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      Malmö

      Texto por Ricardo Miguel Gonçalves
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      Malmö Fotbollförening ou, em português, Associação de Futebol de Malmo, é o maior clube dessa cidade e também de toda a Suécia.

      Fundado oficialmente em 1910, o clube não se agigantou imediatamente no panorama futebolístico dessa era. Demorou a encontrar o seu espaço na cidade e no desporto sueco (até precisou de 10 anos para encontrar as cores certas!), mas, quando começou a ganhar... não soube mais parar.

      Os primeiros passos do azul-bebé

      A versão beta deste clube nasceu numa altura que essa nomenclatura não era usada fora do contexto do alfabeto grego. Foi em 1905, com o nome de BK Idrott, que uma iniciativa municipal para encorajar os jovens locais a jogar futebol organizado deu o seu pontapé de saída. Esse clube foi o predecessor do Malmo FF que hoje conhecemos, oficialmente fundado a 24 de fevereiro de 1910, com Werner Martensson como primeiro presidente.

      As primeira década da história deste clube foi passada nas divisões regionais, uma vez que, nessa altura prematura da evolução do futebol local, ainda nem sequer existiam provas nacionais. Entre jogos da região da Escânia e particulares com clubes dinamarqueses, o Malmo evoluiu. Trocou as riscas azuis e brancas do Idrott por uma nova camisola e escudo, dominados pelo vermelho, e foi com essa cor que pela primeira vez defrontou os futuros rivais Helsingborgs IF, e também assim ganhou o estatuto de melhor clube da sua cidade, ao bater o IFK Malmo três vezes.

      A entrada nos anos 20 marca o início de uma nova era no clube. O símbolo e as cores voltam a mudar, para dar lugar ao azul-bebé que dura até hoje e justifica as alcunhas que ainda são atribuídas à organização e aos seus adeptos: Di blåe (os azuis) e Himmelsblått (os azuis-celestes).

      Foi também em 1920 que a Federação de Futebol Sueco introduziu as divisões nacionais, convidando o Malmo a integrar o segundo escalão, do qual foram o primeiro vencedor em registo.

      Assim subiram ao principal escalão, mas uma única temporada bastou para a equipa cair de volta à Division 2 Sydsvenska Serien, onde acabariam por ficar durante mais 10 anos.

      Títulos!

      A segunda chegada ao principal escalão, que dessa vez já se chamava de Allsvenskan, foi com objetivos maiores. O Malmo fixou-se como uma equipa de meia tabela durante três temporadas, mas, de forma controversa, acabou por voltar a sofrer a despromoção.

      A origem da polémica está no facto de o Malmo não ter caído devido à prestação desportiva, mas como penalização por não ter cumprido com o estatuto amador da Liga. O clube pagava um pequeno valor a cada jogador por cada jogo disputado, algo que, embora contra as regras, era comum na maioria dos clubes em prova. A versão contada pelo clube até hoje explica isso e apoia-se na imprensa local para afirmar que foi o rival, IFK Malmo, quem fez queixa da situação à Federação.

      Em 1937 o Malmo já estava de volta à elite sueca, no mesmo ano em que Eric Persson era eleito presidente - um cargo em que ficou durante quase quatro décadas inteiras. Hovdingen (o chefe), como ficou conhecido, elevou o clube à sua melhor versão e, depois de várias conquistas, deixou o legado de uma das maiores figuras na história do futebol nórdico.

      Após dois anos da liderança de Persson, o Malmo atingia pela primeira vez o pódio na Allsvenskan. Mas foi outros cinco anos mais tarde, em 1944, que uma vitória sobre o AIK no penúltimo jogo da temporada valeu ao Malmo o seu primeiro título de campeão sueco. Para que não houvesse dúvidas de que se tratava de um ano épico, também a Taça da Suécia (Svenska Cupen) foi celebrada pela primeira vez.

      Nas nove temporadas que se seguiram, o clube conquistou mais quatro títulos (1949, 1950, 1951 e 1953), sem nunca terminar abaixo do terceiro lugar. Também a Taça foi vencida outras quatro vezes nesse período de revolução no clube.

      O Malmo manteve-se uma das equipas mais competitivas e terminou várias temporadas com o estatuto de vice-campeão, mas só em 1965 voltou a celebrar o título, já num novo estádio construído para o Mundial da Suécia (Malmo Stadion), sob o comando de um treinador espanhol (Antonio Durán) e com o auxílio de alguns jovens que se tornariam em alguns dos melhores na história do clube, como foi o caso particular de goleador Bo Larsson.

      Ingleses dão e ingleses tiram

      Voltariam a celebrar o título em 1967, antes de fechar a década ao terminar duas vezes no segundo posto, mas a página seguinte guardava muitos sorrisos. Foi, afinal, a mais feliz em toda a história do clube.

      Sob o comando de Durán, o Malmo voltou a sagrar-se campeão da Suécia mais duas vezes, em 1970 e 1971, mas o treinador espanhol nem sequer foi o que mais sucesso teve durante os anos 70. Isto porque pouco tempo depois chegou o inglês Bob Houghton, que revolucionou o futebol e os métodos de treino em todo e clube e conseguiu fazê-lo mostrando resultados...

      1974, 1975 e 1977. Mais três títulos festejados pelos fiéis adeptos do Malmo, mas foi o último que trouxe mais e maiores alegrias. Afinal, essa conquista da Allsvenskan valeu a qualificação para a Taça dos Campeões Europeus de 1978/79.

      Já ero um gigante sueco, mas não era um dos favoritos à partida da maiore competição de clubes europeus. Ainda assim, o Malmo superou o Monaco, Dynamo Kyiv, Wisla Krakow e Austria Wien para chegar à mítica final da comeptição que hoje se chama UEFA Champions League. O adversário de Houghton foram os compatriotas do Nottingham Forest que, em Munique, venceram por 1-0 e arrasaram o sonho maior dos escandinavos, que, ainda assim, viveram a mais entusiasmante campanha de qualquer clube sueco na história.

      Não diretamente depois, mas, entre os treinadores mais respeitados da história do Malmo, o seguinte foi outro inglês. Roy Hodgson. Bem antes de treinar a seleção de Inglaterra ou vários clubes na Premier League, o técnico contruiu um nome no futebol sueco ao vencer a Allsvenskan cinco vezes consecutivas, entre 1985 e 1989.

      Os anos 90 vieram terminar essa era dourada do Malmo, com a equipa a baixar o nível (não foi além do 2º lugar nessa década) e acabando mesmo despromovida em 1999. Para regressar ao principal escalão, dois anos depois, fui instrumental o surgimento do mais célebre de todos os jogadores que já passaram pelo Malmo: Zlatan Ibrahimovic. O então jovem avançado, que acabou vendido ao Ajax nesse ano.

      O maior da Suécia

      O século XXI viu o Malmo voltar a impor-se entre a elite do futebol sueco. Voltou aos títulos em 2004, com o 15º na sua história, antes do final da década ainda se mudou para o Eleda Stadion, com capacidade para 21 mil espetadores.

      Essa mudança ocorreu aquando da chegada de Hakan Jeppsson ao clube. O novo presidente testemunhou, no ano seguinte, o centenário do clube, mas também fez parte do processo que levo o Malmo ao estatuto de clube mais rico na Suécia. Esse ano de centenário, 2010, terminou na festa do título que voltaria a acontecer dois anos depois. Em ambos os casos, o sucesso foi produto de muito pouco investimento, apesar da saúde financeira do clube. 
      O foco era a juventude local, e foi com essa filosofia que conseguiram chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões em 2014/15 e novamente no ano seguinte, depois de passar três pré-eliminatórias em ambas as temporadas. No total desses dois anos houve 12 jogos na maior competição de clubes, nos quais somou duas vitórias (2-0 ao Olympiacos em 2014 e 1-0 ao Shakhtar em 2015) e 10 derrotas, terminando sempre no último posto.

      O título de 2016 permitiu ultrapassar o IFK Goteborg na lista dos clubes mais titulados na Suécia, tornando-se cada vez mais no clube maior desse país, e continuou a somar mais. 2017, 2020 e 2021, chegando novamente à fase de grupos da Liga dos Campeões em 2021/22, onde voltou a terminar em  último lugar, com apenas um ponto em seis jogos.

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