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entrevista
Parte 1 da entrevista com o novo pivot do Sporting

«Não consigo ver a minha vida sem ter o futebol de praia»

2019/10/18 16:47
Texto por Bruno Filipe Simões
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Ainda antes de se tornar no primeiro reforço do Sporting para a próxima temporada, o zerozero falou com das estrelas emergentes do futebol de praia português. João Gonçalves, Von no mundo da praia, concedeu uma entrevista ao nosso portal onde falou de tudo. Nesta primeira parte, abordamos a sua caminhada no futebol de praia  e a vontade de experimentar a modalidade no estrangeiro.

zerozero: Já deves ter ouvido esta pergunta bastantes vezes, mas tem de ser feita: de onde vem a alcunha Von?

Von: «Vem do meu irmão mais velho porque gostava muito da seleção holandesa e eles eram praticamente todos Van. Acabou por ficar Von e depois a alcunha acabou por passar para mim. Agora todos os meus amigos me tratam assim e no futebol de praia também»

ZZ: Se a minha pesquisa está certa, começaste por jogar... ténis. Como entraste no futebol de praia?

Von: «Joguei ténis quase toda a minha vida. Entrei no futebol de praia a convite de um amigo, o José Limão, e na altura começámos um projeto no Fofó [Futebol Benfica] e ele achou que eu indicado para jogar futebol de praia, tinha bom toque de bola e achou que eu tinha jeito. Na altura até lhe disse que achava que não era para mim, que era complicado porque se jogava em areia, mas depois ele acabou por insistir e acabei por gostar e afeiçoar-me. Agora, estou onde estou. Joguei futebol um ou dois anos, em miúdo, mas ele jogou ténis comigo. Ele já jogava há cerca de um ano e como sabia que eu gostava de jogar e tinha jeito acabou por me convidar»

ZZ: E começaste logo como pivot?

Von esteve cinco anos na CB Loures ©Joao Goncalves

Von: «Sim, a minha posição sempre foi essa. Comecei a ver futebol de praia desde miúdo e uma das coisas que me impressionava era o pontapé de bicicleta e visto que jogava a avançado em alguns jogos que fazia com amigos, adaptou me nessa posição. Até porque nos primeiros treinos comecei logo a evidenciar que fazia minimamente bem esse gesto técnico. E no futebol de praia esse gesto é muito bem protegido, porque a partir do momento em que o faço se alguém me tocar é falta. E acabou por achar que era uma posição em que ia tirar vantagem»

ZZ: Quais são as características que um pivot precisa de ter no futebol de praia?

Von: «Precisa de ser forte fisicamente, de saber guardar bem a bola porque é o homem mais avançado – e em algumas alturas do jogo é preciso guardar a bola -, ter a capacidade de assistir os alas que vêm dar o apoio… Um pivot não é só um goleador, tem de dar aquela dinâmica na frente para ajudar os outros jogadores a fazerem golo. Tento ser um jogador com muita leitura também, porque se a equipa está a ser pressionada a bola que for parar ao guarda-redes vai para o pivot. Ou seja, a força física, leitura de jogo e capacidade técnica»

ZZ: E dessas quais são as características que achas que precisas de melhorar?

Von: «Acho que preciso de melhorar o segurar mais a bola. Finalizo bem – e este ano foi o reflexo disso – e por isso acho que tenho de segurar mais a bola para que seja mais completo. Tenho vindo a tentar desenvolver cada vez mais isso»

ZZ: Um dos treinadores que tiveste foi o mítico Zé Miguel: qual foi a importância dele no teu crescimento enquanto jogador?

Von: «Posso começar falar por ordem, em termos de treinadores. Tive o André Calado, que foi o primeiro e foi importante pelo gosto que tenho hoje em dia pela modalidade e por me ter dado as noções básicas do futebol de praia. Ajudou-me na capacidade técnica que desenvolvi. O Zé Miguel foi o treinador que mais me fez dar o salto porque foi uma pessoa que apostou muito em mim e viu em mim um miúdo com potencial e desde cedo depositou grandes esperanças em mim. Também tive algumas desavenças com ele, mas faz parte. Acho que foi das pessoas que teve um papel mais preponderante no meu crescimento porque me fez evoluir muito taticamente e fez-me ter uma noção do jogo mais abrangente do que a que tinha. O futebol de praia, para quem vê e conhece, muitas vezes é mais tática e físico, mas também posicionado e com uma noção tática fica mais fácil para o jogador aproveitar os espaços e crescer individualmente. Foi o treinador que teve comigo quando fui ao meu primeiro estágio na seleção»

ZZ: Falando noutro mítico... Agora jogas na Seleção com um dos melhores pivot’s da história da modalidade, o Belchior. Como é tê-lo ao lado?

©Joao Goncalves
Von: «O Belchior é uma pessoa que é muito crítica, tanto consigo mesmo como com os outros. Vou confessar que ao início, quando cheguei à seleção, tal como os outros jogadores, foi complicado lidar naquele meio porque estava repleto de jogadores que via na televisão. Para mim são ídolos. Ter a oportunidade de poder aprender com ele, olhar para os movimentos dele, foi algo que me fez evoluir. Hoje em dia, ele joga mais a ala e ao estar mais descaído para a ala acabou por me dar algumas dicas, querendo-me ajudar. Ele tem noção que ainda acrescenta muito à equipa, mas que já é um jogador muito experiente, que se calhar daqui a alguns anos vai abdicar da carreira e vê-me como um jogador que quer ver evoluir. Basicamente vejo-me como uma referência do que me posso vir a tornar. Com as minhas características, mas ele acaba por ser a maior referência para a minha posição»

ZZ: E ele tem alguma coisa a ver com aqueles golos fantásticos que fazes?

Von: «Tem! Antes de começarmos o jogo ele diz-me sempre ‘procura-me sempre porque eu vou dar-te a bola’. O nosso estilo de jogo também tem sido muito esse, aproveitando as características técnicas dele e o passe dele é quase meio golo, a bola vem quase sempre muito boa e eu só tenho de ajeitar e tentar finalizar. Aliás, praticamente os meus golos todos têm sido com assistências dele»

ZZ: A grande maioria dos teus colegas de seleção cumprem várias etapas em clube do estrangeiro. Para quem não está por dentro da realidade, explica-nos um bocadinho como isso funciona.

Von: «Para qualquer jogador jogar fora é o reflexo de uma grande evolução. Vê outro tipo de realidades, jogadores, campeonatos e sem dúvida acaba por ser uma vantagem. Eu também tenho esse interesse de jogar fora. Já tive várias propostas para tal e não se concretizaram porque coincidiam com datas de jogos em Portugal e depende do contrato que tenha com o meu clube, depende da altura das avaliações [Von é licenciado em Bioquímica e está a terminar mestrado]… As coisas não se deram por isso, mas é algo que  quero fazer. Se começar a trabalhar a nível profissional tenho de ver muito bem, mas sim, quero aceitar. Do que puder, sempre que surgir a oportunidade, quero jogar fora porque contribui muito para o desenvolvimento tanto pessoal como profissional»

ZZ: E no futuro, se tiveres de escolher, qual vai ser a escolha?

Von: «[Risos] É complicado. Já tenho pensado nisso, mas sempre tive na minha cabeça que os estudos e a parte académica viria em primeiro lugar. Mas também não consigo ver a minha vida sem ter o futebol de praia. E agora, estando a crescer, tendo alguma visibilidade, é uma decisão que tenho de tomar. Quero conseguir fazer as duas coisas. Gostava de ter um trabalho que permita – tal como alguns jogadores – conciliar as duas coisas. É o que eu quero: ter uma vida profissional e uma vida do futebol de praia, que é algo que adoro. Hoje em dia o jogador de futebol de praia, jogando em vários sítios, consegue ter uma vida profissional e viver do futebol de praia»



Portugal
Von
NomeJoão Miguel Rito Cerdeira Ferreira Gonçalves
Nascimento1995-05-09(24 anos)
Nacionalidade
Portugal
Portugal
PosiçãoPivot

Fotografias(19)

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