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história
Jogadores

José Leandro Andrade: a Maravilha Negra

2015/12/23 17:32
Texto por João Pedro Silveira
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Como é que um filho de um escravo foragido se torna na primeira grande estrela internacional de futebol. A primeira estrela de cor negra do futebol que foi a estrela da equipa uruguaia que venceu a primeira edição do Campeonato do Mundo? Esta é a vida de Andrade, la Maravilla Negra, um dos trágicos heróis da história do desporto rei. 
 
O mago que era filho de um feiticeiro

José Leandro Andrade nasceu em Salto, no Uruguai, no dia 22 de novembro de 1901, filho de uma mãe argentina e de José Ignacio Andrade, um brasileiro que na certidão de nascimento estava identificado como seu padrinho.
 
José Ignacio Andrade, um feiticeiro especialista em magia africana, tinha nascido em África e que fora levado para o Brasil como escravo, de onde fugira há muito para o Uruguai, onde encontrara a paz e a liberdade. Aquando do nascimento do seu filho contava 98 anos. 
 
Ainda pequeno mudou-se para casa de uma tia no bairro de Palermo, na capital do país, Montevideu. A sua tia não tinha possibilidades financeiras para lhe pagar os estudos, então desde a primeira hora, o pequeno José teve de fazer pela vida.
 
Entre os inúmeros trabalhos e biscates que realizava para ganhar alguns trocos com que ajudava em casa, Andrade foi jornaleiro, ardina, e engraxador de sapatos. Jogava à bola com amigos, sempre descalços, usando tudo o que podiam como bola. Além do futebol, adorava música, tocava pandeireta, bombo ou bateria, e ainda o violino, sendo um carnavalesco afamado, todos os anos empenhado nas festividades do seu bairro e da cidade.
 
Com a bola à conquista do Mundo
 
Começou por jogar nas camadas jovens do humilde Miramar Misiones de onde saltou para o Bella Vista em 1921, assumindo-se como o líder da defesa de todas as equipas onde jogava. A sua liderança cativou o interesse de vários clubes e foi chamado pela primeira vez à seleção nacional uruguaia. Após dois anos e 71 jogos mudou-se para o Nacional, um dos grandes da capital. 
 
Fez parte com os seus colegas no Nacional, Mazzali, Urdinarán, Scarone, Romano, Zibechi e Pascual Somma, da mítica equipa uruguaia que venceu a medalha de ouro no torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Paris em 1924.
 
Na capital francesa encantou, dentro e fora dos relvados, tendo inclusive brilhado na pista de dança, num tango que deu brado, com a maravilhosa Josephine Baker. Os jornais não poupavam nos elogios à La Marveille Noir, batismo que o acompanharia no regresso às margens do Rio da Prata.
 
De medalha de ouro ao peito, percorreu a boémia parisiense, celebrando a primeira grande conquista internacional de uma equipa sul-americana em grande estilo.
 
Do Nacional para o Centenário
 
De regresso a casa com os colegas, brilhou ao serviço dos tricolores, clube com que conquistaria quatro ligas e três taças do Uruguai. Com diversos campeões olímpicos no plantel, os uruguaios foram convidados para visitar a Europa, naquela que seria a maior tournée da história do futebol.
 
Entre fevereiro e agosto de 1925, durante 190 dias, os tricolores visitaram 23 cidades, percorrendo ao todo 15 mil quilómetros e vinte milhas náuticas, disputando 38 jogos. A tour passaria por Portugal, onde em três jogos, os uruguaios enfrentaram uma seleção da cidade do Porto que venceram em dois jogos, antes de vencerem o Sporting em Lisboa. 
 
Três anos depois, em Amesterdão, nova glória com nova medalha de ouro conquistada no torneio de futebol das olimpíadas. A imprensa não se cansava de elogiar Andrade, tido como um exemplo de fair-play, retidão e honestidade, incapaz de contestar uma decisão dos juízes. Durante a meia-final, contra a Itália, Andrade chocou com um poste, provocando tal lesão, que anos mais tarde perderia a visão nesse olho.
 
Em 1930 o Uruguai recebeu a honra de receber a primeira edição do Campeonato do Mundo. Um justo reconhecimento pelas duas vitórias nos jogos de 1924 e 1928. O Uruguai era a melhor equipa do Mundo e queria comprova-lo em casa, perante os seus.
 
Para tal feito construiu-se o maravilhoso e imponente Estádio Centenário, e a Celeste Olímpica, como era conhecida depois das duas medalhas de ouro, chegou à final, onde bateu a vizinha e rival Argentina. Andrade era campeão do Mundo no auge da sua carreira, contava 29 anos de idade.
 
Não voltou a vestir a camisola celeste depois de 1930, jogando primeiro no Peñarol e mais tarde no Montevideu Wanderers onde pendurou as chuteiras em 1933.
 
Minado pela tuberculose e pelo alcoolismo, era uma sombra do atleta e jogador que fora. Cego de um olho, caiu na melancolia e viveu o resto da sua vida em extrema pobreza. Morreu num asilo de Montevideu, a 5 de outubro de 1957. A sua memória perdura numa placa na fachada do Centenário e o seu nome ainda hoje é recordado, quase 100 anos depois do seu futebol ter começado a encantar o mundo...
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