As ausências mais importantes do Mundial

26/11/2022

Das centenas de atletas prontos ou com possibilidades de disputar um Campeonato do Mundo de futebol, há sempre alguns que têm o azar de se lesionar pouco tempo antes da competição. Outros, nomes consagrados, podem ser excluídos por opção técnica.

A lista das ausências mais importantes do Mundial conta várias histórias e pode ser importante para prognosticar o rendimento das respetivas equipas. Vejamos em seguida as ausências mais relevantes do Mundial 2022.

Nota prévia para as ausências por não-qualificação

Existem vários grandes nomes do futebol ausentes do Mundial, não por lesão ou opção, mas porque as suas seleções não se qualificaram. Embora de interesse para uma conversa sobre futebol, estes nomes estão fora do âmbito deste artigo porque não fragilizam, obviamente, a prestação das equipas num Mundial do qual elas estão fora.

São os casos, por exemplo, de Mohammed Salah (Egipto) e de Erling Haaland (Noruega). Ironicamente, é também o caso de grande parte da seleção italiana, a “grande ausente” do Mundial 2022.

Ausências por seleção

Vejamos as principais ausências agrupadas por seleção, e por ordem crescente no ranking da FIFA.

Suécia

O avançado Alexander Isak foi uma das grandes contratações do defeso, com o Newcastle a pagar cerca de 70 milhões de euros para trazer o sueco desde a Real Sociedad. O golo no jogo de estreia contra o Liverpool causou sensação. Porém, ao serviço da sua seleção, Isak já levava sete jogos consecutivos a jogar sem marcar.

Senegal

A lesão contraída por Sadio Mané ao serviço do Bayern Munique acabou por se revelar grave e o avançado não vai poder participar no Mundial 2022. Trata-se de um golpe duríssimo e que deve deixar os apostadores em alerta para todos os jogos em que a seleção africana seja parte. Ainda que o plantel senegalês jogue integralmente nos campeonatos europeus, Mané é a sua grande estrela.

México

O ex-FC Porto Jesus Corona, agora ao serviço do Sevilha, lesionou-se de forma bastante grave no início da época e é uma baixa importante para a seleção mexicana. Em todo o caso, ao longo do último ano Corona não havia feito parte dos titulares escolhidos pelo selecionador Tata Martino, pelo que a ausência não será muito grave. 

Alemanha

Os dois grandes nomes em falta na Mannsschaft são Timo Werner e Marco Reus.

O ex-avançado do Chelsea voltou ao seu país para jogar pelo RB Leipzig e está a fazer uma boa temporada, com quatro golos e duas assistências em nove partidas. Porém, a lesão sofrida em jogo da Liga dos Campeões contra o Shakhtar Donetsk deixou-o de fora do mundial.

É uma perda assinalável, tendo Werner marcado cinco golos durante a fase de qualificação para o Mundial, embora não insubstituível – a equipa continua a contar com Thomas Müller como referência do ataque.

Marco Reus torna a falhar um Mundial por lesão depois do azar que o atingiu em 2014. Também neste caso, o selecionador Hansi Flick tem recursos para poder substitui-lo.

Portugal

Para a Seleção e os adeptos portugueses em geral foi obviamente um choque a notícia da lesão contraída por Diogo Jota a 16 de outubro, tão perto do começo do Mundial 2022. A lesão aconteceu durante a vitória do Liverpool sobre o rival Manchester City, por 1-0.

Dada a força do coletivo português, com soluções de ataque variadas desde Bernardo Silva a Cristiano Ronaldo, passando por Bruno Fernandes e João Félix, a perda de Diogo Jota não é determinante – mas é certamente um recurso valioso a menos para Fernando Santos.

Países Baixos

A grande ausência na seleção neerlandesa é o avançado Georginio Wijnaldum, com o seu histórico de 86 jogos e 26 golos ao serviço da equipa. Porém, o último golo marcado pelo avançado ao serviço da seleção remonta a abril de 2021, em jogo contra o Montenegro (vitória por 4-0).

Recorde-se que, só este ano, os Países Baixos disputaram oito jogos (seis oficiais e dois particulares) e obtiveram seis vitórias e dois empates, marcando 19 golos. É de crer que a ausência de Wijnaldum será compensada.

Espanha

Será realmente surpreendente a não convocatória de Sergio Ramos por Luis Enrique? O peso do seu nome, elemento fundamental da Tripla espanhola entre 2008 e 2012 (dois Europeus e um Mundial), não foi suficiente para convencer o selecionador a prescindir das soluções já testadas em torno de Eric Garcia, Aymeric Laporte ou Pau Torres. No ocaso da carreira, Ramos terá de se focar em tentar conquistar mais uma Liga dos Campeões, agora ao serviço do PSG.

Menos falada, mas mais preocupante, é a ausência por lesão do extremo esquerdo Mikel Oyarzabal. Ele fez todos os jogos do Euro 2020 pela Espanha e seria uma peça fundamental para Luis Enrique.

Inglaterra

Tammy Abraham e Reece James são as principais ausências na seleção inglesa. O avançado da Roma está ausente por opção do selecionador Gareth Southgate, que a justificou pelo facto de só ter marcado três golos esta época. Sendo necessário estar em pico de forma durante o mês em que o Mundial decorre, a opção justifica-se.

Já o lateral direito Reece James, titular indiscutível nas últimas quatro partidas pela seleção, é uma perda importante para Gareth Southgate.

França

A França é seguramente a equipa à qual faltam mais jogadores de grande nome. N’Golo Kanté será a principal falta, tendo sido titular na vitória sobre a Dinamarca, em março, antes de se lesionar – e tendo jogado em todas as partidas do Mundial 2018.

Os gauleses lamentam também a ausência do avançado Paul Pogba e ainda de Kimpembe (central com presenças habituais) e de Boubacar Kamara, jovem médio defensivo que se estreou este ano na seleção e que promete um grande futuro.

Argentina

O médio central Giovanni Lo Celso, com 26 anos e a atuar pelo Villarreal, lesionou-se no final de outubro. O selecionador Lionel Scaloni afirmou que a perda de Lo Celso era “irrecuperável”; com efeito, o jogador tem sido titular indiscutível na seleção argentina nos últimos jogos. Contudo, esta é a única perda importante da equipa albiceleste, e é prematuro afirmar que as odds estão contra a Argentina devido a esta ausência.

Bélgica

Os belgas não sofrem com ausências de peso – mas o avançado Romelu Lukaku vai falhar os dois primeiros jogos. E claro que subsistirão dúvidas sobre o seu momento de forma para o resto do torneio.

Brasil

Philippe Coutinho e Arthur Melo são as principais baixas da selecção brasileira. O extremo do Aston Villa, que já tem sofrido com lesões ao longo da carreira, já não era exatamente uma escolha prioritária de Tite ao longo da qualificação para o Mundial do Qatar. Coutinho mantém a ligação ao Barcelona, mas o empréstimo ao Bayern Munique e agora ao Aston Villa mostram que está num patamar abaixo do que em tempos se antecipou que poderia conseguir.

Já Melo jogou apenas 13 minutos pela seleção desde a última vez que foi titular, em jogo contra o Uruguai em novembro de 2020, pelo que dificilmente se poderá considerar uma perda relevante. O Brasil parece estar mesmo na máxima força para este Campeonato do Mundo, sob este ponto de vista.

Conclusão: seleções de topo quase no máximo da força

As seleções de topo tendem a ter mais soluções alternativas para substituir lesionados e grandes nomes em baixo de forma. Seleções mais fracas, como o Senegal, saem mais fragilizadas destas situações – o que pode abrir oportunidades para os apostadores.