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Grandes jogos

URSS x Portugal: fruta, leite e fardos de palha...

2013/03/25 15:25
Texto por João Pedro Silveira
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Na épica caminhada portuguesa até à meia-final do europeu de 1984, onde a seleção nacional caiu às mãos dos franceses, há uma nuvem que ensombra a epopeia, como uma mancha difícil de apagar.

É verdade que Portugal se qualificou para a fase final, com um impressionante resultado de cinco vitórias em seis jogos, num grupo que contava com a toda-poderosa União Soviética e a Polónia - terceira classificada no mundial anterior (1982). Contudo as cinco vitórias, meritórias e seguras, não apagam da memória a humilhante goleada sofrida em Moscovo, às mãos dos intratáveis soviéticos, no fim de tarde de 27 de abril de 1983.

Os portugueses tinham vencido a Finlândia fora (0x2) e a Polónia em casa (2x1), chegando ao jogo de Moscovo conscientes que um ponto poderia embalar Portugal para voltar uma fase final de uma grande competição, dezoito anos depois da memorável presença no mundial de Inglaterra. As expectativas à partida para Moscovo eram grandes.

Todos acreditavam que Otto Glória - treinador em 1966 - iria pela segunda vez qualificar os «lusos», para uma fase final de um grande torneio de seleções. Ainda para mais, em Fevereiro no Restelo, Portugal recebera e vencera a República Federal da Alemanha por 1x0 (golo do braguista Dito), a primeira vitória de sempre sobre os alemães, que meses antes tinham chegado à final do mundial de Espanha, perdido para a Itália por 3x1.

A «máquina» soviética

Os soviéticos eram fortíssimos e já tinham levado de vencida a Finlândia. Comandada por Valery Lobanovskyi, a URSS, era uma equipa consolidada, baseada no «onze» do D. Kiev, «reforçada» com craques provenientes dos principais clubes de Moscovo, mas também com algumas estrelas do Dinamo de Tiblissi e do Ararat. Na frente, Blokhin destacava-se pela sua qualidade e técnica, atuando ao lado de Rodionov, avançado frio, letal.

Atrás brilhavam Baltacha e Demyanenko, um pouco mais à frente Larionov e Cherenkov. Na baliza, Rinat Dasaev, o herdeiro de Yashin, considerado um dos melhores guarda-redes do mundo; mas os «russos» - como muitos os chamavam em Portugal - eram muito mais que um conjunto de estrelas, eram sem dúvida alguma, uma das mais fortes «máquinas» de jogar futebol do continente.

Uma potência, habituada a marcar presença nos grandes palcos, que todos acreditavam que estaria no verão seguinte, a jogar para a vitória nos estádios franceses. 

Um, dois, três, quatro, cinco...

Otto Glória fez subir ao relvado do imponente Estádio Lenin, perante noventa mil adeptos, um «onze» baseado na equipa do Benfica, com sete titulares a serem provenientes da equipa da Luz: Bento; Pietra, Humberto Coelho, António Bastos Lopes e João Cardoso; Festas; Carlos Manuel, João Alves e Jaime Pacheco; Fernando Gomes e Nené. O jogo não teve muita história, com Cherenkov a abrir as hostilidades aos 16' e Rodionov a marcar o segundo perto do intervalo.

Os jogadores pareciam petrificados pela agilidade dos soviéticos, com muitos dos portugueses, a cometerem erros dignos de amadores. O intervalo chegava com um sobranceiro 2x0. Era caso para dizer que o resultado era melhor que a exibição... 

Para o segundo tempo, Glória retirou o apagado Festas, lançado o portista José Alberto Costa, mas a toada da partida não mudou, e os soviéticos continuaram a marcar, por intermédio de Demyanenko (53'), Cherenkov (63') e por fim Larionov (86'). Portugal jogou muito abaixo das suas capacidades, efetuando uma exibição mediocre.

Alguns jogadores tremiam das pernas, a cada novo ataque, a cada novo canto ou livre. Muitos perguntavam pelo tempo que faltava, esperando que tudo acabasse cedo. O ataque era inoperante, o meio-campo inexistente, a defesa estava sempre aos papéis e Bento terá tido por certo, uma das noites mais infelizes da sua carreira, não estando isento de culpas em pelo menos dois dos cinco golos sofridos.

Fruta, leite e fardos de palha

Em Portugal, o score final rebentava como uma bomba, deixando chocados os adeptos e a própria imprensa. Diversas desculpas seriam invocadas, mas para a história ficaram as inusitadas justificações de Bento, que considerando-se injustiçado, justificava assim o sucedido na capital da URSS:

«O que gostava era que a União Soviética passasse em Portugal aquilo que nós passámos em Moscovo. Até fome chegámos a passar. Não havia líquidos, não havia leite, não havia fruta e tivemos muitas privações. Não quero dizer que isto sirva de desculpa para o resultado, mas que foi uma ajuda, disso estou convencido. O que falhámos não sei, não consigo encontrar uma explicação para isso. A verdade é que a equipa portuguesa parecia que tinha chumbo nos pés.»

A falta de fruta e leite, foi parodiada nas ruas, tornando-se anedota recorrente. A imprensa não perdoava, humilhando os jogadores e apontando o dedo às escolhas de Otto Glória. De norte chegavam remoques ao excesso de águias na equipa, em Alvalade também se lamentava a ausência de mais leões...

Entretanto, começavam a surgir rumores na imprensa, que no Barreiro, comunistas mais exacerbados, revoltados com a imagem que Bento dera da União Soviética, resolveram - durante dias a fio - colocar fardos de palha à porta da sua vivenda.

Verdade ou mentira, tal como a história da falta de fruta, também os fardos de palha entraram para o anedotário nacional. Sobre o assunto, o guardião benfiquista diria algum tempo mais tarde:

«Limitei-me a dizer a verdade, aliás não seria preciso esperar muito tempo para se perceber bem que não mentia... Mas essas histórias da loja de «pronto-a-vestir» destruída e dos fardos de palha foi muito mal contada. Um homem como eu continuaria a viver e a amar o Barreiro se isso se tivesse passado? Essa história dos fardos de palha está muito mal contada: eu é que, para promoção das calças de ganga, fiz montras com fardos de palha como adereços e alguém confundiu tudo e lançou a boato...».

A redenção

Meses mais tarde, em novembro, Portugal recebeu a URSS com a possibilidade de se qualificar para o Euro 84, bastando para tal, bater os soviéticos por um golo que fosse. A Luz a rebentar pelas costuras, insuflada de esperança, assistiu a uma dramática vitória portuguesa, selada pelo golo de Rui Jordão, a selar um penálti não existente sobre Chalana.

Os soviéticos muito protestaram, argumentando com razão que a falta fora bem fora de área. Os portugueses assobiavam para o lado, felizes com a qualificação, indiferentes à acusação de que com a grande comunidade portuguesa residente em França, a UEFA preferia a presença de Portugal na fase final, do que da União Soviética, que com as restrições políticas, estaria representada por escassas centenas de adeptos nos estádios franceses. 

 



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Comentários (1)
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Motivo:
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Dito
2013-03-29 11h42m por tonefcp
Na crónica é referido que Portugal tinha ganho à Alemanha (Federal) com um golo do benfiquista Dito. É verdade que o golo foi de Dito que era (e ainda foi por mais alguns anos) jogador do Sp. de Braga. Ele só foi para o Benfica em 1986.

Quanto ao jogo de Moscovo foi um massacre (a URSS era uma das melhores selecções de então - talvez a melhor selecção soviética de sempre) mas cá ganhamos com o tal penalty inexistente (por mais de 1, 5 metros), marcado por um árbitro Francês (...ler comentário completo »
jogos históricos
U Quarta, 27 Abril 1983 - 16:00
Luzhniki
John Hunting
5-0
Fedor Cherenkov 16' 63'
Sergei Rodionov 40'
Anatoliy Demyanenko 53'
Nikolay Larionov 86'
Estádio
Luzhniki
Luzhniki
Rússia
Moskva
Lotação44929
Medidas104x67
Inauguração1956