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histria
Clubes

Chelsea

2013/03/19 18:24
Texto por Joo Pedro Silveira
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Graças a uma dentada de um scotch terrier, um estádio que ia ser vendido para uma companhia de caminhos-de-ferro para se tornar numa nova estação de comboios, tornou-se na base de um clube que teria esperar mais de cem anos, para se tornar num dos mais poderosos de Inglaterra e do Mundo. Eis a historia apaixonante do Chelsea Football Club! 

Fulham Road

O ano era 1896, Londres era uma cidade coberta pela fuligem, habitada por uma multidão de milhões, que percorria diariamente as suas ruas e ruelas, praças e avenidas, como pequenas formigas atarefadas. Mais que capital da Grã-Bretanha e do seu imenso Império, a metrópole junto ao Tamisa era o centro nevrálgico do planeta. Com o aproximar do novo século, a cidade estendia-se em todas as direções. Entre infraestruturas, novas artérias e áreas industriais, a cidade também abraçava o desporto, com o futebol a começar a conquistar o coração da sociedade vitoriana. 

Henry «Gus» (Augustus) Mears, um arguto homem de negócios, olhava para o futebol como uma oportunidade. Juntamente com o seu irmão, Joseph, queria comprar o Stamford Bridge Athletics Ground, um recinto desportivo multifunções, localizado em Fulham, uma zona da cidade que até ao século XIX tivera uma aura de deboche, famosa por ser alvo das incursões dos mais abastados, que procuravam emoções mais intensas, na prostituição e jogo que se encontravam facilmente nas esquinas do bairro, mas que na era vitoriana perdera a reputação de «Las Vegas» do seu tempo, para se tornar um local de eleição da classe operária.
 
Gus Mears, viu na centralidade do bairro uma excelente oportunidade de negócio, mas teve de esperar pelo falecimento do proprietário em 1904, para poder finalmente adquirir o recinto. Juntou a Stamford Bridge o pequeno Market Garden, com a intenção de construir o melhor estádio de futebol do país, capaz de receber jogos da liga e seleção. Contudo, os irmãos Mears falharam na tentativa de convencer o presidente do Fulham FC, Henry Norris, a abandonar Craven Cottage e mudar-se para o novo estádio.
 
Mordida de um cão
 
A recusa do Fulham deixou «Gus» Mears com um estádio nas mãos vazio e sem um clube para o utilizar. Em vão, tentou convencer outros clubes, mas nenhum se mostrou interessado. Descrente, resolveu vender o terreno à Great Western Railway Company, grande empresa dos caminhos-de-ferro que estava a construir uma nova linha que iria ligar a capital ao oeste do país, necessitando de um terreno para ali edificar um depósito de carvão, fundamental para servir de apoio à nova linha. 
 
Entrou então em cena, Fred Parker, um colega de Mears, que há muito o tentava dissuadir de vender o terreno à Great Western Railway Company, argumentando que seria possível criar um clube de raiz para tornar o recinto rentável. Mears, intransigente recusava qualquer argumento, até que um banal incidente mudou a história, como Parker recordou um dia mais tarde:
 
«Triste, sabendo que o estádio deixaria de existir, eu caminhava lentamente a seu lado (Mears), quando vindo de trás, inesperadamente surgiu o seu cão, que me mordeu com tanta força através das minhas meias de ciclismo, que o sangue escorreu abundantemente. Zangado, virei-me para ele (Mears) e disse "O raio do seu cão mordeu-me, olhe!", mostrando-lhe o sangue. Em vez de mostrar algum tipo de preocupação, ele limitou-se a comentar, "Os scotch terrier, mordem sempre antes de falar."
 
O absurdo da declaração foi de tal maneira , que apesar de estar ao «pé coxinho» com o sangue a cair-merpela perna, não contive uma  gargalhada, tal a graça do que acabara de ouvir. Acrescentando que ele era por certo o sacana mais frio que jamais conhecera. Um minuto mais tarde, Mears surpreendeu-me com uma palmada no ombro, acrescentando, "Tu aguentaste aquela mordidela como poucos, a maioria dos homens não se calava com lamúrias depois de ser mordido. Olha, vamos fazer o que tu querias. Estou contigo, vamos esquecer a proposta dos outros. Vai à farmácia e trata-me essa mordida, que amanhã quero-te aqui às nove da noite para meter as mãos à obra
 
Num instante, por capricho, Mears mudou a sua opinião e decidiu aceitar a ideia de Parker para se fundar um clube para ocupar Stamford Bridge. Esse momento teve lugar no vizinho The Rising Sun, um pub onde habitualmente se reuniam os fundadores do clube. A 10 de março de 1905, depois de terem ponderado nomes como Kensington FC, Stamford Bridge FC e London FC, acabaram por escolher Chelsea FC, em honra do bairro limítrofe. Assim os blues tornavam-se posh por proximidade, representavam Chelsea, mas ficavam radicados em Fulham.
 
Chelsea pensioners
 
Elegendo o azul como cor e o leão rampante como escudo, o Chelsea cedo foi admitido na Liga, começando a competir imediatamente na II Divisão. Após duas épocas subiu e iniciou um longo período de subidas e descidas, que lhe valeram a alcunha de «yo-yo de Chelsea».
 
Mears faleceu em 1912, sem o seu clube conhecer o sucesso que ele sonhava para a sua equipa. Já depois de falecer, um dos seus sonhos realizou-se, com Stamford Bridge a tornar-se o local da final da Taça de Inglaterra entre 1920 e 1922. A família Mears continuou na frente do clube até aos anos oitenta, altura em que acabou a última ligação entre o fundador e o Chelsea.
 
Desde os primeiros anos, que o clube se associou aos pensionistas do Royal Hospital Chelsea, um lar para antigos membros do exército britânico localizado em Chelsea. Os Chelsea Pensioners, como eram (são) conhecidos, tinham o direito de presenciar todos os jogos do clube em Stamford Bridge, um privilégio que ainda detêm, passados todos estes anos. 
 
Durante décadas os pensioners viveram bem longe dos resultados dos outros grandes de Londres. A II Guerra Mundial deixou o futebol inglês em stand by, dos diversos jogadores da equipa, apenas dois não foram chamados a participar no conflito. 
 
No pós-guerra, os blues apostaram forte no crescimento, adquirindo Tommy Lawton, Len Goulden e Tommy Walker, um trio de renome que deixou marca no futebol inglês. 
 
O campeonato
 
O antigo treinador do Arsenal, Ted Drake, tornou-se o manager em 1952, começando a modernização de um clube que parecia parado no tempo. Alterou o emblema do clube, deixando cair o Chelsea Pensioner do escudo, substituindo por letras estilizadas e passando a destacar-se o azul carregado, que valeu a alcunha de «blues».
 
Investiu nas camadas jovens e alterou os métodos de treino, reconstruindo a equipa com jovens promissores de divisões inferiores, e inclusive alguns amadores, que para surpresa de muitos, foram fundamentais na conquista da liga de 1954-55, o primeiro troféu da história do clube.
 
Na época seguinte, o Chelsea foi aconselhado pela Federação Inglesa, a não participar na Taça dos Campeões Europeus, a nova competição que acabara de surgir. O Chelsea acedeu, estando longe de imaginar que só voltaria a qualificar-se para competição nos anos noventa...
 
Longa travessia do deserto
 
Depois da conquista do título, o clube não conseguiu estar à altura das expectativas geradas, passando o resto da década a meio da tabela, para nos primeiros anos dos loucos anos sessenta, voltar a cair temporariamente na segunda divisão. Ainda em 1969, apesar da crise, acabou por conquistar pela primeira vez a FA Cup.
 
Depois de um novo regresso ao topo, acabou por cair para a segunda divisão nos anos setenta, onde se arrastava longe do topo, ameaçando inclusivamente cair para o terceiro escalão, quando Ken Bates adquiriu o clube por somente uma libra, impedindo o seu mais que provável fim...
 
Os anos oitenta seriam um novo começo, com o Chelsea a voltar ao primeiro escalão, com uma curta passagem pela segunda divisão em 1989.
 
Bates reorganizou o clube e lentamente foi subindo na classificação, encurtando distâncias para o topo. Em 1996, o holandês Ruud Gullit tornou-se jogador-treinador, e foi com ele no comando que os blues conquistaram a FA Cup
 
Vialli sucedeu a Gullit, guiando o Chelsea à conquista da Taça das Taças, além de uma Taça da Liga. Para substituir o italiano, viria outro italiano, Claudio Ranieri, que foi o responsável para a primeira qualificação dos azuis para a Champions
 
Era Abramovich 
 
Em junho de 2003, Bates vendeu o Chelsea ao bilionário russo Roman Abramovich por 140 milhões de libras. Mais cem milhões seriam gastos em novos jogadores, contudo Ranieri seria incapaz de conquistar algum troféu, acabando por ser substituído por José Mourinho.
 
Com o Special One, o Chelsea quebrou um longo jejum, festejando o campeonato e tornou-se o quinto clube depois da guerra a festejar um bicampeonato. Em 2007, apesar dos sucessos do português, Mourinho seria substituído por Avram Grant, que conduziu os blues à sua primeira final da Champions, perdida nos penáltis para o Manchester United
 
Na voragem do sucesso, Abramovich foi trocando de treinador como quem troca de camisa. Filipe Scolari, Guus Hiddink, Carlo Ancelotti, sucederam-se, perdendo o lugar, apesar das conquistas das ligas e das taças, com o russo a demonstrar-se sempre insatisfeito por não conquistar a Champions.
 
André Villas-Boas seria o segundo português a estar à frente do esquadrão de Stamford Bridge, mas também ele fracassou, acabando substituído pelo interino Roberto di Matteo, responsável pela surpreendente conquista da Liga dos Campeões em 2012 ,ganha ao Bayern de Munique, no seu estádio, após desempate através de grandes penalidades.
 
Contudo desenganem-se aqueles que acham que a conquista da tão almejada Champions iria alcamar o bilionário, que acabou por despedir o italiano depois do fraco começo na época seguinte, trocando-o pelo espanhol Rafa Benítez, que segundo as más línguas, desde a primeira hora viu o seu destino traçado...
 
No final da época, e apesar de há muito saber que não continuaria no clube, Benítez conduziu os blues à conquista da Liga Europa, batendo o Benfica por 2x1 em Amesterdão. Surpreendentemente ou não, José Mourinho foi o eleito para comandar a nau de Stamford Bridge, escolhido para voltar a conduzir o Chelsea à glória.
 
Muitos treinadores foram passando e muitos craques foram entrando e saindo da constelação londrina, mas na memória dos mais devotos fãs dos blues, estão os incontornáveis Frank Lampard e John Terry, símbolos maiores da alma do Chelsea, que juntamente com Didier Drogba e Petr Čech, marcaram uma era sem paralelo no clube e até no próprio futebol inglês.
 
Comentrios (1)
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Motivo:
ed
Bom trabalho zerozero
2013-05-04 01h38m por eduardextreme
Tambm bom ver como um portugus conseguiu deixar a sua marca num clube ingls e no futebol ingls em geral. O Special One.
Estdio
Stamford Bridge
Lotao41798
Medidas103x67
Inaugurao1877