história
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Eintracht Frankfurt

Texto por João Pedro Silveira
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As origens do Eintracht remontam a dois clubes da cidade do Meno que nasceram em 1899: o Frankfurter Fußball-Club Viktoria von 1899 e o Frankfurter Fußball-Club Kickers von 1899. Ambos ajudaram a fundar a Nordkreis-Liga em 1909, que disputaram separadamente, até se fundirem num só em maio de 1911, data em que se tornaram no Frankfurter Fußball Verein (Kickers-Viktoria), clube que nasceu votado ao sucesso, conquistando o tricampeonato entre 1912 e 1914 na Nordkreis-Liga. 
 
De mala às costas
 
Nos anos vinte, como aconteceu em muitos clubes na Alemanha, os praticantes de ginástica e futebol resolveram separar-se em dois clubes distintos: o Turngemeinde Eintracht Frankfurt von 1861, e o Sportgemeinde Eintracht Frankfurt (FFV) von 1899.
 
1932: o Eintracht chega pela primeira vez à final do Campeonato Nacional da Alemanha. O jogo não correria de feição e as águais seriam batidas pelo Bayern de Munique por 0x2.
Acompanhando a tormentosa história do país, o Eintracht disputou diversos campeonatos regionais, a cada novo reordenamento territorial, que foi vencendo. Campeonatos como a Kresliga Nordmain, a Bezirksliga Main e a Bezirksliga Main-Hessen, conseguindo sempre a qualificação para a fase final a nível nacional, onde chegou à final do Campeonato em 1932, perdida para o Bayern de Munique por 0x2, que ganhava assim o seu primeiro título nacional. Curiosamente, este foi o último campeonato realizado antes da chegada de Adolf Hitler ao poder.
 
No ano seguinte, com a ascensão dos nazis ao poder, o futebol alemão sofreu nova reorganização, dezasseis ligas regionais (Gauliga), que apuravam os finalistas que iriam disputar o campeonato nacional. O Eintracht disputava a Gauliga Südwest, que venceria em 1938.
 
Com a derrota alemã na II Guerra Mundial e o consequente fim do III Reich, o Eintracht teve de renascer, passando a disputar a Oberliga Süd. Durante anos as águias de Frankfurt apresentaram equipas muito competitivas que tornaram no clube, num dos grandes emblemas da região.
 
A coroa de glória chegaria em 1959, com a conquista do Campeonato Nacional - o primeiro e único até hoje - que lhe valeu não só a glória, como o direito de participar na ainda recente Taça dos Campeões Europeus. Na época de 1959/60, o Eintracht escreveu a mais épica das suas páginas, aquele capítulo que passados mais de 50 anos ainda é recordado pelos adeptos e rivais...
 
A caminho de Glasgow
 
A equipa do Eintracht Frankfurt, campeã em 1959.


Após ultrapassar os finlandeses do Kuopion Palloseura, que abandonaram a prova, o Eintracht «despachou» os helvéticos do Young Boys com um 5x2 no conjunto das duas mãos. Nos quartos-de-final, as vítimas seriam os vienenses do Wiener Sportclub (2x1 e 1x1), a que se seguiam os escoceses do Glasgow Rangers, que sonhavam chegar ao grande jogo, pois a final disputava-se no seu estádio.
 
A 13 de Abril, no Waldstadion, o Eintracht adiantou-se aos 29 minutos, mas na resposta, o sueco Lindberg marcou uma grande penalidade contra as cores alemãs, que o escocês Caldow não desperdiçou. 1x1. O Eintracht acusou o toque e até ao intervalo não marcou nenhum golo, parecendo mais preocupado em evitar um segundo golo escocês.
 
Mas nos segundos 45 minutos, o «onze» liderado por Paul Oßwald não deu hipóteses e dizimou a equipa de Glasgow, com um humilhante 6x1 final.
Quinze dias depois, nova dose e mais seis golos, num 3x6 que deixou o público escocês a aplaudir de pé a «esquadra do Meno».
 
O grande dia
 
O Eintracht marca o primeiro golo, dos três que marcou na final da Taça dos Campeões Europeus. Infelizmente para as cores alemãs, o Real apontaria sete.
As duas goleadas ao Rangers tinham transformado o Eintracht num caso sério de popularidade em terras escocesas. Na grande final, esta máquina goleadora enfrentava o Real Madrid, somente o tetracampeão europeu...
 
As «águias» mostravam ter um meio-campo fortíssimo, assente na força de Dieter Stinka e Jurgen Lindner, guardiães da liberdade criativa de Alfred Pfaff e Richard Kress.

Seriam os «ases» alemães capazes de deter a classe de Gento, Di Stéfano, Puskas e companhia? Os escoceses queriam crer que tinham sido eliminados por uma equipa do outro mundo, mas os merengues tinham uma palavra - e que palavra - a dizer sobre assunto.
 
Alfred Pfaff, a grande estrela do Eintracht do fim dos anos cinquenta.
Entre os 127 e os 133 mil espectadores - dependendo das fontes - encheram as bancadas do mítico Ibrox Park, um recorde que ainda perdura em jogos a contar para a prova rainha do futebol europeu...
 
Os alemães saíram na frente, mas foram literalmente atropelados pela classe alemã, graças aos três golos do Major Galopante e às investidas de La Saeta Rúbia, como eram conhecidos Di Stéfano e Puskas.

O «esmagador» 7x3, com que o Real Madrid brindou o Eintracht, ficou para sempre na memória dos apaixonados do «jogo do povo», como a mais épica página da maravilhosa história do Real Madrid pentacampeão europeu. Ao Eintracht restou a memória da fantástica carreira até ao grande jogo e o consolo de terem estado presentes na mais espetacular final de todos os tempos na Taça dos Campeões Europeus, hoje em dia, Liga dos Campeões.
 
Regresso à terra
 
Por mérito dos bons resultados nas provas nacionais e regionais, o Eintracht seria um dos dezasseis clubes a serem chamados a disputar a primeira edição da Bundesliga em 1963. Durante anos a fio, o clube foi presença habitual na primeira metade da tabela, mas nunca mais voltou a subir ao lugar mais alto do pódio. Como lugares de destaque, destacam-se cinco terceiros lugares.
 
Na Taça a história era outra, com a conquista do troféu em 1974, 1975 e 1981, a que se somaria um quarto em 1988.
 
Já na Europa, o Eintracht voltara a brilhar quando em 1980, se qualificou para a meia-final da UEFA, juntamente com mais três equipas da Alemanha Federal: Bayern de Munique, Borussia Möchengladbach e Stuttgart. As águias, onde se destacava o coreano Bum Kum Cha, bateram o Gladbach na final a duas mãos, através da regra dos golos fora (2x3 e 1x0).
 
Dificuldades
 
1980: vinte anos depois, o Eintracht Frankfurt bate o Gladbach e conquista finalmente um troféu europeu.
Depois da conquista da UEFA, o Eintracht passou por anos complicados, evitando por três vezes a despromoção o que levou à chegada de Matthias Ohmas à liderança do clube. Com Ohmas no comando, o Eintracht recuperou o prestígio assente numa equipa onde brilharam jogadores como Tony Yeboa, Maurizio Gaudino, Uwe Bein, Andreas Möller e o nigeriano Okocha. O Eintracht era presença recorrente na Europa, e na época 1991/92 terminou em 3º lugar, a apenas dois pontos do campeão Estugarda, com a equipa comandada pelo jugoslavo Dragoslav Stepanovic a apresentar um futebol atrativo que rendia rasgados elogios da imprensa. 
 
Mas uma nova crise chegou após a saída do carismático Stepanovic. Com problemas financeiros e incapaz de manter uma equipa de topo, o Eintracht caiu nas profundezas da Bundesliga 2 em 1995/96, pela primeira vez na competição, mais de trinta anos depois de ter começado a disputar a Bundesliga...
 
A queda foi dura e abriu uma nova era na história do Eintracht, que de clube de topo habituado a carreiras descansadas, passou a viver  recorrentemente no terror das subidas e descidas de escalão, perdendo paulatinamente o estatuto que manteve até meados dos anos 90.
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Estádio
Commerzbank Arena
Lotação52300
Medidas105x68
Inauguração1925