Grande Prémio da Hungria 2022, Fórmula 1: Dicas de apostas

28/07/2022

Espera-se uma tarde quente e de sol, como quase sempre acontece no Grande Prémio no circuito de Hungaroring, nos arredores de Budapeste, disputado em julho ou agosto ininterruptamente desde 1986. A corrida anterior, em Paul Ricard (França) representou um golpe duríssimo para as aspirações de Charles Leclerc e da Ferrari, em ambos os campeonatos. Conseguirá Leclerc ensaiar uma resposta à altura?

Analisemos em seguida o que se pode esperar da próxima corrida, bem como as circunstâncias a orientar os seus prognósticos e apostas em Fórmula 1.

Análise das equipas

O vice-campeão de 2008 e histórico piloto da Ferrari, o brasileiro Felipe Massa, tinha previsto que as corridas de França e Hungria seriam teoricamente favoráveis à equipa italiana. O F1-75 deveria ser o “alvo a abater” em termos de performance pura em dois circuitos polvilhados de curvas de média e baixa velocidade, pesem as três sólidas retas do circuito francês contra a tímida reta da meta húngara.

A previsão confirmou-se. Leclerc mostrou-se sólido durante os treinos livres e, apesar da ajuda de Sainz, é provável que tivesse feito a “pole position” de qualquer forma. Na corrida, o monegasco liderava quando saiu de pista, enquanto Sainz recuperou com firmeza até ao 5º lugar final, depois de partir do fim da grelha.

Apesar do erro que Leclerc assumiu e de mais uma confusão estratégica quanto ao final da corrida de Sainz, ficou aparente que a Ferrari tinha performance para vencer a prova, pelo que deverá surgir novamente bastante forte em Budapeste.

A Mercedes ficou “chocada”, nas palavras de Hamilton, com a diferença para Ferrari e Red Bull após a qualificação. Embora tenha chegado a ameaçar a posição de Verstappen, Hamilton não chegou a lançar um desafio sério ao campeão em título. Não se espera, à imagem do que tem acontecido e apesar das melhorias recentes, que os carros prateados lutem pela vitória no Hungaroring.

Confrontos entre pilotos: Hungria 2021

Tanto os pilotos da Red Bull como os da Ferrari já eram colegas de equipa na época transata. Vale a pena comparar os resultados em ambos os casos para tentar perceber se as características da pista de Hungaroring poderão influenciar o confronto interno nas equipas de topo.

Verstappen vs. Pérez

Aquele que se viria a tornar campeão de 2021 qualificou-se em terceiro, marcando 1m15.840 na Q3, sendo quase seis décimos de segundo mais rápido que Pérez (1m16.421), que se qualificou imediatamente a seguir, em 4º lugar.

A corrida não permite comparações, com ambos os Red Bull a serem vítimas do célebre episódio “bowling de Bottas”. O finlandês, então ao serviço da Mercedes, falhou completamente a travagem para a primeira curva e acertou em Lando Norris (McLaren) e em Pérez, tendo o mexicano abandonado de imediato. Verstappen foi atingido por Norris no incidente.

O Grande Prémio de França deixou clara a imensa diferença de forma entre o atual campeão em título e o colega de equipa. Num circuito com características semelhantes em termos de pilotagem (muitas curvas de média-baixa velocidade e calor) não se espera que Pérez esteja à altura.

Leclerc vs. Sainz

Charles Leclerc fez 1m16.496 na Q3 a caminho da 7ª posição da grelha. Já Sainz fez 1m16.649 na Q1, mas despistou-se na Q2, alegadamente por perder aderência devido a uma mudança de vento, e quedou-se pela 15ª posição da grelha. Na corrida, Leclerc foi vítima de um erro de Lance Stroll na largada e abandonou, enquanto Sainz recuperou até à 4ª posição, herdando o último lugar do pódio com a desqualificação de Vettel.

Odds gerais

A penalização de Sainz significou uma ”pausa” na luta interna entre os pilotos Ferrari pela primazia na tabela de pontos. Todavia, o andamento médio de Leclerc continua a não estar em causa, apesar da saída de pista, pelo que se espera que o monegasco e Verstappen voltem a ser os principais candidatos à vitória.

Sergio Pérez teve uma tarde particularmente desinspirada em Paul Ricard, ao ficar atrás não de um, mas de ambos os Mercedes e acabar fora do pódio numa tarde em que os Ferrari se puseram fora da luta. Em condições normais teria sido 6º classificado. Dificilmente o mexicano conseguirá numa semana descobrir os décimos por volta que lhe faltam para “chegar” a Verstappen em curvas de média-baixa velocidade.

Em quem deverei apostar?

Vencedor da corrida

Entre a solidez que o campeão tem mostrado e a versatilidade do RB18 em adaptar-se a todas as pistas, Verstappen acaba por ser a aposta lógica. Ainda que se preveja que a Ferrari venha a ter performance para vencer. Verstappen venceu 7 dos 12 Grandes Prémios disputados até agora em 2022.

Equipa/piloto presente no pódio

É cada vez mais forte a probabilidade de que Lewis Hamilton e a Mercedes estejam presentes no pódio. A performance própria e a probabilidade de haver problemas com um dos quatro carros da frente assim o indiciam.

Volta mais rápida

Carlos Sainz acabou por fazer a volta mais rápida no Grande Prémio da França. Esperando-se um andamento forte da Ferrari em Budapeste, é possível que ele ou Leclerc voltem a faturar neste particular.

Mercados de longo prazo

As odds apresentadas pelas casas de apostas para arriscar em Verstappen como campeão baixaram drasticamente depois do Grande Prémio de França. Será necessária uma conjugação de resultados bastante inesperada para o cenário se inverter.

Como fazer dinheiro com as corridas

Existem duas grandes estratégias, opostas, de fazer dinheiro com apostas desportivas em corridas de Fórmula 1: ir pela menor odd possível ou arriscar alto numa possibilidade inesperada.

A menor odd possível

Os apostadores mais conservadores não se importam de ganhar muito pouco de cada vez se tiverem uma elevada probabilidade de acertar. O risco, claro, está no facto de a perda poder ser substancial e serem necessárias várias vitórias para cobri-la. Em todo o caso, apostar na vitória de Max Verstappen na Hungria é provavelmente a opção mais conservadora a tomar.

Arriscar numa possibilidade inesperada

Uma aposta na vitória de Esteban Ocon no Grande Prémio da Hungria 2021 teria valido um prémio monumental; foi a situação de piso molhado no início da prova que originou as circunstâncias de confusão em que a corrida aconteceu. Viu-se, por exemplo, a corrida ser recomeçada com apenas um carro na grelha (Lewis Hamilton), porque todos os outros trocaram de pneus na volta de aquecimento! Nesta “roleta” era difícil prever a vitória do francês.

Não se prevê chuva para domingo, embora se preveja para sábado. Porém, mais do que arriscar numa vitória de Ocon, Bottas ou Latifi, a possibilidade inesperada é uma vitória de Lewis Hamilton. A Mercedes tem vindo a melhorar e viu-se em Paul Ricard que caso Verstappen tivesse sofrido mais com os pneus (como aconteceu na Áustria) as circunstâncias teriam sido diferentes. As Flechas de Prata começam a ter ritmo para lutar pelas vitórias. Hamilton “corre por fora” como opção de aposta para o Hungaroring.

Dicas gerais

Para finalizar esta análise, deixamos algumas dicas gerais em termos de apostas desportivas em Fórmula 1 em 2022.

Cada corrida é cada vez menos “campeonato”

Verstappen leva 63 pontos de vantagem sobre Leclerc no campeonato, o que equivale a cerca de 2,5 Grandes Prémios (a vitória vale 25 pontos). O holandês tem cada vez mais espaço para gerir a vantagem nas provas que faltam. Se estiver numa posição em que não precise de correr riscos desnecessários, não os correrá. E isso pode diminuir ligeiramente as suas probabilidades de vitória nas próximas provas.

Confronto direto: Hamilton recupera terreno

Algumas casas de apostas portuguesas incluem o mercado do confronto direto entre colegas de equipa ou “head to head” na terminologia oficial do SRIJ.

Tem-se especulado se George Russell seria capaz de bater o heptacampeão Lewis Hamilton na sua primeira época na Mercedes. A equipa vinha alegando que as dificuldades do “hepta” se deviam ao facto de ter vindo a utilizar “setups” experimentais destinados a recolher dados e perceber o que poderia a equipa fazer com o difícil W13, o carro desta temporada. Alegadamente, a partir do Grande Prémio da Grã-Bretanha Hamilton deixaria de ser “cobaia” deste tipo de experiências.

A verdade é nestas últimas provas, desde Silverstone, o heptacampeão tem estado claramente ao nível que se espera dele e a deixar o seu colega na sombra. A continuar com este ritmo, acabará por ultrapassá-lo no Campeonato de Pilotos.

Atenção a Alonso

Limitado ao meio do pelotão, o campeão de 2005 e 2006 tem vindo a revelar-se notavelmente consistente e rápido. A sua posição no Campeonato de Pilotos é fruto de uma série de azares (mecânicos e outros) e não reflete verdadeiramente o potencial do conjunto piloto-carro para esta temporada.

Os reflexos do campeão espanhol estão apuradíssimos e ninguém sugere que vá retirar-se no final do ano – apesar de Alonso completar 41 anos na sexta-feira de treinos livres deste Grande Prémio da Hungria que se avizinha.

Pode não ser na Hungria, mas Alonso é talvez um dos principais candidatos a conseguir um resultado forte e inesperado até ao fim da época; por exemplo, um pódio para a Alpine em circunstâncias de caos. A acompanhar com atenção!