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      entrevista
      Treinador orienta US Heffingen

      Do sucesso ao insólito na Taça: conheça a aventura do técnico Daniel Brandão no Luxemburgo

      2020/05/05 14:02
      Texto por Miguel Amaral
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      Uma prova da evolução recente do basquetebol português é o maior número de atletas e treinadores que está a rumar ao estrangeiro, na procura de outros desafios e novas experiências.

      Daniel Brandão, um dos técnicos lusos mais promissores, decidiu partir na última época para o Luxemburgo num desafio aliciante e diferente do que estava habituado, após um período de sólido crescimento dentro de portas.

      O zerozero falou com o técnico de 33 anos sobre o balanço desta temporada no estrangeiro, a realidade que encontrou no Heffingen e a sua evolução pessoal/profissional.

      Desafio e sucesso lá fora

      ZZ: Após anos de sucesso no Terceira Basket, a sua aventura no Galitos FC acabou por ser interrompida a meio da temporada 2018/19. Quais foram as razões para o fim abrupto e algo inesperado da ligação a este clube?

      DB: Diria essencialmente duas razões, em primeiro lugar julgo que depois de estar 6 épocas e meia no mesmo clube (Terceira Basket) e com uma trajetória ascendente, tive dificuldades em me adaptar a um novo clube, à cidade e a a uma organização diferente. Em segundo lugar, penso ter existido um mau planeamento da temporada. Começou-se a preparar a época muito tarde e foram tomadas más decisões no que respeita essencialmente ao recrutamento de alguns jogadores. O Galitos FC foi a única equipa da Liga Placard que na época em questão começou a mesma com apenas 3 atletas estrangeiros e todos tiveram lesões graves em diferentes momentos da época, o que nos condicionou imenso na abordagem competitiva durante os momentos fulcrais da mesma. Ainda assim, este facto foi positivo para os nossos jogadores nacionais que tiveram mais oportunidades de serem protagonistas na Liga Placard e mostrarem o seu valor, muitas vezes "escondido" na sombra dos jogadores estrangeiros. Penso que estes fatores foram decisivos para que a relação com o clube se desgastasse e eu acabasse por sair. No entanto estarei sempre grato ao Galitos FC e à sua direção pela oportunidade que me deram, pois este momento negativo na minha carreira fez-me crescer imenso e fez de mim um treinador mais preparado para o futuro.

      Daniel Brandão orientou Terceira Basket e Galitos Barreiro na Liga Placard ©Arquivo Pessoal do Treinador

      ZZ: Como surgiu o convite e a oportunidade de representar o Heffingen? Treinar no estrangeiro era um objetivo que tinha em mente?

      DB: Foi essencialmente uma questão de oportunidade e bom timing. O momento em que o Heffingen estava à procura de treinador coincidiu com a minha saída do Galitos FC. Soube do interesse através do contacto de um treinador português que trabalha nos escalões de formação do clube e em poucos dias, depois de algumas conversas com os dirigentes, desloquei-me ao Luxemburgo com o objetivo de ter um primeiro contacto com a realidade do clube e do país e acabei por assinar contrato. Treinar no estrangeiro foi um objetivo que se foi formando com o passar dos anos e depois da experiência que tive durante esta temporada, acredito que esse seja um objetivo que mais treinadores portugueses devem ambicionar, pois o treinador de basquetebol português está cada vez mais bem preparado.

      ZZ: A adaptação a esta nova realidade correu como o esperado?

      DB: Tive a sorte de estar situado próximo de uma grande comunidade portuguesa, o que facilitou imenso a minha adaptação ao clube e ao país. Tive também a vantagem de na primeira fase da época poder trabalhar com um treinador português que me ajudou nos primeiros contactos com a equipa. Além disso, tive o privilégio de poder contar com uma psicóloga desportiva na minha equipa técnica, o que foi absolutamente decisivo para o meu mais rápido entendimento da cultura desportiva do país e na resolução de conflitos e gestão emocional da equipa.

      ZZ: A nível coletivo ficou satisfeito com a prestação da sua equipa até ao fim inesperado do campeonato? A presença no top-6 era o objetivo?

      DB: Para responder a esta pergunta tenho que situar a realidade competitiva recente do Heffingen. Estamos a falar de um clube que desde 2006 não conseguia o apuramento para o Playoff, bem como não conseguia desde essa altura jogar duas épocas consecutivas na TOTAL League. O desafio/objetivo que me propuseram foi o da manutenção, mas internamente sempre soubemos que éramos capazes de mais. No seio da equipa, definimos o apuramento para o Playoff como a meta a atingir e com um record de 50% de vitórias conseguimos terminar a 1ª fase no 5ª lugar, o que para o clube foi um feito marcante e para a equipa representou um orgulho imenso. Quando o campeonato foi interrompido estávamos a uma semana de começar o Playoff, no qual nos tocava o campeão em título. Com o equilíbrio verificado durante todo o ano, nunca saberemos o que poderia ter acontecido, mas os nossos objetivos para o Playoff eram ambiciosos.

      ZZ: Como viveu no Luxemburgo toda esta crise relacionada com o coronavírus? O comportamento do seu clube (contratos, segurança) e da Liga foi o correto?

      qProcuro cada vez mais evoluir naquilo que são os skills de liderança que um gestor de equipas deve ter, algo que considerava uma debilidade minha.

      DB: As autoridades luxemburguesas, bem como a Federação de Basquetebol do Luxemburgo (FLBB) foram muito céleres a tomar medidas. Dei o meu último treino no dia 12 de Março e, com a permissão do clube, no dia 14 de Março estava a viajar para Portugal, para fazer a quarentena junto da minha família. Quando as principais competições de basquetebol (NBA, Euroliga, etc.) foram suspensas, a FLBB seguiu o exemplo e suspendeu a competição, para dias mais tarde cancelar definitivamente a mesma, o que fez com que os clubes pudessem começar a pensar na próxima época. O Heffingen tem sido excecional comigo, respeitando todos os compromissos e colocando-me sempre à vontade para eu tomar as decisões que fossem melhores para a minha segurança.

      ZZ: A nível pessoal sente-se um treinador melhor depois desta experiência? O balanço é positivo?

      DB: Sem dúvida. A nível desportivo e a nível pessoal. O facto de ter trabalhado durante a época num país estrangeiro, com uma cultura desportiva completamente diferente de Portugal, fez com que eu tivesse evoluído imenso principalmente a nível humano e de gestão de pessoas. Procuro cada vez mais evoluir naquilo que são os skills de liderança que um gestor de equipas deve ter, algo que considerava uma debilidade minha. Cada vez mais entendo que um treinador, além dos conhecimentos específicos da modalidade que certamente terá que possuir, deve ter o conhecimento para intervir em outras áreas junto das equipas e dos indivíduos que as compõem, tal como a área comportamental e social. O balanço só pode ser positivo, o sair da zona de conforto e ter sucesso é algo só que nos ajuda a crescer como pessoas e treinadores.

      ZZ: Viveu algum momento mais engraçado/insólito ao longo da época?

      DB: Vários momentos engraçados e insólitos vividos ao longo da temporada, no entanto tenho que destacar um em particular. Na Taça do Luxemburgo quando uma equipa da 2ª divisão defronta uma equipa da Liga principal, o resultado do jogo começa 10-0 a favor da equipa do escalão inferior. Portanto, começar um jogo, e na bola ao ar olhar para o marcador e ver um resultado desfavorável de "10-0" é algo que nunca pensei ver nesta modalidade. 

      As diferenças entre países e o futuro

      ZZ: Acha importante para o desenvolvimento dos treinadores nacionais (e do basquetebol português) estas experiências lá fora? 

      DB: Acho importante para a evolução de um treinador, seja de que modalidade for, sair da zona de conforto e colocar a si mesmo desafios e objetivos difíceis, mas alcançáveis. Após alguns contactos internacionais que fui tendo ao longo do último verão e durante a temporada, chego a duas conclusões: a primeira é de que os treinadores portugueses, na sua generalidade, têm capacidade para ombrear com os melhores e a segunda é que na Europa e especificamente no Basquetebol, não é fácil ser-se português. Talvez pelo facto do Basquetebol português não estar ao mesmo nível dos melhores da Europa, penso que o treinador português é ainda olhado com alguma desconfiança. Resta-nos a nós treinadores portugueses, demonstrar que estamos preparados e agarrar as oportunidades que temos de mostrar o nosso valor.

      Heffingen estava no sexto lugar do campeonato ©BBC US Heffingen

      ZZ: Que diferenças técnicas/táticas encontrou entre o basquetebol do Luxemburgo e o português?

      DB: Uma grande diferença entre os dois países é o número de estrangeiros permitidos na principal competição. No Luxemburgo, cada equipa só pode jogar com 2 atletas estrangeiros, ao contrário dos 5 por equipa permitidos em Portugal. Isso faz com que no Luxemburgo, os jogadores nacionais tenham mais oportunidades de jogar na principal competição do país, mas baixa um pouco o nível da competição. Acredito que com o mesmo número de estrangeiros nas equipas, a maior parte das equipas luxemburguesas poderiam competir em Portugal, tanto que ao nível de seleções, Portugal e o Luxemburgo competem neste momento ao mesmo nível. A nível tático, o basquetebol português é mais evoluído, os jogos são mais exigentes na sua preparação, embora o basquetebol luxemburguês seja de alguma forma aliciante, devido também ao facto das equipas da Liga Principal terem treinadores de 7 nacionalidades diferentes, absorvendo diferentes metodologias na mesma competição.

      ZZ: Apesar da distância, que avaliação faz da Liga Placard 2019/20 até ao momento da suspensão? Teme que o nosso basquetebol volte a passar por uma crise desportiva/financeira devido ao impacto do coronavírus?

      DB: Obviamente, acompanhei a Liga Placard à distância e não com o envolvimento e conhecimento das duas épocas anteriores. No entanto, parece-me que comparativamente ao ano anterior, apesar do aumento de 4 para 5 estrangeiros por equipa, existiu um decréscimo de qualidade dos jogadores estrangeiros na maioria das equipas, mas principalmente nas equipas da segunda metade da tabela, o que fez também com que a diferença entre estas e as melhores equipas fosse maior que em anos anteriores. É inevitável dizer que o aparecimento do Sporting veio fortalecer a competição, dar mais visibilidade à mesma e previa-se uma acesa luta pelo título, bem como pela manutenção. Infelizmente, não foi possível terminar a temporada. Quando me pergunta sobre o impacto do coronavírus no basquetebol, surgem-me imediatamente duas ideias, a primeira é que de alguma forma a FPB terá que se colocar ao lado dos clubes e ajudá-los a sobreviver nesta altura tão difícil e que provavelmente o número de estrangeiros por equipa irá novamente diminuir. Julgo que a médio prazo os clubes com melhores projetos de formação terão mais sustentabilidade que os demais.

      ZZ: Já tem o seu futuro definido para a próxima época? O objetivo passar por continuar no estrangeiro ou regressar a Portugal?

      DB: Recebi uma proposta de renovação pelo Heffingen para a próxima época, estando neste momento a discutir os detalhes da mesma. Voltar a Portugal, ao meu país, será sempre uma possibilidade para mim, no entanto, julgo que não será na próxima época. Sinto a confiança do clube, dos jogadores, dos patrocinadores e adeptos. Estou num clube rodeado de gente boa, e quero continuar a ajudar a dar alegrias aos nossos adeptos. Acredito que com um bom projeto de formação a médio prazo, reforçando as nossas debilidades com dois ou três jogadores mais, o clube pode lutar pelo título num futuro próximo.



      Portugal
      Daniel Brandão
      NomeDaniel Alves Brandão de Sousa
      Nascimento1987-02-26(33 anos)
      Nacionalidade
      Portugal
      Portugal
      FunçãoTreinador

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