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Sevilla

Texto por João Pedro Silveira
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Desde a última década do século XIX que a comunidade britânica da cidade, começara a espalhar o futebol por entre as gentes andaluzes. Marinheiros, comerciantes, trabalhadores dos caminhos-de-ferro e das comunicações, traziam consigo bolas, equipamentos, livros com regras, que aos poucos foram conquistando os locais.

Sevilha, como centro nevrálgico da Andaluzia, era cidade onde os súbditos de Sua Majestade centravam muitas das suas ações. Não é de espantar que nascessem alguns clubes, como o Sevilla Balompié e o Betis FC, que mais tarde se juntariam para dar lugar ao atual Real Betis Balompié, o histórico rival dos rojiblancos. Nesta onda de fundações, nasce, a 25 de janeiro de 1890, o Sevilla Foot-ball Club (em inglês).

O emblema andaluz foi criado por um grupo composto por jovens britânicos e espanhóis, que celebravam a Burns Night (tradição escocesa). O escocês Edward Farquharson Johnston foi o primeiro presidente da história do clube e Hugh Maccoll o primeiro capitão. Os sevilhanos também escreveram história ao participarem no primeiro jogo de futebol em Espanha, num amigável frente ao Recreativo de Huelva. O Sevilla FC venceu por 2x0.

Da fundação à Liga

No primeiro dia de 1913 o clube inaugurou o Campo del Mercantil, na zona do Prado de San Sebastián, cada que habitaria até 21 de outubro de 1919, data em que mudou para o Campo de la Reina Victoria, que seria o palco do primeiro jogo da seleção nacional espanhola em terras andaluzas, em 1923, ano em que Manuel Blasco Garzón se tornou presidente do clube, apontando Ramón Sánchez Pijuán como secretário. 
No primeiro dia de 1913 o clube inaugurou o Campo del Mercantil, na zona do Prado de San Sebastián, cada que habitaria até 21 de outubro de 1919, data em que mudou para o Campo de la Reina Victoria, que seria o palco do primeiro jogo da seleção nacional espanhola em terras andaluzas, em 1923, ano em que Manuel Blasco Garzón se tornou presidente do clube, apontando Ramón Sánchez Pijuán como secretário. 
Com a criação da Federación Sur em 1915, de que o Sevilla foi um dos fundadores, o futebol andaluz pôde finalmente criar as condições para se desenvolver, após anos e anos, em que não era mais do que um hobby alimentado por grupos de amigos que se dedicavam à realização de amigáveis e competições comemorativas.

Ainda no mesmo ano, o Sevilla saiu pela primeira vez de terras andaluzas, para visitar Madrid, onde perdeu os dois jogos com o Real Madrid

Um ano depois, surgia a Copa de Andalucía. Prova que o Sevilla venceria por 17 vezes (em 23 participações) entre 1916 e 1940. Além da taça local, o Sevilla passou a competir na Copa del Rey, que era a única prova de âmbito nacional em Espanha.

Em 1921, os rojiblancos chegaram pela primeira vez à meia-final da prova, com uma equipa onde brilhava a linha avançada composta por Enrique Spencer, Brand e Escobar, a famosa «La Línea del Miedo» (a linha do medo). 

La Liga e la Copa

Quando a Real Federación Española de Fútbol criou a Liga em 1928/29, estabeleceu que só 10 equipas podiam participar na competição. O Sevilla teve de defrontar o Racing Santander numa eliminatória a duas mãos que perdeu, caindo assim para a II Divisão. A 7 de Outubro, no Estádio Nervión, Sevilla e Betis encontraram-se pela primeira vez num dérbi. Os rojiblancos venceram por 2x1, celebrando a vitória no primeiro dérbi a contar para uma prova nacional.

Campeões da II Divisão, tiveram que disputar um play-off de acesso à I Divisão, nem mais nem menos que com o mesmo Racing Santander, e para mal dos pecados sevillistas, os verde-e-brancos da Cantábria voltaram a levar a melhor. 

Em 1932, Ramón Sáchez Pizjuán é eleito o novo presidente do clube, iniciando o seu primeiro consulado à frente dos nervionenses - outra das alcunhas por que são conhecidos os adeptos do Sevilla - que durou até 1941.

Dois anos depois de Pizjuán tomar posse, o clube finalmente ascendia à I Divisão, batendo o Atlético de Madrid no jogo decisivo. Em 1935, chegou o primeiro grande troféu, com a conquista da Copa del Presidente de la República (1), batendo os catalães do Sabadell por 3x0, na final em Chamartín, Madrid

Guerra Civil

Em 1936 a Espanha entrou em guerra civil e a prática desportiva foi naturalmente interrompida. Durante os três anos que durou o conflito, Sevilha ficou sempre debaixo do controle das tropas revoltosas, os nacionalistas, liderados pelo General Franco, que se tinham revoltado contra o governo da II República Espanhola. 

Durante esse período o Sevilla disputou diversos amigáveis, mas a as competições continuaram interrompidas até a queda de Madrid e à proclamação do novo regime franquista. 

Terminada a guerra, o futebol, assim como as restantes atividades regressaram ao dia-a-dia espanhol. Lentamente o Sevilla reorganizou-se e criou uma das equipas mais fortes de Espanha.

Um sub-campeonato logo no ano de regresso, confirmou uma década dourada, em que o rojiblancos conquistaram mais um segundo lugar, duas Taças de Espanha e ainda um histórico Campeonato Nacional (1945/46), ganho no sprint, aos catalães do FC Barcelona.

A 28 de Outubro de 1956, Sánchez Pizjuán faleceu inesperadamente, deixando o clube órfão da sua liderança histórica. Como homenagem, os adeptos acordaram que o estádio que estava em construção iria receber o seu nome. A inauguração seria a 7 de Setembro de 1958, num amigável contra o Real Jáen.

A década seguinte, viu os sevillistas perderem uma final da Taça e lograrem mais dois vice-campeonatos, contudo, as dificuldades financeiras começavam a marcar o «dia-a-dia» da instituição. 

Crise e ressurgimento

Ao contrário do resto da Espanha, e do mundo ocidental, que consideram a década de sessenta uma década gloriosa, os adeptos do Sevilla olham para a década que assistiu à apoteose dos Beatles, como uma era de declínio e tristeza.

Anos de má gestão financeira, transformaram o Sevilla num clube da segunda metade da tabela, longe das lutas a que habituara os adeptos nas décadas anteriores.

O «desastre» chegou em 1967/68, quando ao fim de 31 épocas consecutivas entre os grandes, o Sevilla conheceu o sabor da despromoção. Durante quase uma década, os rojiblancos sentiram na pele o peso de jogar longe dos maiores e a vergonha de novas despromoções, sempre que regressava.

O fim desta era negra do Sevilla chegou em 1974/75, com o regresso à Primera, onde marcaria presença durante mais vinte anos.

A década europeia

Na segunda metade dos anos noventa o clube voltou a conhecer o sabor da despromoção, caindo à Segunda División em 1997, entrando num período de subidas e descidas, terminado em 2002 com o regresso.

Logo na primeira época, o Sevilla conquista um oitavo lugar. Seguiu-se um décimo e dois sextos, antes da equipa estabilizar regularmente no top cinco, durante cinco épocas.

Mas se na Liga o Sevilla era um projecto sólido e consolidada, era nas competições a eliminar que brilhava e dava cartas, como tão bem descreve o palmarés da segunda metade da primeira década no novo milénio: Taça do Rei 2007 e 2010, Supertaça 2007, Taça UEFA 2006 e 2007, Supertaça europeia 2006, a que se junta ainda a conquista da Liga Europa em 2014.
 
 
Taça do Rei 2007 e 2010
Supertaça 2007
Taça UEFA 2006 e 2007
Supertaça europeia 2006
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(1) - Com a proclamação da II República Espanhola em Madrid a 14 de Abril de 1931, a Taça do Rei (Copa del Rey) passou a denominar-se Taça do Presidente da República, nome que voltaria a mudar com a chegada de Franco ao poder (Taça do Generalíssimo) e com o fim do Franquismo em 1976, quando a competição voltou a denominação original (Copa del Rey).

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Estádio
Ramón Sánchez Pizjuán
Lotação42500
Medidas105x68
Inauguração1958