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      Santiago Bernabéu: Criador de um mito

      Texto por João Pedro Silveira
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      Durante 35 anos foi o líder do Real Madrid. Guiou com a sua mestria e visão de futuro o clube madrileno à glória, conquistando 16 Ligas, 6 Taças do Rei e 6 Taças dos Campeões. 

      Nasceu num pequeno lugar do município de Albacete no sudeste de Espanha e aos quatro anos mudou-se para Madrid juntamente com a família. 
       
      Ainda na escola começou a jogar como avançado centro, posição que manteria no seu primeiro clube: Gimnástica Madrid. Mais tarde muda para o clube em que o seu irmão tinha sido um dos fundadores, o Madrid CF (actual Real Madrid). 
       
      Em 1913 estreou-se na primeira equipa dos merengues, iniciando uma carreira de sucesso que o levou a marcar 69 golos em 78 partidas, vencendo a Taça do Rei de 1917 e sido convocado para a Selecção nacional para um jogo contra Portugal, onde contudo não chegou a jogar. 
       
      Após licenciar-se em direito abandona o futebol em 1927, mas não o clube. Torna-se treinador assistente e depois dirigente, e mais tarde secretário da Junta Directiva do Real de Madrid
       
      A guerra
       
      Com o estalar da guerra civil em 1936, Barnabéu, membro da organização de direita CEDA, refugia-se na embaixada francesa, onde permanece durante dois anos. Segue-se um breve exílio em França, para depois regressar à Espanha controlada pelos sublevados. 
      Lutou então ao lado dos franquistas, tendo inclusivamente participado no assalto à Catalunha. 
       
      Quando a guerra terminou e a Espanha regressou à normalidade, o futebol e as competições regressaram, Bernabéu voltou então a Madrid para encontrar um clube moribundo. Os anteriores dirigentes desapareceram - muitos tinham morrido na guerra, a sede tinha sido vandalizada, alguns troféus tinham desaparecido. 
       
      Foram anos de restruturação que culminaram com sua eleição como Presidente em 1943 - cargo que manteria até à sua morte em 1978.
      Reestruturou o clube, profissionalizando-o, dando a cada secção toda a autonomia necessária para de melhor forma atingir o sucesso.

      Iniciou a construção do novo estádio, à época o maior da Europa. Seguiu-se a Cidade Desportiva, construída para que os jogadores pudessem treinar sem destruir o relvado. 
       
      O super Real
       
      A sua gestão começa a dar frutos na época de 1953-54 quando o surge o seu primeiro título de campeão, terceiro da história do clube. Contrata Alfredo Di Stéfano, não sem muita polémica com o Barcelona, a quem junta o francês Raymond Kopa e mais tarde o húngaro Puskás, criando a primeira constelação multinacional da história do futebol. 

      Neste período dourado o Real conquista cinco Taças dos Campeões seguidas e uma Taça Intercontinental, tornando-se no mais famoso clube do mundo. Em 1965/66 conquista a sexta Taça dos Campeões em oito finais – perdera a de 1961/62 para o Benfica de Eusébio e a de 1963/64 para o Inter de Milão.
       
      Nos anos seguintes o clube não atingiria o mesmo sucesso fora de fronteiras, mas continuaria rei e senhor do futebol espanhol, conquistando diversos campeonatos e taças.
       
      O fim
       
      Santiago Bernabéu faleceu na sua casa a 2 de Junho 1978, vitima de doença prolongada. A sua morte provocou enorme pesar no futebol espanhol e no Real Madrid, de onde ainda era presidente.

      A FIFA decretou três dias de luto durante o Campeonato do Mundo - que então se desenrolava na Argentina - e o então presidente da UEFA Artemio Franchi declarou: «não creio que haja alguém que ostente mais honras por mérito do seu trabalho em prol do futebol do que ele».
       
      Não obstante as muitas ligas conquistas - e as três Champions na viragem do milénio - o Real Madrid não voltou a ter um presidente da dimensão de Bernabéu, não voltando a deter um domínio tão avassalador do futebol europeu e mundial, como na era dourada dos anos cinquenta. 
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      Fotografias(1)

      Santiago Bernabéu na sala de troféus do Real Madrid
      Comentários (1)
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      motivo:
      LI
      Correcção
      2013-09-26 03h18m por lionking1984III
      Na parte que dizem que o Real de Madrid vence a 6ª Taça dos campeões europeus em 7 finais, ñ é verdade, está errado. Perderam essa com o Benfica em 61/62 e outra contra o Inter de Milão em 63/64. Foram 6 vitorias em 8 finais, e ñ 7.
      Agradecimento
      hm por zerozero.pt
      Tem razão. Muito obrigado, o texto foi corrigido.
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