Error message here!

Error message here!

Esqueceu-se password?

Perdeu a password? Introduza o seu endereço de email. Irá receber um link para criar uma nova password.

Error message here!

Voltar ao login

Odds
BenficaPortugal
PortugalV. Guimarães
CelticEscócia
EscóciaAberdeen
BolognaItália
ItáliaJuventus
história
Clubes

Anderlecht

2015/08/25 15:17
Texto por João Pedro Silveira
l0
E0
O Royal Sporting Club Anderlecht é de longe o mais bem sucedido clube belga, com mais de três dezenas de títulos nacionais belgas, diversos troféus europeus e uma história que abrange nomes como Vercauteren, Nilis, Himst, Rensenbrink, De Wilde, Mulder, Vandenbergh, Scifo ou Haan ajudaram a cimentar o nome dos roxos-e-brancos como um dos mais históricos clubes de futebol da Bélgica e da Europa.

Nascimento

Foi na Primavera de 1908 que um grupo de jovens que habitualmente se reuniam no Café Concordia, no n.º 8 da Rue d´Aumale/Aumalestraat, em Anderlecht - resolveu fundar um novo clube de futebol. 

Era o dia 27 de Maio e uma dúzia de entusiastas pelo desporto-rei faziam nascer o Sporting Club Anderlechtois, clube que levava no nome o bairro da zona sudoeste da capital belga onde se formara. 

Charles Roos era escolhido como o primeiro presidente e seria ele o responsável pela aquisição da primeira bola e pela organização da primeira equipa que entrou em campo na Rue de Serment, no primeiro jogo que o clube disputou, numa verdadeira chuva de golos em que o SC Anderlechtois venceu a equipa do Instituto Saint-Georges por 11x8. 

Após o sucesso nos primeiros jogos a direção resolveu inscrever o clube nas provas regionais, que começam a disputar desde 1909.

Nova casa, novos voos

Começando no terceiro escalão regional a equipa vai gradualmente subindo de divisão até conseguir o apuramento para as provas nacionais em 1913, ficando próximo da promoção à Primeira Divisão logo no ano de estreia, contudo o começo da Primeira Guerra Mundial, com a invasão alemã da Bélgica, levou ao interromper das provas nacionais e o futebol só regressaria em 1919.

Dois anos antes a equipa resolveu mudar de casa, mudando-se para o Parc du Meir - mais tarde conhecido como Parc Astrid - onde nasceria o Emile Versé, nome que homenageava o mecenas e benfeitor do clube. 

Em 1921 após um alargamento da Primeira Divisão, o Anderlecht vence o FC Liégeois e garante a tão ambicionada promoção. A estreia no primeiro escalão salda-se por um modesto 12.º lugar em 14 equipas, mas na segunda época os roxos e brancos são despromovidos.

Durante as décadas de 20 e 30 o clube teve sempre grande dificuldade em manter-se entre os grandes clubes belgas, passando grande parte deste período em promoções e despromoções (quatro em dez anos). 

Em 1933, 25 anos depois da fundação, o clube mudou o nome para a sua atual denominação: Royal Sporting Club Anderlecht, adquirindo assim o estatuto de Société Royale, um beneplácito régio que tanto orgulha ainda hoje os seus sócios e adeptos. 

O surgimento do gigante

Em 1939 a História repetiu-se. Para poder atacar a França a Alemanha invadia a Bélgica. Em poucos dias a Bélgica rendia-se e o país ficava debaixo do domínio militar do III Reich. 

O campeonato belga seria suspenso por duas épocas devido à Segunda Guerra Mundial, mas em 1941/42, os alemães permitiram que a competição voltasse. Foi precisamente nessa época que o Anderlecht contratou Jef Mermans, «o bombardeiro», goleador que rapidamente ganhou lugar na história do clube (1), sendo o melhor marcador da equipa em nove épocas, superando o feito de Ferdinand Adams, que fora o melhor marcador do clube durante oito épocas nos anos 20.

Depois do desembarque aliado na Normandia, e com subsequente avanço dos aliados, o Campeonato de 1944/45 seria cancelado e pouco depois a Bélgica era libertada.

No primeiro campeonato disputado depois do fim da guerra o Anderlecht ficou em terceiro lugar, atrás do campeão Malinois e do Antuérpia. Mas o campeonato seguinte seria finalmente vencido pelo Anderlecht, muito por culpa dos golos do «bombardeiro» Mermans.

Era o começo de uma nova era para os Mauves et Blancs (2), ou Paars-wit se perferirmos em neerlandês, que venceriam a liga belga por oito vezes até 1959. A este primeiro período dourado da história do Sporting, ficou associado o nome do inglês Bill Gormlie, que orientou o Anderlecht entre 1950 e 1960, depois de ter treinado os «diabos vermelhos» desde 1947 e até 1953 (3).

Em 1951 Théo Verbeeck abandonou a presidência do clube, após 40 anos no cargo, cedendo o lugar a Albert Roosens, que seria presidente dos roxos e brancos por 20 anos.

Himst e vanden Stock

Os anos 60 confirmaram o domínio do Anderlecht no futebol belga com a conquista de mais seis títulos de campeão, além da primeira conquista da Taça em 1965.

Em 1959, dois anos depois de Mermans abandonar o clube, outro nome faria furor e deixaria marca na história do Anderlecht: Paul Van Himst, para alguns o melhor jogador belga de todos os tempos. Durante 16 épocas jogou no Anderlecht apontando 233 golos em 457 jogos, vencendo por nove vezes a Liga e quatro vezes a Taça, fazendo parte da mítica equipa que venceu o «penta» entre 1964 e 1968 e tendo jogado a final da Taça das Cidades com as Feiras em 1970, perdida para os ingleses do Arsenal.

Em 1971 o histórico Constant vanden Stock torna-se presidente do Anderlecht. Stock, ex-jogador do clube nos anos 30, ex-selecionador belga, chegou ao clube do seu coração para torna-lo tão poderoso dentro como fora da Bélgica.

O exemplo vinha de perto. Nos vizinhos Países Baixos, o futebol holandês tinha emergido após décadas de marasmo. A revolução chegara pelo Feyenoord e pelo Ajax de Rinus Michels, que conquistariam a Taça dos Campeões Europeus entre 1970 e 1973. Da Holanda chegaria a principal referência da equipa durante a década de 70: Rob Rensenbrink.

Ascensão europeia

Entre 1976 e 1984 o Anderlecht disputou cinco finais europeias, das quais venceu três, além de ter vencido duas supertaças europeias, ganhando um estatuto de clube de primeira grandeza do continente.

O holandês Hans Croon chegou ao banco do «Parc Astrid» em 1975 e pegou numa equipa assente na classe de Rensenbrink e do também holandês Arie Haan, que juntamente com os belgas François Van der Elst, o jovem Franky Vercauteren e o capitão Gilbert Van Binst.

Rensenbrink e Van der Elst marcariam dois golos cada na final da Taça das Taças de 1976, jogada no Heysel em Bruxelas, e que os belgas venceram os ingleses do West Ham por 4x2. Meses depois na Supertaça europeia o Anderlecht perdeu em Munique 2x1 com o Bayern, recuperando na segunda mão com uma goleada histórica (4x1) e uma exibição magistral de Rensenbrink.

Entretanto Croon deu lugar a Raymond Goethals, que anteriormente orientava a seleção belga. Na campanha de 1976/77 da Taça dos Vencedores da Taças o Anderlecht voltou à final da competição depois de eliminar o Nápoles, Southampton e Galatasaray. No jogo decisivo, em Amesterdão, contra o Hamburgo de Magath e companhia, o Anderlecht foi incapaz de defender o título e perdeu por 2x0.

Convencionou-se dizer que não há duas sem três e o Anderlecht voltou à disputar a Taça das Taças em 1977/78. Enquanto que internamente os roxos-e-brancos acumulavam quatro segundos lugares consecutivos, na Europa o clube brilhava chegando pelo terceiro ano consecutivo à final da Taça dos Vencedores das Taças. 

No Parc dos Princes em Paris, o Anderlecht dizimou o Austria de Viena (4x0) e venceu a competição pela segunda vez, ganhando o direito de voltar a jogar a Supertaça Europeia, desta feita contra o Liverpool.

Na primeira mão em Bruxelas, Vercauteren, François Van der Elst e Rensenbrink lideraram o assalto à área inglesa, conseguindo uma vitória por 3x1. No jogo de volta em Anfield Road, os reds de Bob Paisley, com Kenny Dalglish e Graeme Souness em destaque, acabaram por vencer apenas por 2x1. O Anderlecht conquistava o quarto título europeu em três épocas. 

A conquista da UEFA

Em 1982/83 Paul van Himst regressa ao Anderlecht para treinar a equipa, liderando o clube a nova presença em final europeia, desta feita na Taça UEFA, disputada a duas mãos com o Benfica

No primeiro jogo em Bruxelas Brylle adiantou os belgas na eliminatória. Duas semanas depois, na Luz, em Lisboa, Sheu ainda igualou a final, mas o espanhol Lozano empatou antes do intervalo. No segundo tempo o Anderlecht aguentou todas as investidas benfiquistas e Franky Vercauteren levantou a Taça UEFA, o quinto troféu europeu a rumar às vitrinas do Constant Van der Stock (4).

Semifinalista da Taça dos Campeões em 1982 e 1986, o Anderlecht disputou ainda mais duas finais no seu extraordinário historial europeu. Primeiro a final da Taça UEFA em 1984, um ano depois da vitória sobre o Benfica. Desta feita a sorte seria madrasta e após empates a uma bola em Bruxelas e Londres, o Anderlecht acabaria derrotado pelo Tottenham no desempate por grandes penalidades.

Em 1990 o Anderlecht voltou à final da Taça das Taças, para enfrentar os italianos da Sampdoria. Em Gotemburgo, o futebol taticista dos genoveses levou a melhor e no prolongamento, dois golos de Gianluca Vialli decidiram o jogo. 

Últimos anos

Depois de ter celebrado a conquista do seu 20.º título de campeão belga em 1987 o Anderlecht só voltaria a festejar um campeonato em 1991, o primeiro dos cinco que conquistou na última década do século, período em que a equipa vencia muito à custa dos golos de Luc Nilis e Johnny Bosman. 

Na primeira década do novo milénio os Mauves et Blancs conquistaram novamente cinco ligas, atingindo o 30.º título em 2010, a que rapidamente somaria novas conquistas nos anos seguintes...

------------------------------
(1) Com 38 golos em 1946/47 foi fundamental no primeiro título do Anderlecht. Ao todo apontou 339 golos em 384 jogos pelo clube. Abandonaria o clube em 1957, após 15 épocas de roxo e branco.
(2) Mauves et Blancs - Roxos e Brancos
(3) Nome porque é conhecida a seleção nacional da Bélgica. 
(4) Nome atual do estádio do Anderlecht, antigamente denominado Emile Versé e popularmente conhecido como Parc Astrid. 

Comentários (0)
Gostaria de comentar? Basta registar-se!
Motivo:
Estádio
Constant Vanden Stock
Lotação28063
Medidas105 x 68 m
Inauguração1917