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      Da II divisão italiana para o campeão finlandês

      Três países, três clubes e três objetivos em 365 dias: do Damaiense ao campeão finlandês, por Mariana Jaleca

      2021/07/02 15:46
      Rita David
      E0

      A jogadora portuguesa está cada vez mais internacional e, na Finlândia, encontrámos dois exemplos disso mesmo. Atualmente detentor do título de campeão nacional finlandês, o Aland United conta nas suas fileiras com duas jogadoras portuguesas: Catarina Realista e Mariana Jaleca.

      Ambas têm histórias inspiradoras para contar e, por isso, o zerozero esteve à conversa com as duas atletas que, em 2021, resolveram mudar-se para um arquipélago situado no meio do Mar Báltico e que tem quase 30 mil habitantes. 

      A época desportiva já está em andamento e participação na Liga dos Campeões está à porta... Fique desse lado! Esta é a segunda de duas entrevistas.

      Se há um ano quiséssemos falar com Mariana Jaleca, a viagem era curta. A médio de 23 anos jogava em Portugal, na Liga BPI e ao serviço do Damaiense. Se, por sua vez, quiséssemos falar com ela em dezembro, a viagem seria mais longa...Mais propriamente até Bérgamo, em Itália, onde vestiu a camisola do Orobica, clube do segundo escalão italiano. 

      Hoje, a viagem a fazer é bem maior, mas não nos acanhámos. Mariana Jaleca está, desde abril, no norte da Europa, mais propriamente na Finlândia, e com objetivos bem diferentes daqueles que tinha há um ano. Agora a prioridade é revalidar o título de campeão nacional pelo Aland United e, se possível, deixar uma boa imagem na Liga dos Campeões. 

      Posto isto, e após um ano repleto de viagens e mudanças em plena pandemia, o zerozero esteve à conversa com Mariana Jaleca para nos ajudar a perceber como é viveu na pele todas as mudanças de país, de clube e também de objetivos. 

      Voo entre Portugal e Finlândia, com escala em Itália

      zz:Há um ano estavas no Damaiense - que este ano foi despromovido à II Divisão -, saíste em dezembro para o Orobica, do segundo escalão italiano, e agora vais disputar eliminatória da Champions. Pode dizer-se que foi um ano cheio de aventura?

      ©Arquivo Pessoal
      MJ: «Sim, foi um ano muito bom. O covid veio estragar muitas vidas, mas a mim não. Tive a oportunidade de jogar em Portugal, no campeonato português, e de estar junto da família e isso deu-me alguma estabilidade emocional. Assim que surgiu a possibilidade ir para Itália não recusei e fui para mais uma aventura. O meu sonho sempre foi jogar a nível profissional na Europa e só agora em Aland é que assinei o meu primeiro contrato profissional».

      zz: Como é que se deu todo este processo do Damaiense para Itália?

      «Eu já andava a conversar com a minha representante para saber o que podia acontecer no futuro e tanto podia ser a meio da época como fim. No início de dezembro surgiu a proposta de ir para Itália e eu não pude recusar. Foi tudo muito rápido e inesperado».

      zz: Como é recebeste a notícia de poderes vir a jogar no campeão finlandês e disputar a Liga dos Campeões?

      «É um salto muito grande. Eu estava muito feliz em Itália, pensei muito antes de ir para a Finlândia. Estava feliz e estava numa área confortável, faltavam poucos jogos para acabar o campeonato, mas tive de arriscar. Além do fator Champions, era mais um país para descobrir».

      ©Arquivo Pessoal

      Tranquilidade nórdica tem resultado em golos

      zz: Estás na Finlândia desde o início de abril. Quais foram as primeiras impressões?

      «Aqui, as pessoas são super simpáticas, super tranquilas. Vive-se um ambiente de paz e de sossego. As pessoas não stressam com pouco. O clima foi a maior diferença que senti. Quando cheguei ainda estava frio e cheguei numa altura em que em Itália começava a ficar calor... Quanto à equipa, recebeu-nos super bem - a mim e à Catarina [Realista]. É um clube super organizado. Não nos falta nada. Temos também um treinador muito bom e, em termos de equipa, eu costumo dizer que as minhas colegas são umas máquinas a jogar à bola».

      zz: A nível individual tens estado em destaque. Tens três golos e duas assistências até ao momento. Foi fácil a adaptação à equipa, ao novo país e a uma nova língua?

      «Para já, a língua é o inglês. Temos várias jogadoras internacionais e, por isso, a língua que se fala nos treinos é o inglês. Em relação aos golos e às assistências, deve-se tudo à equipa. São todas muito boas jogadoras e se jogarmos bem enquanto equipa, eu consigo fazer o meu trabalho ainda melhor. Os golos foram surgindo, nunca foi esse o meu principal objetivo, esse sempre foi ajudar a equipa».

      Mariana e Catarina partilham o balneário no Aland United ©Arquivo Pessoal

      Onde há um português, há logo dois ou três...

      zz: O facto de teres outra portuguesa na equipa, a Catarina, ajudou na adaptação? Já se conheciam?

      «Conhecíamo-nos por ter amigos em comum e por já termos jogado uma contra a outra, mas não tínhamos nenhum contacto antes de virmos para aqui... Mas ter uma portuguesa numa equipa estrangeira é uma coisa que eu sempre quis. Nunca tive oportunidade nos EUA ou em Itália, mas ajuda imenso teres alguém que fala a mesma língua que tu e que tem os mesmos costumes». 

      zz: Este mercado de transferências está a ficar marcado pela saída de várias jogadoras portuguesas para o estrangeiro. Consideras que a jogadora portuguesa é cada vez mais valorizada?

      «Sem dúvida. Nós portuguesas somos muito talentosas e a seleção nacional tem mostrado isso, ainda agora recentemente contra os Estados Unidos. Tem feito um ótimo trabalho e acho que isso é uma boa montra para todas as jogadoras que estão em Portugal». 

      zz: Por falar em seleção, este é um objetivo que pretendes alcançar?

      «Penso que sim. Se continuar a trabalhar e se continuar a fazer o meu papel em campo, posso dizer que pode acontecer. Mas até lá, é continuar a fazer o meu trabalho no clube e quando um dia puder ajudar a seleção a ganhar o que quer que seja, estarei muito grata e ficarei muito feliz com uma chamada». 

       

      Esta é a segunda de duas entrevistas. Recorde aqui a primeira com Catarina RealistaEm teletrabalho e na Champions a 4 mil km de casa: a aventura de Catarina Realista na Finlândia

      Portugal
      Mariana Jaleca
      NomeMariana Pereira Jaleca
      Nascimento1997-10-08(23 anos)
      Nacionalidade
      Portugal
      Portugal
      PosiçãoMédio

      Fotografias(4)

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