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      entrevista
      Primeira parte da entrevista a Ivan Almeida

      MVP aos 24 anos e líder na conquista da Taça: «Tínhamos um grupo de jogadores de outro nível em Portugal»

      2020/02/18 17:43
      Texto por Vasco Moreira
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      Ivan Almeida é um dos melhores jogadores que passou pelo campeonato português num passado recente. Eleito MVP da fase regular em 2013 ao serviço do Vitória SC, numa época em que conquistou ainda a Taça de Portugal, o extremo luso-cabo-verdiano já passou por algumas das principais ligas europeias.

      Numa entrevista zerozero dividida em três partes, Ivan recordou e explicou todos os passos da sua carreira, desde a formação nos Estados Unidos, à experiência em Portugal, passando ainda por França, Polónia, Estónia, República Checa e uma recente e curta passagem pelo Galitos.

      Nesta primeira parte, Ivan conta-nos como nasceu o seu gosto pela modalidade, a vinda de Cabo Verde para Portugal e a experiência nos Estados Unidos. O sonho da NBA também foi abordado, bem como o salto para a G-League que acabou por não acontecer e culminou num regresso a todo o gás a Portugal.

      «Estes gajos do Benfica estão malucos, querem contratar-me para me emprestar?»

      ZZ: Começando pelo início Ivan, como é que surgiu o gosto pelo basquetebol?

      O meu irmão [Joel Almeida] começou a jogar basquetebol em cabo-verde num clube que era o Bairro e o pessoal falava dele e dizia que era bom poste. Ele foi para os Estados Unidos jogar basquetebol e eu na altura jogava futebol. Só queria saber de futebol e joguei até aos meus 10/11 anos. Depois já não queria jogar mais futebol porque um treinador fez um remate contra mim quando eu estava de costas e tive um período de transição em que fiz karaté, andebol, voleibol, sempre à procura do desporto que queria fazer.

      Ivan e o irmão Joel ©Arquivo pessoal de Ivan Almeida
      Um dia eu estava a passar num Pavilhão Desportivo, vi uns putos a jogar e com tudo aquilo do meu irmão jogar basquetebol na cabeça, decidi que queria ser como ele e comecei a jogar basquetebol. Comecei a jogar basquete em Cabo Verde e fui para Portugal com 17 anos, quando terminei o liceu. Fui para a Ovarense na altura, joguei juniores B e na equipa satélite da Ovarense. Às vezes treinava com os seniores também, que eram treinados pelo Luís Magalhães [atual treinador do Sporting com quem Ivan também trabalhou na seleção].

      ZZ: Depois dessa experiência em Portugal prosseguiste carreira nos Estados Unidos. Como é que surgiu a decisão?

      Depois do meu primeiro ano na Ovarense decidi ir para os Estados Unidos, também por não conciliar os treinos e os jogos com os estudos. Estava inscrito na Universidade de Aveiro, em Engenharia Informática, e não conseguia conciliar as duas coisas. Aliás, a minha decisão era ir um ano antes, mas os meus pais não me queriam deixar ir logo, pediram-me para fazer um ano em Portugal, eu fiz e quando cheguei aos 18 anos decidi ir.

      ZZ: E como é que foi a experiência?

      Tive uma experiência de quatro anos e meio nos Estados Unidos, em que passei pelo Mohawk Valley Community College com o meu irmão Joel e depois tive uma bolsa de quatro anos para ir para o Stonehill College. No primeiro ano só treinava e depois comecei a jogar no segundo ano. Joguei dois anos, talvez nem tanto. Isto porque a NCAA decidiu retirar-me um ano de elegibilidade e então perdi o meu último ano, que seria o meu senior year. Foi em 2011 que o meu treinador me avisou que não me ia retirar a bolsa apesar de não poder jogar e eu decidi ficar até ao fim do semestre e acabar o meu curso de Computer Science and Graphic Design e depois voltei para Portugal.

      Ivan em Stonehill ©Stonehill
      ZZ: Foi também o sonho de jogar na NBA que te levou até aos Estados Unidos?

      Para ser sincero eu, na altura, nem tinha o sonho da NBA. Quando fui para os Estados Unidos já não tinha contacto físico com o meu irmão desde 2000 e sempre houve essa lacuna na nossa relação. Eu só o voltei a ver no verão de 2007, quando fui para os Estados Unidos. Reencontrei-o no verão e tinha várias bolsas, inclusive uma de Harvard e da Sacred Heart University, da divisão I, mas tinha mesmo interesse era em fazer prep school, que foi o que o meu irmão aconselhou. O problema é que na altura ainda não davam vistos de estudante internacional para jogar em prep school, só davam visto para ingressar no college e então a minha solução era inscrever-me num community college, que não tem esses requisitos. Como o meu irmão estava no Mohawk Valley, decidi que ia ficar com ele para a integração ser mais fácil e foi assim, mas o sonho da NBA ainda não tava.

      Quando cheguei já para jogar no Community College, no meu primeiro dia nos Estados Unidos parti o pé e tive cerca de mês e meio sem jogar. Só voltei a jogar no final de setembro, fui operado em final de outubro. O meu irmão ensinava-me coisas e desenvolvemos esse bond, essa ligação. Ele ensinou-me muitas coisas no basquetebol, comecei a ter treinos intensivos e ele começou a incutir-me esse sonho americano de jogar na NBA.

      ZZ: Tiveste alguma oportunidade para chegar à NBA?

      Tive uma oportunidade no meu último ano, quando já não jogava. Falei com o meu treinador, ele arranjou-me um try out numa equipa da G League e os gajos queriam que eu ficasse, mas se eu fosse não terminaria o meu curso porque perdia a bolsa e só me faltavam três meses para acabar.

      Fui para o try out sem pensar no que podia acontecer depois. Queria ver como é que era o mundo profissional, como é que eles treinam, como é que tudo funciona. Fui por curiosidade e no final o GM daquela altura estava sempre a ligar ao meu treinador para eu ir para lá, mas eu não podia deitar o curso por água abaixo. Quando terminei o curso, eles só queriam que eu fizesse parte da equipa de treino e então decidi voltar à Europa e fui para o Sampaense.

      ZZ: Porquê a Sampaense?

      O Joel [irmão] tinha jogado no Sampaense, mas tinha saído e ido para Angola. Na altura sabiam que eu estava à procura de começar a jogar e perguntaram-lhe por mim. O João Moutinho, acho que era ele o treinador na altura, ligou-me e disse que tinha uma oferta para mim. Perguntou se queria começar a jogar como profissional e foi assim que surgiu essa oportunidade.

      ZZ: Seguiu-se uma época de sonho no Vitória SC - MVP da fase regular e conquista da Taça de Portugal. Como é que recordas essa grande temporada?

      Ivan viveu época de sonho ao serviço do Vitória SC ©Sports Flash
      Começando no Sampaense, a época foi abaixo do nível, mas era o meu primeiro ano como profissional e tinha de me adaptar. Depois do verão voltei para Cabo Verde e tinha os jogos da seleção, mas ainda não tinha contrato com ninguém. O Benfica tinha-me ligado e queriam que eu fosse para lá, mas disseram-me que me iam emprestar a uma equipa das ilhas…Quando eu desliguei a chamada pensei «Estes gajos estão malucos, querem contratar-me para me emprestar?». Depois disso, acho que o treinador Fernando Sá [técnico do Vitória SC] tinha-me visto a jogar pela seleção e surgiu essa oportunidade de ir para Guimarães.

      Esse ano foi incrível, tínhamos um grupo de jogadores de outro nível em Portugal. Mesmo pelo orçamento que tínhamos comparado com o de outras equipas. Ganhamos ao Benfica na final da Taça por 20 pontos e foi um ano fabuloso, nem tenho palavras! Foi a abertura da minha carreira! O coach Sá deu-me bastante liberdade, ensinou-me várias coisas que tenho comigo até hoje e acabei por dar o primeiro salto para França.



      Cabo Verde
      Ivan Almeida
      NomeIvan Almeida
      Nascimento1989-05-10(31 anos)
      Nacionalidade
      Cabo Verde
      Cabo Verde
      Dupla Nacionalidade
      Portugal
      Portugal
      PosiçãoExtremo

      Fotografias(23)

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