Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência
Hugo Martins
2019/12/03
E0
«Lembro-me de ver futebol quando era criança. Gostei e continuei a ver, mas não da mesma forma. Hoje, olho para o futebol de uma maneira séria - táticas e tal - e de uma maneira irónica, tal como olho para a vida. No fundo é a mesma coisa. A minha vida é isto e o melhor é mesmo não me levarem a sério, afinal, vamos todos falecer»
Três, dois, um... Feliz ano novo!
 
Daqui a uns meses será assim. Uns com passas (ainda hoje acho que isto foi um negócio inventado pelo lobby das passas) na mão, outros em cima de cadeiras e outros com um grau de embriaguez tão alto que não sabem bem qual o ano que acabou de começar. Depois há o meu caso. O meu e o de outros.
 
2020. Mais um ano que chega, mais um que passou. Futebol. Pode ser estranho para muitos pensar neste desporto numa noite de reveillon que por norma ainda tem muitas horas de histórias para recordar (ou esquecer) nos meses seguintes, mas desta vez é diferente.
 
Se a perda de cabelo me preocupa, não posso deixar de a associar ao stress do que o futuro nos reserva. Sim, o ambiente, a crise de valores que vamos vendo pelo mundo fora é terrível, mas há mais dois motivos para inquietação, com 11 Bolas de Ouro a explicar aquilo que sinto.
 
Um ano que chega, um que passou e o fim cada vez mais perto. Messi, aquele pé esquerdo de um pequeno demónio que viajou até nós de uma nave espacial que se diz vir da Argentina. Cristiano Ronaldo, um miúdo com sotaque madeirense que pelos vistos andava pelo McDonald's a cravar cheeseburguers e que mostrou que a fast food pode trazer benefícios.
 
Se naqueles tempos ainda poucos tinham ouvido falar de Messi e os dentes de Ronaldo não eram tão perfeitos, ao entrar em 2020 daríamos tudo para voltar a ver os dentes do português naquele estado enquanto aquele pequeno argentino pisava o relvado do Estádio do Dragão com apenas 17 anos. Seria o começo de uma era e não o fim.
 
Corrijo, este vai ser o começo de uma nova era. Estão cá Mbappé, Jadon Sancho, Alexander-Arnold, João Félix e tantos outros, mas o futebol nunca mais será o mesmo. É o começo de uma era sem os dois maiores de sempre.
 
As discussões nas redes sociais vão diminuir, é certo, e isso até pode ser o único ponto positivo de toda esta história que se aproxima do fim. Depois de vermos, ano após ano, episódios memoráveis de duas figuras que na entrada para 2030 quase vão parecer mitológicas, não haverá discussões.
 
Vamos simplesmente falar com os míudos tal como os nossos pais falaram connosco sobre outras lendas do futebol. Maradona, Pelé, Eusébio, Cruyff. Outros tempos. Tempos que já passaram.
 
Cristiano e Messi estão prestes a chegar ao Olimpo. O português nunca se poupou tanto em toda a carreira, o argentino já fala no fim. Não dá mesmo para prolongar este mês de dezembro? Era capaz de comer 12 passas para ver esse desejo concretizado.
 
Ok, talvez não fosse tão longe.


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