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      A preto e branco
      Luís Cirilo Carvalho
      2020/09/20
      E1
      "A Preto e Branco” é uma coluna de opinião que procurará reflectir sobre o futebol português em todas as suas vertentes, de uma forma frontal e sem tibiezas nem equívocos, traduzindo o pensamento em liberdade do seu autor sobre todas as questões que se proponha abordar.
      Disputada a primeira jornada da Liga, constatados os primeiros resultados, é ainda cedíssimo para fazer qualquer tipo de comentário ou tirar algum tipo de ilacção sobre o que poderá ser esta época de 2020/2021.
       
      Ainda é cedo.
       
      Por isso preferi comentar alguns aspectos laterais, digamos assim, mas que fazem parte de um grande todo que é o próprio campeonato em si.
       
      Comecemos pelos equipamentos que equipas e árbitros usarão na presente liga. Já sobre o assunto tenho falado muitas vezes, já sobre ele tenho escrito haver um excesso de regulação por parte da Liga ao querer ser ela a decidir que equipamento cada equipa usa em cada jogo como visitante (e às vezes desconfio que como visitados também), já por várias vezes referi que isso devia ser deixado a cargo exclusivamente dos clubes como durante décadas aconteceu sem que isso tenha impedido que alguma vez um jogo deixasse de se realizar por confusão de equipamentos. Percebo que os burocratas da Liga, armados em estilistas, sejam insensíveis ao significado da cor das camisolas para os adeptos, ao simbolismo que elas encerram, à longa tradição que se construiu com base no confronto de cores e no que a camisola significa de paixão e de afinidade do adepto com o seu clube. Também percebo e defendo, naturalmente, a existência de equipamentos alternativos para diferenciarem as equipas nalguns jogos (Vitória x Farense, Braga x Santa Clara, Portimonense x Nacional são apenas alguns exemplos) e também para aumentarem as receitas oriundas do merchandising com a venda de dois ou três equipamentos por época que precisam de ser mostrados em jogo para despertarem o interesse dos adeptos na sua aquisição. Isso é uma coisa e deve existir com parcimónia, mais como excepção do que como regra, para que a verdadeira “pele” de cada equipa não seja desvirtuada com a consecutiva utilização de outras “peles”.
      Agora definir como regra, sem respeito pela tradição de alguns jogos clássicos e sem necessidade de diferenciação, o uso do segundo equipamento em todos os jogos fora é um disparate e não serve os interesses do futebol e nesta primeira jornada já tivemos dois exemplos disso: Em Famalicão, com a equipa local a jogar toda de branco, o Benfica apareceu todo de preto quando a tradicional camisola vermelha asseguraria a distinção de cores necessária. No “Dragão”, com o Porto a jogar com o tradiconal azul e branco, viu-se o Braga todo de azul, embora noutra tonalidade (e também aqui a tradicional camisola vermelha garantiria a
      diferenciação), e para cúmulo o trio de arbitragem apareceu também ele de azul embora em tons claros.
       
      Se alguém me conseguir explicar a lógica disto, especialmente do jogo no Dragão com as três equipas de azul, fico muito agradecido.
       
      Segunda nota para a também velha questão de o mercado apenas encerrar quase duas semanas depois do início da Liga, o que permite que jogadores que começam a prova num clube a venham a continuar noutro depois de disputadas apenas duas ou três jornadas.
      Como por acaso um dos jogadores envolvidos numa situação dessas ser o ainda famalicense Toni Martinez, que jogou pelo Famalicão contra o Benfica apesar de estar, ao que se diz, a caminho do Porto deu logo origem a alguma polémica com a habitual troca de acusações entre os dois clubes que parecem definitivamente empenhados em dar cabo da paciência de todos quantos estão fartos até aos cabelos das suas guerras e guerrinhas a propósito de tudo e quase sempre de nada.
       
      A verdade é que situações como essa têm ocorrido com alguma regularidade e parece-me que em nada contribuem para a clareza de processos e procedimentos que o futebol exige, para lá de deixarem os jogadores numa situação motivacional difícil porque por mais que apelem ao seu profissionalismo a verdade é que estão a jogar por um com os olhos e as ambições postos noutro.
       
      Por isso me parece claro que é mais que tempo de a UEFA intervir nesta questão, já que as Ligas nacionais parece não terem a coragem necessária a afrontar alguns interesses poderosos e definir que a janela de transferências de cada campeonato se encerra vinte e quatro horas antes do primeiro jogo do mesmo e só poderá reabrir em janeiro. É o que defende o futebol embora possa não defender alguns clubes nem a nuvem de empresários que em torno deles gravita. 
       
      Uma terceira e última nota para deplorar a forma leviana como ao serviço do futebol se usam alguns termos que nele, salvo situações verdadeiramente excepcionais, não me parecem ter qualquer cabimento. Já se conhecia a facilidade absurda com que se chama “herói” a quem marca um golo, decide um jogo, faz uma grande exibição como se heroismo tivesse algo a ver com lances de futebol e não com valores muito mais importantes, muito mais elevados, que implicam o valor supremo da Vida e não os pontos ganhos num jogo ou um troféu ganho numa competição. Agora parece estar na moda o termo “traição” usado em relação a jogadores que marcam golos a equipas que serviram no passado como se isso fosse algo de incomum a merecer a censura de um acto vil e não apenas um mero lance de um jogo de futebol onde “traição” (e mesmo neste contexto não gosto do termo) seria não servir da melhor forma quem lhe paga ao fim do mês. E nesta jornada já houve dois exemplos disso. No Vitória x Belenenses SAD, com o golo do triunfo dos azuis a ser apontado pelo ex-vitoriano Cafu Phete, e no FC Porto x Braga, com o golo do Braga a ser rubricado pelo ex-portista André Castro.
       
      E como ambos os jogadores numa atitude de respeito pelos anteriores clubes não festejaram os golos logo vieram alguns jornalistas de pena fácil falar de “traição” confundindo conceitos e trazendo para o futebol terminologias que em nada o servem.
      Disputada a primeira jornada da Liga, constatados os primeiros resultados, é ainda cedíssimo para fazer qualquer tipo de comentário ou tirar algum tipo de ilacção sobre o que poderá ser esta época de 2020/2021.
       
      Ainda é cedo.
       
      Por isso preferi comentar alguns aspectos laterais, digamos assim, mas que fazem parte de um grande todo que é o próprio campeonato em si.
       
      Comecemos pelos equipamentos que equipas e árbitros usarão na presente liga. Já sobre o assunto tenho falado muitas vezes, já sobre ele tenho escrito haver um excesso de regulação por parte da Liga ao querer ser ela a decidir que equipamento cada equipa usa em cada jogo como visitante (e às vezes desconfio que como visitados também), já por várias vezes referi que isso devia ser deixado a cargo exclusivamente dos clubes como durante décadas aconteceu sem que isso tenha impedido que alguma vez um jogo deixasse de se realizar por confusão de equipamentos. Percebo que os burocratas da Liga, armados em estilistas, sejam insensíveis ao significado da cor das camisolas para os adeptos, ao simbolismo que elas encerram, à longa tradição que se construiu com base no confronto de cores e no que a camisola significa de paixão e de afinidade do adepto com o seu clube. Também percebo e defendo, naturalmente, a existência de equipamentos alternativos para diferenciarem as equipas nalguns jogos (Vitória x Farense, Braga x Santa Clara, Portimonense x Nacional são apenas alguns exemplos) e também para aumentarem as receitas oriundas do merchandising com a venda de dois ou três equipamentos por época que precisam de ser mostrados em jogo para despertarem o interesse dos adeptos na sua aquisição. Isso é uma coisa e deve existir com parcimónia, mais como excepção do que como regra, para que a verdadeira “pele” de cada equipa não seja desvirtuada com a consecutiva utilização de outras “peles”. Agora, definir como regra, sem respeito pela tradição de alguns jogos clássicos e sem necessidade de diferenciação, o uso do segundo equipamento em todos os jogos fora é um disparate e não serve os interesses do futebol e nesta primeira jornada já tivemos dois exemplos disso: Em Famalicão, com a equipa local a jogar toda de branco, o Benfica apareceu todo de preto quando a tradicional camisola vermelha asseguraria a distinção de cores necessária. No “Dragão”, com o Porto a jogar com o tradiconal azul e branco, viu-se o Braga todo de azul, embora noutra tonalidade (e também aqui a tradicional camisola vermelha garantiria a diferenciação), e para cúmulo o trio de arbitragem apareceu também ele de azul embora em tons claros. Se alguém me conseguir explicar a lógica disto, especialmente do jogo no Dragão com as três equipas de azul, fico muito agradecido.
       
      Segunda nota para a também velha questão de o mercado apenas encerrar quase duas semanas depois do início da Liga, o que permite que jogadores que começam a prova num clube a venham a continuar noutro depois de disputadas apenas duas ou três jornadas. Como por acaso um dos jogadores envolvidos numa situação dessas ser o ainda famalicense Toni Martínez, que jogou pelo Famalicão contra o Benfica apesar de estar, ao que se diz, a caminho do Porto, deu logo origem a alguma polémica com a habitual troca de acusações entre os dois clubes que parecem definitivamente empenhados em dar cabo da paciência de todos quanto estão fartos até aos cabelos das suas guerras e guerrinhas a propósito de tudo e quase sempre de nada.
       
      A verdade é que situações como essa têm ocorrido com alguma regularidade e parece-me que em nada contribuem para a clareza de processos e procedimentos que o futebol exige, para lá de deixarem os jogadores numa situação motivacional difícil porque por mais que apelem ao seu profissionalismo a verdade é que estão a jogar por um com os olhos e as ambições postos noutro.
       
      Por isso me parece claro que é mais que tempo de a UEFA intervir nesta questão, já que as Ligas nacionais parece não ter a coragem necessária a afrontar alguns interesses poderosos e definir que a janela de transferências de cada campeonato se encerra vinte e quatro horas antes do primeiro jogo do mesmo e só poderá reabrir em janeiro. É o que defende o futebol embora possa não defender alguns clubes nem a nuvem de empresários que em torno deles gravita. 
       
      Uma terceira e última nota para deplorar a forma leviana como ao serviço do futebol se usam alguns termos que nele, salvo situações verdadeiramente excepcionais, não me parecem ter qualquer cabimento. Já se conhecia a facilidade absurda com que se chama “herói” a quem marca um golo, decide um jogo, faz uma grande exibição como se heroismo tivesse algo a ver com lances de futebol e não com valores muito mais importantes, muito mais elevados, que implicam o valor supremo da Vida e não os pontos ganhos num jogo ou um troféu ganho numa competição. Agora parece estar na moda o termo “traição” usado em relação a jogadores que marcam golos a equipas que serviram no passado como se isso fosse algo de incomum a merecer a censura de um acto vil e não apenas um mero lance de um jogo de futebol onde “traição” (e mesmo neste contexto não gosto do termo) seria não servir da melhor forma quem lhe paga ao fim do mês. E nesta jornada já houve dois exemplos disso. No Vitória x Belenenses SAD, com o golo do triunfo dos azuis a ser apontado pelo ex-vitoriano Cafu Phete, e no FC Porto x Braga, com o golo do Braga a ser rubricado pelo ex-portista André Castro.
       
      E como ambos os jogadores, numa atitude de respeito pelos anteriores clubes, não festejaram os golos logo vieram alguns jornalistas de pena fácil falar de “traição”, confundindo conceitos e trazendo para o futebol terminologias que em nada o servem.
       
      São apontamentos laterais a esta primeira jornada, como escrevi no início, mas que creio fazerem algum sentido.


      Comentários (1)
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      motivo:
      TI
      Será?!?!
      2020-09-21 12h56m por ti_maria_69
      Primeiro artigo deste "senhor" sem alarvidades!!!

      Será para continuar? Ou este é a excepção que confirma a regra?

      Aguardemos. . .
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