Invencibilidade: Argentina está prestes a bater recorde histórico

14/10/2022

A seleção de futebol da Argentina está a três vitórias de assumir um recorde simbolicamente muito importante: a maior sequência de jogos sem perder de sempre (na categoria de seleções nacionais). Com a vitória sobre a Jamaica por 3-0, no segundo dos dois jogos particulares disputados em setembro, a lista de jogos sem perder da equipa albiceleste cresceu para 35.

Três são também, como se sabe, os jogos da fase de grupos do Mundial de Futebol no formato atual. Isto significa que, se a equipa de Lionel Messi não perder nenhum dos três jogos que tem pela frente no grupo C do Mundial de futebol do Qatar, que começa no próximo mês de novembro, baterá um recorde que pertence atualmente à Itália, com 37 jogos sem perder.

Itália: recorde ainda fresco

Os transalpinos iniciaram esta série bem-sucedida a 10 de outubro de 2018, com um empate contra a Ucrânia em jogo particular. Só conheceram o sabor da derrota quase três anos depois, a 6 de outubro de 2021, nas meias-finais da Liga das Nações, em derrota contra a Espanha por 2-1. Foi também, de acordo com o site da UEFA, a primeira derrota em casa dos italianos desde 1999, em jogos oficiais.

O recorde havia pertencido anteriormente, ex aequo, a Brasil e Espanha, com os “irmãos brasileiros” a estabelecerem-no em 1996 e “nuestros hermanos” a igualarem-no em 2009.

O que esperar da Argentina na fase de grupos?

Os amantes de futebol em geral e de estatísticas em particular vão dedicar atenção extra aos três jogos que a equipa treinada por Lionel Scaloni tem pela frente. Ainda que para os próprios jogadores talvez a estatística não seja tão importante como o objetivo último de vencer o mundial, para quem assiste é diferente. Nomeadamente para os fãs de apostas desportivas, que têm na análise estatística a fonte principal da melhor informação que pode orientar os seus prognósticos e palpites.

Arábia Saudita

A Argentina irá defrontar a Arábia Saudita a 22 de novembro, no Iconic Stadium de Losail. A equipa saudita é orientada por Hervé Renard, cuja carreira já de 23 anos de treinador oscila principalmente entre equipas francesas do meio da tabela da Ligue 1 e várias seleções africanas. Antes de chegar a Riade em 2019, orientou a seleção de Marrocos.

Em 2021 disputou a Taça das Nações Árabes, competição oficial (agora sob a égide da FIFA) reunindo seleções do Médio Oriente e do Magrebe, cuja fase final foi disputada por 16 equipas divididas em quatro grupos, com os dois primeiros de cada grupo a passar aos quartos de final. Os sauditas empataram com a Palestina e perderam com a Jordânia e Marrocos, marcando apenas um golo e sendo eliminados na fase de grupos.

Os quatro jogos de preparação resultaram em derrotas contra Colômbia e Venezuela e empates contra Equador e Estados Unidos.

A Arábia Saudita está no 51.º lugar do ranking da FIFA, imediatamente acima da Grécia e da Roménia. Todos os seus jogadores disputam o campeonato saudita, que não é reconhecido como sendo dos mais competitivos. Não se espera, portanto, que esta seja uma seleção que crie dificuldade aos albicelestes.

México

O México é o mais forte candidato a incomodar a Argentina na fase de grupos. 13.ª do ranking da FIFA, a equipa é treinada por Gerardo Martino, que passou pelo Barcelona em 2013-14. Apesar do favoritismo, os mexicanos empataram com a Jamaica na luta pela passagem à fase final da Liga das Nações (CONCACAF) que se disputa em junho de 2023, e precisarão de se superiorizar de novo aos jamaicanos para lograr esse objetivo. Três jogos de preparação recentes resultaram em derrotas contra Paraguai e Colômbia e uma vitória sobre o Peru.

O México é tradicionalmente uma “surpresa/sensação” nos Mundiais, e um empate contra a Argentina será possível. Já uma vitória, será mais complicado. A Argentina enfrenta os mexicanos a 26 de novembro, de novo no Iconic Stadium.

Polónia

Finalmente, a 30 de novembro os argentinos defrontam a Polónia no Stadium 974, em Doha. A seleção polaca é orientada por Czesław Michniewicz, técnico com quase 20 anos de experiência em diferentes equipas da Polónia e com dois títulos de campeão polaco no currículo. Mas a estrela da companhia é sem dúvida o avançado Robert Lewandowski, que dispensa apresentações.

Os polacos estão no 26.º lugar do ranking da FIFA. Os jogos contra Bélgica e Países Baixos para a Liga das Nações produziram poucos resultados (apenas um ponto), mas trata-se de adversários de peso. Por outro lado, contra o País de Gales, a Polónia obteve duas competentes vitórias. Além disso, Lewandowski já leva 15 golos esta época, contabilizando todos os jogos em todas as competições (Polónia e Barcelona). A Argentina é favorita, mas com uma odd mais alta que contra a Arábia Saudita.

Quais são as odds para a Argentina se sagrar Campeã do Mundo de futebol em 2022?

As probabilidades sugerem que a Argentina tem todas as condições para assumir o recorde de invencibilidade. No pior dos cenários, poderá conseguir uma vitória e dois empates, mas espera-se que concretize sete pontos ou até os nove pontos correspondentes a três vitórias.

Estando no terceiro lugar do ranking de seleções da FIFA, a Argentina é naturalmente ums das mais fortes candidatas à vitória final. As odds sugeridas por casas de apostas internacionais apontam neste sentido. O jornal britânico Telegraph relatou que a Bet365 dava à Argentina probabilidades de 7/1 (correspondendo a uma odd decimal de 8,00 e com uma probabilidade de 12,5%), sendo a terceira mais alta, atrás de Brasil e França e ex aequo com a Inglaterra.

O site The Athletic apresentou prognósticos muito semelhantes, igualmente com o Brasil no primeiro lugar, a França em segundo e a Argentina em terceiro, agora com odds um pouco mais favoráveis dos albicelestes em relação à Inglaterra.

Nestas contas estranha-se a ausência da Bélgica, 2.ª classificada do ranking da FIFA desde há algum tempo. Porém, os belgas têm mantido esta posição em parte devido ao sistema de cabeças de série, que ajuda os favoritos a somar pontos. Nos jogos decisivos e de alto nível, a Bélgica ainda não conseguiu uma série consistente – como se viu na recente derrota contra os vizinhos Países Baixos por 1-0.

Lionel Messi já anunciou que este será o seu último Mundial de futebol. Talvez as possibilidades de o coletivo argentino se inspirar ao mais alto nível para conseguir um feito histórico sejam realmente de considerar.