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Napoli

2012/12/20 15:27
Texto por João Pedro Silveira
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«Ver Nápoles e morrer», tão definitiva é a sentença, como verdadeira é a premissa. À sombra e mercê do imponente Vesúvio, a cidade espraia-se junto ao mediterrâneo, em volta da sua baía, como o mais perfeito dos cenários. Bela e intensa, explosiva, Nápoles vive com o coração na boca como as personagens dos filmes de Vittorio de Sica.

Apaixonada, louca por futebol e pelo seu clube maior, a capital do sul é acima de tudo o resto, a terra de Maradona, pois ali brilhou a manifestação divina no futebol, e tão maravilhosos foram os seus milagres e feitos com a camisola azul celeste do Nápoles, que para sempre, Diego brilha no firmamento napolitano, como estrela-guia, provocando tal devoção, que não é estranho encontra-lo em altares populares nas ruas da cidade, ao lado de Nossa Senhora, disputando com o divino, taco-a-taco, a sua quota de adoração.

Nápoles é essa loucura constante, de uma religiosidade profunda, mas profana, onde a história se sobrepôs camada por camada, desde os tempos da Eneida de Virgílio aos golos de Diego.

Nápoles, a baía e o Vesúvio ao fundo. A beleza da cidade italiana é cantada desde tempos imemoriais.
Talvez Nápoles não seja mais do que uma utopia que não se concretizou, ou talvez seja muito mais do que isso. Que Nápoles é um mosaico surrealista pintado de realidade, dentro e fora do campo, não será uma ideia estranha a ninguém.

Talvez por isso, ou por muito mais, é que num já distante fim de tarde, o filósofo francês Jean-Paul Sartre, também ele um apaixonado e teórico do beautiful game, olhando Nápoles passar-lhe em frente dos olhos enquanto segurava a chávena de café, sentado na esplanada do luxuoso Gambrinus (1), terá perguntado: «Mas estou em Nápoles? Nápoles existe?»

As origens do calcio napolitano

Como um pouco por todo o mundo, o futebol chegou a Nápoles por intermédio dos súbditos de «Sua Majestade», na sua maioria marinheiros, que no início do século XX, começaram a jogar o foot-ball em locais da cidade. Aos poucos, o jogo foi despertando o interesse dos locais, que deixaram de olhar de lado para aqueles grupos de bretões que corriam para dar pontapés numa bola, para passarem também eles a querer participar nas partidas que os ingleses organizavam.

Não estranha, que fosse um inglês, de seu nome William Poths, que em 1904, juntamente com alguns compatriotas e amigos italianos, decidiu fundar um clube onde se praticasse futebol. Nascia o Naples Foot-Ball & Cricket Club. Anos depois, desapareceu o Cricket Club do nome que ficou então apenas Naples Foot-Ball Club.

Oito anos depois nascia o US Internazionale Naples, dando aso a uma acesa rivalidade, que duraria até aos anos vinte, quando, por problemas financeiros, os dois clubes acabaram por se fundir num só, criando o o FBC Internazionale-Naples,  conhecido como Internaples, corria então o ano de 1922.

Quatro anos mais tarde, os jogadores do Internaples resolveram mudar o nome ao clube, tornando-se Giorgio Ascarelli o novo presidente da instituição. O clube passou a ser conhecido como Associazione Calcio Napoli, era o dia 23 agosto de 1926. 

Primeiros anos

Os primeiros anos do clube napolitano não foram os melhores. Logo na primeira época, o Napoli ficou em último lugar no seu grupo da I Divisão, com apenas um ponto conquistado em dezoito jogos.

Os tempos do Internaples, quando os seus jogadores, por culpa dos maus resultados ganharam o apelido que ainda hoje acompanha os jogadores napolitanos.
Por culpa dessa desastrosa época, os napolitanos começaram a ser conhecidos como ciucciarelli [pt: burrinhos], como uma forma encontrada pelos adversários para denegrir o clube, que então usava o cavalo, símbolo da cidade no emblema.

Os napolitanos assumiram o Ciuccio (2) como símbolo, tornando-o a sua mascote, e exibindo-o com orgulho. Coincidência ou não, já sob o reinado da nova mascote, o Napoli começou a subir na classificação, superando e por muito, a péssima época de estreia.

Sallustro, a primeira vedeta

Numa cidade de estrelas com dimensão mundial como Enrico Caruso (3), o futebol era, apesar da paixão dos locais, um parente pobre, sem atingir dimensão ou o estrelato que a cidade pedia.
 
A primeira grande estrela seria, um não napolitano, nascido nas distantes margens do Rio Paraguai: Attila Sallustro, filho de emigrantes italianos no Paraguai, que nascera em Assunção, mas se mudara muito jovem com a família para Itália. Conhecido como Il Divino, ou Il Veltro (4), começou a jogar ainda nos tempos do Internaples, sendo a principal estrela e ídolo dos adeptos napolitanos nos anos 30.
 
Nunca recebeu um salário, apenas aceitou ser premiado com um carro desportivo, com que se passeava pelas principais artérias da cidade, provocando a comoção dos fãs, e o olhar tímido das senhoras.
 
Sallustro, jogou 12 anos com a camisola celeste, apontando 107 golos, conquistando a admiração dos fãs, jogando apenas três vezes na Squadra Azzurra, tapado que estava pela lenda goleadora que era Giuseppe Meazza. Os napolitanos, clamavam por injustiça, iniciando a lista de históricas reivindicações contra o que consideravam  - e consideram! - ser um poder instalado no norte, em volta do eixo, Turim-Génova-Milão (5), que conquistava a esmagadora maioria dos campeonatos, controlando a federação e consequentemente, as convocatórias da própria seleção. 
 
Durante os anos 30, o Napoli conheceu o seu primeiro período de sucesso, com o inglês William Garbutt ao leme, conquistando dois terceiros lugares: 1933 e 1934. Foram os anos do grande goleador Antonio Vojak, contratado à Juventus. Vojak, um jugoslavo natural de Pula, na Cróacia, fez de Nápoles a sua casa, apontando mais de cem golos, nas seis épocas que defendeu o clube.
 
Em 1934-35, seria a vez de Guillermo Stábile, o goleador do primeiro mundial disputado no Uruguai, a realizar uma época pelo clube, ajudando a cimentar a tradição dos grandes goleadores que vestiram a camisola napolitana. 
 
A crise e o  Pós-Guerra
 
Com o aproximar da II Guerra Mundial (6), o Napoli foi perdendo capacidade financeira, entrando num acentuado declínio depois da Itália entrar no conflito em 1940.  Nesse campeonato, os azzurri ficaram na Serie A, graças à diferença de golos. Dois anos depois, não houve salvação e o clube desceu para a Serie B, onde ficou até depois do fim da guerra. Em 1943, com a invasão aliada do sul da Itália, o futebol ficou parado, e o Napoli não foi exceção.
 
Maradona em destaque entre as estrelas atuais dos azzurri.
No regresso do futebol, rapidamente o clube recuperou o lugar entre os maiores de Itália. Contudo, no fim da época seguinte, seria despromovido na secretaria, acusado de manipulação de resultados.
 
Com o começo da década de cinquenta, voltou ao topo. Mas época após época, viveria com a «corda no pescoço», lutando para sobreviver, sem conseguir impedir algumas despromoções.
 
O ano de 1959 marca a mudança para o emblemático San Paolo, o primeiro passo para um novo Napoli, que três anos depois, conquista o primeiro troféu nacional, A Taça de Itália, batendo a SPAL por 2x1, na grande final disputada no Estádio Olímpico de Roma. As celebrações contudo não durariam muito, com a descida de divisão a chegar novamente, na época que se sucedeu.
 
O caminho para o topo
 
A 25 de junho de 1964 o clube passa a chamar-se Società Sportiva Calcio Napoli, e é debaixo da nova identidade que reconquista a presença no primeiro escalão. Sob o comando do ex-jogador Bruno Pesaola, o Napoli torna-se uma presença regular nos cinco primeiros lugares da classificação, e em 1967-68, fica muito perto de conquistar pela primeira vez o Scudetto, terminando em segundo lugar, atrás do AC Milan.
 
Com Dino Zoff, José Altafini, Omar Sívori, e o craque napolitano Antonio Juliano, detentor do recorde de maior número de jogos com a camisola azzurra, o Napoli tornou-se num dos mais fortes clubes de Itália, chegando ao terceiro lugar em 1971 e 1974, garantindo presenças nas competições europeias.
 
A um segundo lugar em 1975, sucedeu-se a vitória na Taça em 1976, com um 4x0 sobre o Verona na final, que deu acesso à Taça das Taças, onde chegou às meias-finais, para ser eliminado pela regra dos golos fora, pelos belgas do Anderlecht.
 
E chega Maradona...
 
Depois de mais um terceiro lugar em 1981, o clube viu-se inesperadamente a lutar para não descer em 1983. E foi então, que numa jogada que mudou a história, a direção napolitana, muito atenta ao problema que o jovem astro argentino vivia em Barcelona, lançou o canto da sereia a Diego Armando Maradona, que a troco de uma soma recorde, trocou a «Cidade Condal» pela bela Nápoles. Começava a mais bela história de amor napolitana...
 
Um dos muitos altares devotados a Diego Armando Maradona que podem ser encontrados na cidade de Nápoles.
Ciro Ferrara, Salvatore Bagni, e Fernando De Napoli, chegaram para se juntar a Maradona, e reforçar as ambições do clube. O assalto ao topo da classificação era gradual. Em 1985–86, conquistavam mais um terceiro lugar, mas sentia-se que era apenas uma questão de tempo, até o clube tocar o céu...
 
E não foi preciso esperar muito... Maradona fora campeão do mundo com a Argentina no verão, mas voltou para Nápoles decidido a fazer história na época de 1986–87. E el Pibe fez história, com exibições magistrais e carregando a equipa às costas, o Napoli conquistou o campeonato pela primeira vez, dominando de tal forma a época que a terminou com a conquista da «dobradinha», numa sonante goleada por 4x0 sobre a Atalanta. 
 
Anos dourados
 
Porque nenhum clube a sul de Roma havia conquistado um campeonato, a vitória da equipa napolitana e o papel de Diego na conquista, tornaram Maradona num ícone social, cultural e até mesmo religioso. Diego tornou-se num ser sagrado, idolatrado pelas massas e sem pejo, assumiu Nápoles como a sua pátria, defendendo a cidade por toda a Itália, acusando o norte de preconceito, racismo e xenofobia contra o pobre sul.
 
Em 1988, o Napoli falharia na presença na Taça dos Campeões, não conseguindo também defender a coroa de campeão de Itália. Mas no ano seguinte, qualificado para a Taça UEFA, conquistaria o seu primeiro troféu europeu, batendo os alemães do Vfb Stuttgart na final a duas mãos (7), depois de pelo caminho já ter deixado potentados europeus como o Bordéus, a rival Juventus e o poderoso Bayern de Munique. 
 
Um segundo Scudetto seria conquistado na época seguinte, após uma renhida batalha com o AC Milan, que terminou com os napolitanos a vencerem com dois pontos de avanço (8). 
 
Platini (esq) e Maradona (dir), Juventus e Napoli, ricos contra pobres, a velha clivagem entre norte e sul que divide a Itália.
As visitas de Diego e companhia a norte eram acompanhadas de constantes declarações polémicas, que provocam receções hostis e o acirrar de um ódio latente na sociedade italiana, entre o norte rico e o sul pobre, pondo a nu certos fantasmas sobre a unidade do país. 
 
No mundial que se disputou em Itália, a polémica atingiu níveis impensáveis, quando Diego pediu aos napolitanos para apoiarem a sua Argentina contra a Itália, e sem surpresa, Nápoles em massa apoiou os argentinos, festejando noite dentro a eliminação transalpina, na meia final disputada no San Paolo. O resto da Itália assistiu incrédulo, Maradona e o Napoli, que já não eram bem vistos, tornaram-se então oficialmente figuras non gratas a norte da Campania (8). 
 
A Argentina perderia a final com a Alemanha no Olímpico de Roma, e as lágrimas de Maradona, provocaram gargalhadas bem altas, que se ouviram e calaram fundo no coração de Nápoles...
 
O declínio 
 
A Federação Italiana não podia esquecer a ofensa, e lançou um teste surpresa a Maradona, que foi apanhado nas «malhas do doping». Há muito que Diego consumia cocaína, e tal informação não era surpresa no mundo do futebol. Contudo, publicamente, sempre fora negado.
 
Estrela ou não estrela. A verdade é que o sistema não teve piedade do argentino e este foi castigado com 15 meses sem jogar. Acabando assim a sua carreira em Itália, com Maradona a acusar os italianos de batota e vingança pela derrota nas meias-finais, que provocaram muitos sorrisos e um generalizado alívio a norte de Roma...
 
Com Nápoles em estado de choque, a sua equipa ainda humilhou a Juventus com um histórico 5x1 na final da Supertaça, mas o declínio era inevitável, e este seria o único troféu napolitano durante vinte e dois anos...
 
A década de noventa foi de uma lenta agonia até ao desfecho dramático da despromoção em 1998. Tudo pioraria, depois de subidas e descidas, com a declaração de falência, em agosto de 2004. 
 
Regresso ao topo
 
O realizador Aurelio De Laurentiis, um tiffoso napolitano, relançou o clube, fundando o Napoli Soccer, que começou a jogar na Serie C1. Apesar de falhar na primeira tentativa, o clube conseguiu a promoção na segunda época, depois de bater recordes de assistência no terceiro escalão, com jogos com mais de 50 mil espetadores em San Paolo.
 
O Napoli de Cavani, a equipa que faz sonhar Nápoles 20 anos depois de Maradona.
Em 2006 recuperou o antigo nome, e no fim da época subiu para a Serie A, onde na estreia, conseguiu um 8º lugar e garantiu uma presença na Intertoto. Chegou à UEFA e seria eliminado na primeira eliminatória pelo Benfica

 
Paulatinamente foi acercando-se do topo, conquistando lugares cimeiros na tabela e regressando às competições europeias novamente. Em 2011, chegou mais uma vez ao terceiro lugar, marcando presença na Champions League pela primeira vez na sua história, chegando aos oitavos-de-final, onde foi eliminado pelo Chelsea, que seria o vencedor da competição.
 
No campeonato conseguiria um quinto lugar, mas a grande alegria chegaria com a conquista da Taça de Itália, 25 anos da última vitória na competição. Com o uruguaio Cavani como grande estrela, os napolitanos voltaram a sonhar com os grandes troféus da era de Maradona, confiando que seria novamente um rapaz das margens do Rio da Prata, a conduzir os azzurri ao céu...
 
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(1) - O Gambrinus é um dos mais famosos cafés do mundo. Fundando em  Nápoles em 1860, tornou-se desde a primeira hora, um dos mais afamados locais da cidade, com o seu nome e fama, a atrairem clientes de toda a Itália e Europa. 
(2) - Ciuccio - Burro
(3) - Enrico Caruso (Nápoles, 25 de fevereiro de 1873 — Nápoles, 2 de agosto de 1921) foi um tenor italiano, um dos maiores intérpretes de música erudita de todos os tempos.
(4) - Veltro era um tipo de cão de caça, muito veloz, usado durante séculos na Itália nas caçadas ao javali e outro animais de grande porte. 
(5) - Na longa história do campeonato italiano (1898 a 2012) o eixo em volta das três cidades e as suas regiões: Piemonte, Lombardia e Ligúria é responsável pela conquista de 90 títulos [Pie: Juventus 28, Torino 7, Pro Vercelli 7, Novese 1, Casale 1; Lom: Inter 18, Milan 18; Lig: Genoa 9, Sampdoria 1] com o sul a apenas poder reivindicar a conquista de dois títulos, ambos por intermédio do Nápoles.
(6) - A II Guerra Mundial durou de 1939-1945. A Itália só entrou no conflito em 1940, rendendo-se em 1943.
(7) - O Napoli bateu o Stuttgart por 5x4 (2x1 em Nápoles; 3x3 em Estugarda).
(8) - Dois pontos que o Napoli conquistou em Bergamo, numa vitória na secretária sobre o Atalanta, depois do brasileiro Alemão, ser atingido por uma moeda de cem liras.
(9) - Campania é a região do sudoeste de Itália, a sul de Roma, onde fica localizada Nápoles. 
 

 
 Giorgio Ascarelli, the club changed its name to Associazione Calcio Napoli on 23 August 1926
 
 Giorgio Ascarelli, the club changed its name to Associazione Calcio Napoli on 23 August 192 Em 1927, a equipe teve um desempenho terrível no Campeonato Italiano, terminando nas últimas colocações. Nos anos seguintes, o Napoli melhorou, e teve boas campanhas nos primeiros anos da competição por pontos corridos, que começou em 1929.
Comentários (1)
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Motivo:
Da
Meia final de Italia90
2014-08-01 13h48m por Dachau_
essa história da meia final, em que os italianos de Nápoles apoiaram a Argentina, não sei se é verdade. Eu li que, realmente, o Maradona pediu aos napolitanos para apoiar a Argentina mas estes recusaram "364 dias do ano eram argentinos mas naquele dia estavam a torcer pela a Itália".

Fica o registo, não sei bem o que realmente se passou.
Estádio
Stadio San Paolo
Lotação60240
Medidas110x68
Inauguração1959