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        O Caldeirão
        Rodrigo Correia
        2020/05/21
        E2
        “O Caldeirão” é uma coluna de opinião onde serão “cozinhados” temas relativos ao futebol português, tentando descentralizar o foco dos mesmos três clubes. Os “ingredientes” deste espaço serão, naturalmente, verde-rubros, apresentando contudo imparcialidade e respeito por todos os outros emblemas.

        Confesso estar já com saudades de ver futebol. Dois meses confinado em casa, sem poder ver vinte e dois homens atrás de uma bola, é muito tempo.

        Aparentemente, estamos a duas semanas do recomeço do futebol profissional em Portugal; aliás, da 1ª liga, pois a 2ª não tem condições para tal, alegam as entidades. Neste desporto, no nosso país, é muito comum termos “dois pesos e duas medidas” no que toca a resoluções de assuntos, não se percebendo, de todo, o porquê de as duas ligas não terem o mesmo desfecho. Porque não se disponibilizou o fundo de apoio financeiro da federação e da liga aos “clubes de segunda”, com o propósito de se dotar os estádios de modo a que todos os intervenientes pudessem concluir o campeonato em segurança?

        Será sensato promover duas equipas na secretaria (apesar de estarem justamente nos dois primeiros lugares) enquanto duas outras são relegadas da 1ª para a 2ª liga, jogando o campeonato até ao final? E o que dizer do Feirense, que estava a seis pontos do 2º classificado?

        Qualquer que fosse a decisão, traria, invariavelmente, injustiças para alguns clubes. A opção tomada não deverá ser a mais consensual, mas será a que tem mais interesses na cúpula do futebol, que é, quer queiramos quer não, quem tem mais influência nas principais decisões na indústria. Será que o futebol seria retomado se o 1º classificado (independentemente do clube) tivesse uma vantagem de uns 12 pontos?

        Compreendo as preocupações económico-financeiras dos clubes - seria catastrófico para muitos deles devido à dependência dos montantes dos direitos televisivos. No entanto, alguma solução teria de ser encontrada para minimizar esse impacto, pois, no meu entender, não há condições para a retoma do futebol: a verdade desportiva está totalmente adulterada.

        A criatividade e a união entre os clubes teriam de se sobressair e, quem sabe, ajudar na reformulação e renovação do futebol português.

        O Marítimo tem estado muito presente nas notícias das últimas semanas (só sendo polémico é que os clubes pequenos conseguem ser ouvidos):

        1- Intransigência em jogar os jogos caseiros no seu estádio, ameaçando com impugnação do campeonato.

        Neste assunto, o Presidente Carlos Pereira está de parabéns pois o Marítimo, tendo um estádio novo, de nível 1, não poderia jogar noutro local que não a sua fortaleza. Se a DGS assim o permitiu é porque as condições de segurança estão aprovadas, quer do estádio quer da deslocação dos adversários. A revolta dos adeptos é muita: “Oxalá que desçam de divisão”; “Vejam o exemplo do Santa Clara”; “Quem paga os aviões charter das equipas que vão para a Madeira?”. Meus amigos, aquilo que o Marítimo fez foi, apenas e só, defender os seus interesses e jogar no seu estádio, na sua região. Não há egoísmo nesta posição. Seria justo a equipa ficar confinada dois meses num hotel no continente, sem que os jogadores pudessem ver a sua família durante este período? Quem iria pagar o avião charter? E estadia? O Santa Clara vai sair dos Açores pois o seu estádio não tem as condições exigidas.

        O que eu continuo a discordar é o facto de alguns clubes não poderem jogar no seu estádio: ou jogam todos no seu campo ou jogam todos em terreno neutro.

        2- Impugnação da 2ª liga de futebol.

        Inversamente ao ponto anterior, neste, o Presidente Carlos Pereira esteve mal e os adeptos maritimistas não se revêem neste tipo de atitudes. Por mais que se tente justificar, o Marítimo não ganha diretamente com esta decisão. É apenas para dar mais uma alfinetada no Nacional e tentar que não suba na secretaria. Ou, numa teoria mais rebuscada, tentar que a 1ª liga seja igualmente cancelada, evitando puxar pela calculadora nestas jornadas finais, na luta pela permanência (que deveria ser evitada através de um planeamento de época digno de um clube como o Marítimo).

        Por mais que gostemos de ver o grande rival numa divisão abaixo, a verdade é que todos nós temos amigos ou familiares que são adeptos alvi-negros, e acabamos por sentir falta dos dérbis, das piadas e das “bocas” próprias de uma rivalidade saudável entre aficionados. O futebol é isto.

        Já é tempo de Marítimo e Nacional se unirem em prol da região e pararem com estas desavenças presidenciais. Pois, daquilo que eu vejo, isto não é mais que uma disputa pessoal de egos. O Marítimo não é Carlos Pereira nem o Nacional é Rui Alves. São (muito) mais que isso.



        Comentários (2)
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        motivo:
        (falava do Varzim)
        2020-05-23 23h10m por carlos_batuta
        QUe chegou a aproximar-se do Aves, no ano em que Aves e Portimonense do Vítor Oliveira se destacaram muito cedo. . .
        1ª Liga segue, 2ª Liga pára
        2020-05-21 22h55m por carlos_batuta
        Entendo. A manutenção da segunda liga requeria duplicar a despesa em termos de testes, e organização.
        As receitas que adviriam dos patrocinadores e da televisão não iriam conseguir cobrir esta despesa.
        Os campeonatos não são iguais.

        Apesar da recuperação do Feirense, a verdade é que ainda estava a 6 pontos. É muito ponto. Na 2ª Liga é muita fruta.
        O Nacional e o Farense após algumas jornadas a perder pontos, acabaram por não quebrar. Nesta Liga, j...ler comentário completo »
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