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      Galês esteve em sete golos nos últimos quatro jogos

      Renascido: Bale está de volta à melhor forma e pode resolver os problemas de Mourinho

      2021/03/03 11:05
      Ricardo Miguel Gonçalves
      E5

      A bola vinha rasteira, mas Gareth Bale teve a audácia de a levantar para receber com o peito, numa altura em que já corria o minuto 89. Deixou o esférico cair e encarou o adversário, antes de puxar a bola para o meio, encontrando espaço suficiente para rematar com o mágico pé esquerdo e fazer um golaço do meio da rua, sem qualquer chance de defesa para Mignolet.

      Foi assim que o Tottenham de André Villas-Boas venceu o Sunderland por 1x0 na última jornada da Premier League em 2012/13, e assim foi a história do último golo de Gareth Bale, no último jogo que fez pelo Tottenham antes de rumar a Espanha numa transferência recorde. 

      Em Londres, a última memória que havia de Bale era esse golo marcado em maio de 2013, e Daniel Levy - dirigente dos spurs - não hesitou em agarrar a oportunidade de trazer o galês de volta sete anos depois, algo que José Mourinho também queria, mas esse empréstimo tão promissor acabou por não ter o impacto imediato que era esperado. Bale era apenas um fantasma. O homem era o mesmo mas o futebol já não, e apesar das oportunidades da Liga Europa na fase de grupos (um golo em seis jogos, sempre como titular), as exibições do atacante não faziam justificar uma aposta no campeonato. 

      Gareth Bale
      Tottenham
      Total
      223 Jogos  17575 Minutos
      63   21   1   02x
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      Más exibições no campo e com críticas do treinador à mistura, mais do que nunca Gareth Bale pareceu acabado neste nível, mas em poucos dias tudo mudou. Voltou ao protagonismo na Liga Europa e deu início a uma série que culminou com a titularidade e o prémio de homem do jogo na última jornada da Premier League, com um bis frente ao Burnley, uma equipa geralmente sólida a nível defensivo.

      No total esteve envolvido em sete golos nos últimos quatro jogos (quatro golos e três assistências), e está ainda a tempo de fazer uma bom final de temporada e chegar em boa forma ao Campeonato da Europa... 

      Bisou frente ao Burnley no último domingo ©Getty / Julian Finney

       

      Dois discursos em 16 dias

      Gareth Bale voltou ao protagonismo em Inglaterra no dia 12 de fevereiro, na conferência de imprensa de José Mourinho antes do jogo com o Manchester City (3x1), com o técnico a ver-se obrigado a esclarecer uma controvérsia relacionada com o galês, que não jogara frente ao Everton (5x4) por alegada lesão, mas que tinha feito referência ao «bom treino» através de uma publicação nas redes sociais. Mourinho classificou o comentário de Bale como «totalmente errado» e, embora tenha atenuado o problema, não deixou os adeptos esperançosos para um regresso do jogador à melhor forma.

      Esta temporada é a primeira em que Mourinho e Bale trabalham juntos, mas não por falta de tentativas do português. O técnico fez - sem sucesso - um grande esforço para contar com o galês no Manchester United, já vários anos depois de o ter referenciado em Madrid, onde o seu desejo só chegaria uns meses depois da saída, quando Ancelotti era o treinador.

      No Real Madrid conquistou tudo o que havia para disputar (consulte o palmarés ao lado), e fê-lo como uma das principais figuras daquela que era inquestionavelmente a melhor equipa do mundo na altura, formando um trio atacante, com Karim Benzema e Cristiano Ronaldo, onde marcou muitos golos e deu quase tantos a marcar. Era nobre presença numa família Real, mas uma onde nunca poderia ser a jóia da coroa - pois CR7 existe -, mas onde mesmo assim fez-se protagonista e foi decisivo.

      Celebrou a La décima em época de estreia e logo com o golo da reviravolta aos 110 minutos, em Lisboa (4x1), naquela que foi a primeira de quatro Ligas dos Campeões que conquistaria em Madrid. Mas quando as lesões apareceram terminou o estado de graça e a queda foi dura. Ainda bisou na frente ao Liverpool (3x1) na última final europeia que disputou, em 2018, mas esse foi mais o pico de onde começou a queda final do que o início de um ressurgimento.

      Com exibições abaixo do seu valor veio a controvérsia, e o amor ao golfe foi o bode expiatório num descambar completo da relação com os adeptos blancos. Já não havia nada a fazer, era necessária uma mudança.

      No regresso a Londres encontrou finalmente Mourinho, mas não o sucesso imediato. Quatro golos em 16 jogos quando chegámos a meio de fevereiro. Não era um registo horrível, mas tornava-se certamente menos apelativo sob o contexto de que metade desses golos surgiram frente a adversários de escalões inferiores, nas taças, e as exibições não entusiasmavam.

      Regresso não correu bem nos primeiros meses ©Getty / Matthew Ashton - AMA
      Voltemos então discurso do técnico português sobre a polémica de Bale. No dia seguinte o galês jogou 18 minutos contra os cityzens, sem qualquer impacto, mas foi cinco dias depois que a forma voltou. O Tottenham foi à Hungria vencer o jogo com o Wolfsberger por (1x4) e o jogador de 31 anos fez uma exibição que evocou a outros tempos...

      Desequilibrou na direita, através do drible que há muito não aparecia, antes de servir Son para o primeiro golo do jogo aos 13 minutos. Passou um quarto de hora e voltou a aparecer com um golo de grande categoria, em que deixou o seu adversário direto sentado antes de fuzilar a baliza austríaca. [Pode ver todos os golos aqui]

      Três dias depois o Tottenham sucumbiu perante o West Ham (2x1), mas foi a entrada de Bale ao intervalo que permitiu aos spurs disputar o dérbi londrino, com o galês a assistir Lucas Moura para o único golo da equipa. Na segunda mão da eliminatória europeia foi poupado, mas bastaram os 20 minutos finais para voltar a fazer o gosto ao pé e marcar o terceiro no 4x0.

      Chegou domingo e eis que Bale estava finalmente de regresso à titularidade num jogo de Premier League, e não fez por menos. Pouco mais de um minuto de jogo e já celebrava o primeiro golo, ao qual juntaria uma assistência para Harry Kane aos 15 minutos. Era mais do que suficiente, mas Bale ainda deu aos adeptos uma viajem no tempo quando aos 55 minutos puxou a bola para dentro e finalizou com o seu pé esquerdo, o golo que valeu o bis e a vitória por 4x0.

      Mourinho quis recrutar Bale em Madrid e em Manchester © Clive Rose / Getty Images

      Aí mudou o discurso de Mourinho, 16 dias depois da polémica: «Não há treinador no mundo que não use Gareth Bale quando está em forma. Ele agora quer o jogo, trá-lo para ele. Jogou muito bem e está em boas condições, estou muito feliz por ele».
       

      Solução galesa para todos os problemas

      Não é só a época de Bale que pode mudar por completo ao encontrar boa forma, mas sim a de todo o clube. Depois de um bom início de temporada, o Tottenham é atualmente oitavo classificado e o otimismo é escasso, mas a Champions está a apenas seis pontos, com um jogo a menos.

      A dupla formidável de Harry Kane e Heung Min Son tem sido alvo de inúmeros elogios. E com razão. Só na Premier League o duo soma 46 participações em golos (golos + assistências) e a esmagadora maioria dos golos do Tottenham na prova. Mas isso não é totalmente positivo.


          

      Opções de ataque*

      Jogador Minutos Golos
      Gareth Bale 249 1
      Lucas Moura 647 1
      Erik Lamela 437 0
      Steven Bergwijn 1026 0
      Dele Alli 100 0
      Carlos Vinícius 160 0

      Apesar de ter dois jogadores de classe mundial, José Mourinho não tem conseguido extrair o melhor do resto da sua armada atacante, o que torna os spurs numa equipa previsível, já para não falar na fragilidade que é um destes dois jogadores se lesionar, como já aconteceu no passado.

      Gareth Bale, Dele Alli, Steven Bergwijn, Lucas Moura, Erik Lamela e Carlos Vinícius são as restantes opções atacantes no clube londrino, mas até agora estas opções somam um total de seis golos na Premier League 2020/21. Um registo que já é mau mas ainda piora, pois se a contagem for feita apenas até *meio de fevereiro (antes do período de forma de Bale), estes seis jogadores totalizavam apenas dois golos no principal escalão do futebol inglês, à 23ª jornada.

      Um regresso de Bale à boa forma já valeu quatro golos extra nesta tabela, dois do galês e dois de Lucas Moura, mas não surpreenderá se outros começarem a aparecer com remates certeiros no último terço da temporada.

      Com duas pernas extra num ataque que já tem muita qualidade, Mourinho e os adeptos do Tottenham podem ambicionar a um final de época bem mais positivo do que os últimos meses prometeram. Há tempo para subir na tabela, uma competição europeia ainda em disputa e uma final marcada para abril, que pode valer o primeiro troféu do clube desde 2008, quando os londrinos levantaram a mesma Taça da Liga em época de estreia de... Gareth Bale.

      País de Gales
      Gareth Bale
      NomeGareth Frank Bale
      Nascimento1989-07-16(31 anos)
      Nacionalidade
      País de Gales
      País de Gales
      PosiçãoAvançado (Extremo Direito) / Avançado (Extremo Esquerdo)

      Fotografias(83)

      Premier League
      Comentários (4)
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      motivo:
      Moeda de troca
      2021-03-03 14h44m por RATEL
      Bale poderá ser incluido no negócio Kane com este rumo a Madrid
      Bale
      2021-03-03 14h42m por RATEL
      Grande jogador, muitas polémicas. Não agrada a todos mas é craque sem dúvida.
      WI
      Não é o mesmo mas. . .
      2021-03-03 11h59m por Wise
      Nao tem a capacidade de meter a bola para um lado e correr por fora das 4 linhas e chegar primeiro a bola , como antigamente ( esse lance é qualquer coisa) . A sua explosão já não é a mesma. Porem a qualidade de remate , na decisão continua lá.
      Se fisicamente e mentalmente continuar a crescer, tem tudo para continuar a ser importante.
      ainda é novo
      2021-03-03 11h17m por naosabesonde
      só tem 31, se quiser ainda vai a tempo de jogar mais 3 ou 4 anos em grande
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