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história
Grandes jogos

Holanda x RFA: encontro de titãs

2014/05/12 17:57
Texto por João Pedro Silveira
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36 anos depois, seis mundiais passados, a Holanda voltava a disputar a fase final da mais importante competição do Mundo. Se as presenças nos mundiais de 1934 e 1938 se tinham saldado por duas derrotas e a eliminação logo após o primeiro jogo, em 1974, a Holanda chegara ao mundial cheia de esperança, baseando a sua equipa na grande equipa do Ajax que era tricampeã europeia de clubes, e do Feyenoord, que iniciara o domínio laranja na prova principal das competições europeias, com a conquista da «Orelhuda» em 1970.
 
Do outro lado da barricada estava a Alemanha, terceira classificada no mundial de 1970, finalista vencida em 1966, a que se somava uma vitória na prova em 1954, um quarto lugar em 1958 e um sétimo em 1962, demonstrando uma regularidade impressionante no topo. Somava-se o sucesso do Bayern de Munique, recentemente consagrado como Campeão Europeu, interrompendo o domínio dos clubes holandeses. 
 
O certo é que naquela tarde, frente a frente estavam não só as duas melhores equipas da Europa, como as duas equipas mais fortes do Mundo, duas formas de encarar o futebol, duas fórmulas de sucesso. Os dados estavam lançados... 
 
Tudo a postos...
 
O dia 7 de Julho de 1974 marcava o inicio da rivalidade entre holandeses e alemães. Até essa tarde em Munique, nunca holandeses e alemães se tinham enfrentado em jogos oficiais. A expectativa era imensa, 75,200 pessoas lotavam as bancadas do futurista Olympianstadion, que somente dois anos antes fora palco das Olimpíadas de 1972, de triste memória (1).
 
As equipas entraram em campo, perfilaram-se perante a tribuna, escutaram-se então os hinos, primeiro o Wilhelmus van Nassouwe, depois era a vez dos alemães entoarem o Das Lied der Deutschen, trocaram-se galhardetes enquanto a banda abandonava o relvado. A bola podia rolar...
 
Arranque de sonho
 
Eram quatro da tarde (CET) quando o inglês Jack Taylor apitou para o começo da partida, os holandeses saíram com a bola, trocando esférico no seu meio campo, começando o seu famoso carrossel, fazendo a bola rodar pelo quarteto defensivo até chegar aos pés de Haan, que pára o jogo à espera que Cruijff venha buscar o esférico e leva-lo até ao meio campo contrário, passa então a Rijsbergen que deixa em Krol na esquerda que por sua vez joga para Rensenbrink que quase na esquina da área recua para Rijsbergen, para depois atrasar o jogo até Cruijff no círculo central.

O «14» pega na bola, avança em direcção a Vogts, deixa o defesa do Mönchengladbach e quando está a entrar na área, é derrubado por Uli Hoeneß, Taylor não hesitou e apontou para a marca dos onze metros. Neeskens pegou no esférico e desfeitou Sepp Maier. 0x1! Um minuto de jogo jogado e a Holanda estava na frente, emudecendo os anfitriões, com treze trocas de bola até à entrada descuidada de Hoeneß sobre Cruijff.
 
Rinus Michels não podia ter sonhado num melhor começo para a sua equipa. A vencer, com a moral ao máximo, os seus craques podiam segurar o jogo e aproveitar o avanço alemão no terreno para resolverem a partida em golpes rápidos, à imagem do que tinham feito ao Brasil na segunda fase da prova (2x0).
 
Poucos podiam perceber nesse momento, mas a jogada de Cruijff tinha sido o único momento em toda a partida em que o holandês conseguiu fugir à marcação dos defesas alemães. A partir do primeiro minuto, Cruijff saiu do jogo, e com o «14» anulado, a Holanda nunca seria a mesma coisa. 
 
Reação germânica
 
Sem tocarem no esférico, os alemães já perdiam o jogo. Qualquer equipa teria imensa dificuldade em recuperar de tal golpe, nem a Alemanha seria exceção. Do outro lado do campo, os holandeses tomaram o golo como a confirmação da sua superioridade. 
 
Cruijff, Neeskens, Rensenbrink, Haan, Rep, Krol e companhia começaram a trocar o esférico, sentindo que podiam humilhar os alemães com a sua posse de bola. Do outro lado, Beckenbauer incentivava os colegas. 
 
Enquanto os holandeses jogavam para as bancadas, ou como se diria hoje, para a «nota artística», os alemães faziam por sobreviver e manter-se "agarrados à vida", taticamente organizados, enquanto a «Laranja Mecânica» se desorganizava, baixando os níveis de concentração.
 
Aos 26 minutoz Bernd Holzenbein tentava furar em direção à baliza holandesa, quando Wim Jansen esticou a perna e derrubou o extremo-esquerdo alemão. Paul Breitner pegou na bola e fuzilou a baliza de Jongbloed. 1x1, a final voltava à estaca zero.
 
Reviravolta
 
As bancadas acordaram e começaram a apoiar a equipa. Após o susto inicial, os alemães voltavam a acreditar que era possível conquistar novamente o mundial, tal e qual, como vinte anos antes, quando os heróis alemães liderados por Fritz Walter, bateram a toda favorita Hungria, a «Holanda do seu tempo».
 
Os holandeses demoraram a acordar, enquanto os alemães redobravam o esforço. Cada bola dividida parecia a última do jogo e a Mannschaft pressionava  posse de bola dos holandeses. 
 
Foi então que Bonhof intercetou um cruzamento de Suurbier e atrasou para Sepp Maier, este lançou a bola para Hoeneß, que deixou em Grabowski, que temporizou para lançar a corrida de Bonhof, o «16» correu para a linha de fundo, enquanto os adeptos se levantavam dos seus lugares, deixou o defesa para trás e passou para o centro da área, onde Gerd Maier não domina a bola à primeira, mas rapidamente reage para bater Jongbloed com um remate em rotação. 2x1, a equipa da casa passava para a frente.
 
O Muro de Munique
 
Aproximadamente 600 quilómetros separam a capital bávara de Berlim, mas nessa tarde em Munique, um novo «Muro» surgiu em frente da área alemã, preparado para aguentar o assalto da «Laranja Mecânica».
 
Se a primeira oportunidade do segundo tempo esteve na cabeça de Bonhof, o resto dos 45 minutos foi um mar de ataque holandês, com a defesa alemã comandada por Beckenbauer, maravilhosamente secundado por Maier e Vogts, evitando cada nova vaga holandesa. 
 
O jogo endureceu, as faltas sucediam-se e a Alemanha Ocidental parava a máquina holandesa, com Michels a sentir-se impotente no banco, sem conseguir desatar o «nó górdio» que os alemães haviam atado à volta da sua equipa, anulando completamente o «futebol total» que encantara o mundo durante a prova. 
 
Com o relógio a contar, os holandeses acamparam no meio-campo adversário, mas a segurança teutónica parecia inabalável e as esperanças holandesas esgotavam-se.
 
Quando Taylor apitou para o final, a Alemanha Ocidental voltou a festejar a conquista de um Campeonato do Mundo, batendo na final a favorita. Coube a Beckenbauer a honra de erguer a Taça de Campeão do Mundo da FIFA, o novo troféu, criado para substituir o anterior - a Taça Jules Rimet - conquistada definitivamente pelo Brasil, quando o «Escrete» conquistou o tri no mundial do México em 1970.

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(1) O Massacre de Munique, teve lugar durante os Jogos Olímpicos de Verão de 1972, quando no dia 5 de Setembro, 11 membros da equipa olímpica de Israel foram tomados como reféns pelo grupo terrorista palestiniano denominado Setembro Negro. Entre atletas, treinadores, terrorista e polícias, faleceram 17 pessoas, na maior tragédia que teve lugar na história das olímpiadas.
 
O governo da RFA, então liderado pelo primeiro-ministro Willy Brandt, recusou-se a permitir a intervenção de uma equipe de operações especiais do Tzahal, conforme proposta da premiê de Israel, Golda Meir.
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Motivo:
jogos históricos
U Domingo, 07 Julho 1974 - 16:00
Olympiastadion
Jack Taylor
1-2
Johan Neeskens 2' (g.p.)
Paul Breitner 25' (g.p.)
Gerd Müller 43'
Estádio
Olympiastadion
Lotação69250
Medidas105X68
Inauguração1972