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Lazlo Kubala: o húngaro das cinco copas

2011/12/08 23:36
Texto por João Pedro Silveira
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A cena passou-se a 15 de Outubro de 2011. A bola vinha no ar, Lionel Andrés Messi fez um compasso de espera, as bancadas de Nou Camp susteram a respiração, o argentino fitou o esférico, olhou o nos olhos, enquanto este se aproximava rodando na sua direcção. Empurrou-o com a sua inigualável elegância para o fundo das redes defendidas pelo desamparado Toño, enquanto o estádio explodia de alegria. 

O argentino chegava aos 195 golos marcados com a camisola do Barcelona, tornando-se o segundo melhor marcador da história do clube, ultrapassando os números estratoféricos do mítico Lazlo Kubala.
 
Messi festejou e olhou o céu, a afición barcelonista vitoriava o seu menino de ouro, lembrando o primeiro grande herói da história blaugrana. Mas quem foi Lazlo Kubala? Que herói é esse que nunca ganhou uma Taça dos Campeões e nunca jogou num Campeonato do Mundo?
 
Um nome, quatro idiomas
 
László, Ladislav, Ladislao, Ladislau, um nome próprio em quatro línguas. É assim que Kubala é conhecido nos diversos "universos" onde flanou com o seu futebol de filigrana, enleando os oponentes e namorando ostensivamente com as redes adversárias.
 
Kubala era sinónimo de golo, de vitórias. Marcou com muitas redes balançadas pelos seus golos a primeira era dourada do futebol blaugrana.
Mas a história de kubala começou muito antes de vestir o símbolo da Catalunha, e em outras paragens mais meridionais...
 
Nasceu a 10 de Junho de 1927, em Budapeste, capital da Hungria. Ambos os pais pertenciam à minoria eslovaca residente na capital magiar. 
Aí cresceu, dando os primeiros passos e pontapés na bola. Foi na cidade que o viu nascer, que sobreviveu às agruras da II Guerra Mundial, e foi só após o fim do conflito e a morte do pai, que temendo o serviço militar, resolve acompanhar a mãe, mudando-se para a terra natal dela, a cidade de Bratislava, na então Checoslováquia.
 
Começou a jogar no Slovan de Bratislava, dando sequência à carreira que começara nos húngaros do Ganz e que dera continuidade no Ferencváros.
Contudo, em 1948, voltou à sua Hungria natal, para jogar no Vasas, passando também a representar a selecção magiar, depois de já ter vestido a camisola da Checoslováquia por seis vezes entre 1946 e 1948. 
 
A fuga da Hungria e a passagem por Itália
 
Com a ascensão do regime comunista em Budapeste, Kubala resolve percorrer o caminho do exílio e foge para Itália, num comboio via Áustria. Veste por uma época a camisola do Pro Pátria, um pequeno clube da Lombardia, norte de Itália.
 
Seria já em Itália que por mais uma vez fintaria o destino. Em 1949, aceitou fazer um jogo pelo Torino contra o Benfica em Lisboa. Mas dias antes da comitiva partir para a capital portuguesa, a doença do filho fez com que abandonasse o projecto de viajar com a equipa.
 
No regresso, o avião que transportava a equipa do Torino caiu na colina de Superga, arredores de Turim, vitimando todos os tripulantes e passageiros.
 
O Hungária e a mudança para Espanha
 
Continuando a alimentar a sua alma andarilha, resolveu criar um clube juntamente com Ferdinand Daučík (que era o treinador), para ultrapassar a proibição de jogar em clubes federados, após a FIFA ter dado razão à Federação Húngara que acusara Kubala de deserção.
 
O Hungária reunia jogadores expatriados da Europa de leste, muitos deles fugidos às "garras" dos regimes comunistas, e outros que tinham perdido a nacionalidade com o fim da guerra.
 
Foi com a camisola do Hungária que Kubala jogou diversos amigáveis de apresentação em Espanha, no Verão de 1950.
Rapidamente despertou o interesse do Real de Madrid, mas seria o Barcelona, por intermédio de Josep Samitier, que conseguiu a contratação do craque.
 
A mudança de uma estrela do futebol de leste para o ocidente era um acontecimento político que a Espanha franquista não podia descurar. Das notícias na imprensa, até um filme com Kubala a jogar com Samitier, tudo serviu para mostrar a vitória sobre os «vermelhos».
 
Ladislau, o catalão
 
Em Barcelona, Kubala foi, pode dizer-se, extraordinariamente feliz. A partir de 1951, terminado o castigo imposto pela FIFA, Kubala conduziu o clube à sua primeira era dourada, sendo fundamental na conquista de duas Ligas, três Taças de Espanha e uma Taça Latina. Ficando essa equipa conhecida como a de «las cinco copas», pelos cinco troféus nacionais conquistados durante esse periodo.
 
Mais tarde, depois de um outro húngaro (Puskás) mudar-se para Madrid, foi a vez de Kubala convencer Kocsis e Czibor, outros dois foragidos húngaros, a vestir a camisola blaugrana.
 
 
A «ligação húngara» do Barça conquistou duas Ligas, duas Taças das Feiras e uma Taça de Espanha, chegando à meia-final da Taça dos Campeões em 1960, que Kubala falhou, por desentendimentos com o treinador Helénio Herrera.
Um ano depois, desta vez contando com Kubala, o Barcelona eliminou o Real, pentacampeão europeu, chegando pela primeira vez à final da Taça dos Campeões. 
 
Contudo, em Berna, foi o Benfica que venceu a final. Kubala e o Barcelona passavam ao lado da história... 
 
Kubala nunca conseguiria conquistar a tão desejada Taça e os blaugrana só quebrariam a malapata em Londres, contra a Sampdória em 1992.
 
Com a camisola roja
 
Depois da Checoslováquia e da Hungria, o mago húngaro vestiu a camisola nacional espanhola em 20 ocasiões. Defendeu a «fúria espanhola», com a mítica camisola roja, cor de sangue na qualificação para o mundial do Chile, mas uma lesão em 1962, custou-lhe a presença no mundial para onde estava convocado. Tal como o rival Di Stéfano, Kubala falhou essa presença num grande torneio, sendo uma das grandes mágoas da sua carreira...
 
Sem nunca ter brilhado no grande palco, sem nunca ter conquistado a Taça dos Campeões que Di Stéfano e Puskas, os maiores magos do seu tempo conquistaram ao serviço do Real, Kubala marcou uma era em Barcelona, sendo considerado ainda hoje como um dos três maiores jogadores de sempre da história do clube, juntamente com Cruijff e Messi.
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