Error message here!

Error message here!

Esqueceu-se password?

Perdeu a password? Introduza o seu endereço de email. Irá receber um link para criar uma nova password.

Error message here!

Voltar ao login

Odds
BenficaPortugal
PortugalV. Guimarães
CelticEscócia
EscóciaAberdeen
BolognaItália
ItáliaJuventus
história
Clubes

Panionios

2011/08/23 16:08
Texto por João Pedro Silveira
l0
E0
Sabia que o primeiro clube de futebol grego nasceu na actual Turquia? Muitos por certo não sabem, mas foi em Izmir (Esmirna) na Jónia, na actual Turquia, que nasceu o mais antigo clube de futebol grego. Tudo aconteceu em 1890, mas para se compreender melhor o porquê de um clube grego nascer na Turquia, é preciso recuar um pouco no tempo...

Comunidades gregas no Império Otomano
 
Soldados gregos entram na cidade de Esmirna (Izmir em turco) e são saudados pela comunidade grega.
 A rivalidade e a tensão greco-turca têm muitas histórias e muitos antecedentes, mas em nenhum período da história, essa tensão foi tão exacerbada como durante o conflito que opôs gregos e turcos no rescaldo da I Guerra Mundial.
É graças ao conflito de 1919-22 que as relações greco-turcas são ainda tão tensas em pleno século XXI, mesmo sendo os dois países aliados e membros de pleno direito da NATO.
 
Durante séculos, depois da queda de Constantinopla e do fim do Império Bizantino, a Grécia fizera parte do Império Otomano.  A população grega dos Balcãs e da Ásia Menor viveu sobre domínio do Sultão até ao início do século passado, preservando a sua cultura, professando o cristianismo ortodoxo em total liberdade.
A histórica região da Jónia foi um dos berços da civilização clássica grega. Habitada desde tempos imemoriais por povos de língua grega, a Jónia era efectivamente parte da Helade [o conjunto do mundo grego], a tal ponto que a palavra árabe e persa para Grécia é Younan - uma corruptela de Ionia. 
 
Gerações e gerações de gregos, viveram debaixo do jugo da Sublime Porta em amena convivência, com turcos, judeus, arménios, árabes, mesmo depois de em 1830 a Grécia tornar-se independente do Império Otomano.
 
Mais de um milhão de gregos decidiram continuar a viver em cidades tão importantes do Império Otomano como Constantinopla, Salónica ou Esmirna (Izmir), onde o grego era falado por uma grande fatia da população, como atestam os censos de 1910 que indicam que existiam perto de 2 milhões de gregos no Império. 
 
Os gregos dispunham de total liberdade de culto, e os Rums (como eram conhecidos os gregos nessas paragens) falavam grego nas ruas e nos seus negócios, pois muitos deles não sabiam uma palavra de turco sequer e não tinham a menor necessidade de aprender a língua.
 
Nasce o Mousikó kai Gymnastió Syllogo "Orfeus"
 
Pintura grega ilustrando a Batalha de Sakarya
 A comunidade grega nas grandes cidades como Constantinopla, Salónica, Esmirna ou Bursa era muito instruída e aberta a influências ocidentais, ocupando funções de destaque na sociedade e no Império. Foi numa dessas cidades profundamente “helenizadas” que surgiu o protagonista da nossa história.
 
Em Esmirna no ano de 1890, no seio da pujante comunidade grega e do movimento pan-helénico surgiu o Mousikό kai Gymnastikό Syllogo "Orfeus"  [clube músical e desportivo “orfeus”], clube votado ao desenvolvimento da cultura, música e tradições gregas sem descurar a prática desportiva.
 
Três anos mais tarde, membros desse clube fundaram o Athlitikό Syllogo "Gymnàsion", totalmente devotado à prática desportiva, muito por influência dos valores vitorianos importados de Inglaterra e da Europa Ocidental.
 
Em 1898 o "Orfeus" e o "Gymnàsion" fundiram-se para dar lugar ao Panionios Gymnastikos Syllogos Smyrnis, o primeiro clube de futebol grego.
O nome Panionios singnificava pan-jónico e fazia parte da agenda política pan-helénica dos fundadores do clube que advogavam a ideia de reunir a Grécia, as Ilhas do Mar Egeu e a Ásia Menor debaixo de um mesmo estado.
 
Mas como é que o primeiro clube de futebol grego nasce na Turquia? E fundado por nacionalistas gregos? É aqui que entra a roda da história em acção...
 
Os jovens turcos e a I Guerra Mundial
 
Os turcos reconquistaram Izmir, provocando grande destruição e a fuga em massa dos gregos.
 No final do século XIX, após um período de declínio acentuado do Império: perda de Chipre e Egipto para os ingleses, independência dos países balcânicos: Sérvia, Roménia, Bulgária, Montenegro... O movimento dos jovens turcos resolveu reagir contra o declínio, tentando entre várias medidas “turquificar” o Império, rejeitando os estrangeirismos e provocando a reacção nas diversas minorias entre elas a grega, que tinha visto o até então adormecido nacionalismo grego ganhar um novo alento, muito particularmente depois de Salónica ser incorporada na “Mãe Grécia" em 1912.
 
Durante a I Guerra Mundial os jovens turcos forçaram o Sultão a alinhar juntamente com as Potências Centrais [n.d.r. Alemanha, Áustria] contra os aliados ocidentais, na esperança que o Império recuperasse alguns dos territórios perdidos no Norte de África e Balcãs.
Com a entrada da Grécia na guerra ao lado de ingleses e franceses a tensão entre as duas comunidades foi crescendo, havendo relatos de atrocidades cometidas contra gregos um pouco por todo o império.
 
A Guerra de 1919-22 e a mudança para Nova Esmirna
 
650 mil refugiados gregos encontraram uma nova casa em Nova Esmirna, um bairro criado propositadamente nos arredores de Atenas, para recebe-los.
 Seria contudo somente apenas após o final da I Guerra Mundial que a Grécia – apoiada nas promessas franco-inglesas de novos territórios - invadiu a Turquia, tentando “reconquistar” os territórios de população grega que faziam parte da Grécia clássica.
 
Os revolucionários turcos que tinham visto o seu país perder territórios para ingleses, franceses, italianos e russos, lançaram-se na defesa do “coração” turco da Anatólia e margens do Egeu e reagiram contra a invasão.
 
O conflito sorriu aos gregos durante os dois primeiros anos, mas perante a força do contra-ataque turco as recentes conquistas gregas desmoronaram-se como um castelo de cartas.
O Tratado de Lausana “forçou” as actuais fronteiras e iniciou-se o processo de transferência de populações tanto da Grécia para a Turquia como o inverso. 500.000 muçulmanos turcos saíram da Grécia por troca com 1.500.000 gregos da Anatólia e cristãos ortodoxos arménios.
 
Entre esse milhar e meio de pessoas estava a comunidade grega de Esmirna (cerca de 650.000 habitantes) que foi transferida na sua maioria para Nea Smyrna (Nova Esmirna) nos arredores de Atenas.
 
Escapando à guerra, os sobreviventes do conflito e do grande incêndio que devastou Esmirna em 1922 levaram consigo todas as suas tradições familiares, culturais e gastronómicas, e não esqueceram o seu Panionios que se mudou de armas e bagagens para Nea Smyrna e aí ganhou raízes.
 
O Estádio Nova Esmirna em Atenas é a casa do Panionios. Os seus adeptos encontram-se entre os mais entusiastas de toda a Grécia. 
 Fundado por gregos o Panionios foi um clube totalmente grego em Esmirna. Reconhecido pelos gregos e pela Federação Grega como o decáno do futebol helénico. 
Após o conflito os membros do Panionios foram forçados a abandonar Esmirna e levaram consigo o seu clube pan-jónico, que nunca perdeu a sua denominação que remonta para a Jónia onde foi fundado.
 
Ainda hoje em dia as camisolas vermelhas do Panionios jogam no Estádio Nova Esmirna, no bairro com o mesmo nome nos arredores da capital grega, com a nostalgia de um dia, voltarem a jogar futebol na sua Esmirna natal. 
Comentários (0)
Gostaria de comentar? Basta registar-se!
Motivo:
Tópicos Relacionados
Equipa