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      Club Brugge

      Texto por João Pedro Silveira
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      No primeiro de novembro de 1891 um grupo de jovens da cidade de Bruges na Flandres, parte ocidental da Bélgica, funda o Brugsche Football Club e escolhe como lema o mote latino «Mens Sana in Corpore Sano» (1) que curiosamente também seria o lema escolhido pelos fundadores do rival RSC Anderlecht. Desse grupo de jovens fundadores faziam parte alguns membros que haviam estudado na escola católica Broeders Xaverianen e no Koninklijk Atheneum, dois destacados colégios da cidade.

      Bruges era - e é - uma das principais cidades da Flandres (2) uma das três comunidades em que se divide a Bélgica, juntamente com a  Valónia e a região central de Bruxelas, a capital do país.

      Enquanto a Valónia é de maioria francófona e na capital Bruxelas o francês é mais falado que o neerlandês, na Flandres, a maioria da população é flamenga e fala naturalmente o neerlandês. Bruges é, juntamente com Gante, Antuérpia, Lovaina e Courtrai um dos maiores centros populacionais da Flandres.

      Desde a primeira hora que os fundadores do clube se assumiram como pró-flamengos e as cores escolhidas para o clube sugerem o apoio explícito a esse movimento. 

      Primeiros anos

      Em 1892 as dificuldades levam a que o clube suspenda todas as atividades que só seriam retomadas em 1894. Durante os primeiros anos os jogos eram disputados localmente, contra pequenos clubes da cidade ou arredores. Mas em 1895, apesar de todas as limitações o clube envia um representante à reunião que conduz à fundação da UBSSA (futura URBSFA) e um ano mais tarde o Brugges é convidado a fazer parte na primeira edição da Liga Belga. 

      Se por problemas financeiros ou lutas internas, a verdade é que o Brugsche FC não participa nas duas edições seguintes do campeonato e depois deixa de haver registo das suas atividades, deixando de fazer parte da lista de clubes afiliados na UBSSA.

      Em 1897 o FC Brugeois e o Brugsche FC fundiram-se para dar lugar ao Football Club Brugeois, que cinco anos depois recebeu a inclusão do Vlaamsche FC.
       
      O novo século
       
      Em 1899 o Brugge terminou o campeonato em segundo lugar, feito que repetiria no ano seguinte, mas também em 1906, 1910 e 1911, ano em que a luta pelo título seria disputada com o vizinho e rival Cercle, que haveria de ser o primeiro clube da cidade a conquistar o título.

      Em 1912 o clube encontrou uma nova casa no De Klokke e dois anos depois chegou à sua primeira final da Taça, que seria perdida para o Union SG (1x2).
       
      Entretanto com o começo da Primeira Guerra Mundial a Bélgica era invadida pela Alemanha e durante quatro anos a quase totalidade do país viveria debaixo da ocupação germânica.
       
      A Guerra terminou em 1918 e só depois é que as competições futebolísticas voltaram a ser disputadas. O Brugge venceria a primeira edição do pós-guerra 1919/20. Seis anos depois, por méritos desportivos seria agraciado com o título de real, passando a sua matrícula na Federação Belga a receber o número 3, sob a nova denominação de Royal Football Club Brugeois. 
       
      Dois anos volvidos o clube acabaria por sofrer pela primeira vez a desilusão da despromoção. O presidente Albert Dyserynck alterou o estatuto do clube, tornando-o amador. Com o clube em grande reestruturação, a tragédia abateu-se sobre o Brugge com a inesperada morte de Albert Dyserynck. Para homenageá-lo, os sócios mudaram o nome do estádio para Albert Dyserynckstadion.
       
      O regresso e a nova identidade
       
      Seria só em 1959 que o RFC Brugeois regressaria permanentemente ao primeiro escalão. Nove anos volvidos a vitória na final da Taça sobre o Beerschoot AC punha fim a um longo jejum de troféus. 
       
      Quatro anos depois a identidade falou mais alto e o clube deixou a sua denominação francesa e passou a assinar com o seu nome flamengo: Club Brugge Koninklijke Voetbalvereniging. Seria já como Club Brugge KV que os azuis-e-pretos mudaram de casa do velhinho Albert Dyserynckstadion para o Olympiastadion, hoje conhecido como Jan Breydelstadion. 
       
      Seria já no novo estádio que o Brugge festejou a conquista do segundo título de campeão em 1973. 
       
      Sob o comando do magistral Ernst Happel, o Club Brugge chegou à final da Taça UEFA (1976) que seria perdida para o Liverpool (3x2 e 1x1). Duas épocas mais tarde o Brugge tornou-se no primeiro - e até hoje único - clube belga a chegar à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus.

      O adversário foi novamente o gigante da cidade dos Beatles. A história repetiu-se e o Liverpool venceu por 1x0. Durante esse histórico período os Blau-Zwart conquistaram o tricampeonato. 
       
      Durante as décadas de 80 e 90, o Brugge partilhou a hegemonia do futebol belga com o rival Anderlecht. Enquanto o gigante da capital conquistou oito títulos em duas décadas, o Brugge venceu a prova em cinco edições (1988, 1990, 1992, 1996 e 1998).
       
      O novo milénio traria um rejuvenescido Standard e um ainda mais dominador Anderlecht, com o Club Brugge apenas a conquistar dois títulos de campeão em 2003 e 2005. Seguiram-se vários anos afastado do título de campeão nacional belga, com o Club Brugge a conquistar apenas a Taça belga de 2006/07.
       
      Contudo, dez anos depois, a formação de Brugge voltou ao topo da hierarquia do futebol belga. Sob a batuta de Michel Preud´homme, antigo guarda-redes histórico do Benfica, o Club Brugge terminou com uma longa seca e superou, com mérito, o Anderlecht, conquistando o seu 14º título de campeão da Bélgica.
       
      A partir daqui, o Club Brugge esteve sempre diretamente ligado à luta pelo título. Conquistou a Supertaça em 2016, mas nesse ano o título «fugiu» para o rival Anderlecht. No entanto, na época seguinte voltou a ser campeão, numa intensa luta até ao fim com o Standard e o Anderlecht, desta vez com o croata Ivan Leko no comando.
       
      Em 2018/19, o Club Brugge ficou a apenas dois pontos do campeão Genk, mas «vingou-se» e acabou por se sagrar bicampeão nos dois anos seguintes, ambos com Philippe Clément, antiga glória do clube, como treinador principal. Em 2022 chegou o tricampeonato, mas já foi Alfred Schreuder quem levantou o troféu no final da temporada, antes de rumar ao Ajax e o seu adjunto, Carl Hoefkens, assumir o comando da equipa.
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      (1) Mens Sana in corpore Sano - Uma mente sã num corpo são. 
      (2) Vlaanderen em Neerlandês, a língua local. 
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