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história
Grandes jogos

Argentina x Holanda: Generais e papelitos

2014/05/21 13:16
Texto por João Pedro Silveira
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Lembrar a final de 1978, é pensar no ambiente fantástico que o Estádio Monumental em Núnez, Buenos Aires apresentava nesse dia.

Os números oficiais falam em 71483 espetadores, lotando a histórica catedral do futebol argentino, já sobre a quantidade de serpentinas e confettis que foi lançada sobre o relvado só podemos supor. Mas por certo que estaremos sempre a falar numa grandeza na ordem dos milhões... 
 
Generais e Cruijff
 
A Argentina vivia sob o jugo da ditadura militar, liderada pelo «sinistro» General Videla. Debaixo do punho opressor dos militares, o povo argentino sofria perseguições, atrocidades, vivendo uma das horas mais tristes da sua história. A FIFA, fechando os olhos à situação política que a Argentina vivia, entregou a organização do mundial ao país, provocando uma onda de descontentamento e protestos na Europa Ocidental.

Muitos comparavam o mundial de 1978 ou de 1934 em Itália, onde Mussolini aproveitara a prova para propagandear o seu regime. Entre os contestatários estava Johann Cruijff, uma das grandes vedetas da Holanda e estrela do mundial anterior, recusou a jogar um mundial num país com uma ditadura. Em Buenos Aires respondia-se à decisão de Cruijff, lembrando que em 1973, o holandês não se importara de jogar na Espanha de Franco a troco de muitas pesetas...
 
Uma longa espera
 
Os anfitriões perseguiam o título desde a primeira edição da prova, quando a Albiceleste fora batida pelos vizinhos uruguaios, do outro lado do Rio da Prata, no Estádio Centenário, em Montevideu, no Uruguai.
 
Durante décadas, a «Equipa das Pampas» não conseguiu repetir o feito da equipa que Stábile ajudou a guiar até a final em 1930. Desilusão, após desilusão, a Argentina via as suas esperanças fumarem-se a cada novo mundial.
 
Em 1978, a jogar em casa, o sonho ganhou asas. A cada novo obstáculo ultrapassado os argentinos acreditavam mais. A final, naquele Domingo 25 de Junho, em pleno pico do inverno austral, era o dia da celebração.
 
Um sonho antigo
 
Os números oficiais falam em 71483 espetadores, lotando a catedral do futebol argentino que é o Monumental de Buenos Aires, criando uma atmosfera de encantamento e de devoção, que aqueles 22 jogadores no centro da cancha, jamais voltariam a sentir ao longo da carreira.
 
Ambas as equipas já haviam jogado uma final (a Holanda quatro anos antes) mas tinham sido vencidas, esta era uma nova oportunidade de ouro de se sagrarem Campeãs do Mundo de futebol. Era a quinta vez que uma final do mundial era disputada entre duas equipas que nunca tinham conquistado a prova, Argentina e Holanda seriam o sexto campeão da história, juntando-se a uma ilustre lista que já contava com Uruguai, Itália, Brasil, Alemanha e Inglaterra.
 
Podemos recordar a mestria tática de Menotti, os golos de Kempes e Bertoni, ou o golo de Nanninga que voltou a trazer a Laranja Mecânica de volta ao jogo, quando só faltavam oito minutos para acabar o tempo regulamentar. Podemos recordar as defesas de Fillol, as oportunidades perdidas, mas o que realmente perdurou na memória de quem assistiu ao encontro foi a chuva de papelinhos e serpentinas que choveu sobre o relvado antes do pontapé de saída, um espectáculo cénico inesquecível. 
 
Bola rola no meio dos papéis
 
Antes do jogo começar surgiu o primeiro caso, com o árbitro italiano Sergio Gonella insatisfeito com a forma como o médico holandês ligara o pulso de René van de Kerkhof, obrigando a um atraso no jogo, que deixou holandeses preocupados e argentinos furiosos com atrasados. 
 
A partida começou e a Holanda foi a primeira a criar perigo, com Rep a pôr à prova os reflexos de Fillol com uma cabeçada. Os primeiros minutos foram de tensão para defesa argentina, com grande dificuldade para travar o tridente Rep, Neeskens e Resenbrink, o triângulo ofensivo que era a chave da caminhada holandesa até à final.
 
Aos 15 minutos a Argentina reagiu, com Passarella a apontar um livre que testou a atenção de Jongbloed. Minutos depois, Passarella, novamente, surgiu isolado no meio da área a corresponder a um centro de Olguín, mas o remate subiu muito, passando por cima da barra.
 
Primeiro golo
 
Sentindo o perigo, a Holanda reagiu e Rep obrigou Fillol a uma enorme defesa. O jogo estava aberto e a Argentina aproveitou uma desatenção holandesa, para chegar ao golo numa insistência de Mário Kempes, corriam 37 minutos.
 
Os europeus responderam de pronto e antes do intervalo estiveram perto do empate, mas Fillol negou o golo a Resenbrink, depois de uma jogada que passou pelos irmãos van de Kerkhof. O intervalo chegou para alívio de Menotti, que percebeu que a sua equipa perdera o controlo do jogo depois de ter inaugurado o placard
 
Segundo tempo
 
Logo no recomeço, a Argentina podia ter acabado com o jogo, quando Bertoni isolou Luque, mas Jongbloed manteve vivas as esperanças da Laranja Mecânica.
 
Com o relógio a avançar, a Argentina começou a recuar, e os adeptos começavam a celebrar a conquista. No relvado, uma Holanda sem ideias parecia incapaz de contornar a sólida defesa argentina.
 
Ernst Happel substituíra o lesionado Rep por Nanninga e seria precisamente o médio do Roda a chegar ao empate, quando faltavam apenas oito minutos para os noventa.
 
«Monumental» explosão
 
No tempo extra, a equipa da casa voltou a pegar no jogo, superiorizando-se definitivamente ao adversário. Kempes, a fechar a primeira parte abriu o caminho da vitória, que seria selado com o golo de Bertoni a quatro minutos do fim.
 
A Argentina era campeã do Mundo, Kempes um herói nacional e Menotti o «general» que conduzira as tropas ao sucesso.
 
Na tribuna, os generais festejavam a conquista e por momentos a ditadura argentina ganhava cor, no calor dos festejos a tortura, a perseguição das oposições, «os desaparecidos» e o cinzentismo de uma sociedade amordaça parecia esbater-se, mas terminada a euforia, a Argentina voltou a ser a mesma ditadura de sempre. Vilela entregou a taça a Passarella, mas o regime tinha os dias contados.

A derrota na Guerra das Malvinas (1982) seria o começo do fim do regime dos Generais, que acabaria por colapsar, dando lugar à democracia em 1983. Oito anos mais tarde, já em liberdade, os argentinos vibraram com a conquista do Mundo na Cidade do México, liderados pelo astro-rei, Diego Armando Maradona.


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Motivo:
jogos históricos
U Domingo, 25 Junho 1978 - 19:00
Monumental Antonio Vespucio Liberti (Monumental de Núñez)
Sergio Gonella
3-1
Mario Kempes 38' 105'
Daniel Bertoni 116'
Dick Nanninga 82'
Estádio
Monumental Antonio Vespucio Liberti (Monumental de Núñez)
Lotação74624
Medidas105m x 70m
Inauguração1938