Error message here!

Error message here!

Esqueceu-se password?

Perdeu a password? Introduza o seu endereço de email. Irá receber um link para criar uma nova password.

Error message here!

Voltar ao login

FC PortoPortugal
PortugalPaços Ferreira
Desp. AvesPortugal
PortugalBenfica
SportingPortugal
PortugalChaves
história
Grandes jogos

Itália x RFA: uma tarde italiana

2014/05/22 12:44
Texto por João Pedro Silveira
l0
E0
Madrid, 11 de Julho de 1982, passavam 19 minutos e alguns segundos das 20 horas quando a bola saiu do pé esquerdo do número 14 da Itália, para o fundo das redes do alemão Harald Schumacher.

O Estádio Santiago Bérnabeu explodia com o segundo golo italiano, no campo, Marco Tardelli, o autor do golo,viu as redes abanar e entrou em êxtase, começou a correr, gritando «golo!», com os punhos cerrados, correu, correu, como se fosse correr para sempre, perseguido pelos colegas, Tardelli não parou e com os punhos levantados berrava, num estado de euforia tal, que o mundo nunca mais esqueceu a sua corrida, a sua celebração.

A final de 1982 é a final do golo de Tardelli, a final em que aquele italiano com o número «14» correu até não poder mais, para festejar o fim de um jejum de 44 anos. A Itália era novamente campeã do Mundo. A Squadra Azzurra chegava finalmente ao tão esperado tri...

Dia histórico

O Rei Juan Carlos e a Rainha Sofia eram os anfitriões da grande final da 12.ª edição do Campeonato do Mundo de Futebol. A seu lado, na tribuna do Santiago Bérnabeu, estavam o Chanceler alemão Helmut Schmidt e o Presidente italiano, Sandro Pertini.

Nas bancadas 90 mil, a acompanhar pela televisão milhares de milhões. Itália e Alemanha lutavam pela terceira estrela de campeão. Italianos e alemães estavam a um passo de fazer história e igual o Brasil, até então, o único tricampeão mundial.

Antecedentes

A Itália chegava em crescendo, com vitórias consecutivas sobre Argentina, Brasil e Polónia, depois de uma primeira fase só com empates. Paolo Rossi, com cinco golos, lutava pela bota de ouro com o alemão Karl-Heinz Rummenigge, estrela maior da equipa, que chegara à grande final depois de ultrapassar o grupo inicial, não obstante a derrota com a Argélia, e o segundo grupo onde empatara com ingleses e vencera os anfitriões.

Na meia-final, eliminara a França nas grandes penalidades, num jogo com polémica e emoção, em que os alemães tiveram que recuperar de uma desvantagem de dois golos, já no prolongamento.

Em Madrid, Itália e Alemanha Federal encontravam-se mais uma vez no «Clássico» do futebol europeu, «o Jogo» como alguns lhe chamam, ou o «euro-dérbi» para outros. O favoritismo pendia para a Itália, que batera os campeões do mundo em título (Argentina) e a melhor equipa do Mundo (Brasil), mas a Alemanha era um adversário temível, campeão do Mundo, oito anos antes...

Piano, piano...

«Chi va piano va sano e va lontano», é um dos mais famosos provérbios italianos, idêntico no sentido ao nosso «devagar se vai ao longe», perfeito para designar tanto a campanha dos transalpinos durante a «copa» como o jogo italiano na primeira parte da final.

Sem pressas, mas decididos, os italianos começaram a tentar controlar a partida desde o apito inicial, mas o primeiro sinal de perigo pertenceu ao alemão Pierre Littbarski. Paul Breitner, com espaço na esquerda, colocou a bola em Rummenigge, que esteve perto de bater Zoff.

No banco, Bearzot preocupado, mandava a equipa subir no terreno. Tardelli pegou na bola, deixou na esquerda para Cabrini, este para Altobelli que cruzou em arco para o segundo poste, onde Briegel derrubou Bruno Conti. O brasileiro Arnaldo Cezar Coelho não hesitou e apontou para a marca de onze metros, enquanto corria para o lado esquerdo da área, fugindo aos alemães que contestavam. 

Cabrini pegou na bola, Stielike voltou atrás para falar com Schumacher e perturbar o italiano, um  foguete caiu no centro da área. A tensão era imensa. Até esse jogo, apenas dois penáltis tinham sido marcados em finais de campeonatos do mundo, precisamente no mesmo jogo, um para a Holanda e outro para a Alemanha em 1974. Cabrini partiu para a bola, o fumo do foguete ainda pairava junto ao esférico, quando este rematou sem convicção lado...

Até ao intervalo, os ataques alternaram-se, mas a Itália parecia nervosa, acusando a pressão do penálti falhado. 

Risorgimento (1)

A conversa no balneário terá sido decisiva. Os jogadores italianos voltaram para o segundo tempo, decididos a resolver a questão e conquistar um troféu que escapava à Squadra Azzurra desde 1938...

O relógio marcava 56 minutos, quando Karl-Heinz Rummenigge derrubou Oriali, Tardelli pegou na bola e marcou rapidamente o livre, passando a Gentile, apanhando a defesa alemã descompensada, o número «6» cruzou para o centro da área, onde Paolo Rossi apareceu para marcar pelo terceiro jogo consecutivo, tornado-se no melhor marcador do torneio com seis golos.

Os alemães acusaram e muito o golo sofrido. Doze minutos depois, o momento que todos recordam: Rossi rouba a bola a Breitner, Scirea ganha na dobra e avança para o meio campo adversário, numa jogada de três para três, deixa a bola em Conti que ganha terreno em passada larga, aproximando-se da área alemã.

Flete para a esquerda, faz uma finta, e Rossi tira-lhe a bola e depois de dois passos, coloca na esquerda em Scirea, este já dentro de área joga para trás para Bergomi que devolve de pronto, alguns alemães pedem fora-de-jogo, a jogada parece perder o efeito surpresa, mas Scirea joga para a entrada da área, onde Tardelli falha o domínio com o pé direito, mas emenda de pronto com um remate com a esquerda, apanhando Schumacher pregado ao chão, apenas capaz de olhar a bola entrar à sua esquerda junto ao poste.

Tardelli festeja para a história, a Itália está um passo do tricampeonato, a confirmação aos 81´, quando Conti avançou pela direita e passou para Altobeli, que só teve que evitar Schumacher com uma finta para fazer o 3x0.

Paul Breitner apontava o ponto de honra na jogada seguinte, mas era tarde demais, a Itália era campeã do Mundo pela terceira vez, igualando o feito do Brasil em 1970. Os alemães, teriam que esperar mais oito anos (pelo meio perderiam mais uma final) para conquistarem o «tri», ironia do destino, conquistado em Itália...

 



 

------------------------------------------------------------------------
(1) Il Risorgimento (em português: O Ressurgimento) é o movimento que ao século XIX permitiu a unificaçao dos pequenos estados soberanos da Península Itálica e regiões sob domínio estrangeiro, para formar o Reino de Itália.

Capítulos
Comentários (0)
Gostaria de comentar? Basta registar-se!
Motivo:
jogos históricos
U Domingo, 11 Julho 1982 - 19:00
Santiago Bernabéu
Arnaldo Cezar Coelho
3-1
Paolo Rossi 57'
Marco Tardelli 69'
Alessandro Altobelli 81'
Paul Breitner 83'
Estádio
Santiago Bernabéu
Lotação81044
Medidas105x68
Inauguração1947