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Ex-treinador do Benfica está sem treinar há um ano

Pedro Nunes não deixou nada por dizer: Do amor ao Benfica às críticas do «Vivó Hóquei»

2019/12/03 18:28
Texto por Redação
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Pedro Nunes, ex-treinador do Benfica, deu uma entrevista esta segunda-feira e, sem amarras, voltou a falar do tráfico de influências que existe no hóquei em patins, da forma como vê o atual campeonato e deixou uma certeza: «Eu tenho a certeza que um dia regresso ao Benfica».

Numa entrevista ao portal HóqueiPT em parceira com o projeto de rádio online Rádio Movimento o técnico de 51 anos, que ganhou tudo no Benfica em cinco temporadas e meia, garantiu que a melhoria do hóquei em patins tem de acontecer por união de todos.

Visão sobre o campeonato português: «Toda a gente sabe que Portugal tem dos melhores jogadores que existe no planeta e isso não garante que seja o melhor campeonato do mundo, mas ajuda. Em termos exibicionais, e daquilo que eu tenho visto na televisão, na minha modesta opinião, sinceramente, não tenho visto grandes jogos de hóquei em patins, e é a minha opinião, e para a qualidade dos intervenientes a qualidade podia ser melhor, mas acredito que só pode alterar a curto prazo e no final possamos dizer, e demonstramos que temos o melhor campeonato do mundo».

«Ninguém ganha sempre e quem perde um dia quer ganhar»

Maior equilíbrio no campeonato: «É um pouco das duas coisas: Ninguém ganha sempre e quem perde um dia quer ganhar, e, portanto, essa aproximação de valores é perfeitamente suscetível de um dia acontecer. É verdade que os quatro candidatos não têm estado num nível exibicional elevado, mas também é verdade as outras equipas têm dado excelentes réplicas, e ainda vimos esta semana a Física a fazer a surpresa da jornada, contra o Óquei de Barcelos, que para mim era a equipa que vinha a demonstrar o melhor hóquei. As equipas estão perfeitamente identificadas: Sporting e Benfica não sofreram grandes alterações nos seus plantéis, a Oliveirense sofrendo alguns ajustes é praticamente a mesma equipa do ano passado, o FC Porto com a saída do Hélder (Nunes) ficou a perder, até porque, repito, na minha opinião, os reforços ainda não comprovarem que sendo mais valias, não têm correspondido nos jogos que eu tenho observado e por isso as equipas têm aproximado, não deste nível que é utópico, mas num jogo de cinquenta minutos tudo pode acontecer e essas equipas têm demonstrado uma postura competitiva de assinalar, ainda agora neste fim-de-semana o Turquel fez um excelente jogo frente ao Benfica, e há que dar mérito por isso».

Vingar nas águias: «Eu sempre disse que era um objetivo de carreira: Chegar ao Benfica e ganhar, não bastava chegar, porque não faz sentido passar pelo Benfica sem essa palavra de ganhar e conquistar títulos, e se calhar não foi um sonho só meu, foi também de familiares meus, que infelizmente não pode acompanhar até ao final, mas o meu avô, lá no céu, deve estar bem feliz. Mas uma coisa é o meu lado do Benfica pessoal, outra coisa é o lado profissional - não pensem que me estou a oferecer a nada, nem a ninguém - mas a grande verdade é essa, podemos chegar ao Benfica e juntar as duas coisas, mas o lado profissional fala sempre mais alto que o benfiquismo, ainda que reconheça, que se pudermos juntar as duas coisas quem fica a ganhar é o clube, seja Benfica, Sporting ou FC Porto».

©Global Imagens / Filipe Amorim

Dificuldades de trabalhar num clube grande: «A maior dificuldade foram os egos, gestão de recursos humanos, gestão de conflitos, porque de facto quando chegamos a um clube desta dimensão, com jogadores de um nível altíssimo, eu costumo dizer que encontro mais dez treinadores, porque cada um pensa pela sua cabeça, e o jogador às vezes pensa, se calhar de uma forma cobarde, e que não me levem a mal, todos acham e até porque percebem de hóquei, que querem ser um bocado treinadores, uns porque sabem efetivamente, outros porque não querem sair da zona de conforto e fazerem aquilo que efetivamente sabem e às vezes não estão disponíveis de ir à procura de outras soluções. Mas sem dúvida a nossa maior dificuldade quando chegamos a um clube grande, e depois, lidar com toda a imensidão e a enormidade de um clube como o Benfica. Às vezes estamos a tentar resolver um problema por dentro e eles continuam a chegar de forma externa porque somos demasiados expostos, e se não fosse a ajuda das equipas técnicas que me acompanharam teria sido mais difícil».

Tantas épocas no Benfica: «Quando cheguei ao Benfica nunca pensei estar tanto tempo no Benfica sou sincero, e só foi possível, porque houve empatia entre mim e quem dirigia o clube, e houve empatia entre mim e o clube, e títulos porque se não ganhasse já tinha ido embora mais cedo. É obviamente que estando cinco anos e meio à frente do clube e nos últimos três, quatro com o mesmo conjunto de atletas e com as mesmas pessoas a trabalhar à nossa volta, em Portugal, é comum dizer, nós fartamos das pessoas e às vezes descuramos o lado profissional e a sua competência, e eu acho que já era o que estava a acontecer, dos jogadores para comigo, se calhar de mim para alguns jogadores, porque em Portugal cultiva-se a ideia de que em Portugal os treinadores não podem ficar muito tempo num clube, mas eu questiono: Então e o jogador? Eu acho que os jogadores se acomodam mais fácil a um clube estando lá muitos anos, do que um treinador, porque o treinador tem sempre a cabeça a prémio, se não ganhar ‘out’. Não vou por aí, os jogadores não me fizeram a folha ou a cama, como se diz, mas não tenho dúvidas que um ou outro jogador pudesse estar farto do treinador Pedro Nunes, e portanto, aqui ou acolá pudesse demonstrar essa posição. Aceito isso e reconhecimento, até porque eu fazia o mesmo quando tinha que dar a minha opinião sobre a construção do plantel. Dizia: ‘Olhe eu já estou farto daquele jogador, ele já deu o que tinha a dar ao clube’. Quero acreditar que somos todos pessoas sérias e leais, mas quando se trata de sair o treinador ou o jogador, essa lealdade vai toda a abaixo, e no meu caso em concreto, acho que estávamos cansados uns dos outros, mas eu não tenho dúvida que havendo jogadores a demonstrar a opinião pessoal, ou porque pediram, ou porque quiseram dar, isso tenha despoletado a minha saída, mas acredito que todos eles têm a consciência que por sair um treinador nunca quer dizer que se tenha encontrado o responsável para aquilo que estava a acontecer na altura, e aliás, os resultados na segunda volta comprovaram isso».

«Tenho a certeza que um dia regresso ao Benfica»

Regressar ao Benfica: «Eu tenho a certeza que um dia regresso ao Benfica. Tenho essa convicção, não é esperança, nem sei se é daqui um ano, dois ou três. Eu acho que o Benfica faria muito mal, e se calhar vão dizer: ‘Este gajo está com uma moral para dizer isto’, mas eu acho que hoje em dia não se pode desperdiçar uma pessoa que tem 44 anos de hóquei em patins, e que ainda por cima passou pelo Benfica como treinador e com sucesso, e ainda para mais sendo benfiquista, quando há tão pouca gente, infelizmente, viva, que reúna essas condições. Por isso eu espero um dia regressar ao Benfica, em que condição não sei, como adepto continuo a regressar sempre que tenho disponibilidade e também vontade».

©Global Imagens /

Falou em tráfico de influência enquanto treinava, e agora?: «Estamos com oito jornadas do campeonato e o que temos visto? Na altura não disse mentira nenhuma. Só não admite isto quem for desonesto, toda a gente sabe que isso acontece. Todos estes comunicados tem um objetivo, acredito que seja melhorar construtivamente, agora também acredito que condicione muita gente, e que há tráfico de influências há. Alguém acredita que não se liga para o presidente do Conselho de Arbitragem? Alguém acredita que entre advogados não se fale entre Conselho de Disciplina e clube? Alguém acredita que inclusivamente nas convocatórias da seleção nacional o selecionador não fale diretamente com o jogador? Tudo isso é tráfico de influências. Alguém acredita, se olharmos para o estado atual do hóquei e estas oito jornadas acho que são elucidativas disso mesmo, e desta vez não podem dizer que o culpado é o Pedro Nunes porque ele não está lá, depois disto tudo elas não existam? Portanto, eu não retiro uma vírgula daquilo que disse na altura, continuo a achar que estas coisas acontecem e provavelmente numa escala maior daquela que eu tive a oportunidade de me referir na altura».

«Continuamos a brincar e para mim é o ‘Viva o Hóquei’»

Solidariedade entre clubes: «Esse espaço devia ser feito através da Associação Nacional de Clubes, mas eu acho que essa associação está inquinada, são uma associação que se nós formos a ver co  seriedade eu acho que ela pouco funciona e pouco tem contribuído, porque era a ela que competia chamar os clubes, ouvir os clubes e tomar uma posição na defesa dos clubes, mas também não o faz porque se calhar tu olhas para a direção da Associação Nacional de Clubes e está lá alguém do clube A ou do clube B ou do clube C e como não foi esse que se queixou e está na plateia não se diz nada, e quem fica prejudicado no meio disto tudo é o hóquei em patins, e o hóquei não chora e as coisas vão andando. Concordo quando dizes que há pouca solidariedade porque os interesses competitivos falam sempre mais alto. Só se pode melhorar quando houver união dos clubes e deixar de haver surdez que imana sempre daqueles que são criticados, neste caso a FPP e o Conselho de Arbitragem e só assim podem melhorar».

Trabalho que deve ser de todos: «Eu acho que o hóquei melhorou muito nos últimos anos por força do investimento que os clubes fizeram nos últimos anos em trazer jogadores e treinadores de fora também, porque eu acho que a nível federativo as coisas pouco ou nada melhoraram, vão fazendo ações, tentando descobrir talento, fazendo a descentralização do hóquei em patins, mas aquilo que é realmente importante, olhar para o jogo e para o espetáculo e tentar melhorar, excetuando as alterações às regras com várias pessoas de Portugal ligadas a esse processo, e eu não me canso de enaltecer, eu acho que continuamos a brincar e para mim é o ‘Viva o Hóquei’ como eu costumo dizer, achar que não se passa nada, e não é só comunicado da FPP, é também aquela defesa intransigente eu diria bacoca e saloio da Associação Nacional de Árbitros que eu não sei se existe e se é legal, mas também quem vem a terreiro é sempre o mesmo, mas aquilo que vemos semana após semana e responder com comunicados é uma mão cheia de nada»



Portugal
Pedro Nunes
NomePedro Miguel Silva Nunes
Nascimento1968-07-24(51 anos)
Nacionalidade
Portugal
Portugal
FunçãoTreinador

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