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Clubes

Athletic Bilbao

2014/10/03 12:30
Texto por João Pedro Silveira
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O Athletic de Bilbau tem uma das famosas leis que nunca foram escritas do futebol mundial. No Athletic club só jogam bascos, que nenhum jogador "estrangeiro" pode vestir a camisola dos leones. Por estrangeiros leia-se todos aqueles que nasceram fora do País Basco e Navarra , e do País Basco francês. E por bascos leia-se todos os filhos de bascos, nascidos fora do País Basco, ou todos aqueles que mesmo nascendo fora do País Basco tenham vivido em Euskadi desde tenra e idade e tenham feito o seu percurso desportivo nas escolas do Athletic. 

Todavia, e ao contrário do que muitos possam pensar, o Athletic não começou como um clube 100% basco, pois as raízes rojiblancas, como era costume no fim do século XIX, remontam a Inglaterra. 
 
O futebol chegou à Biscaia por mãos inglesas. Foram os muitos súbditos de Sua Majestade que trabalhavam nos portos biscainhos que começaram a jogar nos tempos livres a um jogo que chamavam football que aos poucos foi conquistando os locais. 
 
Fundação e primeiros sucessos
 
Seria um grupo de jovens do Gimnásio Zamacois, apaixonado pelo jogo dos ingleses, que resolveu fundar uma equipa de futebol, como aquelas que já existiam em Inglaterra. A constituição legal do clube demoraria três anos e só teria lugar a 5 de Abril de 1901, assinado no Café García, na Gran Vía Don Diego López de Haro, uma das mais famosas artérias bilbaínas. 
 
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Por essa altura nascia outro clube na cidade, o Bilbao FC, com quem o Athletic detinha uma feroz rivalidade. O futebol era recente na cidade e cada novo clube que surgisse, em suma enfraqueceria os clubes já existentes, concorrendo com eles na angariação de novos sócios e jogadores.
 
Mas apesar da intensa rivalidade, um ano depois os adversários juntaram forças para disputar a Copa de la Coronacion, um torneio de âmbito nacional que comemorava a Coroação do Rei Afonso XIII. Athletic Club e Bilbao FC jogaram juntos com o nome de Bizcaya, e foi assim que venceram a competição, batendo o FC Barcelona na final que se realizou no hipódromo de Madrid
 
No ano seguinte, uma assembleia geral do Bilbao FC concordou terminar com o clube, transferindo todos os seus sócios para o Athletic Club. Já unificado, o clube bilbaíno disputou a recém criada Taça do Rei que venceu, batendo o Madrid FC (Real Madrid) novamente no hipódromo da capital.
 
Conquistas leoninas
 
Os «leões» voltariam a vencer a Taça do Rei em 1904, apesar de não disputarem a final, porque não havia forma dos diversos clubes de Madrid se entenderem quanto a quem devia defrontar o Athletic na final. 
 
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Nos dois anos seguintes o Athletic voltaria à final, mas em ambas perderia com o Madrid FC. Em 1907 o Athletic voltou a repetir o método de 1902, apresentando uma equipa conjunta com um outro clube da cidade, no caso o Unión Vizcaino, para ressuscitar o Bizcaya. A equipa venceu a fase final, mas acabaria novamente vencida pelo Madrid FC na final. 
 
Durante as épocas seguintes iniciou-se a histórica rivalidade com o Real Sociedad, enquanto as campanhas na Taça do Rei faziam história, com o clube a contar com oito finais nos 12 primeiros anos, com quatro vitórias e quatro derrotas.
 
Mudança de equipamento
 
A fama do Athletic foi tão precoce, que já em 1903, um grupo de bascos radicados em Madrid, fundara o Athletic Club Sucursal de Madrid, futuro Atlético de Madrid. A filial, impedida pelos estatutos de defrontar a casa-mãe, viu-se assim afastada das competições nacionais.
 
No campo, bilbaínos e madrilenos, equipavam à Blackburn Rovers, com camisola dividida em duas partes iguais em azul e branco, e calções azuis. Nesse ano, Juanit Elorduy, um ex-jogador da sucursal madrilena, deslocou-se a Inglaterra para adquirir novo conjunto de kits para os dois Athletic, mas na impossibilidade de comprar equipamentos idênticos aos do Rovers, resolveu trazer para Espanha equipamentos como os do Southampton FC: camisola com listas verticais em vermelho e branco, calções pretos.
 
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Na chegada a Bilbau, Elorduy levou os equipamentos a San Mamés e o Athletic passou a equipar como o Southampton. Já os kits que sobraram seguiram para Madrid com Elorduy.
 
Não se sabe se faltavam calções suficientes para o Athletic de Madrid passar a equipar como Southampton, ou se por sua vez os membros do clube preferiram manter os calções e as meias azuis, a única certeza é que a partir dessa data, o futuro Atlético de Madrid e a sua casa-mãe de Bilbau, nunca mais voltaram a equipar da mesma forma.  
 
O novo equipamento, com as famosas riscas horizontais vermelhas e brancas, em tudo a fazer lembrar um tipo de colchões muito famoso que se usava em Espanha, valeu aos jogadores - e adeptos - do Athletic Madrid tanto a alcunha de colchoneros como a de rojiblancos. Os de Bilbau continuaram a ser leões...
 
A era «Pichichi» e a construção de San Mamés
 
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Em Bilbau e por toda a Espanha, nenhum goleador é mais sinónimo de golo do que Rafael Moreno Aranzadi, o «Pichichi». Começou a jogar no Athletic em 1911, mas só quase dois anos depois é que fez o primeiro jogo oficial com o clube, numa vitória por 3x0 sobre o Real Madrid. Ficaria na história de San Mamés, por ter sido o autor do primeiro golo da «Catedral» bilbaína, num empate a uma bola com o Racing Irun. 
 
Durante os dez anos que defendeu a camisola dos leones, apontou 200 golos em 170 jogos oficiais, conquistou quatro Taças do Rei e cinco campeonatos regionais, num tempo em que ainda não existia ainda o Campeonato de Espanha. Mais que os seus golos, era o lenço branco que usava na cabeça nos jogos que se tornou na sua imagem de marca. Deixaria o futebol com 29 anos, acabando por falecer um ano mais tarde, vitima de tifo. 
 
Os mágicos anos 30 e a Guerra
 
O boom de popularidade do futebol espanhol tornou possível a criação de uma Liga nacional que começou a ser disputada pela primeira vez em 1928. Com o inglês Fred Pentland no banco, o Athletic entraria na era mais gloriosa da sua história. Entre 1930 e o começo da Guerra Civil Espanhola, o Athletic conquistou quatro ligas e quatro Taças, o que não deixa ser um somatório extraordinário num espaço tão curto de seis anos.  
 
A 18 de Julho de 1936, rebenta um pronunciamento militar no Marrocos Espanhol, com o objetivo de derrubar a República Espanhola. Os Nacionalistas, como vão ficar conhecidos os rebeldes, apoiados pela Itália fascista e a Alemanha nazi, em breve passam a controlar uma parte considerável do território espanhol.
 
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O País Basco, juntamente com a Catalunha, é desde a primeira hora um baluarte republicano. Ao contrário da mais esquerdista Catalunha, a sociedade basca era por norma conservadora e católica. Contudo, o apoio à causa repúblicana caminhou de braço dado com o nacionalismo basco.
 
Em Setembro de 1936, o País Basco e as Astúrias eram as únicas regiões do norte de Espanha que se mantinham fiéis à República. O Governo Basco, formou em 1937 a seleção nacional, que partiu para França em Abril, com o objetivo de angariar fundos. A esmagadora maioria dos jogadores do Athletic que haviam conquistado a Liga em 1936, partiram para defender a camisola de Euskadi. Outros, por sua vez, ficaram para lutar de arma na mão.
 
Seria em Paris, que os jogadores souberam do triste bombardeamento de Guernica pela Força Aérea alemã, que dava apoio aos nacionalistas de Franco. Seguiram viagem, jogando pela Checoslováquia, Polónia e União Sovietica, onde receberam a notícia que Bilbau havia caído nas mãos do exército nacionalista.
 
A maioria destes jogadores não voltaria a pisar solo espanhol. Embarcaram para as Américas, onde jogaram na Argentina e mais tarde no México, onde uma equipa basca disputou o campeonato local e terminou no segundo lugar. 
 
Com o fim da Guerra o País Basco, como o resto de Espanha, estava domado. Franco foi implacável. Os nacionalistas perseguidos e o Athletic teve que deixar cair o estrangeirismo, passando a chamar-se Atlético de Bilbao. O clube só voltaria a ser Athletic depois da morte do Generalíssimo. 
 
Zarra
 
Os anos 40 foram difíceis para a Espanha. Enquanto o país recuperava do conflito fratricida, o resto da Europa degladiava-se na Segunda Guerra Mundial. Medidas austeras foram tomadas em Bilbau. Sem dinheiro, o clube passou a apostar mais na cantera. Os resultados chegariam com o passar da década.
Uma fabulosa equipa nascia em San Mamés. A linha da frente ainda hoje é recitada de trás para frente pelos adeptos do Athletic: Rafa Iriondo, Venancio Perez, José Luis Panizo, Augustin Gainza e Zarra. 
 
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Até ao final da década o Athletic conquistou uma liga (com dobradinha), três taças, além de diversos vice-campeonatos. Nos anos cinquenta, mais uma liga e quatro Taças. A última das quais (1958) em pleno Santiago Bernabéu sobre o Real Madrid, que era então a super-equipa da Europa, que tudo vencia e conquistava. Pequena vingança dos bascos, que conquistavam em plena capital e na casa do clube do regime a Copa del Generalíssimo, como agora se chamava a Taça do Rei. 
 
Dois anos antes, o clube conquistara nova dobradinha. A vitória na Liga de 1956 permitiu ao Athletic estrear-se no ano seguinte na Taça dos Campeões Europeus, onde chegaram aos quartos-de-final, eliminados pelos Busby Babes do Manchester United
 
Lento declínio e ressurgimento
 
Depois da Liga de 1956 o Athletic teria de atravessar um longo deserto até voltar a erguer a taça de campeão de Espanha. Os anos 60 e 70 foram de lento declínio, com a exceção da conquista das Taça em 1969 e 1973. 
 
Mas o grande momento chegaria em 1977, quando o Athletic chegou pela primeira vez a uma final de uma competição europeia, a Taça UEFA, chegando à final com a Juventus, depois de deixar pelo caminho o Ujpest, Basileia, AC Milan, FC Barcelona e os belgas do Molenbeek. 
 
Na final, que então se jogava a duas mãos, uma vitória por 2x1 em San Mamés, não bastou para dar a volta à derrota sofrida em Turim (1x0).
 
Ainda na década de 70 nascia a Academia de Lezama, com o Athletic a reforçar o seu projeto de formar muitos e bons jogadores para servirem a equipa principal.
 
Seria um dos apaixonados pela ideia da formação, que tomou conta da equipa, conseguindo recuperar o sucesso de volta a Bilbau. Javier Clemente, foi o timoneiro do último período glorioso dos rojiblancos. Numa equipa com Zubizarreta, Goiketxea e Sarabia, os leones puseram um fim no longo jejum de 27 anos e conquistaram a Liga, conseguindo no ano seguinte revalidar o título e conquistar a Taça do Rei, para celebrar mais uma vez a dobradinha.
 
O fim de uma era
 
Nos últimos anos do século assistiu-se ao lento declínio dos leões de Bilbau. Afastados dos títulos os bilbaínos viram o seu clube ser definitivamente ultrapassado pelos rivais de Madrid e Barcelona, perdendo terreno também para o Atlético, Valencia ou então emergente Deportivo da Corunha. Contudo, os leones puderam continuar a afirmar que juntamente com o Real e o Barça, eram os únicos em Espanha, a terem jogado sempre no primeiro escalão. 
 
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Em 1996 o Athletic recorreu pela primeira vez a um jogador "estrangeiro" para atuar no seu clube. O eleito era o internacional gaulês Bixente Lizarazu, natural de Donibane Lohizune (em francês Saint-Jean-de-Luz), no País Basco francês. Liza tornou-se num símbolo do clube, da causa basca, que assim reconhecia o caráter transfronteiriço da nação basca. 
 
No novo milénio o Athletic viveu momentos complicados, ao ponto de evitar a despromoção na última jornada da Liga em 2005/06. O «susto» parece acordar o clube que em 2011/12, depois de eliminar o PSG, Manchester United, Schalke 04 e Sporting, qualifica-se para a final da Liga Europa, onde acaba derrotado pelo Atlético Madrid de Falcao e companhia (3x0). O fim do jejum de troféus só chegaria três anos mais tarde, quando o Athletic bateu (4x0, 1x1) o Barcelona na final da Supertaça de Espanha, conquistando um troféu 31 anos depois do ano dourado de 1984, época mítica em que conquistara Liga, Taça e Supertaça. 
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Motivo:
Da
Athletic Bilbao
2014-10-15 22h30m por David7Villa
Bonita história a do Athletic.
Estádio
San Mamés (La Catedral)
Lotação53000
Medidas104x68
Inauguração1913