Segue o canal do youtube do zerozero.pt

Error message here!

Error message here!

Esqueceu-se password?

Perdeu a password? Introduza o seu endereço de email. Irá receber um link para criar uma nova password.

Error message here!

Voltar ao login

X
história
Jogadores

Jaime Graça: o Catalunha

2012/02/28 16:22
Texto por João Pedro Silveira com Cláudia Martins
l0
E2
Nasceu em Setúbal e teve um início de vida difícil, começando a trabalhar aos dez anos, muito longe ainda de se tornar num dos pilares do mágico Benfica dos anos 60 e 70, ao lado de Eusébio, Coluna, Simões, José Augusto... Na sua juventude, além de futebol, jogou hóquei patins. Os amigos que o foram ver jogar um dia, juravam que jogava tão bem como os melhores jogadores do FC Barcelona, a maior potência do hóquei naqueles tempos. Daí a chamarem-lhe Catalunha, foi um pequeno passo...

Origens humildes

Nascido em Setúbal no seio de uma família modesta, irmão do médio sadino Emídio Graça, desde cedo o jovem Jaime Graça teve de se fazer à vida, trabalhando como aprendiz de eletricista aos dez anos, mal terminou a instrução primária. Esse conhecimento havia de lhe ser útil para salvar a vida a Eusébio e companhia, uns anos mais tarde.

Reguila, apaixonado pelo futebol e bom de bola, passou a sua infância e adolescência jogando em diversos pequenos clubes da cidade do Sado como o Estrela do Sado, o Beira-Mar de Setúbal, o Independente Setubalense ou Nacional Sadino. Aos 16 anos tenta a sorte no Vitória, mas vê os seus intentos frustrados e acaba por rumar ao Palmelense, onde joga uma época e se sagra campeão distrital.

Os anos a verde e branco

No ano seguinte o Vitória chama por ele e Jaime Graça não hesita, passando a vestir de verde e branco. Entre 1959/60 e 1961/62 o clube joga na II Divisão, enquanto Jaime Graça brilha ao lado do irmão.

qCom ele (Eusébio) na minha equipa foi tudo mais fácil. Fui campeão sete vezes em nove anos. Só perdi dois campeonatos para o Sporting.
Jaime Graça
Em 1962 chega a primeira época dourada da sua carreira, ao ajudar o Vitória a voltar à I Divisão e a chegar à final da Taça de Portugal, onde sofre uma pesada derrota por 0x3 às mãos do Benfica de Eusébio. Acerca desse jogo e, da Pantera Negra, de quem era mais velho apenas 15 dias, Jaime Graça disse um dia mais tarde:

«(...) fomos à final da Taça mas perdemos 3x0. Do outro lado, estava Eusébio. Assim era complicado. Marcou-nos dois golos, o primeiro e o último(...)» e mais acrescentou, que fora um «alívio» mudar-se para o Benfica, poder jogar ao lado do "Rei": «Com ele na minha equipa foi tudo mais fácil. Fui campeão sete vezes em nove anos. Só perdi dois campeonatos para o Sporting

Mas antes das luzes da ribalta na Luz, ainda haveria de sentir o sabor do sucesso nas margens do sado. Após um par de anos ao mais alto nível, surge a sua primeira internacionalização em 1965 e ainda no final dessa época uma nova final da Taça contra o Benfica.

Desta feita, a vitória acabou por sorrir aos sadinos, com um claro 3x1 sobre o mesmo Benfica, com uma exibição de mão cheia, na qual marca um golo e «mete Coluna num bolso».

1966: um ano para lembrar

1966 foi um ano para lembrar. Primeiro a presença na final da Taça contra o SC Braga, a terceira da carreira (derrota por 0x1), depois a convocatória para o Mundial de Inglaterra, no qual foi um dos magriços em destaque na conquista do terceiro lugar e, por último, a mudança para a Luz durante o defeso, dando finalmente o salto merecido para um grande.

De encarnado

No Benfica, o maestro de Setúbal deu lugar ao operário da Luz, tornando-se num dos pilares do mágico Benfica ao lado de Eusébio, Coluna, Simões, José Augusto...

qNo Benfica, o maestro de Setúbal deu lugar ao operário da Luz, tornando-se num dos pilares do mágico Benfica ao lado de Eusébio, Coluna, Simões, José Augusto...
De vermelho ao peito conquistou sete campeonatos, quatro taças e chegou a uma final da Taça dos Campeões, na qual marcou um golo na trágica derrota após prolongamento em Wembley com o Manchester United (1x4).

Salvou a vida de Eusébio e dos seus colegas quando após um jogo com a Sanjoanense, no dia seguinte, 5 de dezembro  de 1966, alguns jogadores do Benfica foram experimentar o novo tanque de hidromassagens. Um curto-circuito eletrocutou o infortunado Luciano, deixou Malta da Silva em coma e quase vitimou Eusébio.

Jaime Graça teve o sangue frio de sair do tanque e desligar o quadro elétrico, valendo-se da sua mais-valia como eletricista, salvando assim a vida dos colegas e amigos, apenas se lamentando por chegar muito tarde para salvar o algarvio Luciano.

Foi treinado por alguns dos melhores, como o inglês Jimmy Hagan e o carismático Pedroto, alcançando grandes vitórias. Respeitado pelos adversários, Jaime Graça voltou a Setúbal, a sua casa, para descansar das exigências muito altas a que se via forçado no Benfica, colocando um ponto final na sua carreira na época 1976/77, com o emblema sadino ao peito.

Ao longo de uma longa carreira, conquistou sete campeonatos nacionais, ganhou quatro taças, subiu uma vez de divisão, jogou uma final europeia e foi terceiro classificado no Campeonato do Mundo. Em nove temporadas na Luz jogou 159 de águia ao peito e apontou 19 golos.

Fotografias(1)
Jaime Graça
Capítulos
Comentários (0)
Gostaria de comentar? Basta registar-se!
motivo:
EAinda não foram registados comentários...
Tópicos Relacionados