na equipa principal do Sporting, miúdos de muita qualidade, que eu tive o privilégio de treinar, de ajudar a treinar, e de ensinar tudo aquilo que eu aprendi.

      E eu tenho a perspetiva de um dia ser treinador também.



      Portugal
      Djô
      NomeJorge Augusto Fernandes
      Nascimento1986-01-11(35 anos)
      Nacionalidade
      Portugal
      Portugal
      Dupla Nacionalidade
      Cabo Verde
      Cabo Verde
      PosiçãoFixo / Ala

      Fotografias(20)

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