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Olympiakos

Texto por Pedro Marques Silveira
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O Pireu

A História da Grécia está ligada ao Pireu desde a era clássica. Aquela que fora inicialmente uma ilha a poucos metros da costa, tornou-se com o passar dos anos (e a sedimentação das areias) numa pequena península rochosa, rodeada de baías de águas profundas, o local ideal para um porto.
 
Nos seus estaleiros construíram-se os trirremes que ajudaram a cimentar o Império Marítimo de Atenas, partindo da Ática pelo Egeu e mares circundantes. Címon e Péricles construíram-lhe muralhas que a ligavam ao coração de Atenas. Bem perto, teve lugar a histórica batalha naval de Salamina, onde a invasão persa de Xerxes I foi travada. Nas suas muralhas susteve-se o exército espartano.
 
Decadente, tal como a vizinha Atenas, o Pireu perdeu importância e até o nome. Porto do Leão, assim lhe chamaram os venezianos e mais tarde os turcos otomanos. 
 
Durante séculos Pireu foi o porto de Atenas e da Ática e assim era quando a Grécia recuperou a independência na primeira metade do século XIX. Atenas tornou-se a capital do país e o porto do Pireu recuperou a sua importância. 
 
O nascimento
 
Como um dos mais movimentados portos do Mediterrâneo, visitado por muitos estrangeiros, não é de estranhar que o Pireu fosse uma das portas de entrada do futebol no país, se bem que o primeiro clube grego, o Panionios, tenha nascido em Esmirna (atual Turquia) em 1898. 

Os ingleses foram introduzindo o jogo na região, despertando o interesse dos locais que fundaram os primeiros clubes. Dois desses clubes, o Piraikos Podosfairikos Omilos FC e o Piraeus Fans Club FC, fundiram-se a 10 de março de 1925 para dar lugar ao Olympiacos Syndesmos Filathlon Pireos.
 
Uma das primeiras equipas do Olympiacos contava com os irmãos Andrianopoulos: Yiannis, Dinos, Giorgos e Vassilis. O quinto, Leonidas, só se juntaria à equipa em 1927, formando uma lendária linha ofensiva composta por cinco irmãos.

Rapidamente a fama do quinteto captou o coração dos locais e o Velódromo Neo Phaliron, que mais tarde se tornaria no Estádio Karaiskakis, tornou-se pequeno para tanto adepto. 
 
Os trabalhadores da estiva e os operários da região identificaram-se desde a primeira hora com o clube. O Olympiacos era um clube do povo e do Pireu e ao longo da sua história, por mais títulos e adeptos que conquistasse, dentro e fora da Grécia, nunca deixou de ser fiel às suas raízes proletárias e no Pireu.
 
Primeiros tempos
 
Força emergente da região, o Olympiacos conquistou o Campeonato do Pireu logo nas três primeiras épocas que disputou (1925, 1926, 1927). Em 1926 nascia a Ελληνική Ποδοσφαιρική Ομοσπονδία (EPO), Federação Helénica de Futebol que organizou o Campeonato Pan-helénico, disputado pelos vencedores das três ligas regionais: Atenas, Pireu e Salónica. O Aris, de Salónica, seria o primeiro vencedor. 

Rapidamente o Olympiakos entrou em confronto com as autoridades, não participando na segunda edição da prova, sendo secundado no protesto pelo Panathinaikos e pelo AEK, ambos os clubes com sede em Atenas. 
 
1930/31 foi a época da pirmeira conquista do Campeonanto Pan-helénico, o primeiro passo dos erythrolefkoi (vermelhos e brancos). Durante os anos 30 o clube conquistaria mais cinco títulos, tornando-se o clube mais titulado do país. 

No fim da década, o AEK roubaria a hegemonia, que seria bruscamente interrompida pela invasão alemã na Primavera de 1941. No regresso da liga em 1946, o título fugiria para norte, mais propriamente para o Aris de Salónica. 
 
Anos 50 e 60
 
A equipa dos anos 50 tornou-se lendária, com jogadores como Mouratis, Rossidis, Darivas, Drosos, Polychroniou, Yfantis, Bebis, Kotridis e Theodoridis, o Olympiakos arrancou para um impressionante hexa entre 1954 e 1959, além de conquistar sete vezes a Taça durante a década. Os adeptos e a imprensa passaram a chamar o clube como Thrylos, ou seja, a Lenda. 

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial até 1960, os Ephebos Dafnostefanomenos (laureados) conquistaram nove campeonatos e oito taças lançando um domínio sem precedentes no futebol grego. Em 1959/60 nascia a Alpha Ethniki, a nova Liga Nacional de Grécia, mas a nova competição surgiu num período de menor fulgor dos «laureados». A década revelou-se parca em vitórias - por comparação com as duas décadas anteriores. Só dois títulos (1966 e 1967) ficaram no Pireu, com o clube a especializar-se na Taça, que conquistou cinco vezes durante os "loucos anos 60".
 
Anos 70 e 80
 
O Olympiakos voltou a ser a força dominante quando Nikos Goulandris tomou posse como presidente. Com Lakis Petropoulos como novo treinador, os vermelho-e-brancos contrataram jogadores como Delikaris, Triantafyllos, Losada, Viera, Kritikopoulos e ou Persidis, fundamentais na conquista do tricampeonato 1973-1975, em que se somou a dobradinha em 1973 e 1975, além de um histórico record de pontos e golos marcados na época 1973/74. 
 
Ao tricampeonato sucedeu novo jejum na segunda metade da década. Os títulos regressariam com o tetra campeonato entre 1980 e 1983, mas os anos 80 e a década seguinte foram período de domínio dos dois grandes de Atenas: Panathinaikos e AEK, com dois títulos a fugirem ao domínio Ateniense: Larissa e PAOK. O momento mais triste da história do clube chegou em 1988, quando o Olympiacos terminou a época em um inesperado 8.º lugar. 
 
Domínio absoluto
 
Campeão em 1987, o clube do Pireu só voltaria ao primeiro lugar do pódio em 1997, mas esse seria o primeiro passo de uma caminhada inesquecível. Entre 1997 e 2003, o colosso do Pireu venceu todos os campeonatos, sagrando-se hexacampeão. O Panathinaikos venceu na época seguinte, mas o Olympiakos reagiu com um pentacampeonato. Em 2010 os «verdes» interromperam a série dos «laureados», mas o Olympiacos voltou a impor-se começando nova série de vitórias no Campeonato. 
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Estádio
Georgios Karaiskakis Stadium
Lotação33334
Medidas105x68
Inauguração2004