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      entrevista
      Entrevista exclusiva com DJ Fenner

      A época sensacional do Imortal aos olhos do melhor marcador da Liga: «Estou a jogar o melhor basquetebol da minha carreira»

      2021/02/04 19:10
      Vasco Moreira
      E2

      Falar daquilo que tem sido a Liga Placard 2020/21 e não falar do Imortal é impossível. Os algarvios têm sido a principal sensação da presente temporada de basquetebol em Portugal, depois de terem vencido equipas como o Benfica e atingido, recentemente, o pódio da Liga Placard.

      Uma das principais caras desse sucesso é DJ Fenner, extremo norte-americano de 27 anos que vive a primeira temporada em Portugal e tem surpreendido tudo e todos com o seu basquetebol, sendo mesmo o melhor marcador da Liga Placard, com média de 20,5 pontos por jogo.

      O zerozero foi tentar perceber os segredos por detrás de tanto sucesso, tanto individual como coletivo, numa entrevista exclusiva com DJ Fenner, na qual o extremo falou de tudo, desde a mudança para Portugal até à explicação para estar a viver o melhor ano da carreira, passando ainda pelos objetivos individuais e coletivos para o futuro e também por... Zach Lavine e Devin Booker. 

      ©FPB

      «Nota-se que os jogadores portugueses adoram o jogo»

      Como é que surgiu a possibilidade de jogar em Portugal e, especificamente, no Imortal?

      Eu estava a jogar na Sérvia antes do Covid e depois voltei para casa por causa disso. Estava a treinar durante o verão e o meu agente ligou-me e mencionou a possibilidade de jogar Portugal. Eu já conhecia dois jogadores que tinham jogado em Portugal, falei com eles e disseram-me bem da Liga e que também tinham passado a permitir cinco estrangeiros recentemente. Para além disso, o Tanner Omlid, que já estava no Imortal, tem o mesmo agente que eu, então já tinha essa ligação e acabei por decidir vir para aqui no início do verão e tem corrido tudo bem.

      A adaptação a Portugal foi fácil?

      Sim. Comparado com os outros países onde já joguei, este foi provavelmente aquele em que a adaptação foi mais fácil. Desde ao clima, às condições para viver… A equipa e a equipa técnica, que são pessoas muito boas e tornaram a transição muito fácil para mim e para a minha família. Estou a adorar o Algarve, tem sido o ano que mais estou a gostar de jogar no estrangeiro.

      A maioria da equipa já estava junta no ano passado. Isto tornou a adaptação à equipa mais fácil?

      Sim, tornou tudo mais fácil para nós [DJ Fenner, Tyere Marshall e Ty Toney, os três reforços]. Notava-se que já havia uma grande química no grupo e notava-se que eram amigos mesmo fora do campo. Eles tornaram a nossa adaptação à equipa e ao estilo de jogo mais fácil. Acho que nós trouxemos maior competitividade para treinos e isso também nos ajudou a melhorar em conjunto.

      És o melhor marcador da Liga Placard, com média de 20,5 pontos por jogo, e estás com os melhores números da carreira. Estás a jogar o melhor basquetebol da tua carreira?

      Sim, acho que estou a jogar o melhor basquetebol da minha carreira. Parece que houve um clique e está tudo a funcionar. Todos estes anos a jogar no estrangeiro, em muitas equipas… Foi muito difícil, mas continuei sempre a trabalhar e agora estou numa equipa em que encaixo na perfeição e dou-me muito bem com todos. Está tudo a funcionar.

      Já jogaste em ligas muito competitivas na Europa, como a grega ou a húngara. Como é que compraras essas ligas com a portuguesa?

      É definitivamente um estilo de jogo diferente. O basquetebol em Portugal passa mais pelos bases e os jogadores interiores não são tão grandes e fortes como na Grécia ou na Hungria, por exemplo. Lá há jogadores maiores e mais experientes, mas nota-se que a Liga Portuguesa está a evoluir. As equipas do topo estão a competir na FIBA Europe Cup e a tentar entrar na Liga dos Campeões… sinto que a liga está a ficar mais forte e que estão a chegar excelentes jogadores. Sinto que cheguei a Portugal numa altura em que está prestes a tornar-se num grande país de basquetebol. Todos conhecemos Portugal pelo futebol, mas o basquetebol está a tentar equilibrar e acho que tem uma boa chance de se tornar muito popular.

      Houve algum jogador que te surpreendeu na Liga Placard, português ou estrangeiro?

      O Lamar Morgan, do Maia Basket, foi impressionante contra nós e o Sporting também tem bons jogadores… o Tweety Carter também, costumava ver jogos dele quando era mais novo. Fiquei muito impressionado com o Pedro Oliveira, da Ovarense. De todos os portugueses, o jogo dele foi o que mais gostei. Fora do campo não dás muito por ele, até porque é pequeno, mas depois ele começa a jogar e é impressionante. Dá tudo!

      Falaste um pouco sobre o Pedro Oliveira e aproveito para te perguntar o que tens achado dos jogadores portugueses?

      Nota-se que os jogadores portugueses adoram o jogo. Fizeram-me perceber o quanto eu gosto de basquetebol. Têm excelentes lançadores, fisicamente não são tão fortes como noutras ligas em que joguei, mas há jovens com qualidade… soube que há um português em Utah State [Neemias Queta] e seria muito bom para Portugal ter um jogador a entrar na NBA para a modalidade crescer no país.

      ©Alberto Cortez

      O Imortal tem sido uma das grandes sensações da Liga Placard e já venceu equipas como Benfica. Estavas à espera de uma época tão boa?

      Honestamente, não estava à espera. Sabia que a equipa tinha sido promovida este ano e mesmo sabendo que tinha vencido os jogos todos na última época não estava à espera que estivéssemos nesta posição e só com quatro derrotas. Superou todas as minhas expetativas.

      Estando numa posição tão boa nesta altura, qual é o objetivo da equipa?

      Desde o início da época que o objetivo era atingir os play-offs. Como superamos as expetativas, o objetivo passou a ser passar a primeira ronda dos play-offs. Temos qualidade para atingir a segunda ronda, mas acho que somos os underdogs, apesar de estarmos no terceiro lugar. Ainda temos muito a provar, mas o objetivo passou a ser esse.

      Este fim de semana o Imortal vai participar na Taça Hugo dos Santos e vai jogar contra o Sporting nas meias-finais. Acreditas que o Imortal pode surpreender?

      Sim, acredito que sim. Tenho sempre confiança na minha equipa, nos treinadores e na minha qualidade. Acredito que em qualquer jogo nós temos jogadores que podem fazer a diferença e ajudar-nos a vencer, mas sei que somos os underdogs e que ninguém espera uma vitória do Imortal. Vamos jogar contra uma equipa como Sporting, que, especialmente agora, depois de perder os três jogos na FIBA Europe Cup, está com fome de vitórias e vem para cima de nós com tudo, de certeza. Mas nós vamos dar tudo e o que queremos é melhorar a cada jogo e mostrar a Portugal o que esta equipa vale. Vamos para todos os jogos à procura de vencer, essa é a nossa mentalidade competitiva enquanto equipa e acho que é por isso que chegámos até aqui.

      Tem sido uma época muito diferente por culpa da pandemia, com jogos adiados, pavilhões sem adeptos, entre muitas outras limitações. Como é que tem sido lidar com tudo isto?

      É difícil. Ter colegas que têm de fazer quarentena e não podem treinar ou jogar… mas acho que se há uma coisa boa que se pode retirar disso é que faz-nos perceber o quanto sentimos a falta do basquetebol. Quando estás privado de jogar basquetebol, sentes mesmo falta de o fazer e eu sei que isso aconteceu ao longo do último ano com muitos jogadores. No nosso caso, acho que pode ser difícil no início, com os jogadores a regressar depois da paragem, mas acho que pode ajudar-nos no futuro porque voltam ainda com mais vontade.

      E para ti, especificamente, como é que foi preparar a época com tantas limitações e jogar em pavilhões sem adeptos?

      Sinto falto de interagir com os adeptos, até porque gosto muito quando há crianças a ver o jogo e sinto que as posso inspirar com o meu jogo. Sinto falta disso, mas também é bom poder jogar e concentrarmo-nos apenas no jogo, porque não há tanto barulho e distrações. São só as câmaras, os árbitros, muito poucas pessoas e nós só temos de jogar basquetebol. Acho que me consegui adaptar bem.

      Tens 27 anos, já passaste por ligas de países como Sérvia, Hungria, Grécia… qual é que o teu objetivo para o futuro próximo? Quão longe ainda esperas chegar?

      Eu sempre quis jogar na NBA, desde muito novo. Era o meu sonho, mas enquanto fui crescendo deixei de colocar essa pressão em mim e mentalizei-me em ser o melhor jogador possível. Isso tirou-me um peso dos ombros e permitiu-me focar-me em trabalhar cada vez mais e tenho melhorado muito. Quando tiver 30 anos gostava de poder estar a jogar em ligas de topo e na EuroTaça ou na EuroLiga e, quem sabe, ter a oportunidade de chegar à NBA. Quero chegar o mais longe possível e tento melhorar a cada dia.

      Lances Livres

      Ídolo quando eras mais novo?

      Kobe Bryant, sem dúvida!

      Jogador favorito?

      O Zach Lavine. Nós somos amigos, costumamos treinar juntos no verão e ele merece tudo o que lhe está a acontecer. Trabalhou muito para isto!

      Jogador com que mais te identificas?

      Tento ver muito do CJ McCollum e «roubar» alguns movimentos que ele costuma fazer. Gosto muito do estilo de jogo dele.

      Equipa favorita na NBA?

      Não tenho bem uma equipa. Era fã dos Seattle Supersonics, mas não sou fã dos Oklahoma City Thunder [risos]. Gosto de torcer pelos Portland Trail Blazers.

      Treinador que mais te marcou?

      O Luís Modesto [técnico do Imortal]. Ele é incrível, adoro trabalhar com ele. Ele é muito relaxado, muito bom ao nível técnico e sabe como nos manter unidos e calmos, sem que nos deslumbrarmos. É muito bom!

      Melhor jogador com quem já jogaste?

      Provavelmente o Cameron Oliver, que joga na Austrália. Joguei com ele em Nevada. É um jogador interior muito versátil e também é muito porreiro fora do campo.

      Jogador mais difícil que tiveste de defender?

      Já tive de defender o Devin Booker num Open Gym e não foi fácil… [risos]

      Tirando os EUA, qual o país em que mais gostaste de viver?

      Portugal é claramente o meu favorito até agora.

      E o que gostaste menos?

      Viver na Sérvia foi duro… A zona onde eu vivia não era a melhor e o clima também não ajudava.



      Estados Unidos
      DJ Fenner
      NomeDerrick Steven Fenner Jr
      Nascimento1993-12-07(27 anos)
      Nacionalidade
      Estados Unidos
      Estados Unidos
      PosiçãoExtremo

      Fotografias(15)

      FC Porto x Imortal - Liga Placard Basquetebol 2020/21 - Meias-Finais 
      FC Porto x Imortal - Liga Placard Basquetebol 2020/21 - Meias-Finais 
      Comentários (2)
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      motivo:
      zerozero
      2021-02-04 23h39m por miketu
      E é internacional Angolano.
      zerozero
      2021-02-04 23h17m por miketu
      António Monteiro jogou no Recreativo de Libolo em Angola de 2012 a 2014.

      2012/13 Rec. Libolo (ANG)
      2013/14 Rec. Libolo (ANG)
      Agradecimento
      hm por zerozero.pt
      Muito obrigado. O perfil do atleta foi atualizado com base no comentário acima.
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