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      A Tasca do Silva
      Paulo Silva
      2024/02/06
      E3
      A Tasca do Silva é o espaço de opinião sobre e à volta do FCP, dinamizado por Paulo Silva, um dos podcasters responsáveis por A Culpa é do Cavani, o podcast de referência do universo portista.

      1) O primeiro dia

      E veio o dia em que as coisas não correram bem ao "novo" FCP. Curiosamente, o mesmo dia que nos proporcionou aqueles que foram, provavelmente, os melhores 45 minutos da época, coroados com 2 golos (anulados) e um penálti (revertido). Se o segundo é escandalosamente mal ajuizado, no caso dos primeiros estamos completamente dependentes de...Fábio Melo. I rest my case.

      No entanto, é evidente que em 97 minutos, contra o Rio Ave, no Dragão, seguramente com mais de 70% de posse, certamente com mais de 20 remates, muitos enquadrados, não é propriamente dos árbitros que nos vamos queixar. Mas é também, porque não há motivo para branquearmos erros e faltas de competência. Se não o faço com os meus, não vai ser dos Melos desta vida que terei piedade. Só que esses não podemos controlar e continuarão alegremente a exibir o seu clubismo Valongo afora, enquanto lhes caucionarem o erro como serviço público. Já os nossos erros, esses sim, podemos e devemos evitar. Primeiro passo para isso, apontá-los e reconhecê-los. Bora:

      Ao primeiro sinal de contrariedade, conforme temido, Sérgio Conceição mandou às malvas o belo futebol que mostrou poder jogar e voltou à amálgama sem sentido que marcou a nossa época até ao Bessa. Tirou Nico, que garante a fluidez e a decisão cerebral; meteu Toni, que obriga a jogar de uma forma que o pobre espanhol não sabe; escondeu Jaime numa ala, retirando-lhe influência e pedindo a Wendel que deixasse de tentar o jogo interior, aquilo que, na verdade, o brasileiro vinha mostrando ser a sua mais-valia. E se era para ter o pinheiro na área (que raramente teve), então, no mínimo, metíamos lá a bola, certo? Pois, não, errado.

      Sérgio mexeu e a equipa acabou. Continuou a tentar fazer o que aprendeu a gostar, mas sem as peças que o permitem. Tipo um aspirador ao qual se tira o saco. Depois liga-se e toca a aspirar na mesma. O aspirador faz o que sabe: aspira. O resultado é que vai ser uma bela trampa. E foi.

       

      2) O Porto aqui tão perto

      Pinto da Costa encheu o Coliseu e, já que lá estava tanta gente, aproveitou e anunciou a sua candidatura à presidência do FCP, juntando-se a Nuno Lobo e André Villas Boas, por ordem cronológica, apesar de o primeiro não parecer contar para o Totobola de ninguém. O octogenário presidente apresenta-se apostado em renovar, rejuvenescer, abrir uma nova era, um novo Porto. Ou seja, candidata-se contra si próprio, o homem que aqui nos trouxe, a este estado de coisas que, pelos vistos, urge alterar porque, no mínimo, estão ultrapassadas. Olha, a bilhética, por exemplo. Mas há algum problema com a bilhética? Não posso!

      Num discurso a puxar ao sentimento, como é seu timbre, Pinto da Costa não apresentou uma ideia, um projeto, um nome. Nesse aspeto, não foi lá muito diferente do seu adversário de ocasião. A diferença, e a vantagem, de PdC é que ele não tem que inovar, mesmo que proponha modernidade; não tem que mudar, mesmo que proponha evolução. O ónus da prova estará sempre do lado de quem se lhe opõe, pelo que ao presidente em funções basta mandar umas bicadas ao concorrente, colá-lo a um tipo qualquer de antiportismo, estender o adjetivo a todos quantos se atreverem a tomar o seu partido e agitar o fantasma sulista. Está feito. Que André Villas Boas e o seu séquito pareçam não entender isto, é a prova cabal da sua impreparação. Não porque não se tenham tentado aprontar para a tarefa, só não perceberam nada do que ela envolvia.

      As eleições não se ganham nas bolhas das redes sociais, por muito que os avençados dos 2 lados se esforcem ao máximo por merecer o seu soldo. Também não se ganham em eventos de apresentação, seja qual for a sala que se encha de funcionários, atuais ou passados, do clube. Ganham-se na rua, nas casas, nos jornais - neste caso, no mal que os da capital disserem de ti. E aí, na rua, com chuva ou Sol, pé descalço, na lama, de copo na mão se preciso for, Pinto da Costa é imbatível. Sobretudo se a malta do blazer que encheu a Alfândega não se predispuser a ir conviver com o povo, ainda que corra o grande risco de parecer deslocada. E corre. Porque não lhes é confortável e a gente nota a milhas que não lhes sai naturalmente. E é por isso que a PdC lhe basta dizer pouco, apostar dobrado na lágrima que sempre nos soube sacar e acreditar que isso é suficiente. É provável que tenha razão.

       

      3) Pode alguém ser quem não é?

      Até porque, senhores, Pinto da Costa conquistou, por sorte ou saber, um estado de existência praticamente impossível: ele é, mas não é. Ele é o presidente dos presidentes - AVB dixit, ele é o responsável por 2 mil títulos, ele é o FCP que conhecemos e amamos! Mas não é tido nem achado nas más decisões. Essa corja que lá anda a rodeá-lo, os Pinhos - os Alexandres também, mas não vamos agora enxovalhar o homem e falar mal do filho -, o Caldeira, o Gomes, esse néscio, tudo uma cambada que não vale os euros que mama ao clube. Pobre do velho - neste registo já se pode tecer esta consideração acerca da longevidade do presidente -, muito faz ele. E acreditem que é espantosa a facilidade com que isto nos sai - oh sim, eu faço um esforço de racionalidade, não é assim natural. Ele é. Mas não é.

      Assim, PdC pode mandar abraços solidários a suspeitos de espoliar o FCP. Pode porque, como é evidente, ele não tem nada a ver com essa possibilidade. Se alguém se abotoou indevidamente a património do clube, PdC não teria como saber. Afinal, ele é apenas o presidente, o homem dos mil títulos, sabe lá alguma coisa de bilhetes ou camisolas? Isso deve ser o Caldeira.

      O presidente do FCP está, pois, livre para ser um homem. Um de quem é fácil gostar, daqueles que não renega os amigos, estejam presos ou em dificuldades. Manda-lhes abraços, afirma a sua simpatia em programas de televisão, é, enfim, honesto e leal aos seus. A menos que tenha que mudar, rejuvenescer, renovar. Aí, até as direções com quem possa prometer ir até ao fim encontram...o seu fim. Eles e o Depoitre. Quem?

      Os antipintistas não perceberam, nem perceberão, nada disto e deixam-se escorregar para uma luta de "quem gosta mais do Porto", em resposta aos insultos que lhes dirigem. Tentam ripostar com a sua lógica, defendendo-se: quem não gosta é quem deixa isto continuar. Já perderam, porque Pinto da Costa ama genuinamente o seu clube. Não há como demonstrar o contrário, porque o sentimento o rodeia, como uma aura, em todas as ocasiões. Vejam o abraço de Domingo, um pai e um filho, 2 irmãos, um beijo de respeito e carinho, tanto Porto, tanto sentimento, tanto voto.

      Acredito, aliás, que é um dos grandes motivos das suas recandidaturas: não tem como se separar do seu amor e não acredita que alguém o cuide melhor do que ele. Como acontece a quase todos os pais. Mesmo os que têm os filhos presos em caves escuras e com guardas à porta.

      Até breve.



      Comentários (3)
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      motivo:
      LP
      E continua. . .
      2024-02-06 10h24m por lpfcp
      Dedicar um parágrafo ao VAR do jogo, dando ênfase ao seu "clubismo" e à região de onde é natural tira toda a credibilidade àquilo que podia ser um bom artigo. Tudo por causa de um lance que literalmente todos os ex-árbitros (incluindo todos os que fazem análises para O Jogo!!) disseram que foi bem decidido. Fale do Porto e de futebol, porque de arbitragem claramente não percebe nada.
      LP
      Paulo Silva
      2024-02-06 10h21m por lpfcp
      Como adepto do Porto leio sempre e gosto bastante destes artigos de opinião. No entanto, dizer que o penalti do Evanilson é mal anulado é simplesmente cegueira clubística. . .
      Paulinho
      2024-02-06 09h57m por aultimapalavra
      Vai lá rever o jogo da primeira volta para perceberes o que é adulterar um resultado "escandalosamente".
      Lição de bem defender. . . para quem quiser aprender. . .

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