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      O sítio dos Gverreiros
      António Costa
      2021/09/12
      E0
      "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

      O regresso das competições de clubes aconteceu com naturalidade, depois da pausa destinada às seleções, onde alguns clubes se queixam por terem jogadores selecionados e outros se queixam por ver jogadores excluídos das seleções, de forma injusta. Este tema daria um artigo bem longo, mas o “defunto” não justifica essa “cera”, pelo que passo adiante.

      O SC Braga deslocou-se a Paços de Ferreira e voltou a surgir um empate sem golos, o que acontece pela segunda vez consecutiva, pelo que soam os alarmes em Braga, onde os adeptos não estão habituados a este tipo de vazio, no que aos golos e às vitórias diz respeito. Nota para a estreia a titular de Yan Couto, Diogo Leite e Chiquinho, que prometem acrescentar qualidade na equipa a curto prazo. O apoio da bancada foi enorme, mas não houve a devida correspondência no relvado e as almas braguistas lamentam a má decisão atacante observada em vários lances, que realçou, ainda mais, a ineficácia que voltou a acompanhar a equipa, quando parecia que, com o jogo de Villarreal, esta tinha entrado de folga. Perder 7 pontos em 5 jogos é um percurso que não se recomenda e que requer urgente correção, pelos que os próximos tempos devem ser de afinação da pontaria, uma vez que sem marcar golos, as vitórias não chegam, a não ser por alguma ajuda externa, que não tem chegado.

      O jogo da Mata Real (que me perdoem, mas prefiro chamar assim ao estádio pacense), tem uma zona da bancada destinada aos visitantes destinada ao cartão do adepto, tal como os outros estádios. Esta zona está separada da zona comum por uma rede, a fazer lembra um qualquer muro de Berlim ou outro muro da vergonha em qualquer outra parte do mundo. Apraz-me registar que a zona do cartão do adepto tinha zero adeptos, tal como tem acontecido na esmagadora maioria dos casos dos outros estádios. Esta ideia é tão má que quem a teve (ou copiou) considera tratar-se de uma grande descoberta, mas que tem tido a devida resposta por parte dos adeptos, cuja adesão é meramente residual e em vários clubes é mesmo inexistente, felizmente. Trata-se, efetivamente, de um vazio completo o famigerado cartão, que só quem tem poder para o arrumar em definitivo não quer ver, porque acredito que a cegueira observada não deva ser real, ainda que umas declarações recentes de um governante me deixem apreensivo pelo seu teor inenarrável, que revela uma vivência numa bolha, bem separada do mundo real.

      A deslocação a Paços de Ferreira já teve aligeiradas as medidas de controlo na entrada, o que é de realçar. Ainda pela positiva, destaco a forma elevada como o jogo decorreu entre os adeptos, que culminou com a saída de todos em simultâneo no fim do jogo. Afinal, a rivalidade existiu dentro do período de jogo, mas antes e depois cada um seguiu o seu caminho, com elevação e vestindo da cor que mais gostava. É isto que deve ser preocupação dos governantes e de quem gere o futebol, de modo a tornar os estádios em locais seguros, onde se vai ver um espetáculo, com separação natural nas bancadas e em que tudo termina com o fim de jogo, em vez de andarem entretidos com cartões e cartõezinhos que não irão levar a lugar nenhum, pela simples razão de que os adeptos não querem.

      Pela negativa em Paços de Ferreira aponto, além do já referido cartão, as casas de banho que são próximo do miserável, onde não é possível sequer lavar as mãos depois de sair de lá, oferecendo condições deploráveis e que não se coadunam com os nossos tempos. É altura de resolverem esta situação amplamente negativa que existe naquele estádio.

      Uma nota final para o preço dos bilhetes, que em Paços de Ferreira voltou a ser de dez euros, mostrando que pode haver visão para além da cegueira ensaiada pelos dirigentes do futebol. É que os tempos de pandemia retiraram hábitos de frequência dos estádios e de pagamento de cotas, cuja tendência importa reverter. Ora, não é com preços absurdos ou exigências desproporcionadas na entrada dos adeptos que estes retomarão o seu lugar natural, ou que, pelo menos, parecia ser.

      As entidades (ir)responsáveis em Portugal estão a fazer muito mal ao futebol, algo que vejo com muita preocupação, e está na hora de alguém com lucidez conseguir parar esse caminho rumo ao abismo, onde pode vir a ser dado um passo em frente, de modo indesejado.



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