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Lokomotiv

Texto por João Pedro Silveira
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L'histoire du Lokomotiv Moscou remonte à l'an 1923, à la formation du club KOR Moscou (les initiales KOR faisant référence à la Révolution d'Octobre : en russe КОР signifie Клуб Октябрьской Революции, soit littéralement Club de la révolution d'octobre). Le club réunissait les meilleurs footballeurs des rues avoisinant le quartier des gares à Moscou. Vers la fin des années 1920 et au début des années 1930, KOR figurait constamment dans les meilleurs collectifs de football de Moscou.
 
En 1936, à la création de la société sportive volontaire des cheminots "Lokomotiv", son équipe de football était composée des meilleurs joueurs de KOR et de joueurs figurant parmi les meilleurs en Union soviétique à l'époque : Valentin Granatkine, Nikolaï Ilyin, Alexeï Sokolov, Piotr Terenkov, Mikhaïl Joukov, Ilya Gvozdkov ou Ivan Andreev. Le Lokomotiv disputa cette année le premier match de l'histoire du championnat soviétique, face au Dynamo Leningrad, le 22 mai 1936. Lors des deux premières mi-saisons (printemps et automne), le club finit respectivement aux 5e et 6e places.
 
Le premier trophée d'envergure du Lokomotiv, une Coupe d'URSS fut remporté dès 1936. Les "cheminots" battirent en finale l'équipe du Dinamo Tbilissi 2:0.
 
Les années suivant la Seconde Guerre mondiale furent plus mouvementées pour le club, qui connut plusieurs allers-retours entre la Première Ligue et la 1re division.
 
Les années 1950 : premier renouveau du club[modifier | modifier le code]
En 1952, le Lokomotiv fut promu pour la deuxième fois en Première Ligue, alors appelée classe "A". Le retour au premier plan du club commença alors. Jusqu'au début des années 1960, les joueurs du "Loko" étaient constamment en course pour les plus importants trophées et en 1957, ils remportèrent la Coupe d'URSS pour la deuxième fois, puis furent finalistes du championnat en 1959.
 
Même si les matches internationaux étaient très rares pour des clubs soviétiques jusqu'à la fin des années 1950, le Lokomotiv devint dès 1955 un ambassadeur du football soviétique à l'étranger, disputant des matches amicaux en Europe, en Asie, en Afrique, et même en Amérique du Nord. Pendant ce temps-là fut créée l'Union Sportive Internationale des Cheminots (ISUR). Les pays socialistes d'Europe de l'Est y furent représentés par des équipes relativement fortes, parmi lesquelles le "Loko".
 
Cette période fut faste pour le Lokomotiv, et vit briller les stars soviétiques de l'époque : Vladimir Maslatchenko, Gennadi Zabeline, Evgueni Rogov, Valentin Bouboukine, Viktor Sokolov, Viktor Vorochilov, Igor Zaitsev, Zaur Kaloyev, Yury Kovalyov, Vitali Artemev…
 
Les années 1980 : deuxième renouveau du club, arrivée de Youri Semine[modifier | modifier le code]
Mais quand l'équipe fut abandonnée par les joueurs les plus forts, le Lokomotiv recommença à se chercher. Les "cheminots" firent le balancier entre la Première Ligue et la 1re Division jusqu'à la fin des années 1980. Le deuxième renouveau s'entama avec l'arrivée d'un nouvel entraîneur, Youri Semine et d'une nouvelle équipe dirigeante, avec à sa tête Valeri Filatov, en 1986. Pendant les dix premières années post-soviétiques, le Lokomotiv Moscou finit deux fois deuxième et deux fois troisième du championnat russe. Les cheminots remportèrent par quatre fois la coupe de Russie, devenant ainsi premiers au bilan des victoires en coupe.
 
2002 : Premier titre en championnat[modifier | modifier le code]
Les résultats de cette fin de vingtième siècle plaçaient le "Loko" dans la position inconfortable d'"éternel deuxième" mais la consécration finit par arriver pour les joueurs du Lokomotiv, qui remportèrent le championnat en 2002 d'abord, puis en 2004, grâce notamment à une baisse de régime du Spartak rival.
 
Au niveau international, le club n'a cessé de progresser, atteignant deux fois d'affilée (1997, 1998) les demi-finales de la Coupe d'Europe des Vainqueurs de Coupe puis les 1/8e de finale de la Ligue des champions en 2004.
A ver os comboios partir

As raízes do Lokomotiv remontam ao período pós-revolucionário (1), quando um grupo de homens de Krasnoselsky criou uma equipa de futebol: Kazanka.

Desde a primeira hora que o Lokomotiv, então Kazanka, está ligado aos caminhos-de-ferro, pois o local onde nasceu era muito próximo da famosa estação ferroviária que lhe deu nome, a gare de Kazansky, situada na Praça Komsomolskaya, de onde partiam os comboios da linha Moscovo-Kazan (Moskovskaya-Kazanskaya Zh.D).

Komsomolskaya é também conhecida como a praça das estações, pois além da Kazansky, do outro lado da praça encontram-se mais duas estações: Leningradsky e Yaroslavsky, que como os nomes indicam, serviam respetivamente as linhas que ligavam Moscovo a São Petersburgo (2) e Yaroslav. 

Foi à sombra da icónica fachada da estação, desenhada por Alexey Shchusev, que faz lembrar a não menos icónica torre Söyembikä em Kazan, que os fundadores do clube encontraram os jogadores que formaram a equipa, por entre os diversos grupos de rapazes que jogavam futebol nos espaços vazios da praça e nos descampados contíguos.

Dois anos depois da fundação do clube este mudou de nome de Kazanka para KOR Moscovo (3), clube de jovens apaixonados pelo futebol, nacionalistas e ferverosos apoiantes do novo regime saído da Revolução Bolchevique. 
 
Curiosamente, antes de se chamar Lokomotiv e estar ligado aos caminhos-de-ferro, a história do clube começou nas vizinhanças da principal estação de comboios de Moscovo, pois foi nesse bairro que o clube cresceu e foi encontrando os novos jogadores, entre os rapazes que iam jogando à bola nos largos e descampados dessa zona da cidade.
 
Dessa pequena equipa poucos registos sobreviveram à passagem do tempo, mas notícias coevas relatam os seus jogos e consideram que a equipa do KOR tinha um dos melhores colectivos do futebol moscovita. 
 
Novas mudanças de nome
 
Em 1931 o clube voltou à denominação original de Kazanka (Moskovskaya-Kazanskaya Zh.D), nome que manteve até 1936, altura em que se criou a Sociedade Desportiva Voluntária de Maquinistas "Lokomotiv".

A nova equipa era formada pelos melhores jogadores do Kazanka e contava com alguns dos melhores jogadores do país nessa altura como Nikolaï Ilyin, Piotr Terenkov, Valentin Granatkine e Alexeï Sokolov. 

Os resultados e a fama da equipa levou a que o Lokomotiv fizesse parte da primeira edição da Liga Soviética em 1936 onde terminou no 5.º lugar na edição da Primavera e em 6.º na edição de Outono. Já na Taça da União Soviética os "ferroviários" chegaram à final e bateram o Dinamo Tbilisi por 2x0, conquistando o primeiro troféu do seu historial.
 
Sexto, oitavo, quinto e sexto, seriam as classificações conseguidas pela equipa do Lokomotiv nas edições seguintes da Liga Soviética, firmando-se como um clube de primeiro escalão e sempre classificado entre as dez melhores equipas do país. 
 
No verão de 1941 a Alemanha Nazi invadiu a União Soviética e pouco depois todas as competições desportivas eram interrompidas. O futebol só seria retomado em 1944 com nova edição da Taça e no ano seguinte com o regresso da Liga. 
 
O pós-guerra
 
No recomeço da liga depois do fim do conflito o Lokomotiv viveu momentos complicados, terminando a época em último lugar, despromovido ao segundo escalão pela primeira vez.
 
Durante os anos do pós-guerra o clube o Lokomotiv passou por grandes dificuldades desportivas, retornando anos depois ao primeiro escalão para voltar a descer pouco depois. 
 
A estabilização do clube só chegaria já na década de cinquenta, com o Lokomotiv a tornar-se presença habitual na primeira metade da tabela. 
 
Sucessos durante o período soviético
 
Em 1957 os "ferroviários" conquistaram a Taça da URSS pela segunda vez e dois anos depois terminaram a Liga em segundo lugar, que seria a melhor classificação do Lokomotiv na liga até ao fim da União Soviética em 1991. 
 
Durante estes anos em que o Lokomotiv ombreava com os melhores clubes russo, a equipa contava com uma geração de jogadores que ficou na história do clube como Vladimir Maslatchenko, Gennadi Zabeline, Evgueni Rogov, Valentin Bouboukine, Viktor Sokolov, Viktor Vorochilov, Igor Zaitsev, Zaur Kaloyev, Yury Kovalyov ou Vitali Artemyev.
 
A vida pós URSS
 
O fim da União Soviética parece ter trazido novo fôlego aos "maquinistas". Nos anos 80 o Lokomotiv contratou o jovem Yuri Semin para liderar a nova equipa, numa aposta de Vlaeri Filatov, o novo presidente do clube desde 1986. 
 
Com Semin, que saiu do clube durante uma época (1991) para orientar a equipa olímpica da Nova Zelândia a década de 90 seria histórica. 
 
Até ao ano 2000 o Lokomotiv foi vice-campeão em três ocasiões, além de ter conseguido ainda dois terceiros lugares. Além das presenças constantes no pódio venceu a Taça da Rússia em 1996, 1997 e 2000.
 
Em 2001 venceria a Taça mais uma vez, repetindo o vice-campeonato e mostrando que o próximo passo estaria muito perto. 
 
Sucesso
 
Não foi preciso esperar muito, pois em 2002 o Lokomotiv sagrou-se pela primeira vez campeão da Rússia, feito que repetiria dois anos mais tarde. Internacionalmente o clube também viveu momentos memoráveis durante esses anos, chegando a duas meias-finais da Taça das Taças (1997 e 1998) e aos oitavos de final da Champions em 2004. 
 
Os longos anos de crise e as trocas no banco de suplentes… com Semin ao barulho
 
O obreiro da conquista do título em 2004, Yuri Semin, abandonou na temporada seguinte para assumir o comando técnico da seleção da Rússia e o Lokomotiv caiu a pique. Literalmente. Foram imensos os treinadores que passaram sem sucesso pelo banco e alguns até terminaram a estadia em conflito com a direção.
Em 2005, o Loko bateu o Terek Grozny e conquistou a Supertaça da Rússia, sob o comando de Vladimir Eshtrekov… que acabou despedido. Concedeu o lugar ao sérvio Slavoljub Muslin, o primeiro técnico estrangeiro da história do clube, que almejou um terceiro lugar em 2006 considerado insuficiente para o corpo diretivo. Na temporada 2006/07, o clube levantou a Taça com um novo timoneiro. Seguiram-se, então, os anos desastrosos…

Yuri Semin regressou em 2009 para tentar colocar alguma ordem à casa. Alcançou um 4º lugar nessa mesma época, após um início terrível, mas voltou a falhar na seguinte. Saiu e para o seu lugar entrou Yuri Krasnozhan, antigo técnico do Spartak Nalchuk, que foi forçado a abandonar o clube após alguns meses. A crise instalou-se uma vez mais, em 2011/12, época na qual José Couceiro foi contratado para salvar algo que parecia mais do que perdido. Terminou em sétimo e não recebeu qualquer proposta de renovação por parte dos responsáveis máximos do emblema da capital.

Saiu o português e a aposta recaiu em Slaven Bilic, para 2012/13, ele que havia renunciado ao cargo de selecionador croata. Apesar das expetativas em torno do técnico, o Lokomotiv não foi além de um… 9º lugar. A pior classificação de sempre da equipa na era pós URSS. Em 2013/14, Bilic foi despedido e Leonid Kuchuk entrou para o seu lugar. Com o bielorrusso no comando, o Loko, alcançou de novo o pódio, mas, um ano depois, os maus resultados regressaram e com isso… os despedimentos.

Em 2014/15, Kuchuk deixou a equipa no 9º posto e Igor Cherevchenko foi chamado a intervir. Apesar de não ter ido além de uma pobre 7ª posição no campeonato, o Lokomotiv conquistou, novamente, a Taça da Rússia, desta feita ao Kuban Krasnodar, título esse que terminou com oito anos de jejum.

O êxito fez com que o treinador natural do Tajiquistão se mantivesse no cargo por mais do que um ano… mesmo com péssimos resultados na temporada 2015/16. O voto de confiança em Cherevchenko manteve-se até o ano seguinte… de forma temporária.

O regresso da lenda

A má forma da equipa fez com que Yuri Semin voltasse ao banco do Lokomotiv em 2016/17. Tentou evitar o impossível – terminou em 8º – e acabou por conquistar a Taça da Rússia, batendo na final o Ural Yekaterinburg.

Ora, desta vez com Semin regressaram os títulos… e a glória. A velha raposa do futebol russo colocou, de novo, o Lokomotiv de Moscovo na ribalta e terminou com a hegemonia dos eternos rivais ao conquistar inesperadamente o título de campeão em 2017/18.

Responsável pelos dois troféus anteriores (2002 e 2004), Semin repetiu a façanha e, para além disso, levou o Loko a alcançar os oitavos de final da Liga Europa pela primeira vez, tendo sucumbido aos pés do Atlético de Madrid, formação que acabou por vencer a prova. Os portugueses Manuel Fernandes e Éder desempenharam um papel importante no mais recente capítulo glorioso da história do clube.

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(1) Período que decorreu depois da Revolução de 1917 até ao nascimento da União Soviética cinco anos mais tarde. 
(2) Em 1914, por causa da guerra com a Alemanha, as autoridades mudaram o nome da cidade de São Petersburgo para Petrogrado, contudo em 1924, a cidade passou a receber o nome de Leninegrado, em honra do líder da Revolução Bolchevique de 1917. 
(3) As iniciais KOR fazem referência à Revolução de Outubro, também conhecida como Revolução Bolchevique ou Revolução Russa (1917): em russo КОР significa Клуб Октябрьской Революции, que pode traduzir-se como Clube da Revolução de Outubro. 
Comentários (1)
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motivo:
Zerozero. . .
2018-10-24 15h16m por bludouro
Eis uma excelente crónica sobre a vida do adversário do FC Porto na "Champions"!

SE me permitem gostaria porém de sugerir os seguintes reparos:

1) O primeiro troféu do historial do Lokomotiv foi conquistado diante o Dínamo Tbilisi e não "Dynamo Tblislissi". . .

2) No parágrafo intitulado de "Sucesso" escreveram uma frase que não faz sentido: "Internacionalmente o clube também [conheceu/teve/viveu?] momentos memoráveis durante esses anos, [. . . ]"...ler comentário completo »
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