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    História da edição

    Champions 07/08: A primeira de CR7

    Texto por Redação
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    Foi no meio de uma autêntica tromba de água que Alex Ferguson levantou a sua segunda Liga dos Campeões ao serviço do Manchester United. Uma noite de muitas emoções em Moscovo, que serviu para celebrar uma brilhante equipa, liderada por um Cristiano Ronaldo intratável e histórico. E pensar que o português teve a um simples escorregão de Terry de oferecer indiretamente a Taça mais desejada de todas ao rival Chelsea...

    Se é certo que a equipa que chegou ao triplete em 1999 até tem outro peso na história dos red devils, pela forma como conseguiu conquistar a Champions - reviravolta nos descontos, perante o poderoso Bayern de Munique - e pela forma como conseguiu materializar algo praticamente impensável num futebol ultra competitivo como o inglês (dobradinha), a verdade é que esta versão de 2008 terá um lugar muito especial no museu de Old Trafford. Este era um coletivo mais consistente atrás, com uma dupla (Ferdinand-Vidic) que se consolidava como uma das melhores em todo o planeta, e com uma força atacante ainda superior (se é que é possível fazer este exercício de comparação). 

    E elogiar a capacidade ofensiva deste Manchester United é, acima de tudo, destacar Cristiano Ronaldo. No seu primeiro ano verdadeiramente lendário, que culminaria com a primeira Bola de Ouro, CR7 construiu um autêntico mito no Teatro dos Sonhos, entrando para a categoria dos melhores de sempre do clube, com grandes golos, assistências e um manancial de recursos só ao alcance dos imortais. É certo que Tévez e Rooney ajudaram, é bem verdade que Scholes foi o cérebro (e não só) a meio campo, mas era impossível aos red devils atingirem o que atingiram sem o craque português, que acabou mesmo como o melhor marcador da prova. 

    O Sporting foi uma das equipas a sentir na pele o talento e a capacidade desequilibradora de Ronaldo, e logo em dose dupla. Os leões, comandados por Paulo Bento, no segundo ano consecutivo de uma tripla presença portuguesa na fase de grupos da Champions, bem podem lamentar toda a inspiração de uma das figuras da formação de Alcochete, capaz de decidir em Alvalade e em Old Trafford, entre pedidos de desculpas. No final, sete pontos e um terceiro lugar, a mesma pontuação do rival Benfica, que ficou ligeiramente mais perto da qualificação para os oitavos, fruto de um grupo em que o favorito Milan acabou por passear toda a sua classe. 

    O FC Porto merece outro tipo de tratamento neste regresso ao passado. Não só porque voltou a ser a única das equipas portuguesas a passar o grupo, como voltou a acabar à frente dos seus adversários, na dianteira do grupo. Nem a derrota pesada em Liverpool apagou um percurso consistente, que terminou aos pés do Schalke e, acima de tudo, aos pés, às mãos, aos reflexos, ao talento inato de Neuer, o jovem guardião que dava os primeiros passos em 2008 e que começava a ameaçar prosseguir o legado de Kahn no Bayern e na seleção. Aquela segunda mão no Dragão terá sido das exibições individuais mais brilhantes de um guarda redes ao mais alto nível. Castigador, no mínimo. 

    Mais à frente, nos quartos, começaram a ganhar ainda protagonismo as equipas da Premier League e alguns dos duelos mais emocionantes entre os conjuntos de Terras de Sua Majestade na Champions aconteceram na primeira metade do ano de 2008. O Arsenal caiu nos quartos depois de uma eliminatória muito equilibrada, recheada de emoção, decidida com um grande 4x2, em Anfield, diante do Liverpool, o Chelsea consumou a vingança de 2005 e 2007 ao bater também numa grande segunda mão os reds, apurando-se para a primeira final do reinado de Abramovich, e logo no ano em que Mourinho saiu e em que a qualidade de jogo nem parecia indicar grandes feitos. 

    Neuer esteve intratável no Dragão @Manuel Queimadelos Alonso / Getty Images

    Entre este autêntico monopólio britânico, bem visível em anos de grande pujança da Premier League, aparecia um Barcelona pronto a deixar uma outra imagem europeia para que os insucessos domésticos fossem esquecidos. Henry lá aparecia a conta gotas na Catalunha, numa equipa que já tinha os intérpretes do tiki-taka, mas que funcionava já de forma desarticulada e desequilibrada, num final de ciclo bem doloroso para Rijkaard. Deu para chegar às meias, perder com toda a naturalidade face ao United - belo golo de Scholes, ainda por cima decisivo - e estrear um duelo que teria repercussões épicas durante os anos seguintes. A Champions de 2007/2008 marcou, é verdade, o primeiro frente a frente entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo

    Por fim, a final. E que jogo! Houve de tudo. Golos, expulsões, emoção, craques na plenitude das suas faculdades, dois grandes guarda redes, um dos maiores golpes de teatro em desempates por penáltis de que há memória. E que legado ganha uma competição que vive o seu momento mais alto na partida de todas as decisões!

    Primeiro, o golo de Cristiano Ronaldo. Um autêntico hino às grandes qualidades do internacional português, as tais que o começavam a catapultar para um nível de excelência. Ao cruzamento de Brown, respondeu CR7 com um voo que deixou o lateral Essien e o guarda redes Cech completamente pregados ao relvado. Momentos que já passavam a não ser uma novidade. 

    Mais à frente, a igualdade de Lampard, num lance de muita felicidade que acabou por deixar o Chelsea bem mais confortável. O intervalo, por isso, teve um outro sabor para os blues e talvez por isso se tenha assistido a uma certa superioridade londrina nos segundos 45 minutos, sempre com transições rápidas e perigosas do lado vermelho a deixarem o resultado final uma autêntica incógnita. 

    O prolongamento, se descontarmos a expulsão algo polémica de Drogba, acabou por não trazer nada de novo e a decisão ficou adiada para as grandes penalidades. Cristiano Ronaldo, o homem do futebol europeu em 2007/2008, foi o único a falhar até ao mítico capitão John Terry escorregar no penálti decisivo. Quando ainda todos estavam a digerir mais ou menos aquilo que tinha acontecido e a magnitude e o dramatismo de todo aquele momento, Anelka acabou por tremer mais do que os restantes e a Taça ficou para os de Manchester. E já nem se conseguia muito bem distinguir entre as toneladas de água que caiam e as lágrimas que Cristiano Ronaldo expelia. Épico!

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    jogos históricos
    U Quarta, 21 Maio 2008 - 19:45
    Luzhniki Stadium
    Lubos Michel
    1-1
    (5-6 g.p.)
    Frank Lampard 45'
    Cristiano Ronaldo 26'
    Estádio
    Luzhniki Stadium
    Lotação80000
    Medidas-
    Inauguração1956