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história
Grandes jogos

França x Portugal: um triste São João

2013/06/25 12:38
Texto por João Pedro Silveira
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1984. O ano que George Orwell imortalizou, precisamente o mesmo ano em que a seleção nacional de França ultrapassou o seus limites, medo e receios históricos, assumindo-se enfim na sua condição de grande, concretizando o tão aguardado encontro com a história. 

Esta era a terceira vez que a França organizava um grande evento futebolístico, depois do mundial de 1938 e do europeu de 1960. Em ambas as ocasiõesos bleus haviam ficado muito longe do sucesso, caindo precocemente e nunca mostrando capacidade de discutir a vitória final na competição.

Todavia, o Euro 84, disputado durante um solarengo junho francês, os bleus passearam no caminho até à meia-final, confirmando jogo após jogo, a condição de favoritos que tinham acumulado após anos e anos de fracassos.

Com as ausências de Inglaterra, Itália, Holanda e União Soviética, a que se somava a precoce eliminação da Alemanha Federal - ainda na primeira fase, o caminho para o primeiro título francês, apresentava Portugal e depois o vencedor do Dinamarca x Espanha, como os obstáculos que toda a França imaginava fáceis de contornar. E se porventura os obstáculos não se revelassem tão fáceis de ultrapassar, a França não tinha que temer, pois contava com o melhor jogador da competição: Michel Platini.

O «dez» da Juventus literalmente levou a equipa às costas, marcando o golo da vitória na estreia com a Dinamarca e fazendo dois hattricks contra a Bélgica (5x0) e Jugoslávia (3x2), destacando-se numa equipa fantástica onde também brilhavam craques como Tigana, Giresse, Fernández, Rocheteau...

Quatro cabeças, quatro sentenças

Na partida que podia dar à França a primeira final do seu palmarés, Portugal era o adversário que estava do outro lado da «barricada». Os lusitanos chegavam pela segunda vez a uma grande competição, e tal como no mundial de 1966, voltavam a atingir a meia-final, onde coincidência das coincidências, encontravam o anfitrião, papel que em 1966 fora reservado à Inglaterra.

No europeu francês, os portugueses chegaram com quatro treinadores... Fernando Cabrita e José Augusto, a que somavam os «representantes» de FC Porto - António Morais - e Benfica - Toni.

Cada cabeça, cada sentença, já diz o povo, deixando antever os problemas que esta comissão técnica teria de enfrentar. E a verdade é que os problemas não foram poucos, desde a escolha dos eleitos que partiram para terras francesas, até ao «onze» que iniciava cada partida.

Num acordo de cavalheiros realizado ainda em Lisboa, os quatro treinadores acederam a dar o direito de desempate a Fernando Cabrita, por ser o mais velho, no caso de empate numa decisão. 

Com qualidade e um futebol de primeira, mas também com igual dose de sorte, Portugal empatou a Alemanha a «zeros», antes de empatar a um com a Espanha, sabendo que uma vitória sobre a Roménia garantia a classificação para as meias-finais, sem necessitar da ajuda de «resultados alheios»... O golo de Nené afastou os romenos da prova e marcou o encontro com a França de Platini na meia-final em Marselha, a 23 de junho, noite de São João, que os portugueses esperavam que fosse de boa memória.

Vélodrome: o palco de um jogo épico

Tocaram «A Marselhesa» e «A Portuguesa», acompanhadas à vez pelas 55 mil gargantas que «enchiam» o Vélodrome. A França estava a 90 minutos, ou na pior das hipóteses a 120 minutos, de jogar pela primeira vez uma final de uma grande competição. O sonho comandava a vida, um sonho embalado na arte de Michel Platini.

E tudo corria de acordo com o plano, quando os franceses se colocaram em vantagem com um golo de Jean-François Domergue, aos 25 minutos, na transformação de um livre direto, que deixou o benfiquista Bento pregado ao chão e não isento de culpas... 

O jogo continou com a mesma toada, Bento - a mostrar que não se deixara afectar pelo golo, fazendo defesas que manteram o sonho português vivo - e uma França perdulária a ajudarem à indecisão quanto ao resultado final. Aos 74 minutos, quando já poucos acreditavam, Portugal voltou ao jogo com um cabeceamento de Rui Jordão que permitia o empate que durou até aos 90 minutos.

A França acusou o toque do golo e para surpresa de muitos era Portugal que se lançava ao ataque. Aos 98 minutos, Chalana, recebeu a bola na ponta direita, fez o que quis de Domergue e centrou para o remate acrobático de Jordão, que ao bater no chão, passou por cima de Joël Bats e colocou os portugueses na frente.

E Paris a seis minutos...

A vencer por 1x2, esperava-se que Portugal recuasse linhas e defendesse a vantagem, mas não foi assim que sucedeu, com Chalana e Nené a levarem o perigo para área contrária, sempre bem secundados pelos laterais - João Pinto e Álvaro Magalhães. 

O golo rondava as duas balizas, com Bats e Bento a efetuarem um punhado de defesas miraculosas. O português estava numa noite inspirada, defendendo tudo o que era possível e ainda o que era impossível. E se porventura a bola passava, havia sempre uma perna para desviar a bola, ou um ferro providencial.

Mas a seis minutos do fim acabou a sorte, com Portugal a deixar-se apanhar em contrapé depois de mais um ataque em que a equipa se lançara toda na frente para conseguir o 1x3.

Domergue, numa noite de sonho, aproveitou uma carambola, para finalizar uma jogada cheia de ressaltos. O jogo estava louco e qualquer um podia vencer. A França acabaria por chamar a sorte a si, após uma jogada de Tigana que com um passe atrasado, encontrou Platini sozinho, no centro da defesa portuguesa. Com toda a calma do mundo, o «dez» recebeu a bola, dominou-a com calma e com uma rotação evitou quatro defesas e o guarda-redes, escolhendo o local onde colocar a bola com classe. França 3x2 Portugal! O sonho português acabava e a França seguia para Paris, onde merecidamente seria muito feliz.

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Motivo:
jogos históricos
U Sábado, 23 Junho 1984 - 20:00
Stade Vélodrome
Paolo Bergamo
3-2
Jean-François Domergue 24' 114'
Michel Platini 119'
Rui Jordão 74' 98'
Estádio
Stade Vélodrome
Lotação67394
Medidas105x68
Inauguração1937