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A preto e branco
Luís Cirilo Carvalho
2019/01/09 10:50
E2
"A Preto e Branco” é uma coluna de opinião que procurará reflectir sobre o futebol português em todas as suas vertentes, de uma forma frontal e sem tibiezas nem equívocos, traduzindo o pensamento em liberdade do seu autor sobre todas as questões que se proponha abordar.

A saída de Rui Vitória do Benfica, além de ser o facto mais previsível na actualidade do futebol português, é também uma novela que se vinha arrastando desde a época passada e que se acentuou quando o desejado penta campeonato não foi conquistado.

Rui Vitória, um treinador competente, culto, extremamente bem educado e de um nível claramente superior à média que por aí que se vê por aí, nunca foi um técnico amado no clube a que deu vários títulos.

O seu estilo de comunicar, a elegância que sempre prezou exibir, a recusa de entrar em “peixeiradas” tão ao gosto de alguns adeptos - mas que apenas prejudicam o futebol - foi sempre um fator de atrito com um setor de adeptos que preferia claramente o estilo Jorge Jesus, cuja saída do clube deixou abertas feridas que ainda hoje estão por sarar, como se constata através da novela de escolha do novo treinador encarnado.

Acresce a isso, a esse estilo urbano de Rui Vitória mal digerido por apreciadores de outros estilos, (mais a fugir para  o fato de treino e a chinela) o facto da qualidade do plantel do Benfica ter vindo a piorar de forma clara ano após ano, com os jogadores transferidos por bastantes milhões a não serem substituídos por jogadores de idêntico valor e capazes de proporcionarem à equipa uma estabilidade em contínuo.

Bastará lembrar nomes como Aimar, Saviola, Cardozo, Ederson, Renato Sanches, Bernardo Silva, Nélson Semedo, Matic, Gonçalo Guedes, Lindelof, entre outros para se constatar que Jorge Jesus teve sempre melhores jogadores e melhor plantel que Rui Vitória, mas sem que os resultados tenham sido superiores face ao tempo que cada um orientou o clube.

Factos são factos.

E por isso quando os resultados, condizentes com a realidade do clube em termos de valia do plantel, criaram uma contestação cada vez maior nos adeptos que viam o FC Porto a distanciar-se no comando da Liga e Braga e Sporting a discutirem taco a taco o segundo lugar com o Benfica, a saída do “bode expiatório” tornou-se perfeitamente inevitável até por vontade (é a minha convicção) do próprio treinador, farto de andar no arame sem rede.

Entendendo-se como rede a protecção e solidariedade que o próprio presidente do Benfica, vendo ou deixando de ver luzes inspiradoras, já não estava em condições de lhe dar face ao clima pré-eleitoral que se vive já para os lados do Estádio da Luz.

Rei morto rei posto.

E agora a novela orienta-se para o sucessor do treinador que foi embora.

Área essa que os jornais desportivos adoram, porque a incerteza “vende” e a especulação atrai sempre a atenção de adeptos naturalmente ansiosos por saberem quem será o próximo treinador do clube.

Pena é que essa adoração dos jornais desportivos os leve por caminhos invíos, ora especulando com o nome de treinadores que estão a trabalhar em Portugal (um dos quais que não por acaso tem dois jogos com o Benfica na próxima semana, num papel deplorável a que alguns jornalistas se prestam...), ora atirando para as primeiras páginas com nomes simplesmente impossíveis para a realidade do Benfica e do próprio futebol português.

É o caso de José Mourinho.

Que terá o seu futuro num grande clube europeu, provavelmente até no país vizinho, e que não está seguramente interessado em regressar a Portugal para treinar o Benfica (ou qualquer outro clube) que não faz parte dessa elite europeia onde o treinador quer continuar a trabalhar.

Jorge Jesus?

Acredito que é uma hipótese que agrade muito ao presidente do Benfica e a uma parte dos adeptos, pela óbvia razão de que é um excelente treinador, que deu muitos títulos ao clube, mas existe também uma outra corrente que se opõe ferozmente ao seu regresso. E caso os resultados não correspondessem no imediato provocaria fracturas ainda maiores num universo associativo que se pressente dividido.

Então quem?

Pode sempre haver uma surpresa, como é normal no futebol, mas se tivesse de apostar num nome poria as “fichas” em Rui Faria.

Está disponível, é o mais parecido que se arranja com Mourinho, há a expectativa de que repita o percurso do próprio Mourinho quando passou a treinador principal depois da aprendizagem com Bobby Robson. E existe o exemplo de André Villas Boas a dar força à opção.

É certo que são pessoas diferentes, a história nem sempre se repete, mas acredito que tentação é tão forte que Rui Faria será o próximo senhor do banco da Luz.

 

P.S. Ah, é verdade, e Jorge Mendes também gostará que assim seja.



Comentários (2)
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motivo:
Luis Cirilo Carvalho
2019-01-09 11h26m por otario007
Se o RV se podia queixar do plantel no ano passado, neste ano não tem nada com que se queixar, plantel mais completo em Portugal e mesmo assim futebol deplorável. A história não prevê o futuro, e se é verdade que o RV nos deu muito, a realidade é que já andamos à anos com futebol horrível sem amostras de melhoria. Veio o presidente cá fora a dar um voto de confiança ao RV, e o que é que acontece? Faz um bom jogo e voltam às vitórias à rasca sem jogar o suficiente para as merecer.
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SO
Luis Cirilo Carvalho
2019-01-09 11h04m por sofintas
Muito bem nos cinco primeiros parágrafos.
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