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      Joga Bonito
      Laurindo Filho
      2021/04/09
      E2
      “Joga Bonito” é uma coluna de opinião de um treinador-jornalista que acredita ser possível apresentar um futebol bem mais atractivo, apaixonante e entusiasmante do que aquele que se vê habitualmente em Portugal. E pasme-se, com o mesmo objectivo presente na cabeça de todos os treinadores, adeptos e restantes agentes desportivos nacionais: ganhar!

      …falamos muito sobre a falta de criatividade dos jogadores de hoje, mas falamos muito pouco acerca das razões que levam a esse fenómeno que cada vez mais empobrece o futebol.

      El Mago está certo e tem toda a razão. Algo que nem sempre acontece com o ser humano comum, mas que em Aimar faz todo o sentido dada a sua inteligência, personalidade e coerência.

      Como podemos esperar criatividade se, desde tenra idade e cada vez mais, os jovens atletas são confrontados com automatismos tácticos na sua formação de base? E, quando não é na formação de base, deparam-se com isso na sua formação complementar? Ou, em última instância e quando têm a sorte de passar ao lado das castrações tácticas na Formação, chegam aos Seniores e são incompreendidos?

      O mais curioso é que a culpa é nossa, da maioria dos agentes do Futebol. Porque a maioria ainda está imensamente mais preocupada com os resultados em si do que com o caminho (processo) que os podem levar aos mesmos. Porque a maioria ainda acredita que um possível título nos sub-9 ou sub-11 possa vir a ser uma rampa directa para a Liga dos Campeões. Porque a maioria ainda não percebeu como lidar com a criatividade de um jovem jogador dentro da sua ideia e do seu modelo de jogo.

      Além disso, a maioria ainda não percebeu que o erro faz parte do processo evolutivo e que sem erros não existe evolução. A maioria ainda não compreendeu que, o miúdo que aos 10 anos consegue ter sucesso 5 vezes em 10 tentativas, deve ser encorajado a melhorar, pois com o trabalho certo esse mesmo miúdo chegará aos Seniores com uma taxa de sucesso no 1x1 muito superior.

      A culpa é da maioria que ainda renega o que não compreende. Muitos treinadores ainda não perceberam que, muitas vezes, um jovem atleta vê coisas que nós não vemos e executa consoante essa visão. A culpa é da maioria que ainda inveja o que não compreende. Muitos Encarregados de Educação preferem anotar as perdas de bola do que exaltar os lances de magia que ajudaram a desbloquear o jogo. A culpa é da maioria que ainda não percebeu que o intuito da Formação é ensinar, dar bases e formar os jovens atletas, de modo a que os mesmos possam chegar aos Seniores nas melhores condições possíveis. A culpa é da maioria que ainda opta por ficar com jovens jogadores no plantel porque são menos dispendiosos e ajudam a “fazer número” para os treinos.

      Por isso é que Aimar tem razão. E não só tem razão como explica o que faz e faz o que explica nos seus treinos, com os jovens argentinos que lhes chegam às mãos. Basta pesquisar as entrevistas dadas pelo antigo maestro argentino para se perceber que assim o é.

      El Mago é coerente e a coerência é outra coisa que ainda falta ao Futebol. Muitos partilharam a entrevista de Aimar, mas quantos faze, de facto, treinos que não são automatizados e robotizados? Quantos resistem às pressões externas, de Directores, Investidores, Encarregados de Educação, dos resultados menos bem conseguidos?

      Falamos muito sobre a falta de criatividade no futebol, no quão previsível e organizado o mesmo se está a tornar, no quão difícil está a ser encontrar espaços e caminhos para o golo. Falamos muito, mas fazemos pouco.

      Essa é que a verdade. E assim continuará a ser, a menos que alguém dê o primeiro passo e se imponha perante aquilo que está à vista de todos, mas que muito poucos ousam assumir: temos e somos uma cultura resultadista e imediatista e valorizamos muito mais o produto final do que o processo que nos leva ao mesmo. Entre ganhar de qualquer maneira (mesmo que seja sem saber ler nem escrever) ou ganhar porque se fez o que se trabalha e perder porque não se fez o que se trabalha (a linearidade desta afirmação é discutível, mas uma equipa que saiba o porquê de ganhar e perder para lá do chavão “porque marcámos mais um golo ou porque sofremos mais um golo” é uma equipa bem orientada) existe uma diferença tão grande e abismal como as Fossas Marianas.

      Aimar tem razão…e tão bom seria se assim não fosse…



      Comentários (1)
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      motivo:
      Cruzes credo
      2021-04-09 10h20m por crashbandicoot
      Há parágrafos que estão repetidos 2 e 3 vezes. . .
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