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      Entre Linhas e Botões
      Rodrigo Coimbra
      2021/06/07
      E0
      O "Entre Linhas e Botões" é um espaço de opinião do jornalista Rodrigo Coimbra. Por entre linhas soltas de pensamento e conversas francas com os meus botões nasce assim a vontade de que algumas dessas palavras vejam a luz do dia. Aqui vão elas...

      Penso nestas linhas enquanto faço a mala depois de uma semana em Liubliana, com passagem por Maribor a meio, onde estive a acompanhar a seleção portuguesa de sub-21 na fase final do Campeonato da Europa, desde o dia 31 de maio.

      Pego numa caneta e começo a escrever algumas notas. Rui Jorge tinha razão. Hoje ainda parece tudo baço. É difícil, muito difícil, olhar para trás e tentar fazer uma avaliação sobre o percurso da seleção portuguesa, sem que a análise comece e acabe no desfecho da final contra a Alemanha. De forma até algo inconsciente, é a primeira imagem que vem à cabeça.

      Perdemos. Sim, perdemos. Também me incluo nessas contas. Por muito que me digam que as emoções na minha profissão devem ficar em casa, ou neste caso no hotel, e que devo ser 100% profissional, esqueço-me logo disso tudo quando começo a ouvir o Hino Nacional. 

      É Portugal, sou português, com muito orgulho, e não consigo afastar-me disso. Mas, atenção, isso não me tolda o pensamento crítico. Ou seja, sou profissional do primeiro ao último minuto, mas ninguém me pode impedir de ficar feliz por ver uma equipa que represente o meu país a sair vitoriosa de um jogo. Impossível. Desculpem.

      Vivi, senti, como já não sentia há muito um jogo de futebol (sim, também tenho emoções, não sou um robô), confesso, nomeadamente as duas vitórias e esta última derrota. Um desaire que pôs fim a uma série histórica de 12 triunfos em jogos oficiais da seleção de esperanças, sob o comando técnico de Rui Jorge. Holanda, Inglaterra, Itália, Espanha passaram pelo caminho luso... Só para que se perceba a dimensão do feito.

      Uma enormidade que hoje parece não ter qualquer sabor. Mas que não deve ser esquecida. De todo. O que esta geração fez ao longo dos últimos anos é notável. Notável, repito. Vários campeões em diferentes categorias e que estiveram à porta de mais um título.

      E mereciam que a sorte estivesse do seu lado depois de uma fase de grupos imaculada, uma vitória sofrida, mas muito justa contra Itália (5x3 a.p.), nos quartos, e outra contra Espanha (1x0), nas meias, em que Portugal viu-se obrigado a abdicar da sua própria identidade para alcançar a vitória.

      Mais do que jogar muito bem, os jovens lusos mostraram uma consciência acima da média para perceber o jogo. Dignificaram o nosso país. A única coisa que não se percebe é como é que alguns deles têm tão poucos minutos somados em 2020/21 nos respectivos clubes. Merecia uma reflexão profunda.

      Bem, está na hora. Não tenho muito mais tempo. Acabo o rascunho, pouso a caneta, pego na mala que trouxe para sete dias, claro, e despeço-me de Liubliana. Sem o caneco, mas orgulhoso. Ainda não foi desta que os Sub-21 conseguiram o ouro, sendo esta a terceira final alcançada no escalão (1994, 2015 e 2021), mas estou convencido que um dia... Sim, um dia, venceremos.

      PS: Um obrigado ao Ricardo Lestre, meu companheiro nesta viagem incrível. Saímos daqui com a consciência de que demos o melhor de nós e isso, acredito eu, é o mais importante. Uma palavra também para todos os camaradas portugueses presentes em Liubliana, em especial ao Ricardo Granada, do Record, que esteve connosco durante todo o tempo. Se os jogadores portugueses mereciam o ouro, vocês, meus amigos, também. Até à próxima.



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