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      Ângelo Meneses representa o FC Ararat-Armenia

      Há um português campeão na Arménia: «Já estou a pensar nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões»

      2020/07/16 13:00
      Texto por Rodrigo Coimbra
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      Ângelo Meneses tinha acabado de subir de divisão com o Famalicão quando surgiu a oportunidade de sair pela primeira vez para o estrangeiro. O destino era um pouco desconhecido para o central, mas aceitou o desafio sem pensar muito: 'Arménia, aqui vou eu!'.

      No FC Ararat-Armenia, clube fundado em 2017, o defesa português começou por conquistar a Supertaça, jogou pré-eliminatórias das duas principais provas europeias ao nível de clubes, falhou a conquista da Taça, num jogo de loucos, e poucos dias depois sagrou-se campeão, na última jornada do campeonato, graças a uma vitória precisamente contra o carrasco... da Taça.

      Ângelo Meneses
      1 títulos oficiais

      Se as dúvidas em relação à mudança foram rapidamente ultrapassadas, por tudo aquilo que de bom encontrou no Ararat, Ângelo sofreu à distância com a pandemia que tem vindo a mudar o mundo, sobretudo depois de receber a notícia que não queria: os pais foram infetados pelo vírus. Felizmente, tudo passou e hoje celebram à distância uma conquista que os enche de orgulho.

      E foi durante o período de quarentena que uma promessa ficou feita. Ângelo participou na rubrica 'O Meu Futebol em Quarentena' e ficou combinada nova conversa, caso o título fosse conquistado. Esse dia chegou e o convite foi imediatamente feito. Resposta: «Claro que sim, quando quiseres!»

      De Yerevan a Famalicão, o defesa de 27 anos não escondeu a felicidade pelo presente e garantiu que o regresso a Portugal não é uma obsessão para o futuro. 

      A festa pelo bicampeonato ©FC Ararat

      zerozero (ZZ): Como é que estás a viver estas primeiras horas depois da conquista do Campeonato?

      Ângelo Meneses (AM): Ainda estou de ressaca [risos]. Estou super contente. Com isto do Covid-19 não dá para grandes festejos, portanto fomos todos – jogadores e staff – jantar a uma quinta… E hoje [ontem] já estou de férias. Fui só almoçar à cidade e de resto tem sido responder a mensagens e fazer alguns posts nas redes sociais.

      ZZ: Sentes que este título é quase a confirmação de que a mudança foi o passo certo na tua carreira?

      AM: Acho que é o culminar desse processo. Claro que durante o ano vamos percebendo se mudámos para melhor, e eu já estava com essa sensação... Um título é sempre algo que nos deixa realizados. Era o objetivo máximo do clube.

      ZZ: Curiosamente, a última jornada e, portanto, o jogo decisivo foi frente à equipa com quem perderam a final da Taça há uns dias, que estava também na luta pelo título. Sentiste a equipa nervosa?

      AM: Um pouco. Na taça tínhamos o jogo resolvido ao intervalo [4x1] e eles não estavam a fazer nada. Foi das melhores primeiras partes que fizemos ao longo desta época. Ao intervalo facilitámos, o treinador fez duas mexidas e eles marcaram o 4x2 cedo e num espaço de dez minutos empataram. Notou-se neste jogo que a equipa não estava confiante e demos um pouco a posse ao adversário. Para nós também dava o empate e estávamos mais à espera. Ficamos mais tranquilo com os golos e depois o treinador meteu mais um central. Não facilitou desta vez [risos].

      ZZ: E como foi regressar à competição com a noção de que o campeonato estava longe de estar resolvido?

      AM: Acabou por ser muito estranho porque as coisas eram novas para todos. Foi quase como aprender tudo de novo. Sem público, sem as melhores condições físicas… Tivemos uma fase em que tivemos seis pontos de avanço, depois passamos para trás e há três jornadas não dependíamos de nós. Houve uma certa altura em que tivemos medo [de perder a liderança], mas para as últimas duas jornadas, a depender de nós, estávamos confiantes.

      ZZ: Na altura em que foste para a Arménia, admitiste que não sabias nada do país… O que nos podes dizer agora sobre o clube e o campeonato?

      AM: É curioso porque vem agora para cá um jogador que estava em Portugal e ligou-me a perguntar como era o clube e eu disse-lhe tudo de bom. É um clube sério, com condições, que paga aquilo que promete. Não falham em nada. Tem aspirações de dominar o campeonato e tentar chegar mais longe na Liga Europa. Só tenho coisas boas a dizer do clube e da cidade. A capital [Yerevan] é muito desenvolvida.

      ZZ: E o campeonato…

      AM: É do género de uma segunda liga portuguesa. É um campeonato muito renhido, nota-se que a nossa equipa e mais duas ou três são melhores que as outras, porque têm mais orçamento, mas acaba por ser um campeonato difícil porque as outras equipas são mais aguerridas. As equipas que têm mais jogadores arménios e russos praticam um jogo mais físico, a nossa por exemplo já é um futebol mais técnico. Mas é muito competitivo. O ano passado o título foi decidido na última jornada e agora também.

      ZZ: O clube foi fundado apenas em 2017. Se estivesse a competir em Portugal, o Ararat lutava por que objetivo?

      AM: Lutava pela manutenção. Mais do que isso não acredito. Talvez um sétimo lugar. O clube tem condições. Treinamos no centro de estágio da seleção, que tem 12 campos, piscina, ginásio… É muito grande mesmo. Além disso, o clube paga bem e a horas.

      ZZ: E como são os jogadores arménios?

      AM: Não são muito altos. Os jogadores mais jovens já são mais técnicos do que os mais velhos, que são mais físicos, de choque e não dão nenhuma bola como perdida. Os mais novos gostam de ter bola e ir para cima do adversário. É também resultado da aposta da seleção no desenvolvimento dos jogadores do país.

      ZZ: Terminou o campeonato e agora estás de férias. O que esperas que esta conquista te traga para o futuro?

      AM: É normal que vá despertar algum interesse. Mas nem sequer estou a pensar nisso. Tenho mais um ano de contrato e o que tiver de aparecer aparecerá. Não estou muito a pensar nisso. Só vamos ter 10 dias para descansar e nem a Portugal vou conseguir ir. Já estou a pensar nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões. É uma das coisas muito boas de ter vindo para cá.

      Ângelo Meneses (esq.) com a mão na taça de campeão ©Arquivo Pessoal

      Os pais infetados pelo vírus: «Não foi fácil estar longe»

      ZZ: Um ano de adaptação a uma nova realidade e um ano marcado por este vírus que veio mudar o nosso mundo. Estar longe da família nesta fase foi complicado…

      AM: Foi a minha primeira experiência fora do país, estava com medo no início… Estava com medo de vir, mas as coisas foram correndo bem. Apareceu a situação do Covid, tive de ficar em casa e depois soube da notícia de que os meus pais tinham ficado infetados. Estar longe não foi fácil... Andava triste... Mas graças a Deus ficaram bem. Infelizmente, não vou ter oportunidade para ir a Portugal, o clube não permitiu, mas vou aproveitar com a minha namorada. Custa não poder ver os meus pais, mas é o meu trabalho.

      ZZ: A tua namorada foi um pilar nesta fase…

      AM: Sem dúvida! Ela deu-me muita força para vir. Era uma decisão difícil e o facto de dizer que me acompanhava foi uma grande ajuda. Se não a tivesse aqui, não seria tão fácil como foi. Como se costuma dizer, ao lado de um grande homem tem de haver uma grande mulher [risos].

      ZZ: Como foram as primeiras conversas com a família após o título?

      AM: A minha mãe chorou quando falou comigo, mais por saudades do que pelo título. [risos] O meu pai foi mais normal, mas vibra muito comigo. Quando perdi o jogo da taça disse que não dormiu nesse dia. Acompanha-me desde pequeno e adora futebol. Ficou contente, não tao emocionado como a minha mãe. 

      ZZ: Voltando à festa do título. Como foi com os adeptos?

      AM: Nós temos uma claque de 50-60 pessoas que vão aos jogos todos, seja fora e casa, e ontem esperaram pela chegada do autocarro com tarjas e fumos. E depois quando fomos campeões vieram para o portão do estádio para festejarmos um bocadinho. Nós de um lado e eles do outro, com máscaras, claro. O clube tem apenas dois anos, mas eles gostam imenso do clube.

      ZZ: Como está a situação da pandemia aí na Arménia? Há perspetivas de reabrirem os estádios ao público?

      AM: Não acredito que deixem já no início da próxima época. Eles na semana passada manifestaram-se, queriam vir para os estádios com medidas de segurança, só que o governo proibiu. A situação está mais ou menos como em Portugal, com 400 casos diários. 

      Ângelo Meneses subiu de divisão com o Famalicão ©Manuel Morais / Kapta +

      «Famalicão? Se não for à Liga Europa, será uma injustiça…»

      ZZ: Pertenceste ao plantel do Famalicão que alcançou a subida à Liga. Estavas à espera deste sucesso imediato do Famalicão?

      AM: Estava à espera de um campeonato tranquilo do Famalicão, pois tem capacidade para isso, mas não esperava que estivesse na luta pela Liga Europa já este ano. Vai ser um clube com muita grandeza em Portugal, ao nível de um SC Braga ou Guimarães. Tem estrutura para isso. Tem pessoas dentro do clube que são fortes e conhecem o futebol português. Perante a época que esta a fazer, será uma injustiça se não for à Liga Europa. 

      ZZ: Tem também uma massa associativa muito forte.

      AM: Muito, muito! É dos melhores clubes nesse aspeto. Claro que os grandes têm mais dimensão, mas o Famalicão tem uma massa adepta incrível. Basta ver a fase crítica por que passou, sobretudo quando estava na distrital, e mesmo assim tinha o estádio cheio. O clube é o que é hoje também por causa dos adeptos. Foram eles que não deixaram cair o clube.

      ZZ: Saíste em busca de uma oportunidade melhor no estrangeiro, mas falhaste a estreia na Liga. Ainda pensas nisso?

      AM: O objetivo de todos os jogadores portugueses é jogar na primeira liga do país. Mas depois chegamos a um certo ponto da vida e da nossa carreira que temos de tomar decisões. Tentar alimentar um sonho que é difícil ou sair do país em busca de algo melhor para nós.

      ZZ: Por vezes não se compreende a mudança para campeonatos com menor visibilidade. Achas que não se tem bem a noção da diferença de valores praticados em Portugal e lá fora?

      AM: Nós quando saímos conseguimos perceber que somos mais valorizados fora do que no nosso país. Não há volta a dar. Somos mais valorizados em termos financeiros e as pessoas olham-nos de outra maneira. Em relação ao aspeto financeiro, as pessoas pensam que é bom [em Portugal], mas só para alguns. Agora é óbvio que a liga portuguesa é muito boa em termos de visibilidade.

      ZZ: …

      AM: Agora, se me perguntares se eu anseio voltar a Portugal para jogar na primeira liga eu digo-te que não. Prefiro estar cá fora e ir para outra liga: Rússia, Ucrânia, Turquia… Ligas competitivas e que oferecem outras condições. Não estou obcecado por voltar a Portugal. Só voltava se tivesse uma proposta que realmente valesse a pena.

      ZZ: A pergunta da praxe: se voltarmos a falar daqui a uns tempos, o que gostarias de contar?

      AM: Gostava de falar sobre a entrada na fase de grupos da Liga Europa. Tivemos mesmo quase no ano passado e espero conseguir este ano. É o sonho do clube. Se falar contigo sobre isso já fico contente. [risos]

      ZZ: Fica combinado. [risos]

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