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      Entrevista a Pedro Pereira - Parte I

      De Vendas Novas à estreia na Serie A aos 17 anos: «Parece que tudo à minha volta parou»

      2020/03/12 19:34
      Texto por Rodrigo Coimbra
      E1

      Parte II - Pedro Pereira: «Não tive a força necessária para lidar com tudo no Benfica»

      Parte III - Pedro Pereira: «O Bristol ajudou-me a ter a confiança que precisava»

      Os 22 anos inscritos no cartão de cidadão parecem poucos para a experiência que Pedro Pereira tem acumulado desde que começou a dar os primeiros toques na bola, ainda sem a responsbilidade dos dias de hoje, na companhia dos amigos de uma vida, no Alentejo.

      Começou mais a sério, e entenda-se que este mais a sério foi quando começou a jogar num clube de futebol, no Estrela de Vendas Novas, influenciado pelo pai, também ele um apaixonado pelo desporto-Rei. Mudou-se para o Afeiteira, onde foi campeão, e apareceu o Benfica.

      Pedro Pereira
      2019/2020
      19 Jogos  1189 Minutos
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      Da aldeia onde brincava com os amigos para o Benfica. «Incrível». 70 quilómetros para Lisboa, 70 quilómetros para o regresso, um sem número de vezes, em prol do sonho do pequeno Pedro. Um esforço sobretudo para um pai que passou muitos treinos ao frio e à chuva.

      Após alguns anos nas águias, a mudança para Itália. Uma «mudança difícil», mas que lhe abriu as portas de um dos campeonatos mais importantes do Mundo, aos 17 anos. É verdade, Pedro ainda nem sequer tinha a carta de condução e já jogava na Serie A.

      Eis o início de uma história de superação e de muitos desafios contada na primeira pessoa, nesta primeira parte da entrevista do lateral, ao zerozero.

      Pedro Pereira joga atualmente no Bristol, do Championship ©Getty /

      Da casinha de campo no Alentejo ao Benfica

      zerozero (ZZ): Qual a primeira recordação que tens de uma bola de futebol?

      Pedro Pereira (PP): Comecei a jogar com os meus amigos na aldeia onde vivia no Alentejo. Costumávamos ir para casa de uns amigos dos meus pais, pois eles tinham uma casinha de campo, onde tinham um jardim com relva, e eu costumava jogar lá bastante com eles.

      ZZ: Já te destacavas nessa altura?

      PP: Era muito, muito novo… Acho que a minha mãe ainda tem fotos da primeira vez em que eu toquei numa bola de futebol. Era mesmo muito novo, por isso na altura não me destacava [risos].

      ZZ: Começas no Afeiteira, em Vendas Novas, certo?

      PP: Não, não… Comecei em Vendas Novas, mas no Estrela de Vendas Novas. O meu pai foi treinar a equipa, os rapazes eram todos 2/3 anos mais velhos do que eu, mas eu conhecia-os a todos da escola. Lembro-me do primeiro treino, foi durante as férias de verão, e eu pedi para ir assistir. Como faltava gente acabei por treinar e por ficar na equipa. 

      ZZ: O teu pai foi importante para te pegar esse bichinho?

      PP: Sim, sim. O meu pai sempre foi uma pessoa muito ligada ao futebol, ele jogou quando era mais jovem, e acabou por treinar algumas equipas, e sempre me apoiou muito. Foi uma influência grande.

      ZZ: Rapidamente dás o salto para o Benfica. Como é que um miúdo de 10 anos vê a possibilidade de ir para um grande do futebol português, na altura ainda a dar os primeiros no novo centro de estágio? Como lidaste?

      PP: No ano a seguir a terminarem com a formação no Estrela, fui jogar para o Afeiteira. Fiz esse ano e acabámos o ano como campeões distritais e em fevereiro/março recebi uma carta para ir fazer os treinos de captação ao Benfica. Fiquei radiante. Lembro-me muito bem desse momento. Passar de uma realidade do Alentejo, a jogar com os meus amigos da aldeia, para ir jogar para o Benfica onde estavam os melhores. Foi incrível.

      ZZ: Com condições completamente diferentes…

      PP: Lembro-me de ir jogar a um torneio no Luxemburgo, pouco tempo depois de chegar ao Benfica, e para mim era uma coisa inacreditável. Em poucos meses, passei de estar a jogar ao lado de casa com os meus amigos para um torneio internacional.

      ZZ: Vendas Novas e Lisboa estão separadas por 70 quilómetros. Como é que fazias na altura? Ficaste logo no centro de estágios?

      PP: Ainda era muito novo para ficar no centro de estágio. E na altura o meu pai teve a oportunidade de se reformar, pois tinha estado ao serviço do exército, e assumiu essa responsabilidade de me levar aos treinos todos os dias. Ia buscar-me à escola, assistia aos treinos e vínhamos para o Alentejo outra vez.

      ZZ: Era um esforço enorme…

      PP: Para mim nunca foi tanto um esforço… A viagem, sim, mas eu gostava muito de ir para o Benfica, treinar e viver aquilo. Era mais um esforço para o meu pai, porque tinha de me levar para Lisboa, estar lá ao frio e à chuva a ver o treino e trazer-me. Eu vinha a dormir e ele é que tinha de fazer o caminho à noite.

      ZZ: Normalmente construímos as melhores amizades quando somos mais miúdos. Ficaste com muitas desses anos de Benfica?

      PP: Criei muitas amizades, sem dúvida. Principalmente com o Diogo Calila [Belenenses SAD] e o irmão. Temos uma amizade muito grande. O Jorge Pereira que está no Famalicão, o Ricardo Mangas do Aves e também Jorginho e Diogo Mendes na equipa B do Benfica. Fiz mesmo muitas e boas amizades.

      ZZ: Nem todos conseguiram chegar à ribalta…

      PP: Recordo-me de alguns casos. Não só da minha equipa. Jogadores que eram os melhores na altura nas equipas em que jogavam e que não continuaram a evoluir e as capacidades começaram a desaparecer. O caminho da geração de 98 não foi o mais fácil, uma geração que ainda não se afirmou, mas acho que tem toda a qualidade e talento para se vir a afirmar e poder fazer caminho bonito no futebol.

      ZZ: Sempre foste lateral direito?

      PP: Quando era mais novo jogava a médio centro. Fui nessa condição para o Benfica e foi lá que comecei a jogar na linha. Era muito rápido, alto para a idade e comecei a jogar na linha para tirar partido disso. Depois, quando cheguei a infantis A, aí sim, lembro-me que o treinador era o Luís Nascimento e comecei a jogar a lateral direito. Até hoje.

      Pedro Pereira mudou-se para a Sampdoria aos 17 anos ©Getty /

      «Jogava na Serie A e nem tinha a carta de condução»

      ZZ: És campeão de juvenis no Benfica e acontece a mudança para Itália, aos 17 anos. Passas de jogar com os amigos para o Benfica e depois dos juvenis para a Serie A. Como explicas essa mudança?

      PP: Foi uma decisão difícil. A principal motivação no projeto da Sampdoria foi ter a possibilidade de integrar o plantel principal. Fui fazer a pré-época, as coisas correram muito bem, o treinador gostava de mim e passado uns meses passei de jogar nos juvenis A, num clube onde estava super tranquilo e que já conhecia, para uma realidade completamente diferente, em que a língua era nova e onde não conhecia ninguém, e passado uns meses ver-me a jogar na Serie A… Nesse momento senti um orgulho muito grande no caminho e em tudo o que consegui conquistar. 

      ZZ: Foste sozinho?

      PP: Tive a oportunidade de ir com o meu pai nos primeiros tempos e a minha namorada também ia muitas vezes a Itália ter comigo. Acabaram por ajudar-me bastante na adaptação. Passado uns tempos, também entrou um jogador brasileiro na equipa, o Fernando, e criámos uma amizade bastante forte. Foram todos muito importantes para eu conseguir aguentar aquela realidade e pressão enorme. Tão novo e ter de responder às oportunidades.

      ZZ: 14 de setembro de 2015…

      PP: Contra o Bolonha…

      ZZ: … A tua estreia na Serie A. Não se esquece!?

      PP: Não, não se esquece…

      ZZ: Estavas nervoso?

      PP: Estava nervoso. Não era para entrar tão cedo. No dia anterior ao jogo o treinador disse-me para estar preparado, ver os vídeos do adversário, porque muito provavelmente ia ter a minha estreia. Lembro-me de estar no banco, nervoso, e na primeira parte, por volta dos 30 minutos, o nosso lateral sentiu uma dor no músculo e pediu substituição. Eu entrei e nunca me vou esquecer. Parece que tudo à minha volta parou. Estava a viver um sonho.

      ZZ: O campeonato italiano é muito conhecido pelo seu lado mais defensivo. Sentiste isso?

      PP: Acho que foi muito importante para o meu crescimento como jogador e, essencialmente, como defesa. É um campeonato onde dão importância à parte defensiva, como abordamos as jogadas, de 1x1 e 2x2, contra-ataque... Deu-me outras armas e outras ferramentas a juntar aquilo que aprendi no Benfica. Quando era mais novo os jogos não nos obrigavam a ter tantas ações defensivas. Tínhamos mais a bola, olhávamos mais para o lado técnico, e quando fui para a Itália a realidade era completamente diferente. Não era um clube tão grande, não tinha tanta bola e tinha de basear as forças na forma como defendia e contra-atacava. Isso ajudou-me a ser um lateral mais completo.

      ZZ: Como era a relação com os teus colegas?

      PP: No início brincavam bastante. Havia sempre a brincadeira por causa de estar a jogar na Serie A e nem sequer tinha a carta de condução, era o meu pai que me levava aos treinos. Mas apoiaram-me sempre bastante e isso dava-me força para continuar e retribuir o carinho que me davam.

      ZZ: Tinhas 17 anos e estavas a jogar na Série A. Foi fácil manter os pés bem assentes no chão nessa altura?

      PP: Lembro-me de quando fui para o Benfica, havia falatório na aldeia por ter um rapaz que jogava no Benfica, e o meu pai sempre me passou a ideia de que as pessoas humildades conseguem bons resultados. Honrar os nossos princípios. É uma âncora que levo sempre na minha vida. Mesmo que tenha o maior sucesso do mundo, há sempre a parte humilde que me vai manter como sou e fazer trabalhar sempre na mesma maneira para conseguir mais e melhor.

      Portugal
      Pedro Pereira
      NomePedro Miguel de Almeida Lopes Pereira
      Nascimento1998-01-22(22 anos)
      Nacionalidade
      Portugal
      Portugal
      PosiçãoDefesa (Defesa Direito)

      Fotografias(48)

      Comentários (1)
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      motivo:
      pp
      2020-03-12 20h39m por marinho7_back
      caso estranho. . teve uma boa experiência na serie A e nem ele nem o alex pinto conseguiram agarrar o lado direito da defesa com rui vitoria. foi pena
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