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        A Coluna é do Cavani
        A Culpa é do Cavani
        2020/05/20
        E0
        A Coluna é do Cavani é o espaço de opinião sobre e à volta do FCP, dinamizado pelos podcasters responsáveis por “A Culpa é do Cavani”, o podcast de referência do universo portista. Publica-se à terça-feira, semana sim, semana não.

        Mudo frequentemente de opinião. Não sou uma pessoa minimamente coerente. Se vejo que algo que penso está errado ou simplesmente não faz sentido, assumo-o e mudo de posição. Simples.

        No assunto do regresso do futebol, estive fervorosamente contra. Achei que era um perigo para a saúde dos atletas e de todos os envolvidos. Achei que era insano recomeçar. E depois vi o combate da UFC entre Tony Ferguson e Justin Gaethje. Todas as medidas de precaução asseguradas, todos de máscara e luvas, menos os lutadores, tudo normal. E depois vi um bocadinho do Dortmund contra o Schalke. Tudo normal. Estou errado.

        Pode até ter sido que nunca tenha sido por causa disso. Assumo, não estou ansioso pela volta do futebol. E não, não é porque esta crise “me mudou profundamente” ou eu “vi uma luz especial”. Nada disso.

        Não é porque descobri mais arte ou cultura, não é porque o desporto é irrelevante – não é! – não é porque agora me dedico apenas a análises das curvas S ou de números que muitas vezes não sei nem conheço.

        Também não é pela falta de público nos estádios. Não é ideal, falta envolvência, mas não é como se faltassem as balizas. Não é porque “mata o futebol” ou porque “espectáculos sem público não servem o grande propósito”. Não é. Mais vale funcionar não idealmente do que não funcionar de todo. Em qualquer área.

        É egoísmo, puro, simples e duro. Não estou particularmente entusiasmado com este FC Porto. Nem estou com o que resta da competição. Nem com os seus intervenientes. Não me sinto suficientemente envolvido para estar com ansiedade.

        O meu grande prazer era a minha porta, os meus amigos, o meu hamburger no fim, a discussão de irrelevâncias totais que faziam a pausa para respirar que precisava na minha vida. Não existe e creio que não haverá tão cedo, por razões atendíveis.

        O mais certo é que eu vá mudar de opinião, porque não vou fazer de conta que não vou ver todos os jogos do brasão abençoado. Que não vou vibrar com todos os golos ou correr todo o meu léxico vernacular quando algo não sair de feição. Porque vou.

        Mas, por enquanto, o estranho não me dá borboletas no estômago. Não me motiva. Não me deixa em pulgas.

        É só tudo muito meh.



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