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      Alex Ferguson: Sir «Old Trafford»

      Texto por João Pedro Silveira
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      Quando Ferguson chegou ao Man. United, o clube tinha sete troféus de campeão inglês nas vitrinas do seu museu, bem distante das 16 do glorioso e rival Liverpool. Em 2011, 25 anos depois de se tornar manager dos mancunianos o United tornava-se o clube inglês com mais campeonatos conquistados (19), ultrapassando a cifra do Liverpool.

      No momento em que anunciava o «adeus» aos «Palcos do Sonho», o United já tinha assegurado o 20º título de campeão de Inglaterra, 13 títulos conquistados em 26 anos, uma média sem par no futebol inglês, fazem de Sir Alex, um caso à parte na história do país que deu ao mundo o futebol.

      «Scottish connection»

      O United tem uma longa ligação à vizinha Escócia. Das frias terras do norte, antes de Fergie, já dois escoceses tinham ajudado a moldar a história dos red devils: Jack Chapman, que em 1922 se tornou no primeiro não inglês a comandar a equipa de Old Trafford e Matt Busby, o mentor do grande United que conquistou a Europa nos anos sessenta e foi responsável pela primeira das três Taça/Liga dos Campeões que o clube de Manchester conquistou até 2013 - as outras duas foram responsabilidade do glasgowiano.

      Em 1967 vestiu pela primeira vez a camisola do Rangers, o seu clube do coração desde os tempos de menino.
      Alexander Chapman Ferguson nasceu no último dia do ano de 1941, em Glasgow na Escócia. A felicidade do seu nascimento e do novo ano que se adivinhava, eram toldados pelo período difícil que o mundo atravessava. Glasgow era diariamente assolada por bombardeamentos alemães e o pequeno Alex teve uma infância dura, com os primeiros anos a ficarem marcados pelas sirenes de alarme que anunciavam mais uma possível noite de blitz. (1)

      Como que inspirado na natureza e na história da sua Escócia natal, Ferguson cresceu com um vincado sentido de independência e força de vontade, um espírito irredutível, capaz de remover montanhas e liderar os seus a mais uma vitória. Desde tenra idade se apaixonou pelo futebol e começou a acompanhar os jogos do seu primeiro amor, o Glasgow Rangers.

      Mangas arregaçadas e botas enlameadas

      O clima frio e áspero, ajudou a forma-lhe o caráter e a têmpera. Fergie cresceu destinado ao sucesso, ao sucesso que só se conquista com muito e dedicado trabalho. Arregaçando as mangas, trabalhava nos estaleiros navais de Clyde e jogava como avançado no Queen's Park, contava então apenas 16 anos.

      Após três anos, mudou-se para o St. Johnstone à procura do primeiro contrato profissional. Seguir-se-iam o Dunfermline Athletic, o Falkirk  e o Ayr United. De permeio, entre 1967 e 1969, cumpriu o sonho de infância e vestiu a camisola azul do Rangers, com o qual não conquistou nenhum troféu, pois o futebol escocês vivia um período de total domínio do Celtic, que se sagrara Campeão da Europa em 1966/67.

      Já perto do fim da carreira, em 1969, o Nottingham Forest tentou contrata-lo, mas após consultar a mulher, Ferguson preferiu mudar-se para o Falkirk, pois esta não queria se mudar para a «distante» Inglaterra.

      Furious Fergie

      Após pendurar as botas em 1974, começou o seu tirocínio como treinador no East Stirlingshire, mudando-se depois para St. Mirren com que se sagraria campeão do segundo escalão. 

      O sucesso em St. Mirren levou-o para o Aberdeen, onde começou uma história de sucesso. Oito épocas em que conquistou três títulos de campeão escocês, além de dois vice-campeonatos. Conquistou também quatro Taças, uma Taça da Liga, uma Taça dos Vencedores das Taças e uma Supertaça Europeia. O sucesso de Ferguson nos the Dons, levou Jock Stein a chamá-lo para seu adjunto na seleção da Escócia, posto em que se manteve até à trágica morte de Stein, vítima de um ataque de coração num jogo decisivo com o País de Gales em Cardiff. Fergie foi convidado pela Federação a tomar o lugar de Stein e conduziu a Escócia ao mundial do México, após bater a Austrália no play-off.

      Em Aberdeen conheceu o sucesso, acabando com a hegemonia dos dois grandes de Glasgow e conquistando uma histórica Taça das Taças.
      No Campeonato do Mundo, a Escócia acabou por desiludir, conseguindo apenas um ponto no último jogo com o Uruguai, depois de ter baqueado com a Dinamarca (0x1) e R.F.A. (1x2). De pouco valeu o epíteto de «Grupo da Morte» com que a imprensa qualificara o Grupo E e Fergie acabou por abandonar a seleção, mesmo depois do bom futebol apresentado pela equipa. 

      No ano de estreia em Aberdeen, o clube começara a época desastrosamente, recuperando lentamente na classificação até conseguir conquistar o título com uma impressionante vitória por 5x0 no último jogo. Pela primeira vez em cinquenta anos que um clube que não o Celtic ou o Rangers, conquistava a liga escocesa. Ferguson confessou anos mais tarde que foi nesse dia que finalmente sentiu que a equipa se unira em torno dele e que os jogadores finalmente acreditavam nas suas promessas de vitória.  

      Lendária era a sua disciplina espartana e a forma dura como tratava com os jogadores, levando estes a alcunharem-no de Furious Fergie, muito por culpa dos seus constantes ataques de fúria. 

      Um dia multou um dos seus jogadores, John Hewitt, por este o ter ultrapassado numa estrada pública, noutra ocasião virou ao pontapé um pote de chá que se encontrava no meio do balneário, gritando furiosamente com os jogadores pela vergonhosa exibição que equipa exibira na primeira parte, provocando alguns calafrios aos jogadores mais medrosos...

      O salto para sul da fronteira

      Na nona época, quando o Aberdeen se encontrava na quinta posição - o pior que o Aberdeen conseguira com Fergie fora um quarto lugar - recebeu um convite do Manchester United, a que não podia dizer não. Mudou-se então de armas e bagagens para Old Trafford, estando longe de imaginar que ia viver a sua mais longa história de amor, desportivamente falando...

      Com Jock Stein, de quem foi adjunto na seleção escocesa. Acabaria por substituir o mestre depois da morte deste em 1985, conduzindo a Escócia ao mundial do México.
      Já antes, em 1984 fôra condecorado como Comandante da Ordem do Império Britânico (CBE - Commander of the Most Excellent Order of the British Empire) pelos feitos conseguidos ao comando do Aberdeen. Mas seria em Manchester que depois de conquistar a segunda Liga dos Campeões do palmarés dos red devils, que foi agraciado com o grau de Cavaleiro do Império em 1999, honra atribuída pela Rainha Isabel II. Desde aí passou a ser conhecido como Sir Alex e o título e o seu nome fundiram-se como se fossem um só...

      Mas nem tudo tinham sido rosas na carreira do escocês em Manchester. Os primeiros anos foram difíceis, com o clube a continuar a longa travessia do deserto. Em 1989 conquistou a FA CUP, o seu primeiro troféu enquanto treinador dos red devils, seguiu-se a Taça das Taças no ano seguinte, conquistada contra o FC Barcelona.

      Fergie Boys

      Em 1992-93 o clube conquistava a Premier League iniciando um longo período de domínio no futebol inglês. Reunindo uma equipa que começava na segurança inconfundível de Peter Schmeichel , passando pela experiência de Mark Hughes, Paul Ince ou a classe de Kanchelskis e a genialidade do francês Éric Cantona, o Manchester United lançou uma geração de jovens talentosos que ficou conhecida como os Fergie Boys: o galês Ryan Giggs, Paul Scholes, os irmãos Neville, Nicky Butt e o mediático David Beckham. A arte de Ferguson criar e moldar jogadores tornava-se lendária...

      Com Peter Schmeichel erguendo a «orelhuda», conquistada após uma dramática reviravolta na final de 1999, disputada em Barcelona.
      Sucesso atrás de sucesso, liderada pela raça de Roy Keane mas já sem Kanchelskis e Cantona, a equipa que se viu reforçada com o poder de fogo de Teddy Sheringham, Dwight Yorke, Andy Cole e Ole Gunnar Solskajer, atingiu a glória quando conquistou a Liga dos Campeões, numa final épica em Nou Camp contra o Bayern, com uma reviravolta histórica conseguida nos três minutos extra concedidos por Pierluigi Collina. Os golos de Teddy Sheringham e do norueguês Solskajer fizeram Ferguson explodir de alegria. O United conquistava a Europa da forma mais dramática possível e Sir Alex deixava a sua marca na história.
       
      A época que ficaria conhecida como a do treble, terminaria com a consagração mundial ao vencer o Palmeiras na final da Taça Intercontinental. Ninguém parava o United de Ferguson, que com direito se reclamava além de clube mais rico do mundo, o mais vencedor.
       
      Ronaldo: a terceira
       
      Depois da glória, o United viu a velha geração dar lugar a uma nova. Os títulos iam se sucedendo, mas na Europa, depois da saída de Beckham, Schmeichel e outros, o clube parecia perder gás.
       
      Em Agosto de 2003, em Lisboa, no jogo de inauguração do Estádio José de Alvalade, uma exibição maravilhosa de Cristiano Ronaldo, deixou o balneário encantado com o rapaz madeirense, ao ponto de alguns jogadores pedirem a contratação de Ronaldo ao treinador.
       
      Fergie não pensou muito no assunto e exigiu ao clube que contratasse imediatamente o jogador. Dito e feito! No dia seguinte Ronaldo seguia para Manchester e o Sporting enchia os cofres. Confiante, Sir Alex entregava o mítico número «sete» ao madeirense, número que fora envergado antes por craques como Best, Cantona e Beckham.
       
      Ao todo conquistou 38 troféus com o United, de um total de 49 conquistados ao longo da carreira. O primeiro de todos foi com o St. Mirren em 1976/77.
      Durante os anos que se seguiram, CR 7, como passou a ser conhecido, foi burilado pela mão do mestre até explodir em todo o seu esplendor em 2008, conduzindo o United à terceira conquista da Liga dos Campeões.
       
      CR7 ganhava a bota de ouro com os seus 31 golos apontados, e conquistaria a Bola de Ouro da FIFA de 2008, no ano em que o Manchester conquistou a sua terceira Taça de Campeões Europeus, batendo os rivais do Chelsea na final de Moscovo. No ano seguinte, em Roma, veio a primeira derrota numa final da Champions culpa do Barcelona de Messi (0x2).
       
      Os últimos anos
       
      Meses depois, o português era vendido para os espanhóis do Real de Madrid pela estratosférica soma de 94 milhões de euros, um novo recorde mundial. O clube contudo não acusou a perda, com uma equipa recheada de estrelas e novos valores provenientes de todos os continentes, o Manchester United continuou a dominar o panorama inglês superiorizando-se aos demais.
       
      Em 2011, já sem Ronaldo, mas com Rooney, o United voltou a cair às mãos do Barcelona e Messi, na final da Champions em Wembley.
       
      Em 2012 o clube homenageou Sir Alex com um estátua para recorda-lo para a eternidade em Old Trafford.
      Campeão em 2011, viu o vizinho City renascer depois dos citizens terem sido adquiridos por um milionário Xeque das Arábias, perdendo o Campeonato na última jornada, depois de na entrada no período de descontos o United ser matematicamente campeão. Mas um golo de Agüerro no último sopro do jogo, roubou a vitória ao United, para tristeza de Ferguson, que nessa época perdera por 1x6 com o rival em casa, naquela que considerou a mais desoladora derrota da sua carreira. 
       
      No começo da época 2012-13, continuava a negar rumores de que podia estar próximo o fim de carreira. Questionado, recusava-se a deixar no ar a ideia da saída. Poucos podiam imaginar, mas no seu íntimo tinha dois objetivos ainda por realizar: ultrapassar as 25 épocas de Matt Busby à frente dos red devils, e conquistar o vigésimo título de campeão nacional para o clube.
       
      Sem grandes dificuldades, o United recuperou o cetro, acabando por cair ingloriamente nos oitavos de final, batido pelo Real Madrid, orientado pelo seu rival, mas amigo, José Mourinho.
       
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      (1) - Blitz - Termo genério inglês emprestado do alemão Blitz [relâmpago] utilizado para designar um ataque militar, rápido ou intenso; bombardeamento. A Blitz foi a campanha de bombardeamentos estratégicos realizada na Segunda Guerra Mundial pela Luftwaffe - a aviação alemã - contra o Reino Unido, entre 7 de setembro de 1940 e 10 de maio de 1941. 

       

      Em 1992-93 o clube conquistava a Premier League iniciando um longo período de domínio no futebol inglês. Reunindo uma equipa que começava na segurança inconfundível de Peter Schmeichel , passando pela experiência de Mark Hughes, Paul Ince ou a classe de Kanchelskis e a genialidade única de Éric Cantona, o Manchester United lançou uma geração de jovens talentosos que ficou conhecida como os Fergie Boys: o galês Ryan Giggs, Paul Scholes, os irmãos Neville, Nicky Butt e o mediático David Beckham.
       
      Sucesso atrás de sucesso, liderada pela raça de Roy Keane mas já sem Kanchelskis e Cantona, a equipa que se viu reforçada com o poder de fogo de Teddy Sheringham, Dwight Yorke, Andy Cole e Ole Gunnar Solskajer, atingiu a glória quando conquistou a Liga dos Campeões, numa final épica em Nou Camp contra o Bayern, com uma reviravolta histórica conseguida nos três minutos extra concedidos por Pierluigi Collina.
       
      A época que ficaria conhecida como a do treble, terminaria com a consagração mundial ao vencer o Palmeiras na final da Taça Intercontinental. 
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      Comentários (10)
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      motivo:
      BomArtigo
      2014-12-31 20h08m por 200lbs
      Excelente aritgo e pesquisa.

      Ferguson, dos melhores, senao até o melhor para muitos, treinador de sempre!
      BI
      Correção Histórica
      2014-03-26 12h30m por BimboDaBosta
      Por mais que se queira romantizar um artigo bem escrito, deve-se ter cuidado com algum rigor histórico. O artigo menciona Sir Alex Ferguson crescer durante o Blitz, mas na realidade, este evento da segunda grande guerra ocorreu entre 7 de Setembro de 1940 e 21 de Maio de 1941, ou seja, uns bons meses antes de Sir Alex Ferguson ter nascido.

      Talvez ainda assim tenham soado sirenes preventivamente durante o resto da segunda guerra, mas o mais provável é que o pequeno Alex t...ler comentário completo »
      JO
      Um dos Melhores de sempre
      2013-08-24 00h36m por joseandre
      Apesar de ser fã do manchester united á pouco tempo, pouco mais de 3 anos, vejo-me como um grande fã do amn united. Considero Sir Alex Ferguson o melhor treinador do Manchester united a par de Sir Matt busby, apesar do ultim, em titulos ter estado um pouco aquem da espetativa. Se observarmos o historial do machester, observamos que Sir Alex Ferguson, levou este clube á ribalta ao topo do Mundo apesar de ter demorado 6 anos a conseguir a primeira liga inglesa. Para mim ha de ser e ver ser...ler comentário completo »
      RM
      sir alex fergunson
      2013-05-09 16h46m por rma99
      sir alex fergunson foi o melhor treinador do United
      PT
      Ajuda Portugal
      2013-05-08 23h13m por ptrebuco
      Vem ajudar o teu país e fazer parte do maior simulador de estratégia geo-política online.
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      "Fergie"
      2013-05-08 19h02m por UK-SPORTING10
      Na minha opinião é e sempre será um dos melhores do mundo, uma verdadeira lenda viva!
      Quando começei a ver o meu futebol já lá ele estava á taaaaanto tempo que agora custa vê-lo sair, mas é assim, life goes by . .

      O Futebol só perde com isto, mas com a sua saída, pode o Mourinho muito bem criar mais uma página no Manchester United. . .

      Saudações

      Lenda!!! Concordo
      2013-05-08 17h55m por willman
      Isso sim eh que eh uma lenda.
      Sir Alex Ferguson
      2013-05-08 14h46m por Pete15
      LENDA !
      AT
      2011
      2013-05-08 14h39m por atumatum

      Em 2009, já sem Ronaldo, mas com Rooney, o United voltou a cair às mãos do Barcelona e Messi, na final da Champions em Wembley.

      foi em 2011, em 2009 ainda tinham o ronaldo e afinal foi em roma
      :O
      2013-05-08 14h11m por RedLifeProudToBeSLB
      Sou pareçido com o fergunson quando este era novo xD